Procurar entender-se

(Padre Jeferson)

ti mesmo2

Texto bíblico: Evangelho: Mc 7, 14-23

“Conhece-te a ti mesmo”, famosa frase de um filosofo grego. Será que eu me conheço? Ora, somos mais que uma definição conceitual de possibilidades e ideias. Há aqueles que dizem que somos intelecto, psíquico e espiritual. Na verdade somos uma jardim, uma paisagem, muitas vezes desconhecida para nós mesmo. Temos tudo que uma paisagem possa ter. Porém, não percorremos e nem visitamos. Existe até esconderijos sombrios que todos e, até, nós mesmo, tudo fazemos para desconhecer, ocultar e esquecer.

Por isso, Jesus nos alerta dizendo que o que torna o homem impuro é o que sai do interior do seu coração. Ele elenca uma lista que nos torna impuros. Más intenções, imoralidades, roubos, assassínios, adultérios, ambições desmedidas, maldades, fraudes, devassidão, inveja, calúnia, orgulho, falta de juízo. O bem e o mal fazem parte da nossa paisagem. O bonito e o feio vivem de mãos dadas em nosso pequeno mundo. Somos ao mesmo tempo, um animal feroz e uma ovelhinha inofensiva; um urso esfaimado e a pombinha branca e inocente da paz. Se não reconhecermos isso em nós, pode transformar-se em graves frustrações e de desilusões, a longo prazo dolorosa.

 

Nenhum pecado nos afasta mais de Deus e dos irmãos do que a presunção de sermos justos. Paulo é incisivo: “Vocês que buscam a justiça na Lei se desligaram de Cristo e se separaram da Graça” (Gl 5,4). A auto justificação esvazia a justificação. Tira-nos a verdadeira consciência de nós mesmo como miséria e de Deus como misericórdia. Obriga-nos a fazer de tudo, até a amar, mas não aceita que sejamos amados gratuitamente. Desta maneira, o nosso coração continua duro, calcificado, morto, surdo e cego diante do amor e da vida que o amor suscita. Nossos olhos não veem, nossos ouvidos não ouvem (Mc 8,18).

É importante passear pela paisagem de nossa vida (interior) sem nos assustarmos demasiadamente com os minotauros que vivem em nossos labirintos e sem nos encantarmos infantilmente com os leões (vaidade, presunção e prepotências) que circundam nosso mundo mais ensolarado. Uns e outros somos nós. Este entendimento de nós mesmo deveria abrir-nos para uma certa condescendência, que não é aprovação de nossas covardias, mas aceitação de nossas pobrezas e apoio bem-humorado para uma autoestima saudável.

A resposta está em mim. É fato! Mas como encontra-la nessa paisagem que é o meu interior? No aceitar-se a si mesmo há uma capítulo que é, normalmente, muito difícil: o de perdoar-se. Perdoar os outros pode não ser tão difícil, porque nós fazemos, nestes casos, protagonistas da ação. Perdoar a si mesmo já não é tão fácil, porque a ação perde qualquer brilho de vaidade. É algo que se passa na austeridade de um deserto, que tem um único e silencioso espectador: Deus. Aceitar-se e perdoar-se! Não é preciso dizer que estes gestos são fonte de grande alegria.

 

 

 

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