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Relacionamentos

(Paulo Jacob)

rela

Feliz 2014 para todos!!

Estamos tendo a oportunidade de começar mais um ano e assim mudar as coisas que pretendemos mudar há anos, ou meses, dias… Mas mude, nem que seja só um pouco, certo?

Bom, recebi algumas mensagens de leitores do blog, e grande parte delas me perguntando o que a pessoa deveria fazer com o atual relacionamento dela, que na grande maioria das vezes não está legal, a ponto das pessoas pensarem na separação.

Quando leio essas mensagens eu paro, penso, e procuro me colocar no lugar daquela pessoa, nos medos, angústias, raivas, mágoas que ela pode estar sentindo para eu poder escrever algo que possa minimizar o sofrimento e a dúvida de continuar o relacionamento ou não.

Sabe, é uma responsabilidade muito grande opinar, colocar o dedo na vida de uma pessoa. Sei que naquele momento o desespero é grande, tanto que a pessoa se propõe a escrever para mim, buscando uma solução. mas mesmo assim, volto a falar que a responsabilidade é grande em dar um conselho, pois caso o conselho ao invés de ajudar, piorar a situação, as consequências serão sentidas pela pessoa que me escreveu, e não por mim! Cada um de nós tem os seus valores, que foram formados ao longo de vários anos de existência, através das experiências, e por isso cada um de nós pensa de uma maneira diferente do outro, porque cada um enxergou um determinado problema de um jeito diferente, e armazenou em seu inconsciente uma informação, que dificilmente será igual à de outra pessoa. Então pensando nisso que falei, se eu opinar na vida de alguém, eu estarei opinando segundo os meus valores, que certamente muitos deles serão diferentes dos daquela pessoa que me escreveu, e por isso que eu praticamente não opino ou dou conselhos, não julgo… É uma prática que também faço em consultório.

Escrevi há algumas semanas atrás no Facebook essa determinada frase:

“Parafraseando meu professor Wilson Cerqueira…

Não nascemos para trabalhar, casar, ter filhos, comprar coisas, etc…

Nascemos para sermos FELIZES!!!

Independente do que quiser fazer, faça por escolha própria, e não para mostrar ao mundo, somente assim complementará a sua felicidade!”

Reforço aqui o que escrevi acima… Nós nascemos para sermos felizes!! E se você não está feliz com algo, mude! Mas se por acaso essa mudança for algo que precise de tempo e esforço, então comece o quanto antes, pois certamente a sua felicidade chegará antes também!

Não devemos manter relacionamentos que nos prejudiquem, ou que nos façam sofrer. Do que adianta manter algo que te faz mal, em troca de uma vida financeira boa? Ou então para manter uma aparência? No fim, quem vai amargar, sofrer por não procurar mudar algo no seu relacionamento? E não estou falando em separação, mas sim em comunicação em primeiro lugar. Diálogo é algo que deve ter diariamente nos relacionamentos, pois o outro só vai saber o que penso, se eu falar para ele, e assim a pessoa que está ao nosso lado vai nos conhecendo cada vez melhor. O mesmo vale para o sexo, fale para o seu companheiro aquilo que te agrada, que te dá prazer! Peça! Fazendo coisas como desse tipo, os relacionamentos podem melhorar e muito.

O ano já começou, e você já procurou mudar para se tornar mais feliz?

Comece! Dê um passo, é o necessário para começar a sua caminhada.

Abraços e ótima semana!

Alguns pais… melhor não tê-los!

(Claudia Pedrozo)

pai

Nesta semana estava eu na fila para almoçar, quando ouvi, sem querer, daquele jeito que vocês já conhecem, a conversa de duas pessoas. Pelo que pude perceber uma era a mãe e a outra uma amiga dela.

A mãe relatava à amiga a dificuldade que está tendo com a escola do filho. Um garoto de 11 anos, que está em pleno desenvolvimento, com os hormônios à flor da pele e que sempre foi expressivo e dinâmico. Era evidente o orgulho que a mãe tem pelo filho.

Ela estava desolada porque é sempre chamada à escola do garoto e na visão da instituição de ensino ele é um problema.

A amiga perguntou o que ele faz para a escola pensar isso e a mãe contou que algumas vezes foi chamada à escola, inclusive que o menino já fora suspenso das atividades escolares porque ele bateu em alguns colegas menores (mas que com certeza fora provocado para ter tomado tal atitude), outra vez ele ridicularizou um colega de classe que é surdo e tem dificuldades na fala, em outra ocasião teve uma crise de riso ao ver uma colega convulsionando na sala de aula e só por isso a professora ficou muito chateada e levou a situação para a Equipe Pedagógica da escola, que a chamou para contar o ocorrido e solicitar que conversasse com o aluno sobre a necessidade de respeitar os outros.

A amiga disse algo sobre ele ser danadinho e a mãe saiu em defesa do filho, alegando que ele havia pedido explicações para a professora acerca do que estava acontecendo e a professora (na ânsia de acudir a garota que estava convulsionando, creio eu!) não parou para explicar. A culpa da reação dele, no entender da mãe, foi da professora.

Mas não parou por aí… (nunca comi tão devagar!). Outra ocorrência relatada dizia respeito a uma história que ele escreveu na agenda que a escola usa para a comunicação com a família. Na história ele relatava um sonho no qual estava fazendo sexo com alguém. A mãe foi novamente chamada à escola. E mais uma vez a escola foi responsável pelo problema, porque afinal, a agenda pertence ao garoto e ele havia colocado uma observação de “Professora, não leia!, Diretora, não leia!”. Ora elas leram porque quiseram. Alegou ainda que o que a Equipe Escolar tinha feito se configurava numa invasão à privacidade do menino. A amiga até tentou fazer a mãe ver que ele poderia ter escrito em outro lugar, poderia ter um diário, por exemplo, uma vez que a agenda é um veículo de comunicação da escola. A mãe não se deu por vencida. Está pensando em mudar o filho de escola, afinal a escola atual só persegue o filho dela e não faz nada do que a psicóloga do menino manda fazer! Esta meio angustiada porque os outros dois irmãos – uma garota mais velha e um garoto mais novo que o “anjinho” em questão – estudam nesta escola e não querem sair. Talvez o jeito seja trocar só o filho mais contestador. Ela até entende que ele precisa de mais atenção, a psicóloga já falou isso para ela, mas ela faz tudo que pode por ele. Ele sofre porque é incompreendido! Mesmo quando ele conta pela escola que cicatriz de queimadura horrorosa que a irmã tem é culpa dele, ele só quer atenção! (Palavras da mãe)

Bem… o que podemos inferir disso tudo? Podemos imaginar mil coisas…

Será que este filho foi planejado? Amado? Desejado? Será que esta gravidez foi tranquila para a mãe, emocionalmente falando? Será que esta mãe ama desta forma equivocada para se livrar de uma culpa, gerada em alguma etapa do processo? Talvez se pudéssemos olhar estes e outros detalhes com mais profundidade talvez descobríssemos algumas causas para esta (má) educação.

E quanto ao garoto? Segundo a mãe ele tem problemas depressivos e a escola não entende. Mas uma criança não tem estes comportamentos se não aprendeu a agir assim ao longo da vida. Talvez ele tenha recebido tanta atenção, tanta proteção, como forma equivocada de amor, que aprendeu que pode fazer e agir como bem entender, com o aval daqueles que deveriam educá-lo.

Ele é puro ID, nossa instância do prazer, puro narcisismo primário, é o “bebê onipotente” que ainda não cresceu e não vai crescer nunca se continuar por esse caminho.

Ambos precisam de ajuda… Somos seres desejantes, é natural querer prazer, buscar o prazer imediato. Porém a vida é cheia de nãos e a tolerância à frustração é uma capacidade humana que precisa ser aprendida e os pais, no processo de educar, são os responsáveis por nos ajudar a desenvolvê-la.

Você tem ajudado “seu” filho a aprender a se frustrar diante dos “nãos” da vida?

“Virei paciente”

(Dra. Karen Câmara)

dia do médico 3(4)

Não gosto que minha rotina seja quebrada ou bagunçada de repente, sem meu consentimento, sem aviso prévio. Acho que ninguém gosta.

Na segunda-feira passada tive uma sessão de terapia que provocou um abalo sísmico dentro de mim. Eu era a analisanda, não a analista. De repente algumas placas tectônicas internas se moveram, enxerguei uma porção de coisas, fiquei agitada, desarrumada por dentro, os pensamentos confusos.

Saí da terapia e fui direto para o trabalho. O enfermeiro que trabalha comigo viu que eu estava meio estranha e começou a verificar meus sinais vitais: pressão arterial, frequência cardíaca, glicemia. A pressão subiu. O coração não só acelerou como passou a bater fora do compasso. Os pensamentos ficaram confusos e se manifestavam em uma fala repetitiva, sem muita lógica.

Pois é. Somatizei. Converti.

Claro que eu queria continuar meu dia conforme o costume, mas não me deixaram. O enfermeiro chamou minha filha, que foi me buscar no trabalho e me levou direto para o hospital. Passei por vários médicos, todos com um jeitinho muito simpático, mas com idade para serem meus netos. Eu, num mau humor daqueles, questionava tudo, discordava de tudo, só queria ir embora para casa. Eles tateando, tentando me tourear, talvez meio intimidados pelo fato de eu ser médica e ter cabelos brancos. Olhei os CRMs nos carimbos: todos altos, três vezes maiores que o meu, todos formados há pouco tempo. Depois de uma verdadeira campanha de convencimento, fui internada, muito a contragosto. Sabe aquela situação em que você diz “aceito, mas não concordo”?

No dia seguinte, depois de uma noite péssima, eis que surge um médico que parecia bem mais velho que eu.
“O que você teve?” ele perguntou.

“Uma arritmia e uma suspeita de AIT”, disse eu. (Obs: AIT quer dizer Acidente Isquêmico Transitório, ou seja, um pequeno derrame).

Ele franziu a testa, cerrou as sobrancelhas, fez uma cara feia.
“Isso é diagnóstico! Eu quero saber dos seus sintomas!” disse ele peremptoriamente.

Baixei a cabeça. Murchei as orelhas. Fui para meu lugar. Naquela instante, naquele lugar, meu papel era de paciente. Cabe ao paciente, e só a ele, relatar seus sintomas. Cabe ao médico, e só a ele, elaborar hipóteses diagnósticas. É claro que os dois têm que trocar informações e um ajuda o outro. É uma parceria. Mas cada um no seu lugar.

De repente fui lembrada disso e, meu Deus, que alívio! Finalmente começou a verdadeira consulta, através do estabelecimento claro dos papéis e de suas funções naquela nascente relação médico-paciente. Alguém que vai me ouvir, que quer saber o que eu senti. Ele assumiu o papel de médico e me tratou como paciente, que era meu papel naquele momento. Me ouviu, me examinou com calma, viu meus exames anteriores com atenção. Explicou a gravidade do que eu tinha e os possíveis riscos. Estabeleceu uma linha investigativa. Disse quais os exames iria pedir e por que. Deu um prognóstico. Aprendi muito naqueles poucos minutos de visita.

Ufa, encontrei um médico de verdade! Como os de antigamente. Eles ainda existem.

Ele pediu um exame e colocou seu carimbo. Uau! Um CRM baixo!

Precisou surgir alguém com um CRM muito menor que o meu para me colocar em meu lugar.

É nessas ocasiões que percebemos que não somos nada, apenas desempenhamos papéis diferentes nas mais diversas
situações.

Você realmente sabe trabalhar em equipe?

(Sônia Pedreira de Cerqueira)

trabalho_em_equipe

Com o texto de hoje vou lançar uma reflexão sobre os relacionamentos no trabalho em equipe. Gosto de refletir sobre os trabalhos em equipe porque eles reúnem componentes que desafiam os “nervos humanos” como pessoas, tempo, custo, prazo e egos.

Dizem que as equipes alcançam de maneira mais fácil as metas estabelecidas do que um indivíduo sozinho. Na verdade são atribuídas verdadeiras maravilhas aos trabalhos em equipe. Mas afinal o que é uma equipe senão a união de vários “indivíduos sozinhos”.

É esta união da individualidade que enriquece as empresas e os trabalhos em equipe.
Mas não são todas as pessoas que estão preparadas para expor sua individualidade de forma construtiva no trabalho em equipe. Tal trabalho envolve a satisfação e insatisfação das pessoas, o destaque de alguns e o anonimato de outros, sentimentos positivos e negativos, segurança psicológica para opinar e recusar opiniões e o mais importante de todos, o respeito.

Mas no meio de sensações, sentimentos e pensamentos tão diversos penso se realmente estamos preparados para lidar com aquelas situações que nos são adversas. Vejo pessoas adultas e inteligentes terem comportamentos absurdamente desproporcionais frente às adversidades e frustrações em projetos nos quais estão trabalhando, causando desunião e descrença do resto da equipe.

Para trabalhar em equipe precisamos conhecer nossos sentimentos, reações e porque reagimos. Uma pessoa que não conhece o mínimo de si mesma e ainda é dotada de um lado egocêntrico sobressaltado pode destruir o trabalho e a motivação de uma equipe.

O bom trabalho em equipe pressupõe que as pessoas coloquem o lado egocêntrico para descansar um pouco e se invistam de sentimento de empatia tais como: ouvir com humildade, colaborar com amor, aceitar posições controversas sem rancor e, principalmente, discordar com educação.

Já refletiu como estão seus comportamentos e sentimentos no trabalho com seus colegas? Pense nisso nestes próximos dias, afinal, se perceber é o primeiro passo rumo à melhoria.

O segredo da felicidade

(Paulo Sartoran)

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Adiante da área da saúde pode parecer controversa minha formação acadêmica. Não se espera de um publicitário que ele possa curar pessoas; pelo contrário: acho que a propaganda tem grande parcela de culpa quando estabelece estereótipos de famílias felizes e padrões de beleza, ou quando reforça preconceitos ordinários contra a sogra, argentinos ou patrões, para ficar em poucos exemplos. Mas preciso dizer que devo muito à publicidade por ter me tornado senão mais administrativo, mais antenado. Nenhum publicitário que se preze deixa de observar o mundo à sua volta, à cata de idéias para a sacada perfeita e, desta feita, para engordar sua conta no banco. Como redator, aprendi a andar pela vida amealhando outra espécie de dividendo: a reflexão.

O escocês David Ogilvy, um dos maiores redatores publicitários de todos os tempos, dizia que o título do anúncio impresso corresponde a 80% do sucesso da peça publicitária e ouso dizer que, a grosso modo, os títulos mais procurados em quaisquer listas, em blogues ou por toda a internet vão ser aqueles que mais facilmente oferecerão benefícios aos seus leitores. Quero dizer que não guardo o segredo da felicidade, mas aposto que se você está lendo este texto agora é porque acreditou que eu fosse te dar alguma fórmula mágica de como conseguir as coisas mais difíceis fazendo as coisas mais fáceis. Não se engane, isso não existe. Se aparentemente alguma coisa anda muito fácil para você, desconfie: o santo realmente desconfia quando a esmola é demais.

Para não ser acusado de propaganda enganosa, posso dizer que o caminho para sermos felizes é sermos reflexivos. Observe imparcialmente o que acontece à sua volta. Ser imparcial quer dizer não puxar a sardinha para o seu lado, nem se colocar numa condição de vítima de tudo o que acontece. Como publicitário já vi uma consumidora colocar seu gato de estimação no microondas depois de lhe dar um banho com shampoo, o que praticamente desintegrou o bichinho. Depois foi processar o fabricante do forno, como se a empresa tivesse alguma culpa. A partir daí os publicitários precisaram escrever no manual do usuário que não se deve colocar bichinhos de estimação em fornos com microondas. Use sempre o bom senso e não faça aquilo que a vovó ou o vovô não fariam, mesmo porque não existiam microondas na idade deles. E observe, porque observar é o verbo mais holístico de todos. Observe não a parte, mas o todo: há sempre alguma coisa acontecendo.

Você tem ciúme? Quer saber o que é?

(Paulo Jacob)

ciumes

Você é uma pessoa ciumenta? Sofre muito com isso? Realmente, o ciúme mexe muito com a gente. Me lembro de uma época da minha vida em que eu era ciumento, e hoje consigo enxergar muito do que vou escrever para vocês agora.

Somos muito apegados às pessoas que gostamos de conviver, sejam elas nossos filhos, cônjuges, pais, amigos. É muito bom ter a ilusão em pensar que temos algo, isso faz nos sentir seguros, acreditando que temos o controle das pessoas, que elas são nossas como um objeto, que eu me relaciono quando eu quiser, e da forma que me agradar. O fato é que não temos nada, não controlamos nada, da mesma maneira que eu hoje posso conviver com alguém, amanhã eu posso não poder ter a oportunidade de encontrar essa pessoa novamente, seja pelo motivo que for. Então aproveitem a cada dia essa chance de se relacionar com as pessoas, gostem ou não delas, pois elas são a oportunidade de nos tornamos seres melhores.

Agora, existe uma diferença quando falamos do ciúmes de um amigo, pais, irmãos, em comparação às pessoas que temos uma relação amorosa, ou seja, nas relações que tenham sexo e paixão. Esse ponto a mais, é a poligamia que todos nós temos.

Você vai pensar novamente “lá vem o Paulo com essa da poligamia de novo!”. Então, fazer o que se somos seres poligâmicos! Você pode não aceitar isso, mas todas as vezes que você olha uma pessoa que te chama atenção na rua, e tem algum desejo em relação à ela, você acha que isso é o que?

Tá, o que tem a ver a poligamia com o meu, o seu ciúme?

Já ouviu falar, que quando julgamos alguém por alguma coisa que ela fez, que na verdade estamos apontando nela algo que precisamos melhorar em nós? Existe uma frase de Freud que fala assim “Quando Pedro me fala sobre Paulo, sei mais de Pedro que de Paulo.”. Então, quando nós temos o sentimento de ciúme, que alguém possa fazer algo comigo, gerando uma insegurança ligada à traição (beijos, abraços, transar, etc), a grande verdade é que nós é que gostaríamos de estar com essa possibilidade nas mãos, mas como trair alguém é errado (para a maioria das pessoas), e eu não posso assumir essa minha vontade (isso quando eu não estou pensando em trair alguém conscientemente), eu acabo projetando no parceiro ou parceira algo que quero fazer mas não posso assumir. Em psicanálise isso se chama transferência por projeção. E essa “transferência” ocorre também (muito comum com as mulheres), quando condenamos uma pessoa com um corpo bonito, que esteja vestindo uma roupa que chame atenção das pessoas (decotada, justa, curta…), a verdade é que aquela pessoa que condena gostaria de ter o mesmo corpo daquela outra pessoa, e usar as mesmas roupas para chamar atenção dos homens, principalmente, e gerar inveja nas mulheres também, não é?

Sempre vou dizer isso, assuma suas vontades, não as recalque, porém use a sua razão para chegar à uma conclusão, se vai compensar ou não fazer o que está pensando. Precisamos ser mais racionais, e deixar a nossa emoção rolar livremente entre quatro paredes, com a pessoa que escolhemos amar, transar.

Da próxima vez quando tiver ciúme, preste atenção no quanto você realmente não gostaria de estar no lugar dele ou dela, com a faca e o quejio na mão, para fazer aquilo que tanto acusa que o outro “possivelmente” (na sua cabeça) fará com você.

Abraços e boa semana!

O pneu furado do bonde do Faustão

(R.C.Migliorini)

christiane torloni na danca dos famosos

Acabei de ver o quadro “A dança dos famosos”. Discordo dele porque é raro uma única pessoa ter um desempenho ótimo em todos os ritmos.

Tomemos o exemplo do funk. Vários famosos por volta dos quarenta ou cinquenta falaram que nunca dançaram esse ritmo, sendo que nenhum deles foi bem ao dançá-lo. Ora, o funk não favorece essa faixa etária; É uma dança jovem, criada por jovens e para jovens. Até o figurino usado é de jovens. Além disso, é uma dança que exalta a beleza física e a força atlética de jovens. Eu nunca aplaudiria de pé um artista mais velho que tentou demonstrar esses atributos, como fez a plateia. Antes me solidarizaria com ele ou ela, porque, na verdade acho tudo isso bizarro e humilhante.

Lembro-me do tango dançado por Cristiane Torloni. O artista bastante jovem que competia com ela ficou em segundo lugar. Atleticamente ele era muito mais habilidoso do que ela, mas não era isso que estava em questão. Além da maturidade exigida pelo tango, faltava-lhe um corpo tão anatomicamente adequado para essa dança quanto o dela. Se naquele dia o ritmo escolhido fosse o funk, o resultado seria inverso.

No domingo passado, neste mesmo quadro, falou-se da necessidade da desconstrução de modelos antigos para criação do novo. Logo em seguida foi divulgado um livro que defendia o que chamava de moda intuitiva, ou seja, a necessidade de não se copiar os ícones da moda sem nenhuma crítica.

No caso da sensualidade requerida pelo funk, a de uma pessoa de quarenta ou cinquenta é diferente do que a de uma pessoa de vinte. Um corpo bem acima do peso também pode ser sensual, mas ao buscar essa sensualidade como faz alguém com um corpo que não seja obeso, é ridículo.

A pessoa criativa pode ser sensual, segura e transmitir sua força vital, porque gosta do seu corpo, da sua profissão e de si. Daí não precisa ficar travada, ou transmitir a imagem de alguém com autoestima baixa, porque não teima em espelhar-se nos outros e em enxergar em si apenas desvantagens. Assim, creio que esse bonde levaria muito mais pessoas se, em vez de colocá-las todas no mesmo saco, as levasse a ver sua particularidade e beleza individual.

Contudo, já que ele não faz isso, façamos nós: tentemos veicular a imagem do poder da pessoa criativa. De certa forma, para isso basta imaginar a Cristiane Torloni dançando funk vestida com as roupas e exibindo os modos de uma adolescente poposuda.