Bons frutos, boa árvores!

 

(Cláudia Pedrozo)

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  O mês de dezembro é um mês mágico! Recheado de festas, de encontros, de despedidas, de desejos e esperança. É o mês da renovação!

Trabalho na área da educação e é a época de coroar vitórias e de amargar derrotas no fechar do ano letivo. Em outras palavras é o tempo dos alunos colherem o resultado de seu esforço ao longo de duzentos dias letivos, seja ele positivo ou negativo, traduzido em promoção ou retenção! Em festas de formatura ou tristeza de ter ficado para trás. E embora a educação nas últimas décadas tenha passado por grandes mudanças, o fim do ano escola ainda guarda grandes semelhanças com o que parece ter sido desde que a educação formal foi criada. Dezembro é a época das escolas serem assombradas pelos pedidos de reconsideração de pais inconformados com o resultado escolar negativo dos filhos. São muitas as alegações. Algumas sensibilizam muito, outras deixam claro o descuido da família quando o assunto era a escola. Enfim, não vamos discutir aqui quem está com a razão. Quero contar a vocês a história.

Esta é a história de uma mãe. Uma mulher à primeira vista pacata. Se você julgar o livro pela capa, vai achar que ela é “meio mole”. Mas saindo da superficialidade, encontramos uma mulher intensa, sofrida, forte! Obstinada a crescer e a dar o melhor aos seus três filhos. Não vou dizer o nome dela, não seria ético, mas ela sabe que seria alvo do texto desta semana e o motivo é muito simples: ela se negou a aceitar que um casamento com um homem  cuja visão de mundo era bem limitada, determinasse o futuro de seus três filhos.

Como toda mulher da nossa geração, ela foi criada para encontrar o príncipe! E um dia ela acordou e viu que o  príncipe era um sapo. E o que deveria ser um companheiro se tornou uma âncora. Enquanto somente ela era afetada pela falta de sonhos do atual ex marido, tudo bem, mas quando ele começou a ameaçar os sonhos dos filhos, a leoa que existe disfarçada de ovelhinha surgiu! A gota d’água foi o dia em que, por nada, o brucutu pegou o filho mais novo e “socou” a cabeça do menino na parede, aos gritos, diminuindo e abalando de forma significativa a auto estima do garoto. A partir deste evento o menino mudou, ficou introspectivo, fechado, triste. E adoeceu… desenvolveu uma doença rara no pulmão.

Iniciou então uma nova fase de lutas e batalhas na vida desta mulher! Ela deu adeus a este casamento e com a roupa do corpo e os três filhos voltou para a casa dos pais. Recomeço difícil, sofrido para todos. O problema de saúde do filho caçula a levou dias e noites ao hospital. Ela sofria a dor que chamou de fracasso e eu chamo de coragem de recomeçar. Um casamento desfeito, morar de favor, um filho severamente doente e outros dois precisando de sua fortaleza. A guerreira não se abateu. Não houve tempo de chorar sua dor. Ela se fez forte para que os filhos pudessem sofrer com apoio e aprender a ser fortes.  Estabeleceu metas e correu atrás delas. Trabalhou feito louca, dormiu pouco, esteve presente para os filhos, mesmo quando fisicamente tinha que estar ausente. Estudou, progrediu. E hoje ela colher os frutos de ter sido mãe em tempo integral na adversidade e ter passado pelas tempestades da vida sem ter se quebrado ou se perdido nela.

Os três filhos são vitoriosos! Todos estudaram em escolas públicas e sempre foram excelentes alunos. A mais velha se formou em Direito e hoje é uma brilhante advogada em início de carreira. O do meio é disputado por uma Universidade particular e uma pública de nível internacional, uma das melhores do país. O mais novo se restabeleceu da doença, embora esteja em constante acompanhamento médico, se redescobriu um ser humano íntegro e capaz, apesar do pai, e hoje, no Ensino Médio de uma grande universidade pública, é disputado para ser menor aprendiz em três grandes empresas da grande cidade onde eles moram. São seres humanos maravilhosos. Não poderia ser diferente… boas árvores dão bons frutos quando o agricultor não se descuida dos detalhes.

Num tempo onde é tão comum vermos as pessoas dando desculpas para não serem o melhor que podem ser, gostaria de dividir esta história com vocês, prestando uma homenagem a esta mulher guerreira. Resiliência é a qualidade que ela possui e ensinou os filhos a terem. E é esta capacidade que a Psicologia pegou emprestada da Física, que se faz tão necessária a nós, pais, na educação de nossos filhos.

Aproveite esta época do ano e faça um balanço: o que você está ensinando a seus filhos? Se a resposta não lhe agradar, seja racional, sem desculpas, aproveite o início de um novo ano para iniciar novas atitudes. Esta é a mágica de ser humano… poder sempre recomeçar e fazer diferente!

2 pensamentos sobre “Bons frutos, boa árvores!

  1. Olá, Elson! Como vai? Espero que esteja bem e com saúde. Desculpe a demora na resposta. Infelizmente não conheço nada aí no Rio… quem sabe vc não quer fazer ponte aérea para Campinas ou São Paulo uma vez por semana. Aqui tenho um referencial de curso ótimo. Abraços.

  2. Aprecio muito suas mensagens. Tenho 74 anos e sou Delegado de Policia aposentado no Rio de Janeiro. Pela profissão que exerci por quase quarenta tenho uma atracão enorme pelo estudo da Psicanálise. Gostaria de começar 2014 fazendo um curso e peco suas indicações . Abracos. Elson Campello

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