A jornada interior

(R. C. Migliorini)

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Não é raro facetas opostas coexistirem e se chocarem no mesmo indivíduo. O mesmo também ocorre na sociedade contemporânea. Nela, o velho e o novo, o popular e o clássico, o profano e o sagrado, o estrangeiro e o nacional, o feio e o belo, a arte e a ciência, o rústico e o acadêmico, a natureza e a cultura, e assim por diante, frequentemente formam parcerias e convivem lado a lado.

Entretanto, antes de harmonizados, esses opostos causam dor e sofrimento, assim como inúmeras contradições e conflitos.

Para o teólogo Paul Tillich, a arte poderia ser uma das soluções para esse conflito, pois mesmo quando fora do grupo das grandes formas artísticas, ela está intimamente relacionada à preocupação última do ser humano. Todavia, continua, o homem de nossa época perdeu a dimensão de profundidade, o que significa que ele não tem mais respostas para as perguntas relacionadas ao significado da vida. Segundo Tillich, originalmente a religião e os símbolos forneciam respostas a tais questões. Contudo, na atualidade, a religião institucionalizada só o faz superficialmente. A arte, contudo, faz perguntas existenciais densas e as responde com profundidade. Portanto, a despeito de ser profana ou sacra, está imbuída de uma religiosidade real.

Em linha paralela de raciocínio, Joseph Campbell considera o artista contemporâneo herdeiro do xamã ancestral, no sentido de que o primeiro atualmente tem a mesma função que o xamã tinha no passado; a de auxiliar os seres humanos em sua jornada interior.

Quanto a mim, sempre que eu posso, enfoco a relação entre arte e saúde. O meu blog, Roda de Cura, difunde minha crença de que a integração das forças acima listadas amplia a criatividade e melhora a comunicação em meio a pessoas com corpos, culturas e personalidades diversas.

Já meu livro, Curadores feridos e outros frankensteins, teve origem em uma peça, também de minha autoria, que refletia sobre um monstro da ficção – nosso conhecido Frankenstein. Embora o livro não seja uma adaptação da peça, ele toma, do mesmo modo, monstros como metáfora, partindo do princípio de que seus corpos híbridos refletem um embate entre aspectos opostos internos ou externos a nós.

Por fim, a minha própria jornada interior está em muitos textos que eu escrevo para o Fãs … Mais que indicar-lhe como atravessar a escuridão, como artista eu diria: vamos juntos nessa.

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