Novos paradigmas

(Dra. Karen Câmara)

paradigma

Estou lendo um livro escrito por um físico indiano chamado Amit Goswami, que fala sobre mudança de paradigmas na medicina. Ele diz que a física quântica provocou mudanças importantes em várias áreas do conhecimento humano mas ainda não foi incorporada nas ciências biológicas. A medicina convencional continua se pautando na visão mecanicista do Universo, visão essa que está ultrapassada há muito tempo.

A medicina alopática se baseia na crença que tudo é matéria, ou seja, a matéria é a única realidade. De acordo com esse realismo materialista, as doenças e a cura são o resultado da interação de forças materiais ou energéticas – energia sendo entendida como um correlato da matéria – que podem ser descritas, mensuradas e estudadas. O problema é que o paradigma materialista da medicina não consegue explicar muitos fenômenos anômalos e situações paradoxais. Os ramos ditos alternativos da medicina também têm suas falhas e carecem de explicações lógicas para muitos fatos.
O escritor propõe então uma Medicina Integral, onde tanto a medicina alopática convencional como as medicinas alternativas são reunidas em um modelo que as integra de forma coerente.

Para que isso aconteça, é imprescindível haver uma grande mudança de paradigma, assim como houve no campo da física. A física clássica, proposta por Isaac Newton, vê o mundo como um mecanismo determinado, uma máquina formada por várias peças que se encaixam e trabalham em conjunto. Da mesma forma, a medicina convencional vê o corpo humano como uma máquina que, quando está saudável, deve receber manutenção preventiva e, quando está doente, precisa ser consertada por médicos-mecânicos através de drogas químicas, cirurgia, transplante de órgãos ou radiação de energia (radioterapia).

Essa visão se baseia na crença de que tudo é feito de matéria e seus correlatos, a energia e seus campos de força. Todos os fenômenos, inclusive o que chamamos de energia mental ou sutil, são devidos a partículas elementares e as suas interações em nível submicroscópico. Nesse modelo, a causação é ascendente, isto é, tudo o que existe se forma a partir das partículas menores, que se agrupam para formar peças maiores. No caso de uma pessoa, as partículas subatômicas formam os átomos, estes formam as moléculas, que formam as organelas, que se agrupam para formar as células, que constituem os tecidos e estes compõem os aparelhos e os sistemas do corpo humano. Então os neurônios formam o cérebro, o cérebro gera os pensamentos, ou a mente, e os pensamentos produzem a consciência. Essa é a causação ascendente. É assim que estamos acostumados a pensar.

A mudança de paradigma é tão revolucionária quanto foi a ideia de que a terra gira em torno do sol quando todos pensavam o contrário, isto é, que o sol girava em torno da terra. A física quântica só pode ser entendida se partirmos do princípio que sua base é a consciência. A consciência não é a mente; a consciência é o fundamento de todo o ser, o fundamento tanto da matéria como da mente. Matéria e mente são ambas possibilidades da consciência. A consciência tem cinco compartimentos ou corpos, que estão contidos uns dentro dos outros: o físico, o vital (sentimentos), o mental (pensamentos), o supramental (intuição) e o espiritual. Tudo começa na consciência e é ela que causa, ou dá origem, aos níveis inferiores. Portanto a causação é descendente, e não ascendente. A visão materialista do mundo é então virada de cabeça para baixo.

A doença pode ter origem em qualquer um dos corpos e a cura pode ocorrer a partir de qualquer um dos compartimentos.

2 pensamentos sobre “Novos paradigmas

  1. “Modelo” e “padrão” são conceitos e conceitos só existem na mente das pessoas. Conceitos são criados e mantidos por processos mentais. Acreditamos que eles representam ou explicam a realidade enquanto eles nos são úteis. Acreditar também é um processo da mente. Acreditar que algo seja real não torna aquilo real.

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