A culpa é do cérebro!

(Claudia Pedrozo)

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Esta semana estava eu a navegar pela net quando deparei-me com uma reportagem super interessante da Revista “Isto é Independente” que falava dos recentes estudos neurológicos que estão sendo realizados e que explicam, à luz da Neurologia, a “montanha russa” emocional pela qual passamos na adolescência.

Segundo os pesquisadores toda turbulência deste período decorre de uma tentativa que o cérebro humano faz para adaptar-se ao ambiente. Os cientistas descobriram que a adolescência é marcada pelo aumento das conexões neuronais entre diferentes partes do cérebro e o abandono de outras, que são menos usadas.

As pesquisas indicam que a maturação neuronial se inicia nas partes mais arcaicas do nosso cérebro, próximas aos centros de linguagem e das áreas ligadas ao processamento das emoções. Depois amplia-se para as áreas mais recentes do cérebro, ligadas aos pensamentos mais complexos e à tomada de decisões. Isto explica porque, na opinião dos pais e educadores, os jovens parecem não privilegiar muito uso da razão!

A “necessidade” de andar em grupos também é explicada do ponto de vista neurológico.

Para os Neurocientistas há, por volta dos 15 anos, um aumento na atividade dos chamados “neurônios espelho”. Essas células, que foram descobertas por acaso por pesquisadores italianos em 1994, explicam porque, quando vemos alguém fazendo algo, bocejando, por exemplo, automaticamente simulamos a ação no cérebro e é como se nós mesmos estivéssemos realizando aquele gesto, ou seja, imitamos mentalmente toda ação que observamos. Isso nos faz aprender atitudes e ações durante nosso processo educacional. São as células espelho que permitem que nós executemos as ações sem necessariamente pensarmos nelas, acessando apenas nosso banco das memórias consolidadas.

Eis aqui uma das explicações, a científica, para o fato dos jovens andarem “em bando” e adotarem gestos, roupas e atitudes similares. Outra explicação é o aumento do neurotransmissor chamado oxitocina, que é considerada o “hormônio do amor”, é alvo de recentes pesquisas, pois melhora a interação social e a realização de vínculos afetivos favorecendo a tendência de andar em grupos. Claro que não podemos desprezar aqui a necessidade de aceitação que acompanha este processo de identificação e que é fundamental nesta fase da vida, mais que em outras.

O legal da reportagem é que, embora aponte descobertas recentes da Neurologia, ela confirma todas as recomendações dadas, a “séculos”, por educadores, psicólogos, psicanalistas e afins aos pais (muitas vezes a beira de um colapso nervoso!) de jovens: diante do caos que representa esta turbulenta fase da vida, a solução é ter calma, manter o diálogo, conhecer e observar quem são os amigos do filho (cuidado com os neurônios espelho!), investir em cursos e projetos que estimulem a criatividade e a coletividade (esportes, por exemplo)… em outras palavras, observar, acompanhar, dialogar, respeitar e estabelecer regras e limites!

Conheço estas ações por um verbo: educar! E vocês?

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