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FALANDO SOBRE ESQUIZOFRENIA

(Maria Helena Fantinati)

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Oi pessoal!

Hoje vamos falar sobre uma patologia cuja origem é múltipla e o tratamento é bastante complexo: a esquizofrenia.

Esta é uma doença mental grave que se carateriza classicamente por uma coleção de sintomas, entre os quais alterações do pensamento, alucinações (sobretudo auditivas), delírios e embotamento emocional com perda de contato com a realidade.

A sua prevalência atinge 1% da população mundial, manifestando-se habitualmente entre os 15 e os 25 anos, nos homens e nas mulheres, podendo igualmente ocorrer na infância ou na meia-idade.

SINTOMAS:

A esquizofrenia é uma doença funcional do cérebro que se caracteriza essencialmente por uma fragmentação da estrutura básica dos processos de pensamento, acompanhada pela dificuldade em estabelecer a distinção entre experiências internas e externas. Embora seja primariamente uma doença que afeta os processos cognitivos, os seus efeitos repercutem-se também no comportamento e nas emoções.

Os sintomas da esquizofrenia não são os mesmos de indivíduo para indivíduo, podendo aparecer de forma gradual ou, pelo contrário, manifestarem -se de forma explosiva e instantânea.

CAUSAS: são vários os fatores  que  estão na origem da esquizofrenia. Resumidamente podemos dizer que existe uma causa genética, neurobiológica e psicanalítica.

GENÉTICA:

A teoria genética admite que vários genes podem estar envolvidos, contribuindo juntamente com os fatores ambientais para o eclodir da doença. Sabe-se que a probabilidade de um indivíduo vir a sofrer de esquizofrenia aumenta se houver um caso desta doença na família.

No entanto, mesmo na ausência de história familiar, a doença pode ainda ocorrer. Segundo Gottesman, sabe-se ainda que cerca de 81% dos doentes com esquizofrenia não têm qualquer familiar em primeiro grau atingido pela doença e cerca de 91% não têm sequer um familiar afetado

NEURO BIOLÓGICA:

As teorias neurobiológicas defendem que a esquizofrenia é essencialmente causada por alterações bioquímicas e estruturais do cérebro, em especial uma disfunção na concentração de dopamina, um importante neurotransmissor, presente no cérebro, embora  existam também alterações nas concentrações de outros neurotransmissores envolvidos. A maioria dos antipsicóticos atua precisamente nos receptores da dopamina no cérebro, reduzindo a produção endógena deste neurotransmissor. Exatamente por isso, alguns sintomas característicos da esquizofrenia podem ser desencadeados por fármacos que aumentam a atividade da dopamina, por exemplo, as anfetaminas.  Esta teoria é parcialmente comprovada pelo fato de a maioria dos fármacos utilizados no tratamento da esquizofrenia atuarem através do bloqueio dos receptores (D2) da dopamina.

CAUSAS PSICANALÍTICAS  :

Resumidamente, o que acontece é que os impulsos primitivos, anteriormente  rejeitados e temidos pelo ego,   invadem o    campo consciente, obrigando o ego a uma última defesa: a perda de coerência do pensamento ou seja, a destruição do processo cognitivo, por não suportar lidar com determinados conflitos.

Impulsos primitivos, de forma geral, são tendências, desejos, sentimentos  que a pessoa teme, e não admite te-los.

DIAGNÓSTICO

O diagnóstico da esquizofrenia, como sucede com a maior parte das doenças  psiquiátricas, não se pode efetuar através da análise de parâmetros fisiológicos ou bioquímicos, e resulta apenas da observação clínica  das manifestações da doença ao longo do tempo. Para o  diagnóstico, é importante que o médico exclua outras doenças ou condições que possam produzir sintomas psicóticos semelhantes, como o abuso de drogas, a epilepsia, tumor cerebral e alterações metabólicas. Portanto, o diagnóstico da esquizofrenia é por vezes difícil.

Em muitos casos, os indivíduos com esquizofrenia foram crianças tímidas, introvertidas, com dificuldades de relacionamento e com pouca interação emocional. Estas crianças podem apresentar  dificuldades  de atenção e de comportamento e na  adolescência, podem apresentar também isolamento e diminuição do rendimento escolar.  Estes comportamentos são comuns  na  adolescência e por isso, podem os ser facilmente confundidos com alguns  sintomas da esquizofrenia citados acima. Quando não há uma crise psicótica característica,  é difícil diagnosticar, com precisão, a esquizofrenia.

Uma crise psicótica, que é uma perda de realidade,  pode ser precipitada por vários fatores, como por exemplo, mudança de casa, perda de  um familiar, rompimento com um(a) namorado(a), entrada em uma nova escola ou universidade. Por vezes, o trauma é considerado um acontecimento insignificante pelas pessoas normais. Mas não para o indivíduo esquizofrênico, pois pelo  ao fato da sua  genética ser desfavorável, seus neurônios têm baixa  capacidade de tolerar frustrações, ou mudanças  e  qualquer acontecimento desagradável, pode  de desencadear a esquizofrenia.

Neste tipo de doença, é raro o indivíduo ter consciência de que está realmente doente, o que torna difícil a adesão ao tratamento.

Um dos maiores medos que a pessoa com esquizofrenia sente é o de ser estigmatizada por preconceitos sociais relativos a sua doença. Especialmente a idéia de que a pessoa  esquizofrênica é violenta, perigosa, é incorreta, pois estudos recentes mostram que isto não tem base científica.

É bastante útil que o doente tenha conhecimento sobre a doença e os seus sintomas e que tenha um papel ativo no tratamento e controle sobre a mesma. Sendo por isso vantajoso que estes sigam alguns cuidados:

  • Permanecer fiel ao seu tratamento; se achar que a medicação não está  ajudando ou sentir efeitos não desejáveis,  deve avisar o médico
  • Ter o cuidado de conservar um ritmo de sono e vigília correto, com as horas de sono necessárias
  • Evitar o stress
  • Deve manter rotinas normais, de higiene, alimentação, atividade em casa e no meio ambiente
  • Evitar as drogas
  • Procurar ter hora certa para dormir, comer, trabalhar
  • Fixar um programa de atividades para cada dia
  • Permanecer em contato com as outras pessoas
  • Manter o contato com o médico e profissionais de saúde mental (psicoterapia )
  • Praticar esporte pelo menos uma vez por semana.

O papel ativo da família é essencial para o tratamento. A reabilitação e reinserção social do  indivíduo  que sofre de esquizofrenia é muito importante.

Muitas famílias procuram o apoio  dos profissionais  de saúde, para  superarem  as dificuldades que encontram. No entanto, há aquelas que não o fazem, e assim correm o risco de se desestruturarem.

A família deve estar preparada para o fato do doente poder ter recaídas ao longo do tempo, o que pode conduzir a um possível internamento hospitalar, o que é relativamente comum.

TRATAMENTO FARMACOLÓGICO.

Os medicamentos  são essenciais   para o tratamento  da esquizofrenia, assim como  a  psicoterapia que  complementa este tratamento.

Há  uma resistência natural, pelo doente,  ao uso destes medicamentos, chamados anti psicóticos,  porque freqüentemente causam muitos efeitos colaterais, sendo alguns deles   muito  graves.

As medicações, portanto, só fazem ajustar o que estava desajustado. Infelizmente no caso da esquizofrenia, não se conhece uma medicação  capaz de realizar  essa tarefa completamente, restabelecendo a normalidade do paciente.

Por enquanto, os medicamentos proporcionam uma ajuda parcial, porém indispensável para proporcionar ao doente uma vida próxima ao normal.

Juntamente com os medicamentos, a maternagem na terapia, o amor dos familiares, o trabalho voluntário quando possível, levam o paciente esquizofrênico a resgatar um pouco o prazer de viver e interagir com as pessoas!

Até a próxima!

Os efeitos colaterais dos Antidepressivos

(Maria Helena Fantinati)

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Continuando a falar sobre os antidepressivos, esta classe de medicamentos vem sendo usada de forma inadequada nos dias atuais.

Como  foi comentado no texto anterior, estes medicamentos não tratam da causa da depressão e sim dos sintomas. Portanto, é necessário também que a pessoa busque ajuda para solucionar os conflitos que  estão na origem  da depressão para que a cura seja completa.

Apesar do desenvolvimento de muitas substâncias antidepressivas, de existirem vários medicamentos modernos, a eficiência deles é semelhante.

Por isso, é comum o médico escolher um antidepressivo levando em consideração  os efeitos colaterais que ele pode provocar no paciente, já que que a eficácia é parecida.

Um efeito colateral importante a ser considerado durante o tratamento é a diminuição da libido, ou seja, do desejo sexual, provocada pelo uso de alguns destas substâncias , como a fluoxetina, a sertralina, a clomipramina, a imipramina, a venlafaxina, a amitriptilina, enfim, quase todos os anti depressivos, com exceção da bupropiona.

Este é um fator complicador do tratamento, porque  há uma melhora no humor do paciente, mas há também uma diminuição significativa da libido, complicando seus relacionamentos afetivos.

Por este  motivo,  muitas pessoas abandonem o tratamento.

Os antidepressivos podem ser usados com outras finalidades. Por exemplo:  há alguns anos atrás, era comum incluir em fórmulas para emagrecimento a fluoxetina entre os componentes, devido a fato dos anti depressivos agirem aumentando a saciedade para carboidratos, o que leva a pessoa a sentir  menos vontade de comer doces.

Felizmente, esta prática vem diminuindo bastante, pois o uso de antidepressivos altera a bioquímica dos neurotransmissores, podendo  ocasionar efeitos colaterais  sérios, como o aumento da pressão arterial, além de outros efeitos  mais leves como  boca seca, enjoos, dor de cabeça,  etc.

Um uso interessante dos antidepressivos é no tratamento de  dores intensas  presente nas  lombalgias e  na fibromialgia. Nestes casos, é comum o médico prescrever a amitriptilina para  diminuir a dor,  tendo um efeito muito bom para esta finalidade.

Freqüentemente o antidepressivo é usado quando o paciente apresenta muita ansiedade.

Dependendo do estilo de vida da pessoa, a ansiedade  é bastante comum.

O stress, provocado pelo excesso de preocupação, o  medo, a percepção de vida voltada somente pelo materialismo, as grandes frustrações, a incapacidade de lidar com perdas, juntamente com mágoas e culpas acumuladas durante a vida são fatores que levam à  depressão.

Não é à toa  que esta classe de medicamentos seja um das mais vendidas na atualidade.

Quando vamos despertar para um estilo de vida mais saudável?

Quando vamos mudar nossos parâmetros de felicidade?

Quando começarmos a usar o “medicamento” natural que todo ser humano possui dentro de si, que é  viver em função de  ser e não em função de ter, na prática do amor e dos bons sentimentos, começaremos a vencer a depressão e outras doenças relacionadas ao nosso modo de viver.

Não podemos esquecer que o uso de anti depressivos é importante e necessário nas depressões severas e em casos de risco de suicídio e foi um avanço no tratamento destes estados.

Os antidepressivos são ferramentas que nos ajudam nos momentos críticos,  mas não são “mágicos”, cabendo a cada um a responsabilidade por resolver os  conflitos e assim mudar a sua maneira de perceber os desafios da vida.

Até a próxima!

OS ANTI-DEPRESSIVOS

(Maria Helena Fantinati)

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Olá pessoal!

O assunto desta semana é o uso de  anti-depressivos, um tipo de medicamento muito utilizado,  pois a depressão é um mal que afeta milhões de pessoas no mundo todo.

Em meados do século passado, pesquisas mostraram que pessoas depressivas tinham baixo nível de uma substância chamada serotonina, uma molécula presente no cérebro, que é responsável pelo  controle do humor, além de outras funções.

Desde então, vem sendo desenvolvidos medicamentos para combater a depressão  e então  surgiu a primeira classe de anti-depressivos chamada de anti-depressivos tricíclicos, cujos principais representantes são a amitriptilina, a clomipramina, a imipramina, dentre outros e que são ainda muito utilizados nos dias atuais.

Outros medicamentos mais modernos foram sendo desenvolvidos ao longo dos anos, como a fluoxetina, a sertralina, a paroxetina, a bupropiona,a  venlafaxina, etc e são muito eficazes também, sendo amplamente receitados pelos médicos.

Apesar dos anti-depressivos  melhorarem  o humor do paciente, temos que entender que eles vão agir no sintoma e não na causa do processo depressivo.

A depressão, para a psicanálise, não tem causas puramente bioquímicas, ou seja, não é ocasionada somente pelos baixos níveis de serotonina.

Na verdade, sempre existe um conflito psíquico que dá origem a este processo.

São vários os exemplos de conflitos: perda de emprego, fim de relacionamento, morte de um ente querido, perda de bens materiais, acontecimentos  que fazem parte da vida, mas se não forem bem  resolvidos  podem iniciar um processo onde há intensa perda de auto-estima, levando a pessoa a desenvolver um stress crônico, cuja consequência pode ser o desenvolvimento da depressão.

Atualmente, sabe-se que a depressão está intimamente relacionada ao stress.

O stress crônico leva a uma inflamação de uma região do cérebro, chamada hipocampo, que está relacionada à produção de serotonina, mantendo sua concentração em níveis adequados.

É importante saber que os anti-depressivos  são necessários, principalmente se a pessoa está em um processo depressivo grave, em que a capacidade de raciocinar e de tomar decisões adequadas estiverem comprometidas.

Este medicamento vai ajudar o organismo a ajustar os níveis de serotonina e de outras substâncias semelhantes a ela  presentes no cérebro, fazendo com que o funcionamento cerebral volte a  funcionar normalmente.

O antidepressivo demora, em média, de 20 a 60 dias para começar a fazer efeito.

Depois disto, é necessário que a  pessoa procure terapia para cuidar das causas que originaram os conflitos, para que  consiga uma cura verdadeira.

Um dos principais problemas é que quando o sintoma é tratado, algumas pessoas acham que estão curadas e que não há necessidade de resolverem os seus conflitos.

Isto é um erro, pois o anti-depressivo não trata da causa da depressão.

Por isso, freqüentemente  há recaídas e a depressão volta, mais intensa e mais difícil de tratar, sendo necessário, muitas vezes, a mudança do anti-depressivo ou o aumento da dose  para que a pessoa consiga sair deste processo.

Este assunto é muito complexo. Vamos falar mais sobre ele semana que vem! Até lá!

 

 

 

 

 

O USO DE MEDICAMENTOS E DROGAS NA GRAVIDEZ

(Maria Helena Fantinati)

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Alguns cuidados são importantes  ao tomar medicamentos durante o período da gravidez, pois algumas substâncias tem a capacidade de atravessar a placenta e causar efeitos sobre o feto. Tais efeitos incluem malformações, alterações bioquímicas e de comportamento.

Estas informações também são válidas para a ingestão de drogas.

Durante os três primeiros meses de gravidez este cuidado é fundamental pois o feto está no início de seu desenvolvimento, as  células estão  se multiplicando e começando a formar  os órgãos.  O embrião não tem ainda a capacidade plena de metabolizar e excretar as substâncias presentes nos medicamentos e nas drogas o que pode afetar  seriamente o   seu desenvolvimento.

Este  cuidado se estende por  todo o período  da  gravidez, pois  alguns medicamentos podem prejudicar a saúde do bebê mesmo se  usados após os três primeiros meses  deste período.

Poucas doenças maternas justificam o uso de medicamentos. Entre elas estão incluídas a diabetes, a hipertensão e os ataques epiléptico (convulsões) e os medicamentos para combate-las  devem ser consumidos sempre com  a orientação médica. O médico vai avaliar o risco/ beneficio do uso destes medicamentos para que haja  o  desenvolvimento adequado da criança em formação.

É importante lembrar que a ingestão de fumo, álcool, cafeína e drogas são bastante prejudiciais ao bebê e devem ser evitadas neste período.

Algumas informações sobre seus  efeitos  dão descritos abaixo:

CIGARRO:

Prejudica o crescimento do bebê dentro do útero. O uso de 20 cigarros ou mais ao dia pode provocar parto prematuro e o nascimento de crianças com baixo peso.

ÁLCOOL

Os problemas produzidos pelo álcool ocorrem desde o início até o final da gravidez e podem variar em gravidade, dependendo da quantidade de bebidas alcoólicas ingeridas pela mãe.

Pode ocorrer retardo do crescimento, com crianças de baixo peso ao nascer ou com malformações mais ou menos graves, conhecidas como Síndrome Alcoólico-Fetal. As malformações podem ocorrer no crânio e/ou na face e são acompanhadas de retardo de desenvolvimento psicomotor (a idade mental da criança é menor do que a idade real).

TRANQÜILIZANTES

Dependendo do período da gravidez, do tempo de uso e da dose, os calmantes podem produzir efeitos diferentes. Quando a mãe usa estes medicamentos  nos primeiros meses da gravidez, malformações podem ocorrer na boca, tais como lábio leporino.

Quando a mãe usa calmantes por muito tempo (até o fim da gestação) a criança pode apresentar, depois que nasce, uma síndrome de abstinência, caracterizada por tremores, irritabilidade (muito chorosa), inquietação, respiração acelerada e vômitos. O uso de benzodiazepínicos (  tranqüilizantes ) nos dias que antecedem o parto faz com que o recém-nascido fique com atividade diminuída, demorando para respirar e chorar, com hipotonia (corpo mole) e com pouca força para mamar.

SOLVENTES OU INALANTES:

Presente em alguns produtos gráficos e também na cola de sapateiro, causa má  formação fetal ou seja é teratogênico.

COCAÍNA

Os recém-nascidos destas mães podem apresentar baixo peso, malformações físicas ou problemas neurológicos. As malformações podem ser microcefalia (cabeça muito pequena, por pouco crescimento do cérebro) e anormalidades da retina. As crianças podem sofrer morte súbita enquanto pequenas ou podem ter dificuldade de aprendizado por toda vida.

MACONHA

O uso de maconha durante a gravidez pode causar efeitos extremamente variáveis sobre o feto, dependendo da quantidade e freqüência do uso da droga, como menor duração da gestação e crianças com baixo peso ao nascer. Em animais foram vistas complicações teratogênicas.

A HISTÓRIA DA TALIDOMIDA: um marco no uso de fármacos durante a gestação.

No anos 60 a tragédia da talidomida marcou uma época. Tratava-se de um sedativo popular na Europa e Japão, onde era prescrito para mulheres grávidas, como antiemético no alívio de enjôos matinais. Sintetizada na Alemanha Ocidental em 1953, foi usado para o tratamento de alergias,  posteriormente  lançada no mercado em 1956 como anti- gripal e em outubro de 1957 como sedativo.

Utilizada por milhões de pessoas em 46 países, foi um  dos fármacos mais populares da década de 50. No início dos anos 60, os pesquisadores provaram que era  responsável direta pelo nascimento de bebês com malformações congênitas. Estima-se que, cerca de 10 mil bebês, a maioria deles, alemães, apresentou malformações ou inexistência de braços e pernas, em conseqüência da ingestão da Talidomida, por suas mães, nos três primeiros meses de gestação. O fármaco interrompia o crescimento das extremidades nos embriões humanos e aumentava a ocorrência de natimortos. A Síndrome da Talidomida provoca  malformações dos membros e  também  de órgãos internos, entre estes , má formação cardíaca.

A partir de 1962, a licença dos produtos contendo Talidomida foi cassada e o  fármaco foi retirado do mercado. Os efeitos desastrosos da Talidomida despertaram a sociedade para os riscos dos medicamentos e a partir daí, métodos de pesquisa e políticas de aprovação de novos fármacos foram revistos com mais cuidado e critério.  Este foi um exemplo perfeito de um fármaco pouco testado antes de sua aprovação.

A organização que regulamenta a classificação de medicamentos nos Estados Unidos (FDA) classificou os medicamentos que são proibidos na gravidez, de acordo com a gravidade e consequências para a vida e saúde do bebê e da mãe, que o uso de cada remédio pode trazer.

Esta classificação traz risco A,B,C,D e X, seguindo uma ordem crescente de risco de malformações fetais.

. Segue uma lista dos princípios ativos que oferecem maiores riscos:

Risco X – Acenocumarol; Warfarina; Ganciclovir; Podofilina.

Risco D – Amitriptilina; Espironolactona, Pentobarbital, Azatioprina, Estreptomicina, Primidona, Benzodiazepinas, Fenitoína, Procarbazina, Bleomicina, Fenobarbital, Propiltiouracilo, Ciclofosfamida, 5-Fluouracilo,• Propiltiouracilo, Cisplatino, Hidroclorotiazida, Tatraciclinas, Citarabina, Imipramina, Clobazam, Kanamicina,Triamterene, Clorambucil, Mebendazol, Valproato, Clorazepato, Meprobamato,vinblastina, Cortisona, Mercaptopurina, Vincristina, Daunorrubicina, Metadona, Zidovudina, Doxorrubicina, Metotrexato, Enalapril, Penicilamina.

Segundo a classificação dos medicamentos, os que têm risco X não devem ser utilizados durante a gravidez porque estudos revelaram anormalidades no feto ou evidências de risco para o feto. Os riscos durante a gravidez são superiores aos potenciais benefícios e por isso recomenda-se não usar em hipótese alguma durante a gravidez.

Os medicamentos com risco D não devem ser utilizados durante a gravidez pois não há evidências de risco em fetos humanos. Só usar se o benefício justificar o risco potencial como em situação de risco de vida ou em caso de doenças graves para as quais não se possa utilizar drogas mais seguras, ou se estas drogas não forem eficazes.

Portanto, NUNCA UTILIZE UM MEDICAMENTO

NA GRAVIDEZ SEM UMA ORIENTAÇÃO MÉDICA SEGURA!

O que devemos saber sobre os medicamentos?

(Maria Helena Fantinati)

medicamentos

Olá Pessoal!

Esta semana vou escrever sobre interações medicamentosas, um assunto bastante importante, uma vez que  o uso indevido de medicamentos é uma das principais causas de intoxicações graves.

As interações medicamentosas são  interferências que ocorrem quando dois ou mais medicamentos são administrados ao mesmo tempo, podendo causar a diminuição ou o aumento do efeito esperado, ou ainda o surgimento de efeitos indesejáveis.

Exemplos destas interações:

•  O efeito do anticoncepcional é reduzido quando consumido com um antibiótico.

•  A vitamina K inibe a resposta dos anticoagulantes orais.

•  O antiácido diminui a absorção dos medicamentos anti-inflamatórios.

• Os antibióticos, como a tetraciclina, têm seu efeito terapêutico diminuído  quando ingeridos  com antiácido.

  • Anticoagulantes podem causar hemorragia se utilizados com alguns antiinflamatórios, como o ácido acetilsalicílico.

Além da interação entre medicamentos, pode haver ainda outras interações, como:

  • Interação entre medicamentos  e o álcool
  • Interação entre  entre medicamentos e alimentos.

QUAIS SERAM OS RISCOS NO USO DE MEDICAMENTOS COM O ÁLCOOL?

As associações entre medicamentos com bebidas alcoólicas podem levar a efeitos indesejáveis  graves, inclusive com risco de morte porque o álcool tanto pode potencializar os efeitos de um medicamento quanto neutralizá-lo.

TENHA ESPECIAL ATENÇÃO NO USO DE ÁLCOOL  COM OS SEGUINTES MEDICAMENTOS:

  • Analgésicos, antipiréticos e antiinflamatórios: pode causar perturbações gastrointestinais, úlceras e hemorragias,
  • Antidepressivos: diminui os efeitos, pode aumentar a pressão sanguínea.
  • Antibióticos: pode causar náuseas, vômitos, dores de cabeça e até convulsões.
  • Antidiabéticos: pode causar severa hipoglicemia (baixa taxa de  glicose).
  •  Anti-histamínicos, tranqüilizantes, sedativos: pode intensificar o efeito de sonolência e causar vertigens.
  •  Antiepilépticos: a proteção contra ataques epilépticos é significativamente reduzida.
  • Medicamentos cardiovasculares: pode provocar vertigens ou desfalecimento, bem como redução do efeito terapêutico.

COMO OS MEDICAMENTOS PODEM INTERAGIR COM OS ALIMENTOS?

Em algumas situações, os medicamentos também interagem com alimentos.

Essas interações podem comprometer seriamente o tratamento, potencializando reações adversas ou diminuindo os efeitos terapêuticos dos medicamentos, ocasionando diversos prejuízos à saúde do usuário.

Alguns exemplos:

• O efeito da tetraciclinas pode ser anulado pela ingestão com leite.

• Os antiinflamatórios causam irritação no estômago, por isso devem ser administrados junto com as refeições.

• Alimentos gordurosos favorecem a dissolução da griseofulvina (antifúngico), aumentando sua absorção.

• A ingestão excessiva de açúcares em pacientes que fazem uso de antidiabéticos pode dificultar ou impedir a ação dos medicamentos.

  • Pacientes hipertensos (pressão alta) devem diminuir o uso de sal nos alimentos.

OS MEDICAMENTOS PODEM SER UTILIZADOS  JUNTO  COM PLANTAS MEDICINAIS?

Não. Nunca tome medicamentos com chás ou outros produtos à base de plantas medicinais, porque podem causar problemas sérios para o seu organismo.

Além disso, os chás em geral diminuem os movimentos do estômago, o que pode interferir no processo de absorção do remédio.

EXEMPLOS:

• O uso de medicamentos a base de Hipérico (Hypericum perforatum) junto a anticoncepcionais  pode diminuir sua atividade favorecendo a ocorrência de gravidez indesejada.

• O uso de Ginkgo (Ginkgo biloba) junto a varfarina ou ácido acetilsalisílico pode aumentar o efeito anticoagulante destes medicamentos, favorecendo a ocorrência de hemorragias.

  • O uso de chá ou infusão de feijão tremoço junto com medicamento antidiabéticos pode potencializar  o efeito e causar queda brusca da glicemia (hipoglicemia), podendo levar a coma ou óbito.

Portanto, muito cuidado ao usar um medicamento!

Devemos sempre tomar os cuidados necessários para não termos efeitos indesejáveis sobre  nossa saúde.

FONTE: ANVISA: O Que Devemos Sobre Medicamentos?

As controvérsias no uso de medicamentos no TDAH

(Maria Helena Fantinati)

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Indicado como primeira escolha no tratamento do Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), o metilfenidato é o princípio ativo da Ritalina e do Concerta, nomes comerciais destes medicamentos.

O metilfenidato é um estimulante do sistema nervoso central, amplamente utilizado como instrumento de melhoria do desempenho cognitivo de crianças e adolescentes, sendo comumente chamado de “droga da obediência”.

No Brasil, o metilfenidato foi aprovado em 1998 para o tratamento do TDAH em crianças a partir de seis anos de idade e também  no tratamento da narcolepsia em adultos.

Dados recentes divulgados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) apontam para o uso crescente do medicamento em todas as regiões do país. Considerando a faixa etária  entre 6 e 16 anos, o aumento do consumo do fármaco foi de 164% entre 2009 e 2011.

Um dado interessante deste estudo foi a constatação de que  há uma variação do consumo de acordo com o período  do ano. Assim, constatou-se que há uma  redução no uso  deste medicamento nos meses de férias e um aumento no segundo semestre dos anos estudados.

A Agência Européia de Medicamentos (EMA), através do Comittee for Medicinal Products for Human Use reavaliou em 2009 a relação do uso do metilfenidato com o aumento de riscos cardiovasculares  e cerebrovasculares, além de transtornos psiquiátricos e recomendou aos médicos maiores cuidados no diagnóstico dos pacientes e nos tratamentos de longa duração. O relatório final destacou que o tratamento não está indicado para todas as crianças com diagnóstico de TDAH e a decisão para uso do medicamento deve ser baseada em cuidadosa avaliação da gravidade e cronicidade dos sintomas da criança em relação à sua idade.

Aqui no Brasil, o Centro de Vigilância Sanitária da Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo avaliou 553 notificações de suspeitas de reações adversas associadas ao uso do metilfenidato, recebidas no período de dezembro de 2004 a junho de 2013 e a análise das causas  destes relatos indicou:

a)      O uso indevido de metilfenidato em crianças menores de 06 anos: faixa etária para a qual o uso está expressamente contraindicado em bula. As reações adversas relatadas incluíram sonolência, lentidão de movimentos e atraso no desenvolvimento.

b) Em 11% dos relatos analisados observou-se a prescrição para indicações não aprovadas pela Anvisa, como depressão, ansiedade, autismo infantil, ideação suicida entre outras condições.

c) Associação entre o uso do medicamento e o aparecimento de reações adversas graves, com destaque para os eventos cardiovasculares (37,8%) como taquicardia e hipertensão, transtornos psiquiátricos (36%) como depressão, psicose e dependência, além de distúrbios do sistema neurológico como discinesia, espasmos e contrações musculares involuntárias.

d) Na faixa etária de 14 a 64 anos os eventos graves envolveram acidente vascular encefálico, instabilidade emocional, depressão, pânico, hemiplegia, espasmos, psicose e tentativa de suicídio.

e) O uso do metilfenidato pode ter contribuído para o óbito de cinco pacientes em tratamento, considerando-se que o medicamento pode causar ou agravar distúrbios psiquiátricos como depressão e ideação suicida.

f) Uso em idosos maiores de 70 anos: embora a bula dos medicamentos com metilfenidato aprovada no Brasil não faça referência ao uso nessa faixa etária, as agências reguladoras internacionais não recomendam sua prescrição em maiores de 65 anos.

Alem dos efeitos citados acima, é comum a perda do apetite, a insônia, aumento da agitação, dores abdominais, perda de peso e diminuição da estatura em crianças que fazem uso deste medicamento.

Vários estudos têm alertado para o uso indiscriminado deste medicamento.

O risco/beneficio deve ser muito bem avaliado, uma vez que os efeitos colaterais do metilfenidato podem ser muito graves.

Segundo entrevista concedida ao Portal Unicamp pela especialista no assunto, Dra Maria Aparecida A Moysés, pediatra e professora titular do departamento de pediatria da Unicamp, o uso de metilfenidato pode causar dependência química, e é classificado como um narcótico pela Drug Enforcement Administration. Segundo ela, os riscos descritos acima seriam suficientes para não indicar esta substância no tratamento da TDAH.

Um enfoque interessante dado pela pediatra é que o uso de metilfenidato em crianças hiperativas que são muito questionadoras, estaria levando a um comprometimento da capacidade de desenvolvimento da humanidade, uma vez que são elas,  através de seu modo de ser questionador, com seus sonhos e utopias que vão gerar adultos capazes de impulsionar  a busca por um mundo melhor.

 

Entenda os anti-inflamatórios

(Maria Helena Fantinati)

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Os anti- inflamatórios estão entre os medicamentos mais prescritos do mundo devido a sua diversidade de indicações.

Atuam no combate à inflamação, cujas manifestações clínicas são:

  • calor: decorrente do aumento da temperatura corporal local
  • Rubor: decorrente do aumento de fluxo sangüíneo local
  • Edema ( inchaço ) decorrente da saída de líquidos dos vasos sangüíneos.
  • Dor: provocada pela liberação de substâncias químicas.
  • Perda de função: perda ou alteração de função no tecido lesado.

 

Para fins didáticos, esta classe de medicamentos foi dividida em dois grandes  grupos: os anti- inflamatórios não esteróides, os chamados AINES e os corticóides.

Os AINES são um grande grupo de substâncias quimicamente diferentes, mas que possuem as mesmas propriedades terapêuticas. Possuem ação   analgésica, anti-pirética ( combatem à  febre ) e anti- inflamatória.

São exemplos destes anti-inflamatórios: diclofenaco, ibuprofeno, indometacina, naproxeno, piroxicam, tenoxicam, cetoprofeno, entre outros.

Alguns destes medicamentos  são isentos de prescrição médica,  o que levou a população a ter acesso fácil a eles.

Consequentemente, os AINES  ocupam   o terceiro lugar entre os medicamentos mais utilizados na automedicação, sendo também uma das classes de medicamentos que mais intoxica.

De forma simplificada, pode-se dizer que o processo anti-inflamatório ocorre a partir da lesão do tecido por agentes  agressores físicos, químicos ou biológicos.

Eles induzem as células de defesa ou do próprio tecido  a liberarem substâncias que chamamos de mediadores químicos, que iniciam o processo inflamatório.

A inflamação pode ser aguda ou crônica conforme seu tempo de duração seja respectivamente curto ou longo.

Geralmente, a causa da inflamação aguda é um agente externo, enquanto que na crônica muitas vezes é o próprio organismo que a desenvolve, ficando claro que há uma grande  influência do estado emocional do paciente que a desenvolveu.

É importante esclarecer a diferença entre infecção e inflamação.

Na infecção há sempre um microrganismo causador da doença que vai desencadear uma série de  reações do sistema imunológico para tentar expulsar o invasor. Tais reações incluem o processo inflamatório, mas não se limitam a ele.

O uso inadequado de anti-inflamatórios pode “mascarar” uma infecção ou até inibir uma resposta do organismo ao agente invasor. Portanto, nunca use este tipo de medicamento sem a orientação médica.

Os AINES atuam inibindo ou retardando o processo inflamatório, aliviando a dor, a febre e reduzindo o edema presente em algumas patologias como as doenças reumáticas e osteoarticulares.

É importante esclarecer que a inflamação surge como uma esposa fisiológica do organismo a uma lesão dos tecidos e seus sinais e sintomas, por mais desagradáveis que sejam, contribuem para a defesa e recomposição destes mesmos tecidos. Por  este motivo, a maioria das utilizações dos AINES são questionáveis, como no caso da hipertermia  ( aumento da temperatura corporal ).

Segundo a Organização Mundial de Saúde, a hipertermia pode ser a manifestação da defesa orgânica, e não deve ser prontamente atacada na ausência de comprometimento do estado geral do paciente. Esta observação é válida também para os edemas,  exceção feita aos casos de edemas graves como os   cerebrais, pulmonares, cardíacos e viscerais.

Os AINES são medicamentos que  podem provocar efeitos  adversos  graves e estão associados ao aumento do risco de complicações cardiovasculares, de acidente vascular e hipertensão,

Devem ser evitados quando o paciente possui lesões cardíacas, renais, doenças gastrointestinais e distúrbios na coagulação sangüínea.

Apesar de ser uma importante conquista no tratamento da inflamação, os AINES devem  ser usados  de forma racional e com muita cautela para que o objetivo seja alcançado sem trazer outros danos a saúde do paciente.

Fonte: Revista do Conselho Regional de Farmacia de São Paulo, fascículo IX.