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Aqui jaz…

(Claudia Pedrozo)

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Feliz Ano Novo! Embora janeiro já tenha chegado ao fim, nunca é tarde para desejar aos leitores tudo de bom em 2014… muita luz, muita força, muita paz, muito sucesso, muito amor… muito tudo de bom e acima de tudo, muuuuita paciência e resignação diante daquilo que não acontecer como se quer ou se espera! Que neste ano possamos entender e exercitar as máximas “Não espere nada de ninguém e, ao mesmo tempo, espere tudo de todo mundo” e “Nesta vida, a dor é obrigatória, mas o sofrimento é opcional!”, assim, não nos magoaremos, não nos frustraremos e vivenciaremos o sofrimento na dose certa!

O primeiro texto do ano traz um assunto urgente e delicado e que serve de alerta a pais e educadores. Vamos conversar um pouquinho sobre suicídio na adolescência.

Segundo pesquisas recentes, a cada ano, 102 adolescentes entre 10 e 14 anos cometem suicídio no Brasil. Estes dados fazem parte das estatísticas oficiais, porém se pensarmos que muitos casos sequer chegam até os hospitais ou autoridades policiais, estes números podem ser muito maiores.

Há dois casos que me chamaram muito atenção ao fazer uma rápida busca na internet.

Um caso é de um adolescente brasileiro de 16 anos e o outro de uma garota canadense de 15 anos.

Ambos tinham tudo que um adolescente pode querer: uma vida familiar estável, pais presentes,  eram bonitos, inteligentes, cultos e ambos foram vítimas de uma ferramenta que é ao mesmo tempo uma benção e uma maldição: a internet.

Vinícius Gageiro Marques morava no Rio Grande do Sul. Era considerado um garoto extremamente inteligente e sensível. Fazia acompanhamento com um analista e estava em internação domiciliar, pois o suicídio era tema recorrente em sua análise. O jovem simulou uma vida normal para os pais para poder ficar sozinho em casa e com a ajuda de internautas que lhe incentivaram e ensinaram algumas técnicas finalizou sua vida no banheiro de sua casa , com milhares de internautas acompanhando o suicídio em tempo real! Uma jovem canadense que algumas vezes cruzava com ele em salas de bate papo sobre música, tentou evitar o pior, ligando para a polícia do Canadá e o policial canadense ligou para a polícia federal brasileira e relatou o que estava acontecendo. Mesmo assim a tragédia não foi evitada.

Amanda Todd foi vítima da internet. Animada pelo pseudoanonimato da internet, ela certa vez mostrou as partes íntimas num grupo de bate papo. Foi o bastante para ter sua vida exposta e julgada nas redes sociais. Mudou de escola, ficou sem amigos, pediu socorro na internet, mas nada aliviou a vergonha causada por um ato cometido aos 12 anos, quando se expos pela primeira vez no cyber espaço. Após três anos e sem saber como retomar auto respeito e o respeito alheio, a jovem pôs fim à própria vida, enforcando-se em sua casa.

Ambos já haviam tentado se matar em outras oportunidades. Ambos buscaram ajuda psicológica. Ambos puseram fim à própria vida.

Passaram por momentos de angústia e depressão. Reclamavam da incompreensão, da solidão e da falta de respeito.

As tragédias destes dois jovens estão na internet e qualquer um que tiver interesse poderá acessá-las, conhecê-las e chocar-se com elas. Assim como estas, há muitas outras histórias de jovens que finalizaram suas vidas num momento de extrema tristeza, solidão e angústia. Eram pessoas que, apesar de ter o conforto material, não sentiam o conforto emocional.

Os especialistas apontam que os principais sintomas que um suicida apresenta são: apatia incomum, letargia, depressão, falta de apetite, insônia persistente, ansiedade ou angústia permanente. Alguns buscam alívio no uso abusivo de álcool, drogas ou remédios. A maioria apresenta grande impulsividade, agressividade, dificuldades de relacionamento e integração na família ou no grupo social, estão presentes o insucesso escolar repentino, o afastamento ou isolamento social e atitudes como despedir-se daqueles que amam, sem que haja qualquer motivo para isso.

As causas podem ser muitas: falta de perspectiva de vida, violência, depressão, bullying, ser portador de transtorno bipolar, por exemplo tornam o jovem mais vulnerável ao suicídio. Porém, acredito que, à exceção de transtornos neuroquímicos de origem genética (como a esquizofrenia ou o transtorno bipolar), a maioria das mortes por suicídio está relacionada à questões de baixa autoestima e de conflitos psíquicos relacionados  a um superego tirano e a um ego frágil, masoquista e com baixa auto estima.

A autoestima caracteriza-se pelo amor que desenvolvemos por nós mesmos. O ideal é que tenhamos uma autoestima estável, entendendo nossas limitações e negociando conosco as formas de superá-las. Autoestima estável está ligada a padrões de comportamento mais empáticos. Assim, quando nossa autoestima está estável, não nos comparamos, não nos magoamos, não nos frustramos e nem queremos agir de forma masoquista nos punindo.

Atentar contra a própria vida é uma forma de punição.

Punição para si mesmo, por estar aquém dos padrões de perfeição estabelecidos para si mesmo; padrões estes que geram uma insistente sensação de inadequação, de menos valia e de culpa.

O suicídio caracteriza a necessidade de auto punir-se por esta imperfeição e por esta culpa, necessidade esta gerada por um superego (juiz, censor) tirano, que cobra condutas do ego baseadas em rígidos padrões de  valores morais (ideal de ego) e de características de personalidade (ego ideal) desenvolvidas pelo indivíduo ao longo do seu processo educacional. Suicidar-se simboliza também uma punição para aqueles que desenvolveram no indivíduo este superego tirano que age por valores morais e idealizações muito rígidos. Ninguém se mata sem querer matar a outrem!

O suicida é alguém extremamente frágil emocionalmente. Sente-se fora de contexto neste mundo e não consegue viver nele, de modo que tirar a própria vida é a solução mais viável.

Não sabemos quem são nossos filhos… muitas vezes achamos que eles são projeções bem sucedidas de nós mesmos e acabamos por educá-los de modo a serem simplesmente o melhor dos melhores e geralmente não percebemos o tamanho da carga que colocamos nos ombros deles.

Este texto não intenciona esgotar o assunto, mas trazê-lo à tona para discutirmos como estamos educando nossos filhos. Nós os educamos para que sejam pessoas de bem, para que tenham valores morais empáticos, para que sejam capazes de fazer escolhas que levem a um padrão mínimo de felicidade e realização, para que tenham tolerância à frustração, para que aprendam a cair e levantar? Ou os educamos para serem a qualquer custo o máximo, o melhor, o mais perfeito, o que ganha sempre… simplesmente o sucesso em forma de ser humano?

Outro ponto importante é o poder de observação de um pai/uma mãe. A intuição… você tem usado estes poderes mágicos que todos os pais dedicados possuem?

Seu filho passa o dia na internet e você dá graças aos céus porque ele está seguro dentro da sua casa e você é um pai/mãe jovem, moderno e respeita a privacidade dele, não fica se intrometendo no que ele faz na net, afinal você não é da geração que nasceu no mundo virtual, nesse aspecto seu filho é seu professor. Além do mais você tem certeza que ele não fará nada errado, certo?

Nota zero para você! Você está pensando de modo ERRADO!!!!

A internet é um mundo onde tudo pode, tudo existe, de bom e de ruim e você como pai/mãe precisa ajudar seu filho a andar por estas terras nunca d’antes navegada.

Dois jovens que podiam ter tudo a ver com o seu filho perderam a vida navegando por este mundo de bênçãos e maldições.

Não seja invasivo, mas seja companheiro, esteja atendo e eduque.

Talvez se os pais de Amanda e Vinícius, tanto quanto os tantos outros pais não tivessem confiado tanto no poder de discernimento dos filhos, eles ainda estivessem por aqui… Ou não. Quem sabe?

Que fique o alerta!

INFORMAÇÃO OU CONHECIMENTO? A SEXUALIDADE ADOLESCENTE NA ERA DA INFORMAÇÃO

(Claudia Pedrozo)

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Pesquisando sobre o que escrever nesta semana, deparei-me com uma página na internet onde os jovens fazem perguntas abertas sobre qualquer assunto. A página que mais me chamou atenção foi a que continha perguntas relacionadas ao sexo. Eram mais de 180 páginas e cada uma tinha 20 questões!

Fiquei a pensar: nunca nossa sociedade teve tanta facilidade na busca de informação sobre qualquer assunto, mas percebo que na contramão dessa busca fácil está a dificuldade das pessoas terem conhecimento sobre o que buscam.

A quantidade de questionamentos deixa clara que os jovens, embora tenham a informação à mão, muitas vezes não conseguem transformá-la em conhecimento. Falha a família, falha a escola… falham as instituições.

Dos muitos questionamentos selecionei um, que me chamou atenção pela segurança aparente e pelo “grito de socorro” implícito.

O rapaz contava que havia feito sexo com a namorada no dia do questionamento. Tinha certeza que tudo estava bem, mas uma pulguinha atormentava sua tranquilidade. Vamos ao questionamento:

“Fiz sexo com minha namorada duas vezes. Na primeira, o esperma estava todo no reservatório, a camisinha não furou nem nada. Na segunda, ela teve o orgasmo, e a gente continuou normalmente pra eu ter também, só que a camisinha tava muito seca e tava doendo para ambos, então eu tirei e minha namorada fez sexo oral pra eu terminar. Depois mais tarde a gente ficou se esfregando, eu fiquei colocando a cabeça do pênis na calcinha, esfregando. Tenho praticamente certeza que não entrou nem um pouco, mas nessas esfregadas eu devo ter passado um pouco do pênis na entrada da vagina dela e etc (mas isso foi tipo um tempão depois das duas transas). Gente, eu tô com 99% tranquilo que não deu nada, mas mesmo assim queria confirmações e suas opiniões para ficar mais tranquilo. Ela estava fértil quando transamos e fizemos tudo que eu descrevi, mas como disse, foi tudo mais que de boa. Só confirmem pra mim: não há praticamente nenhum risco de gravidez, né? Praticamente nulo…?”

Preocupei-me mais quando vi a resposta dos outros jovens. A maioria afirmava que era impossível a garota estar grávida, só se fosse de outro!

Não sou médica, nem da área médica… mas na vida  conheci algumas garotas que engravidaram exatamente assim.

Independente da questão Médica, o que me chamou a atenção é o despreparo da moçada para viver sua sexualidade de forma segura.

O que observo, sem a intenção de generalizar, é que educação sexual dos nossos jovens, embora tenhamos tantos pais também jovens e aparentemente liberais, ainda é cercada de tabus e segredos.

Precisamos rever isso com urgência. Sexo é algo natural e deve ser vivido com plenitude, com segurança, com afetividade.

Quando falo em afetividade, não quero falar de sentimento de afeto, mas de um conceito mais amplo que na Psicanálise significa ver o outro com os olhos da alma, com a plenitude dos sentidos, estando inteiro naquele momento e naquela relação, cuidando, respeitando e se doando ao outro, na intensidade  e na igualdade que queremos receber.

Pais, precisamos melhorar o diálogo com nossos filhos. Precisamos entendê-los como seres biológicos, que possuem desejos, inicialmente mais físicos do que emocionais, mas nem por isso vamos deixar de educá-los emocionalmente.

Sim, emoção se educa! E isso se faz com bons exemplos, com diálogo aberto, com proximidade e afetividade em seu sentindo mais amplo.

Se continuarmos fingindo que nossos jovens filhos são assexuados, correremos o risco de vê-los correndo sérios riscos… físicos e emocionais!

Pensem nisso. Se você tem reservas em conversar com seu filho sobre sexo, busque entender o que acontece com você… porquê o medo, a vergonha e a resistência? Tente entender suas emoções e o que as motiva. Tente também se lembrar de seus sentimentos quando começou a viver sua sexualidade. E se preciso for, busque ajuda para superar seus conflitos e ajudar seu filho a viver com segurança mais esta fase do desenvolvimento humano! Com certeza eles não dirão… mas no fundo, agradecerão.

Bons frutos, boa árvores!

 

(Cláudia Pedrozo)

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  O mês de dezembro é um mês mágico! Recheado de festas, de encontros, de despedidas, de desejos e esperança. É o mês da renovação!

Trabalho na área da educação e é a época de coroar vitórias e de amargar derrotas no fechar do ano letivo. Em outras palavras é o tempo dos alunos colherem o resultado de seu esforço ao longo de duzentos dias letivos, seja ele positivo ou negativo, traduzido em promoção ou retenção! Em festas de formatura ou tristeza de ter ficado para trás. E embora a educação nas últimas décadas tenha passado por grandes mudanças, o fim do ano escola ainda guarda grandes semelhanças com o que parece ter sido desde que a educação formal foi criada. Dezembro é a época das escolas serem assombradas pelos pedidos de reconsideração de pais inconformados com o resultado escolar negativo dos filhos. São muitas as alegações. Algumas sensibilizam muito, outras deixam claro o descuido da família quando o assunto era a escola. Enfim, não vamos discutir aqui quem está com a razão. Quero contar a vocês a história.

Esta é a história de uma mãe. Uma mulher à primeira vista pacata. Se você julgar o livro pela capa, vai achar que ela é “meio mole”. Mas saindo da superficialidade, encontramos uma mulher intensa, sofrida, forte! Obstinada a crescer e a dar o melhor aos seus três filhos. Não vou dizer o nome dela, não seria ético, mas ela sabe que seria alvo do texto desta semana e o motivo é muito simples: ela se negou a aceitar que um casamento com um homem  cuja visão de mundo era bem limitada, determinasse o futuro de seus três filhos.

Como toda mulher da nossa geração, ela foi criada para encontrar o príncipe! E um dia ela acordou e viu que o  príncipe era um sapo. E o que deveria ser um companheiro se tornou uma âncora. Enquanto somente ela era afetada pela falta de sonhos do atual ex marido, tudo bem, mas quando ele começou a ameaçar os sonhos dos filhos, a leoa que existe disfarçada de ovelhinha surgiu! A gota d’água foi o dia em que, por nada, o brucutu pegou o filho mais novo e “socou” a cabeça do menino na parede, aos gritos, diminuindo e abalando de forma significativa a auto estima do garoto. A partir deste evento o menino mudou, ficou introspectivo, fechado, triste. E adoeceu… desenvolveu uma doença rara no pulmão.

Iniciou então uma nova fase de lutas e batalhas na vida desta mulher! Ela deu adeus a este casamento e com a roupa do corpo e os três filhos voltou para a casa dos pais. Recomeço difícil, sofrido para todos. O problema de saúde do filho caçula a levou dias e noites ao hospital. Ela sofria a dor que chamou de fracasso e eu chamo de coragem de recomeçar. Um casamento desfeito, morar de favor, um filho severamente doente e outros dois precisando de sua fortaleza. A guerreira não se abateu. Não houve tempo de chorar sua dor. Ela se fez forte para que os filhos pudessem sofrer com apoio e aprender a ser fortes.  Estabeleceu metas e correu atrás delas. Trabalhou feito louca, dormiu pouco, esteve presente para os filhos, mesmo quando fisicamente tinha que estar ausente. Estudou, progrediu. E hoje ela colher os frutos de ter sido mãe em tempo integral na adversidade e ter passado pelas tempestades da vida sem ter se quebrado ou se perdido nela.

Os três filhos são vitoriosos! Todos estudaram em escolas públicas e sempre foram excelentes alunos. A mais velha se formou em Direito e hoje é uma brilhante advogada em início de carreira. O do meio é disputado por uma Universidade particular e uma pública de nível internacional, uma das melhores do país. O mais novo se restabeleceu da doença, embora esteja em constante acompanhamento médico, se redescobriu um ser humano íntegro e capaz, apesar do pai, e hoje, no Ensino Médio de uma grande universidade pública, é disputado para ser menor aprendiz em três grandes empresas da grande cidade onde eles moram. São seres humanos maravilhosos. Não poderia ser diferente… boas árvores dão bons frutos quando o agricultor não se descuida dos detalhes.

Num tempo onde é tão comum vermos as pessoas dando desculpas para não serem o melhor que podem ser, gostaria de dividir esta história com vocês, prestando uma homenagem a esta mulher guerreira. Resiliência é a qualidade que ela possui e ensinou os filhos a terem. E é esta capacidade que a Psicologia pegou emprestada da Física, que se faz tão necessária a nós, pais, na educação de nossos filhos.

Aproveite esta época do ano e faça um balanço: o que você está ensinando a seus filhos? Se a resposta não lhe agradar, seja racional, sem desculpas, aproveite o início de um novo ano para iniciar novas atitudes. Esta é a mágica de ser humano… poder sempre recomeçar e fazer diferente!

Sexualidade na adolescência: dois lados da mesma moeda

(Claudia Pedrozo)

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Nesta semana conversei com uma mãe e sua filha. A mãe queria saber detalhes de como proceder quando a filha, uma jovem de 16 anos, precisasse se afastar das atividades escolares por causa de sua gravidez. A garota estava junto com a mãe e o que “li” na expressão corporal dela me tocou o coração.

Pensei numa colega de trabalho, também em final de gestação e a comparação entre as “falas” dos corpos, foi instantânea e inevitável! O corpo da jovem grávida falava, ou melhor, gritava, um misto de vergonha e incômodo; a linguagem corporal de minha colega de trabalho, mais madura, adulta, expressa orgulho e alegria.

Num determinado momento a  garota saiu da sala para tomar água e a mãe ficou sozinha comigo e começou a contar o choque e a tristeza que sentiu quando a filha apareceu grávida. A família não é rica, nem tampouco pobre. A garota sempre teve de tudo, os pais sempre a pouparam de ter responsabilidades, os dois sempre trabalharam muito para dar a ela o melhor. A gravidez da filha fez ruir um casamento cheio de problemas. O pai não deu conta da situação e foi morar na casa de uma irmã, até se resolver na vida. Sobrou para a mãe engolir a decepção e segurar a barra… dela e da filha grávida cujo namoradinho “sumiu”.

Esta mãe estava arrasada e sentia-se traída e culpada. Contou que nunca teve coragem de falar de sexo com a filha e se arrepende por isso. Talvez se a menina estivesse mais informada, e a gravidez não acontecesse. Desanimada a mãe dizia que apesar de tudo o que fez para a filha não sofrer, ela estava sofrendo e agora ia crescer na marra. Fiquei com vontade de colocar as duas no meu colo.

Procurei conversar com a mãe,  dar-lhe ânimo, “encher sua bola”, fazê-la enxergar a benção que é uma criança em nossa vida. A confiança que Deus tem nelas para entregar-lhes um dos filhos queridos, para ser amado e educado por elas. Digo elas porque a jovem sozinha não terá estrutura emocional ou qualquer outra que seja, para ser mãe… ainda não!

Vivenciar esta situação me fez pensar nas muitas adolescentes grávidas que há neste mundão de Deus. Pesquisas recentes do IBGE apontam que, no Brasil, nos últimos dois anos, o número de filhos de adolescentes  na faixa etária dos 15 e 19 anos, quase que dobrou, subindo de 4,5 mil para mais de 8 mil bebês.

A pesquisa revela que o início da vida sexual dos jovens ocorre por volta dos 15 anos.

Vemos aqui uma moeda e seus dois lados. Sexo é a moeda, os dois lados são o prazer e o “perigo”. E a melhor forma de lidar com eles é com conhecimento.

Sexo é algo natural na raça humana. Somos seres sexuais por natureza. Freud causou o maior rebuliço quando mostrou ao mundo a sexualidade infantil. Todas as nossas fases de desenvolvimento giram em torno da obtenção do prazer e como passamos por elas determinam características importantes e significativas de nossa personalidade. Inicialmente o prazer é oral, depois evolui para o anal, depois para o fálico e na adolescência o primado da sexualidade se estabelece.

Sexo é bom, é prazer e o adolescente busca viver emoções prazerosas e de autoafirmação. A preocupação com segurança e valores morais sucumbe aos estímulos e sensações corporais vividos na descoberta da sexualidade. 100% EMOÇÃO!

Mas o fogo se apaga e com a extinção dele, veem as preocupações de ordem psíquica e emocional e muitas vezes junto com elas a constatação de uma gravidez ou de uma DST – Doença Sexualmente Transmissível.

A sexualidade na adolescência é uma experiência solitária, em especial as meninas. A maioria das pesquisas sobre sexualidade na adolescência revela que os pais raramente são consultados quando o assunto é sexo. A internet é o guia da sexualidade da maioria dos adolescentes hoje. E nela encontramos de tudo… de bom e de ruim!

Esta falta de diálogo entre pais e filhos é muito prejudicial para o adolescente. Estudos apontam que o número de adolescentes grávidas que têm abertura para falar de sexo com os pais é bem menor quando comparado com aquela que não possuem em casa espaço para o diálogo sobre sexo.

Oh, hipocrisia paterna/materna! Parece que alguns se esqueceram como eram inconsequentes e fogosos quando jovens! Fingir  que os filhos não cresceram é tolice. BUR-RI-CE!

O diálogo em casa pode significar a diferença entre uma sexualidade vivida com segurança e uma sexualidade escondida, cheia de riscos.

Muitos pais não se sentem a vontade de falar com os filhos sobre sexo. Mas isso não é motivo para não fazê-lo. Vença suas resistências por amor! Ouça as dúvidas e se não conseguir responder, procure ajuda em bons livros, busque um médico e leve seu “rebento” para que ele possa perguntar, aprender e se preparar para viver uma sexualidade plena e segura.

Estabelecer o diálogo respeitoso, conhecer as opiniões de seu adolescente, conversar com ele apontando as responsabilidades que a vida sexual traz é fundamental. Incentive o uso de métodos contraceptivos, o uso da camisinha. Fale sobre toda responsabilidade que a maternidade/paternidade carrega. Mostre todos os sonhos que precisam ser mudados quando uma gravidez (indesejada) acontece. Você não precisa incentivar o início precoce de uma vida sexual, mas também é bobeira pensar que só os filhos dos outros “aprontam”!

Acima de tudo seja presente na vida de seus filhos. Seja amigo… mas não deixe de agir como pai/mãe. Afinal nas letrinhas miúdas do contrato de “ter” filhos o prazo de validade da paternidade/maternidade não tem data para acabar!

Adolescência e Mentira: histórias de pescador ou falta de caráter?

(Claudia Pedrozo)

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Esta semana estava aguardando (infinitamente!) para ser atendida numa consulta e  matava o tempo folheando uma revista feminina quando deparei-me com uma mãe que pedia socorro a um especialista, relatando que tem uma filha pré-adolescente que mente demais, segundo a mãe, a garota é compulsiva, mente por qualquer coisa. A mãe relatava já ter passado por vários estágios da raiva à piedade, mas a situação só se agravava. Foi dura, bateu, gelou, castigou, privou de tudo que é prazeroso, fez chantagem emocional, elogiou, premiou e… nada, a menina continua mentindo, e mesmo quando é “desmascarada”, age como se tivesse sendo vítima da maior injustiça do mundo, dizendo que faz o que faz para ajudar os outros, para não magoar ninguém e que sofre com as atitudes injustas dos pais ou age como se nada tivesse acontecido, embora fique num monólogo apontando justificativas e injustiças. Num determinado momento da queixa a mãe diz que a compara com o irmão  mais novo que não mente. Os pais estão com medo dela se tornar uma criança de má índole, estão arrasados, não encontram uma solução,não sabem o que fazer. A mãe reforça que a filha é maravilhosa e o que a estraga é a mania de mentir. Sente que a filha precisa de ajuda, conta que a garota é muito fechada e que por mais que tente, esta não se abre com ela. Termina afirmando que cuidar de filhos não é fácil!

Coincidentemente (Jung não acredita em coincidências, mas sim em sincronicidade, tipo Lei da Atração!) no mesmo dia uma colega me falou sobre o mesmo problema com o filho e sugeriu que eu escrevesse algo sobre o assunto. Bem, vou tentar!

Muitas são as questões que a mãe da revista traz. Podíamos fazer a psicanálise selvagem analisando uma série de coisas, mas vamos nos ater à questão da mentira na adolescência.

Aprendemos desde pequenos que mentir é errado.  Informação dada não significa valor introjetado.  Deste modo ouvir que mentir é errado e não mentir de modo algum ao longo da vida são ações distintas. Não é porque ouvimos que fazemos.

Para muitos pais perceber que o filho mente compulsivamente pode despertar um sentimento de ter fracassado na educação de valores que a família tentou passar para ele. Nem sempre isso é uma verdade. Nem tampouco é sempre mentira! Há casos e casos e cada um é um!

Nos educamos pelos exemplos, nossos valores são construídos com base nos valores e atitudes de nossa família e nos da sociedade em que vivemos.

A mentira está presente em nossas vidas. Muitas vezes a achamos “necessária”, logo perdoada, muitas vezes a condenamos, logo reprimimos.

Na sociedade moderna a mentira é tão frequente que já se banalizou. Encontramos mentirinhas e mentimos muitas vezes ao dia, em diferentes situações sociais. Fazemos um elogio mentiroso, damos desculpas esfarrapadas ou mentimos descaradamente por mil razões: medo das consequências negativas, insegurança, pressão social, ganhos ou patologicamente.

Quando crianças, mentimos para não sermos punidos.  Na infância, até os cinco, seis anos a criança não consegue distinguir claramente a realidade da fantasia, a partir dos sete anos aproximadamente, ela já sabe o que é mentira e a usa em “beneficio próprio”.

Na adolescência mentimos para sermos aceitos e amados, para atender ao desejo de fazer o que queremos e a realidade de atender ao que esperam de nós. Mentir é estratégia comum entre os adolescentes para conseguir fazer coisas que sabem que não serão aprovadas pelos pais.

Crianças/adolescentes com superego rígido (censura) podem se tornar mentirosos compulsivos ao descobrirem que a mentira sacia a curiosidade dos pais ou os ajuda a serem aceitos e valorizados pelas pessoas, em especial por outras crianças/adolescentes

Na vida adulta mentir é uma forma de se preservar, de não ter que assumir responsabilidades por algo que não deu certo. Está presente em muitos mecanismos de defesa que usamos cotidianamente: na atuação (quando nos passamos por algo que não somos, mas que os outros (ou nós mesmos) gostariam que fossemos, na idealização (quando nos mostramos de forma idealizada, que não corresponde com a realidade), na intelectualização (quando usamos a inteligência para criar argumentos que justifiquem condutas que sabemos não serem condizentes com nossos valores, mas que lá no fundinho desejamos), na racionalização (quando fazemos “caquinha” e usamos argumentos lógicos para explicar o que fizemos, nos isentando da responsabilidade da escolha), por exemplo.Ao mentir podemos ser “anjo” – mentir para agradar  – ou “demo” mentir para poder receber algo em troca.

A mentira está presente em pessoas normais ou pessoas com problemas sérios como Neuroses e Psicoses. Nos estados neuróticos, a mentira surge devido a incapacidade de  enfrentarmos  desejos recalcados e que se encontram no  inconsciente ou por problemas de baixa autoestima Nos estados limite, chamados Borderline,  a mentira revela a  falta de barreiras externas que regulem o comportamento do indivíduo. Esta situação decorre geralmente de uma educação feitas por pais muito repressivos ou demasiadamente permissivos. Na Psicose a mentira está presente nos delírios. O psicótico acredita piamente nos delírios por ele criados para fugir da realidade, do sofrimento que a realidade lhe impõe. O hábito de mentir compulsivamente pode ser também uma patologia conhecida por Mitomania. Neste caso a mentira é como um vício, o mentiroso é dependente emocional da mentira, ele é incapaz de se controlar, quando vê a mentira já foi contada e para mantê-la mente mais e mais. Esta patologia causa muito sofrimento e a terapia é uma saída para enfrentar o problema.

Dentro de padrões de comportamento não patológicos a mentira pode ser considerada uma falha de caráter, entendendo  caráter como um conjunto de características e traços relativos à maneira de agir e de reagir de um indivíduo ou de um grupo”.

Se seu filho mente descaradamente e esta mentira prejudica a ele ou a outras pessoas você deve ficar atento(a). Mentir para sair com o namorado ou fazer um passeio em um lugar perigoso é diferente de roubar dinheiro da sua carteira. Uma coisa é testar limites, outra é transgredir lesando o outro. Ao perceber esta situação os pais devem chamar o jovem à realidade, devem passar a acompanhá-lo bem de perto, se fazendo presentes de forma educadora e carinhosa, intervindo e orientando sempre. Mas cuidado com a manipulações e dissimulações, por isso confie, desconfiando! Mentir faz parte da adolescência, caracterizam uma necessidade de distanciamento e diferenciação na busca do encontro consigo mesmo.

Diante das mentirinhas recorrentes, avalie as relações interpessoais que há no seu âmbito familiar. Estabeleça o diálogo, mostrando ao adolescente que a mentira pode trazer consequências negativas, mas cuidado com o monólogo, pratica comum dos pais que dissertam sobre algo com seus filhos. Observe se o que você ensina está coerente com o que você pratica. Você tem pedido a cumplicidade de seu filho para “pequenas mentirinhas”? Tem valorizado as espertezas de seu filho no hábito de inventar “mentirinhas brandas”? Você é um(a) educador(a) observador(a) ou um(a) intrometido(a), que suspeita e invade a privacidade do adolescente, minando o clima de confiança entre vocês?

Ai, meu Deus… Como identificar uma mentira?

Somos programados para dizer a verdade. Quando mentimos nosso corpo nos delata! Especialistas afirmam que ao mentir emitimos sinais não verbais da mentira que podem ser captados por um interlocutor mais atento. Os sinais mais comuns em crianças, adolescentes e adultos pode estar no choro sem lágrimas ou que para de repente ao ser atendido, na colocação da mão na boca, no morder ou coçar a região labial, no desvio dos olhos, na dilatação das pupilas, nas pausas longas e frequentes no discurso, marcado por repetir a pergunta antes de responder, no sorriso curto, nervoso e inexpressivo, que some com rapidez, na falta de gesticulação ou nos gestos dissociados das palavras.

Há ainda uma outra faculdade que não deve ser esquecida nunca pelos pais: a intuição.

Ouça a sua sempre. E investigue e dialogue sempre.

Voltando à mãe da revista, ela está certa. Educar é trabalhoso! Requer orientação, limites e verdade. Acima de tudo seja coerente. Como dizem por aí, “palavras movem, exemplos arrastam”!

 

 

 

 

 

 

 

TPVP: Tensão Pré Vestibular dos Pais, você já passou por isso?

(Claudia Pedrozo)

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Ontem conversando com uma conhecida ela contou sobre a loucura que está sendo para ela a questão dos vestibulares que a filha prestará neste final de ano. Conheço estes bem estes sintomas, são da TPVP: Tensão Pré Vestibular dos Pais!

Esta conhecida é uma mulher super bem resolvida, equilibrada e que entende os conflitos humanos. É psicanalista. Mas ao mesmo tempo é mãe! Sabe aquele ser dotado de complexidades, estranhezas, certezas permeadas por dúvidas, desejos, inseguranças e medos pelas incertezas do futuro dos empréstimos de Deus, aqueles seres que costumamos chamar de filhos? Pois é, eisminha conhecida.

Como mãe ela quer o melhor para a filha, quer que a menina se dê bem, que seja feliz. Como adulta, mulher racional, ela entende que a filha tem capacidade para dar certo e ter um futuro profissional e pessoal de sucesso. Acredita que a vida é inspiração, mas é também suor, esforço, investimento. E parte do problema começa justamente aí.

A filha está tranquila, meio que “deitada em berço esplêndido”, sem muita neura para estudar. Fazendo tudo no seu ritmo, curtindo a vida, acordando tarde e no meio disso tudo, estudando, se preparando para o desafio do vestibular, o desafio de, aos 17 anos, ter que escolher o que fará de seu futuro!

Minha conhecida entende a pressão que esta decisão traz para uma pessoa tão jovem. Ela mesma decidiu há pouco tempo o que a faz feliz profissionalmente. Mas…

Mãe que é mãe é desfocada por natureza. Somo seres emocionais. Por mais racionais que sejamos a maternidade nos amolece, nos faz tirar os pés do chão. Claro que cada mulher é um ser humano único, então isso não acontece com intensidade igual para todas nós, algumas são mais desfocadas que outras! Porém todas as mães que conheço são ansiosas e angustiadas em maior ou menor grau quando o assunto chama-se “filho”.

Na Psicanálise entendemos a angústia e a ansiedade como momentos psicológicos deslocados do presente. A angústia relaciona-se a algo desagradável, que já aconteceu ou pode vir a acontecer, sendo uma reação emocional que decorre das nossas inseguranças e frustrações,  intimamente relacionada à baixa autoestima. A ansiedade por sua vez está ligada ao agradável, a expectativas que temos diante de necessidades não satisfeitas ou decorrentes de vivências de satisfação agradáveis do passado e que desejamos reviver (saudade é o nome poético desta reação emocional!); relaciona-se a estados de autoestima mais elevada. Angústia e ansiedade são sentimentos que se vividos na intensidade certa não causam problemas mais sérios, porém se vividos de forma crônica (sempre e sempre!), causam muito sofrimento emocional aos envolvidos na situação.

Outra parte do problema está na preocupação que minha conhecida tem, e que muitos pais não têm, de saber o limite entre sua preocupação, a invasão exacerbada na vida da filha e os deslocamentos que podem estar interferindo nesse momento.

Vamos tentar entender por partes, embora estas coisas todas estejam super emboladas!

Qual o limite entre preocupação e invasão? É muito tênue! Estar preocupado revela uma ansiedade de futuro grande, ficamos fazendo conjecturas, imaginando tudo que pode dar errado, pensamos que o tempo está passando e que devemos plantar agora para colher depois. Neste caso, a mãe preocupa-se que a filha esteja perdendo um tempo valioso agora, que fará falta ali no frente!

Pais mais desavisados, menos empáticos, transformam a preocupação em invasão. Infernizam a vida dos filhos com cobranças, aumentando ainda mais a pressão do momento.

Muita calma nessa hora, gente boa!

Estes sentimentos fazem parte de um processo natural, mas se você estiver passando por isso de forma exagerada, pise no freio, pois aí pode entrar em cena a Transferência por Deslocamento, que é um mecanismo de defesa ligado à permissividade do ego em relação aos impulsos do id, ou seja, nós o usamos quando aceitamos os impulsos oriundos do inconsciente (nossos recalques!), em termos práticos o deslocamento acontece quando substituímos o principal objeto de satisfação por outro novo objeto. Este processo é inconsciente. Nesta conversa, o deslocamento pode traduzir desejos recalcados dos pais se atualizando sobre os filhos. Na verdade os pais gostariam de viver ou reviver esta fase de suas vidas, refazendo escolhas, revivendo emoções positivas e agradáveis daqueles tempos, evitando erros e situações desagradáveis, entre outras coisinhas.

Se você está vivenciando a TPVP busque entender o que está se passando com você, o motivo que está te fazendo sentir esta fase de modo emocionalmente descontrolado e tente ser mais racional consigo mesma(o), entendendo que seu/sua filho(a) é um ser diferente de você, com direito a escolhas e sofrimentos próprios. Eles precisam de apoio e não de pressão desmedida!

Vestibulares em nossa sociedade significam ritos de passagem para a vida adulta. Trazem consigo inseguranças e medos diante da grandeza do futuro que desponta. Carregam um turbilhão de emoções para os jovens e seus pais. É uma fase que deve ser vivida com a intensidade correta para não se transformar num pesadelo. Acreditem… é um tempo lindo e doloroso, gostoso e trabalhoso. Mas há vida e vida com qualidade após ele, pois novos desafios, descobertas e aprendizados se colocam. Mas esta é uma outra história!

APRENDER A SOFRER: É DE PEQUENINO QUE SE TORCE O PEPINO, PODE CRER!

(Claudia Pedrozo)

superproteção

Hoje estava “zanzando” pela internet e vi um texto que me chamou a atenção. Contava a história de um garoto norte americano, Halsey Parkerson, que estava sendo assediado moralmente na escola por outro adolescente; ou seja, Halsey estava sendo vítima de bullying. Outro estudante o chateava constantemente dizendo que ele não tinha amigos. Numa dessas situações Halsey estava almoçando com a tia quando foi assediado moralmente  pelo colega de escola. A tia percebeu a situação e para ajudar o sobrinho, organizou um evento no Facebook e no dia seguinte mais de cem pessoas compareceram à porta da escola, no horário da saída, para mostrar ao agressor que sua vitima tinha amigos. Fortalecido pela situação, Halsey conseguiu se impor ao seu agressor, que diante da multidão acabou se retratando.

Embora a história seja interessante e pudéssemos fazer inferências sobre ela, analisando o agredido, o agressor e a solução encontrada pela tia, o que me chamou mais a atenção foi o comentário postado por um leitor da reportagem.

O leitor escreveu que se o filho dele sofresse bullying, ele resolveria o problema tirando o garoto da escola, deixando-o por um ano afastado desse ambiente, só fazendo cursos prazerosos que aumentassem a auto estima do filho. Passado este tempo o colocaria para estudar em outra escola. Segundo ele isso resolveria o problema.

Fiquei preocupada! (Tomara que ele seja só um palpiteiro, aquele tipo de pessoa que entra numa discussão só para dar palpites, sem que tenha qualquer vivência relacionada ao problema exposto).

Será que a melhor solução seria a fuga?  Ou seria o enfrentamento?

Eu opto pela segunda alternativa. Fugir em qualquer idade nunca, jamais, é a solução! A fuga só nos faz recalcar os sentimentos, bons ou ruins e, mais tarde, estes fantasmas voltam para assombrar nossa vida, seja na forma de doenças emocionais, na forma de conversões, numa autoestima baixa, seja por transferências – projeções ou deslocamentos – que fazemos e que interferem diretamente em nossas escolhas.

Fugir não nos  fortalece, ao contrário nos torna reféns de medos, de inseguranças, de registros emocionais negativos que assombrarão nossas vidas, fazendo-nos sofrer. Se você parar para pensar vai lembrar-se de situações que você viveu e que foram dolorosas. Vai rever os sentimentos e desdobramentos que surgiram quando você enfrentou a situação e também vai atualizar os medos e sentimentos das situações nas quais você optou por fingir que não aconteciam. Tenho certeza que seu coração vai disparar!

Como pais não queremos ver nossos filhos sofrendo, mas com que direito e em nome de que amor, os  tornamos pessoas fracas, com baixa resistência às frustrações e problemas da vida? Queremos proteger a eles ou a nós mesmos? É amor ou  projeção? (lembrando que projeção é um mecanismo de defesa do ego onde atribuímos aos outros aquilo que é nosso e que, inconscientemente, não aceitamos em nós!)

Nossa tarefa enquanto pais é ajudar nossos filhos a se desenvolverem plenamente e isto inclui aprender a sofrer do tamanho certo. Nem mais, nem menos!

Você deve estar pensando: mas que coisa maluca é essa de sofrer do tamanho certo? É algo bem simples. Na Psicanálise aprendemos que a dor é obrigatória, mas o sofrimento é opcional. Não podemos impedir a doença de chegar, um ente querido de morrer, enfim não temos o poder de evitar as dores da vida, mas podemos escolher viver esta dor numa intensidade normal ou anormal. Isto é algo trabalhoso, mas possível quando equilibramos nossa emoção e nossa razão. Aprender a mesclar razão e emoção é um aprendizado que começa desde a mais tenra idade.

Por isso, a mensagem de hoje é básica: “Pais, ensinem seus filhos a sofrerem na medida certa! Na vida valorize o sofrimento do jeito certo. Não adianta dizer a um filho que sofre (por qualquer motivo que para nós é banal, mas para ele é imenso) que não é nada… para ele é sim! Deixe-o ficar triste, desanimado na medida certa, afinal, faz parte da vida viver a dor e este período de luto o ajudar a elaborar, enfrentar usando o ego que avalia racionalmente o sofrimento. Mas evite dar à dor uma dimensão superdimensionada.

Protejam sim, seus filhos, mas não o superprotejam. Afinal  aquilo que não nos mata, fortalece! E, por mais que queiramos, não somos eternos e nossos filhos não são nossos!