A paciência de Deus

(Padre Jeferson Luis Leme)

paciencia (1)

Texto bíblico: Evangelho: Mt 13, 24-30

Sabia que Deus tem paciência conosco? Todos nós sabemos que temos o lado egocêntrico e o lado empático. As vezes queremos tirar todo o lado egocêntrico da nossa vida para bem vivermos. No entanto, o Evangelho que propus, nos ensina a paciência que Deus tem por nós. Quero fazer uma analogia entre o joio e o trigo com as nossas estruturas egocêntricas e empáticas.

Os sentimentos egocêntricos são decorrentes do predomínio racional, do ego que avalia egocentricamente, quando o nível racional (ego que avalia empaticamente), exigido pelo caráter e pela situação vivida, não estiver sendo atendido de maneira satisfatória. Neste caso, a consciência empática que não foi atendida de maneira adequada, produzirá um constrangimento no ego (culpa), fazendo-o avaliar-se racionalmente, buscando ouvir sua estrutura moral. Já os sentimentos empáticos verdadeiros são decorrentes do predomínio racional do ego que avalia as situações pensando nos outros, contudo eles exigem que a componente do ego que avalia egocentricamente seja também atendida (defendendo também os interesses e necessidades do indivíduo). É o amar ao próximo (empaticamente) como a si mesmo (egocentricamente).

A parábola do joio e do trigo é a respostas de Jesus, que vem dizer: A paciência de Deus aguarda que amadureça a seara até à colheita para fazer a separação do trigo do joio, isto é, o equilíbrio de nossas vidas. A parábola do joio é, com todas, uma revelação sobre o Reino de Deus. O núcleo essencial da sua lição é a coexistência do bem e do mal, da empatia e do egocentrismo, representado na boa e má semente, procedentes de semeadores muitos diferentes. O joio não é arrancado agora; este é o ponto central da parábola. Porque? Pela paciência do dono, que espera para separar o trigo e o joio no momento da ceifa da seara, isto é, segundo a mentalidade bíblico-profética, no julgamento de Deus. Ele é o único a quem compete essa decisão. Entretanto, é o tempo da paciência e misericórdia divinas.

O mal e o bem não estão só fora de nós, mas dentro do nosso coração. Como que enfrentamos nossas estruturas egocêntricas (joio)? Só porque esquecemos isto e não nos conhecemos suficientemente nos atrevemos a constituir-nos juízes dos outros, premiando a intransigência. Contudo, jesus disse: “Não julgueis para não serdes julgados. Pois como julgardes assim sereis julgados, e a medida que usardes a usarão convosco.” (Mt 7, 1ss).

Ninguém pode ter a presunção de ser o trigo limpo, ou seja, somente empático, porque ninguém é tão bom que não tenha algum joio. Jesus disse também: só Deus é bom (Mc 10,18). Precisamos a aprender a conviver com as nossas estruturas tanta egocêntricas como as empáticas, mas num equilíbrio, isto é, buscando sempre o melhor para nós e para os outros. Nossa vida nos parece muito mais bonita quando deixamos de compará-la com as dos outros.

3 pensamentos sobre “A paciência de Deus

  1. Tentar ser uma pessoa melhor não é uma tarefa fácil, mas é necessário e importante que tenhamos a consciência de que buscar isso é fundamental para uma convivência mais humana. Obrigada pela oportunidade de ler seu texto, Padre Jeferson Leme!

  2. Legal o texto!
    É isso, as vezes o nosso ego toma conta, e nos tornamos orgulhosos.
    Esquecemos das pessoas que por tanto tempo preencheram nossa vida, e olhamos so para nosso umbigo.

    parabens.

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