Pobre executivo vaidoso

(Sônia Pedreira de Cerqueira)

mae-e-executiva

Diziam que de médico e louco todo mundo tem um pouco. Pra dizer a verdade, acho que atualmente a frase que mais se encaixa é : “de executivo louco, todo mundo tem um pouco”.

Esta semana ouvi a frase, com muito pesar de quem falou, de uma executiva: “é, pois é, saio de casa às 7 da manhã, chego às 8 da noite e quase não vejo meus filhos, mas fazer o quê né? A sociedade cobra isso da gente”. E a pessoa falou, com vaidade, como se tivesse realmente que cumprir os padrões mega- hiper- super da sociedade que nos acolhe (ou não acolhe nada). Sinceramente, fiquei com a maior cara de passada, aliás, nem acreditei naquilo que ouvi.

E a partir disso comecei a refletir: trabalhamos por dinheiro? Porque se trabalhamos por dinheiro, todo o discurso de amor e necessidade de cuidados com a família, amigos e pessoas amadas que ouvimos por aí soa meio estranho. Na verdade esse mundo de trabalho é um emaranhado de contradições. Na verdade, verdade mesmo é que muitas vezes nos pegamos trabalhando por vaidade. Sim, por vaidade, gostamos de ser reconhecidos como super- hiper- mega profissional de sucesso.

Nas reuniões com os amigos e familiares, enchemos a boca para dizer que somos ocupados (não ser ocupado é coisa de gente fracassada), porque isso pressupõe ganho de dinheiro, enchemos a boca para dizer que nossos filhos estudam em uma escola cara, porque afinal, eles só estudam lá porque somos pessoas de sucesso. Nesse momento a nossa vaidade impera!

Mas o que mais me intriga é o quanto de contribuição este sucesso vaidoso dá em favor de nossa felicidade verdadeira. O quanto este sucesso dá de contribuição no sentido de nos tornarmos uma pessoa melhor em nossa essência, e não uma pessoa com uma casa, carro ou cargo melhor.

O pior, ou melhor, disso tudo é que a vaidade está em nossas tendências. Todo mundo tem vaidade sim. Uma vaidadezinha uma vez ou outra não faz mal para ninguém. Mas temos que aprender a domar esta necessidade de ser reconhecido o tempo todo.

Eu estou procurando vigiar e domar a minha vaidade, o que não é fácil, estudo, vou à terapia, converso e peço feedback de amigos. E você, está domando a sua? E não venha me dizer que não tem a tal da vaidade.

5 pensamentos sobre “Pobre executivo vaidoso

  1. Concordo inteiramente com tudo o que foi exposto aqui. Sem contar que ainda há muitas mulheres que praticamente “pagam” para trabalhar, por pura vaidade! Sou vista como um ET porque “escolhi” parar de trabalhar enquanto minhas filhas são pequenas. Quero curti-las ao máximo! Meu marido viaja muito a trabalho, e eu não tenho nenhuma família para ajudar em nada. Sou abençoada por um relacionamento estável de mais de 20 anos que me permitiu essa decisão. Tenho 2 faculdades, e apesar de poder escolher uma vida dedicada exclusivamente à família, voltarei a trabalhar quando minhas filhas forem maiores. A menorzinha tem só 1 aninho! Estou bem resolvida com a vida que escolhi, mas muita gente ao meu redor parece se incomodar muitíssimo com isso! Kkkkk Nós mulheres, conquistamos tantas coisas… Onde está nossa liberdade de decidir o que nos cabe? Eu não sigo padrões! Estou feliz assim! O importante é ter opções para escolher o tipo de vida que se quer levar…

  2. Concordo plenamente, as pessoas tem que ser mais importantes que as coisas. Qual a “importância” de ganhar dinheiro e perder aqueles que amamos ou na melhor das hipóteses, sentirmos a frieza da “distância”?!

  3. Como é difícil esse tal mundo moderno.
    Hoje a maioria não trabalha para sustentar luxos, mas sim para completar a renda familiar.
    Vivemos em um pais onde é tudo tão contraditório.
    Vejo na televisão a melhora do nível de vida das pessoas, de fato alguma coisa melhorou, porem quando olho para minha família e converso com os amigos vejo que todos nós estamos numa louca tentativa de sobreviver a tantas adversidades.

  4. Você tem filhos?
    Se a resposta for sim será que você realmente se preocupa com o futuro deles?
    Se a resposta for não, então compreendo o seu modo de pensar e ainda afirmo: trabalhe e conquiste enquanto não os tem para que vc possa curti-los!
    Fui criada por uma mãe que trabalhava muito e essa é realidade do meu lar, como gostaria de poder passar mais tempo com ele! Mas infelizmente a saúde e impostos que o governo proporciona vão contra o meu sonho, sou professora e infelizmente só encontrei um salário digno (qnd pensado apenas em valores e não preço por hora/aula) em um regime de 60h semanais.

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