APRENDER A SOFRER: É DE PEQUENINO QUE SE TORCE O PEPINO, PODE CRER!

(Claudia Pedrozo)

superproteção

Hoje estava “zanzando” pela internet e vi um texto que me chamou a atenção. Contava a história de um garoto norte americano, Halsey Parkerson, que estava sendo assediado moralmente na escola por outro adolescente; ou seja, Halsey estava sendo vítima de bullying. Outro estudante o chateava constantemente dizendo que ele não tinha amigos. Numa dessas situações Halsey estava almoçando com a tia quando foi assediado moralmente  pelo colega de escola. A tia percebeu a situação e para ajudar o sobrinho, organizou um evento no Facebook e no dia seguinte mais de cem pessoas compareceram à porta da escola, no horário da saída, para mostrar ao agressor que sua vitima tinha amigos. Fortalecido pela situação, Halsey conseguiu se impor ao seu agressor, que diante da multidão acabou se retratando.

Embora a história seja interessante e pudéssemos fazer inferências sobre ela, analisando o agredido, o agressor e a solução encontrada pela tia, o que me chamou mais a atenção foi o comentário postado por um leitor da reportagem.

O leitor escreveu que se o filho dele sofresse bullying, ele resolveria o problema tirando o garoto da escola, deixando-o por um ano afastado desse ambiente, só fazendo cursos prazerosos que aumentassem a auto estima do filho. Passado este tempo o colocaria para estudar em outra escola. Segundo ele isso resolveria o problema.

Fiquei preocupada! (Tomara que ele seja só um palpiteiro, aquele tipo de pessoa que entra numa discussão só para dar palpites, sem que tenha qualquer vivência relacionada ao problema exposto).

Será que a melhor solução seria a fuga?  Ou seria o enfrentamento?

Eu opto pela segunda alternativa. Fugir em qualquer idade nunca, jamais, é a solução! A fuga só nos faz recalcar os sentimentos, bons ou ruins e, mais tarde, estes fantasmas voltam para assombrar nossa vida, seja na forma de doenças emocionais, na forma de conversões, numa autoestima baixa, seja por transferências – projeções ou deslocamentos – que fazemos e que interferem diretamente em nossas escolhas.

Fugir não nos  fortalece, ao contrário nos torna reféns de medos, de inseguranças, de registros emocionais negativos que assombrarão nossas vidas, fazendo-nos sofrer. Se você parar para pensar vai lembrar-se de situações que você viveu e que foram dolorosas. Vai rever os sentimentos e desdobramentos que surgiram quando você enfrentou a situação e também vai atualizar os medos e sentimentos das situações nas quais você optou por fingir que não aconteciam. Tenho certeza que seu coração vai disparar!

Como pais não queremos ver nossos filhos sofrendo, mas com que direito e em nome de que amor, os  tornamos pessoas fracas, com baixa resistência às frustrações e problemas da vida? Queremos proteger a eles ou a nós mesmos? É amor ou  projeção? (lembrando que projeção é um mecanismo de defesa do ego onde atribuímos aos outros aquilo que é nosso e que, inconscientemente, não aceitamos em nós!)

Nossa tarefa enquanto pais é ajudar nossos filhos a se desenvolverem plenamente e isto inclui aprender a sofrer do tamanho certo. Nem mais, nem menos!

Você deve estar pensando: mas que coisa maluca é essa de sofrer do tamanho certo? É algo bem simples. Na Psicanálise aprendemos que a dor é obrigatória, mas o sofrimento é opcional. Não podemos impedir a doença de chegar, um ente querido de morrer, enfim não temos o poder de evitar as dores da vida, mas podemos escolher viver esta dor numa intensidade normal ou anormal. Isto é algo trabalhoso, mas possível quando equilibramos nossa emoção e nossa razão. Aprender a mesclar razão e emoção é um aprendizado que começa desde a mais tenra idade.

Por isso, a mensagem de hoje é básica: “Pais, ensinem seus filhos a sofrerem na medida certa! Na vida valorize o sofrimento do jeito certo. Não adianta dizer a um filho que sofre (por qualquer motivo que para nós é banal, mas para ele é imenso) que não é nada… para ele é sim! Deixe-o ficar triste, desanimado na medida certa, afinal, faz parte da vida viver a dor e este período de luto o ajudar a elaborar, enfrentar usando o ego que avalia racionalmente o sofrimento. Mas evite dar à dor uma dimensão superdimensionada.

Protejam sim, seus filhos, mas não o superprotejam. Afinal  aquilo que não nos mata, fortalece! E, por mais que queiramos, não somos eternos e nossos filhos não são nossos!

 

4 pensamentos sobre “APRENDER A SOFRER: É DE PEQUENINO QUE SE TORCE O PEPINO, PODE CRER!

  1. maravilhoso texto vou levar isto para minha filha pois eu nao tive esta formaçao entao nao consigo fazer nada sofri muito com isto e sofro ate hoje pois tenho 45 anos e os meus medos me acompanhao ate hoje tenho medo de aprender a dirigir e de enfrentar meus problemas achei lindo e mostro para minha filha tudo o que o mundo oferece e ela tem que encarar.

  2. Tenho 3 filhos, de 13 ,11,e 9 anos, idade de escola,onde nem se eu quisesse poderia vigia o tempo todo,evitando qualquer tipo de dificuldade . A mais velha ,(claro foi a primeira ,eu tinha tempo,e achava que ama era super proteger,
    não chegava ao extremo ,como vejo certos pais hoje,ela sempre teve limite,porem quando percebi que ela “sofria ” na escola,porque umas meninas zombavam de seu cabelo crespo,vi que ela estava se sentindo humilhada, resolvi intervi, tive medo que a dor ,abalasse sua doçura. Fui até a escola, e pedi a todos ,que acompanhasse mais ,todos os alunos, e fizessem programas ,que ajudasse ,a instruir todos alunos que ninguém tem direito de humilha ninguém,embora eu sei que a escola não educa,isso vem de casa. Em casa ,não permito qualquer comentário maldoso ,contra quem for.Bom ,quanto a ela, dei lhe uma boa chamada ,duramente, dizendo que com tem a obrigação de se gosta, e quando ela se gosta ,nada nem ninguém vai abala sua alto estima, e reaja, se arrume mais, se ame,ame tudo que Deus lhe deu. Nem sei se fiz certo, porem ,hoje ela tem muitos amigos, esta se gostando maisi, se arruma mais,é mais alegre e dona de si,ficou forte ,e mesmo com dor no coração ,por ter sido dura ,vejo que ajudou,porque não a polpei ,como filhinha da mamãe,nem dei corda para a insegurança,dei força ,não a olhei como vitima,porem se mimava pouco minha filha, os outros mimei menos ainda ,porque a do meio é tão forte ,que me espanta,ninguém mexe com ela e fica sem leva uma resposta,nunca esta triste ,e nem se importa para o que os outros falem,o menos também……eu fui super mimada ,é sofri muito por isso,não estava preparada para sofre uma unha quebrada, até me afasta da minha mãe, e vira mulher com 32 anos.Ninguém quer ser visto como vitima, embora seja confortável.

  3. Infelizmente tive pais superprotetores durante toda a minha vida… Hoje beirando os 30 anos, sou uma pessoa insegura, sem auto estima e recentemente me dei conta que muito do que tenho vem desse fato. O problema é como trabalhar isso daqui pra frente…..

  4. Tenho 50 anos e 4 filhos. Jamais os poupei de situações que os fizessem sofrer, apenas reduzi os impactos (como fazemos nas vacinas) e acompanhei as reações e lhes dei apoio. Não acredito em blindagens emocionais, como também não acredito numa educação sem impor limites e sou a favor das famosas “palmadas na fralda”.

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