Onde está Deus na Depressão?

(Padre Jeferson)

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Texto bíblico: Livro de Jó

Todos nós sabemos que a depressão é um estado de sofrimento psíquico caracterizado fundamentalmente por rebaixamento do humor (isto é, do estado afetivo básico apresentado pela pessoa), acompanhado por diminuição significativa do interesse, prazer e energia. Normalmente, acrescem-se alterações do sono e apetite, retardo psicomotor, sensação de fadiga, falta de concentração, indecisão, diminuição da autoconfiança, pessimismo, ideias de culpa, desejo recorrente de morrer, entre outros sintomas. Depressão deve ser diferenciada de tristeza, que é uma experiência humana universal e esperada diante de experiências desfavoráveis, como o luto, por exemplo. O diagnóstico de depressão implica na correta avaliação das características e intensidade dos sintomas, bem como o tempo de evolução e suas repercussões.

Nessa situação de depressão nos perguntamos onde está Deus. Como exemplo bíblico, temos o Livro de Jó que relata uma depressão profunda que Jó vivencia em sua vida. Principalmente quando ele perdeu todos os seus bens – era um homem mais rico do oriente – e todos os seus filhos em um único dia (Jó 1.13-22). Perdeu sua saúde (Jó 2.1-10) e sua elevada posição social (Jó 19. 9; 30.9-11). Perdeu a solidariedade religiosa da esposa (Jó 2. 9-10) e sofreu críticas tremendamente injustas da partes dos amigos (Jó 4. 1-11). Tudo isso o levou a uma grande depressão cuja proporções ele mesmo descreve: “Não sou capaz de me ajudar a mim mesmo, e não há ninguém que me socorra” (6,13). “O meu coração está cheio de amargura” (7,11). “Detesto a vida; não quero mais viver (…) minha vida não vale mais a pena” (7. 16). “Agora já não tenho vontade de viver; o desespero tomou conta de mim” (30. 16). “O meu coração está agitado e não descansa (…) levo uma vida triste, como um dia sem sol” (30. 27-28).

Em meio a essa sentida depressão, Jó soube manter a fé e a esperança em Deus: “Eu sei que o meu Redentor vive, e que no fim se levantará sobre a terra” (19. 25). O que esperava aconteceu: “O Senhor abençoou a última parte da vida de Jó mais do que a primeira” (42. 12). O Deus dos Cristãos, o Deus da revelação, o Deus das Escrituras é uma pessoa que ama, que se apaixona, que enxerga e enxuga lágrimas, que ouve e responde à oração que se compadece da fraqueza humana e perdoa pecados, que compreende o ser humano e o trata com bondade e paciência, que gosta de ser chamado de Pai Nosso.

Ao contrário da visão pessimista de Epicuro, o Deus dos cristãos não é nem impotente nem mau. Ele quer e pode eliminar o mal do mundo – à sua maneira e a seu tempo. A culminação dessa obra aguarda a volta em poder e muita glória daquele que é chamado de Emanuel, que quer dizer “Deus conosco”. Sendo assim, para aprender a lidar com sabedoria e acerto com os incômodos da presente vida, não é preciso esperar o fim do mundo. Por ser uma realidade acima de qualquer outra realidade ou por ser uma ficção criada ou alimentada pela preocupação com a morte, “a ideia de Deus jamais morrerá, ou melhor, morrerá apenas com o último homem”.

 

FALANDO SOBRE ESQUIZOFRENIA

(Maria Helena Fantinati)

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Oi pessoal!

Hoje vamos falar sobre uma patologia cuja origem é múltipla e o tratamento é bastante complexo: a esquizofrenia.

Esta é uma doença mental grave que se carateriza classicamente por uma coleção de sintomas, entre os quais alterações do pensamento, alucinações (sobretudo auditivas), delírios e embotamento emocional com perda de contato com a realidade.

A sua prevalência atinge 1% da população mundial, manifestando-se habitualmente entre os 15 e os 25 anos, nos homens e nas mulheres, podendo igualmente ocorrer na infância ou na meia-idade.

SINTOMAS:

A esquizofrenia é uma doença funcional do cérebro que se caracteriza essencialmente por uma fragmentação da estrutura básica dos processos de pensamento, acompanhada pela dificuldade em estabelecer a distinção entre experiências internas e externas. Embora seja primariamente uma doença que afeta os processos cognitivos, os seus efeitos repercutem-se também no comportamento e nas emoções.

Os sintomas da esquizofrenia não são os mesmos de indivíduo para indivíduo, podendo aparecer de forma gradual ou, pelo contrário, manifestarem -se de forma explosiva e instantânea.

CAUSAS: são vários os fatores  que  estão na origem da esquizofrenia. Resumidamente podemos dizer que existe uma causa genética, neurobiológica e psicanalítica.

GENÉTICA:

A teoria genética admite que vários genes podem estar envolvidos, contribuindo juntamente com os fatores ambientais para o eclodir da doença. Sabe-se que a probabilidade de um indivíduo vir a sofrer de esquizofrenia aumenta se houver um caso desta doença na família.

No entanto, mesmo na ausência de história familiar, a doença pode ainda ocorrer. Segundo Gottesman, sabe-se ainda que cerca de 81% dos doentes com esquizofrenia não têm qualquer familiar em primeiro grau atingido pela doença e cerca de 91% não têm sequer um familiar afetado

NEURO BIOLÓGICA:

As teorias neurobiológicas defendem que a esquizofrenia é essencialmente causada por alterações bioquímicas e estruturais do cérebro, em especial uma disfunção na concentração de dopamina, um importante neurotransmissor, presente no cérebro, embora  existam também alterações nas concentrações de outros neurotransmissores envolvidos. A maioria dos antipsicóticos atua precisamente nos receptores da dopamina no cérebro, reduzindo a produção endógena deste neurotransmissor. Exatamente por isso, alguns sintomas característicos da esquizofrenia podem ser desencadeados por fármacos que aumentam a atividade da dopamina, por exemplo, as anfetaminas.  Esta teoria é parcialmente comprovada pelo fato de a maioria dos fármacos utilizados no tratamento da esquizofrenia atuarem através do bloqueio dos receptores (D2) da dopamina.

CAUSAS PSICANALÍTICAS  :

Resumidamente, o que acontece é que os impulsos primitivos, anteriormente  rejeitados e temidos pelo ego,   invadem o    campo consciente, obrigando o ego a uma última defesa: a perda de coerência do pensamento ou seja, a destruição do processo cognitivo, por não suportar lidar com determinados conflitos.

Impulsos primitivos, de forma geral, são tendências, desejos, sentimentos  que a pessoa teme, e não admite te-los.

DIAGNÓSTICO

O diagnóstico da esquizofrenia, como sucede com a maior parte das doenças  psiquiátricas, não se pode efetuar através da análise de parâmetros fisiológicos ou bioquímicos, e resulta apenas da observação clínica  das manifestações da doença ao longo do tempo. Para o  diagnóstico, é importante que o médico exclua outras doenças ou condições que possam produzir sintomas psicóticos semelhantes, como o abuso de drogas, a epilepsia, tumor cerebral e alterações metabólicas. Portanto, o diagnóstico da esquizofrenia é por vezes difícil.

Em muitos casos, os indivíduos com esquizofrenia foram crianças tímidas, introvertidas, com dificuldades de relacionamento e com pouca interação emocional. Estas crianças podem apresentar  dificuldades  de atenção e de comportamento e na  adolescência, podem apresentar também isolamento e diminuição do rendimento escolar.  Estes comportamentos são comuns  na  adolescência e por isso, podem os ser facilmente confundidos com alguns  sintomas da esquizofrenia citados acima. Quando não há uma crise psicótica característica,  é difícil diagnosticar, com precisão, a esquizofrenia.

Uma crise psicótica, que é uma perda de realidade,  pode ser precipitada por vários fatores, como por exemplo, mudança de casa, perda de  um familiar, rompimento com um(a) namorado(a), entrada em uma nova escola ou universidade. Por vezes, o trauma é considerado um acontecimento insignificante pelas pessoas normais. Mas não para o indivíduo esquizofrênico, pois pelo  ao fato da sua  genética ser desfavorável, seus neurônios têm baixa  capacidade de tolerar frustrações, ou mudanças  e  qualquer acontecimento desagradável, pode  de desencadear a esquizofrenia.

Neste tipo de doença, é raro o indivíduo ter consciência de que está realmente doente, o que torna difícil a adesão ao tratamento.

Um dos maiores medos que a pessoa com esquizofrenia sente é o de ser estigmatizada por preconceitos sociais relativos a sua doença. Especialmente a idéia de que a pessoa  esquizofrênica é violenta, perigosa, é incorreta, pois estudos recentes mostram que isto não tem base científica.

É bastante útil que o doente tenha conhecimento sobre a doença e os seus sintomas e que tenha um papel ativo no tratamento e controle sobre a mesma. Sendo por isso vantajoso que estes sigam alguns cuidados:

  • Permanecer fiel ao seu tratamento; se achar que a medicação não está  ajudando ou sentir efeitos não desejáveis,  deve avisar o médico
  • Ter o cuidado de conservar um ritmo de sono e vigília correto, com as horas de sono necessárias
  • Evitar o stress
  • Deve manter rotinas normais, de higiene, alimentação, atividade em casa e no meio ambiente
  • Evitar as drogas
  • Procurar ter hora certa para dormir, comer, trabalhar
  • Fixar um programa de atividades para cada dia
  • Permanecer em contato com as outras pessoas
  • Manter o contato com o médico e profissionais de saúde mental (psicoterapia )
  • Praticar esporte pelo menos uma vez por semana.

O papel ativo da família é essencial para o tratamento. A reabilitação e reinserção social do  indivíduo  que sofre de esquizofrenia é muito importante.

Muitas famílias procuram o apoio  dos profissionais  de saúde, para  superarem  as dificuldades que encontram. No entanto, há aquelas que não o fazem, e assim correm o risco de se desestruturarem.

A família deve estar preparada para o fato do doente poder ter recaídas ao longo do tempo, o que pode conduzir a um possível internamento hospitalar, o que é relativamente comum.

TRATAMENTO FARMACOLÓGICO.

Os medicamentos  são essenciais   para o tratamento  da esquizofrenia, assim como  a  psicoterapia que  complementa este tratamento.

Há  uma resistência natural, pelo doente,  ao uso destes medicamentos, chamados anti psicóticos,  porque freqüentemente causam muitos efeitos colaterais, sendo alguns deles   muito  graves.

As medicações, portanto, só fazem ajustar o que estava desajustado. Infelizmente no caso da esquizofrenia, não se conhece uma medicação  capaz de realizar  essa tarefa completamente, restabelecendo a normalidade do paciente.

Por enquanto, os medicamentos proporcionam uma ajuda parcial, porém indispensável para proporcionar ao doente uma vida próxima ao normal.

Juntamente com os medicamentos, a maternagem na terapia, o amor dos familiares, o trabalho voluntário quando possível, levam o paciente esquizofrênico a resgatar um pouco o prazer de viver e interagir com as pessoas!

Até a próxima!

Só sexo, ok?

(Paulo Jacob)

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Olá! Como vão?

Hoje vou abordar um assunto que conversei com uma paciente durante uma sessão de terapia.

Já fazia um tempo que ela não tinha relações sexuais, pois tinha se separado do marido há pouco tempo. Mas a vontade era grande de encontrar uma outra pessoa para transar, gerando até uma certa ansiedade nela.

Falei para ela ter paciência, pois ainda estava digerindo a separação, e que certamente ela iria encontrar alguém para matar aquela vontade, que sem dúvida um dia ela iria ter essa oportunidade.

Bom, o tempo passou e ela encontrou uma pessoa, na verdade ela foi pega de surpresa, pois já fazia um tempo que não via essa pessoa, pois eles já se conheciam, mas há algum tempo não se viam. Papo vai, papo vem, e eles acabaram saindo um dia, até que aconteceu aquilo que ela tanto queria.

Mesmo ela deixando claro para ele, que o interesse dela nisso tudo era apenas sexo, ele cobrou dela um algo a mais, ou seja, que durante aquela transa, ela agisse de uma maneira mais carinhosa, atendendo as necessidades dele tanto fisiológica (sexo), como psicológica (carência afetiva), o que fez com ela na mesma hora perdesse a vontade de continuar com ele.

Não vou aqui julgar se ela ou ele que estão certos, até porque esse pensamento de certo e errado é muito relativo, sempre depende do ponto de vista que observamos uma situação. Mas o que considero válido, é que tanto ela como ele estavam nessa relação apenas para saciar necessidades físicas e psicológicas (apenas dela falar que no caso dela era apenas sexo, e nada mais, ou seja, fisiológica). E também aqui quero deixar claro que não há nada de errado nisso, apenas acho que é bom senso que ambos deixem bem claro um para o outro, qual a real intenção de cada um nessa relação.

Alguns poderão pensar que ele por querer algo a mais, como por exemplo ouvir palavras amorosas, se sentir amado e querido por ela, que ele nesse cenário é uma pessoa melhor que ela, mais empática. Mas que tal pararmos para pensar, e diferenciar uma pessoa “sensível, carinhosa” por interesses egocêntricos, ou seja, visando apenas saciar suas necessidades próprias (carência afetiva), e de outro lado uma pessoa com as mesmas qualidades, mas que age assim porque gosta de ver o outro feliz, quando faz com que o outro se sinta amado, querido, e sem ter necessidade alguma de receber os mesmos elogios em troca? Percebem a diferença? O que eu gostaria que pensassem, é que tanto ela como ele estavam totalmente egocêntricos nesse caso, e que o fato dele agir de uma maneira mais carinhosa com ela, na verdade é porque ele queria ter o retorno disso, ou seja, fez para receber. Não tem nada de empático nisso.

E geralmente quando agimos egocentricamente, a probabilidade de nos frustrarmos é praticamente certa, o que foi que aconteceu com ele, pois criou uma expectativa que ela em momento algum alimentou.

E nesse caso eu me pergunto, até que ponto esse cara não estava mais precisando mesmo era de um colo de mãe, e não de uma mulher para transar? Mas aí já é um outro assunto…

Se a sua relação com outra pessoa é apenas por sexo, ou não, faça o que tiver que fazer porque quer, e não porque quer ter retorno, entende? Quer elogiar, abraçar, beijar, faça, mas não espere nade de volta, ninguém é obrigado a te fazer algo, cada um faz porque quer! E fazer por obrigação é fazer algo contra sua vontade, e isso reflete na sua relação, porque o inconsciente da outra percebe que aquilo não é autêntico, e sim falso.

Seja verdadeiro, e não falso!

Abraços e até a próxima!

Rezar sem neurose ( Inspirado nos Escritos do Frei Neylor Tonin)

(Padre Jeferson)

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Texto bíblico: Evangelho: Mt 6, 7-15

Quais as formas e os meios que rezamos? Como rezamos? O que rezamos? Não só rezar, mas, também e principalmente, ser religioso sem neuroses. É um desafio para todos nós. Acredito que tudo que façamos deva ter um pouco de neurose. Será? Na verdade, a oração é apenas uma manifestação de um jeito mais amplo de ser religioso, que pode ser feliz ou triste, alegre ou amargo, adorante ou farisaico, alimentador ou condenatório, livre ou neurótico. Este jeito pode, tristemente, caracterizar-se por expressões de modos e inseguranças, de preguiças enfastiadas ou de falsa compreensão relacional, de falta de aprumo espiritual ou de pessoas apresadas e insatisfeitas, de comandos intempestivos e desmandos intemperantes.

Rezar não é fácil. Na reza ou na oração deve ter um sentido para a vida, isto é, um sentido mais profundo para a vida. Rezar bem, com a alma e coração, com intensidade e pureza interiores, com despojamento e olho espiritual, não é coisa para marinheiros de primeira viajem ainda fascinados pelo turbulento revolver-se das aguas e enamorados por seu fascínio, mas desconhecedores de seus perigos. Rezar é bom e necessário, é até gostoso e inebriante, mas os grandes orantes sentiram na pele e ensinaram, em seus testemunhos e memórias, que não é fácil contemplar o invisível onde se esconde o rosto do Amado, de Deus.

Sendo assim, a alma que tanto deseja Deus, sofre imensamente pela insatisfação de ser tão pouco dele e de tão pouco poder amá-lo e sentir-se por Ele amado. Por que sentimos isso. Porque somos corpo, corpo pesado de concupiscentes sentidos físicos, quão difícil nos é mergulhar no invisível! Nesse meio ao colapso, não sabemos o que pedir ou a oração que fazer ou a graça que desejamos. Na verdade a grande graça a ser pedida, neste estágio do itinerário espiritual, será a da perseverança e a do não-desespero diante do aparente desaparecimento de Deus.

Há, na vida religiosa (de oração), um meio-termo que é insatisfatório e nele se revelam as neuroses de nossa relação com Deus. Este meio-termo se caracteriza por um desenfoque da verdadeira oração, no qual Deus é o centro e o que reza se põe de joelhos. Quando ocorre o contrário, isto é, quando é o orante o centro e Deus é apequenado, ficando a serviço das necessidades de quem reza, a oração ganha traços de neurose e perde a fecundidade da graça divina. O que consistem esses traços neuróticos? Consistem em adulterar a natureza das coisas e das pessoas, de Deus e do orante. Estabelece-se uma inversão de importância, ficando Deus como o criado-mudo da história e o orante como o protagonista do discurso e da ação.  O orante, sendo mendigo, comporta-se como patrão, e Deus, sendo Senhor, é tratado como empregado. A oração não passa, então, de um enlouquecido cozinhar das carências humanas e não se dirige a Deus Senhor e doador das graças. Estas são exigidas como expressão da pobreza humana, e não como escuta e deferimento da generosidade e bondade divinas.

As pessoas dizem que reza tanto e Deus não atende, ou ainda rezo muito e Deus me atende. Em ambas os casos, não há uma fé explicita em Deus, mas sim apenas estados emocionais prementes e assustador ou neuroses. Nestes casos, a oração não tem alma de adoração e de encantamento, mas se materializa como atropelo de um espirito que manda comanda, que exige e cobra os dividendos da fé. É preciso atentar para este tipo de apequenamento de Deus e para este comportamento espiritual, lembrando-se de que Deus nos atende porque é Deus e nos ama, e não porque acreditamos nele.

A verdadeira oração se fundamenta num pressuposto existencial: quem reza reconhece e exalta a grandeza de Deus, ao mesmo tempo em que aceita e confessa sua insignificância. Não-neurótica é a oração que tem como centro e endereço Deus.

 

 

 

Procurar entender-se

(Padre Jeferson)

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Texto bíblico: Evangelho: Mc 7, 14-23

“Conhece-te a ti mesmo”, famosa frase de um filosofo grego. Será que eu me conheço? Ora, somos mais que uma definição conceitual de possibilidades e ideias. Há aqueles que dizem que somos intelecto, psíquico e espiritual. Na verdade somos uma jardim, uma paisagem, muitas vezes desconhecida para nós mesmo. Temos tudo que uma paisagem possa ter. Porém, não percorremos e nem visitamos. Existe até esconderijos sombrios que todos e, até, nós mesmo, tudo fazemos para desconhecer, ocultar e esquecer.

Por isso, Jesus nos alerta dizendo que o que torna o homem impuro é o que sai do interior do seu coração. Ele elenca uma lista que nos torna impuros. Más intenções, imoralidades, roubos, assassínios, adultérios, ambições desmedidas, maldades, fraudes, devassidão, inveja, calúnia, orgulho, falta de juízo. O bem e o mal fazem parte da nossa paisagem. O bonito e o feio vivem de mãos dadas em nosso pequeno mundo. Somos ao mesmo tempo, um animal feroz e uma ovelhinha inofensiva; um urso esfaimado e a pombinha branca e inocente da paz. Se não reconhecermos isso em nós, pode transformar-se em graves frustrações e de desilusões, a longo prazo dolorosa.

 

Nenhum pecado nos afasta mais de Deus e dos irmãos do que a presunção de sermos justos. Paulo é incisivo: “Vocês que buscam a justiça na Lei se desligaram de Cristo e se separaram da Graça” (Gl 5,4). A auto justificação esvazia a justificação. Tira-nos a verdadeira consciência de nós mesmo como miséria e de Deus como misericórdia. Obriga-nos a fazer de tudo, até a amar, mas não aceita que sejamos amados gratuitamente. Desta maneira, o nosso coração continua duro, calcificado, morto, surdo e cego diante do amor e da vida que o amor suscita. Nossos olhos não veem, nossos ouvidos não ouvem (Mc 8,18).

É importante passear pela paisagem de nossa vida (interior) sem nos assustarmos demasiadamente com os minotauros que vivem em nossos labirintos e sem nos encantarmos infantilmente com os leões (vaidade, presunção e prepotências) que circundam nosso mundo mais ensolarado. Uns e outros somos nós. Este entendimento de nós mesmo deveria abrir-nos para uma certa condescendência, que não é aprovação de nossas covardias, mas aceitação de nossas pobrezas e apoio bem-humorado para uma autoestima saudável.

A resposta está em mim. É fato! Mas como encontra-la nessa paisagem que é o meu interior? No aceitar-se a si mesmo há uma capítulo que é, normalmente, muito difícil: o de perdoar-se. Perdoar os outros pode não ser tão difícil, porque nós fazemos, nestes casos, protagonistas da ação. Perdoar a si mesmo já não é tão fácil, porque a ação perde qualquer brilho de vaidade. É algo que se passa na austeridade de um deserto, que tem um único e silencioso espectador: Deus. Aceitar-se e perdoar-se! Não é preciso dizer que estes gestos são fonte de grande alegria.

 

 

 

Carnaval, todos sem máscara

(Paulo Jacob)

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Oi, como vai? Aproveitou bastante o carnaval? Seja se divertindo, ou descansando… O carnaval é um feriado especial para muitas pessoas, principalmente para aquelas que gostam dessa época.

Historicamente o carnaval sempre teve o intuito de podermos extravasar tudo aquilo que não podemos fazer durante os demais meses, ou seja, tudo é permitido. Uma vez ouvi do meu colega que escreve aqui no blog, o Padre Jeferson, a explicação histórica sobre essa permissão, em que se comia e bebia muito, e se festejava durante dias, o que ainda acontece até os dias de hoje.

Agora, eu obviamente acabo tendo uma outra visão sobre essa época do ano…

Toda a poligamia, homossexualidade, agressividade, e outros instintos e tendências que possuímos, se apresentam descaradamente nesse época. É homem e mulher beijando vários no mesmo dia, e muitos até apostam para ver quem beija mais (ou transa mais?). É homem se vestindo de mulher, e se permitindo agir assim porque no carnaval tudo pode! É claro que isso não significa que o cara é gay, mas se inconscientemente existe um desejo, essa vontade será saciada nessa época do ano, e tem homem que espera ansiosamente por esse momento. Que aproveitem!!! E tem também as mulheres que ficam brincando de beijar as amigas na boca, porque já que não apareceu um cara para ela beijar, porque não brincar com a amiga, dando vários selinhos pela noite?

Realmente, temos mais que aproveitar!! E sem medo, censura, ainda mais nessa época que as bebidas alcoólicas são ingeridas como se fossem água pela grande maioria das pessoas, e o superego que tem como um dos seus papéis censurar certas ações de cada um de nós, acaba ficando bêbado (ou drogado), e “libera geral” todas os desejos que possuímos.

Todos nós precisamos de um momento como esse, em que temos um habeas corpus para sermos quem realmente gostaríamos de ser, ou melhor, agir sem censura! Os que mais aproveitam essa época, certamente são aqueles que mais recalcam durante o ano todo as suas vontades, e deixam para o carnaval para fazer o que quiser, sem medo dos julgamentos, afinal todos estão no mesmo barco. Se eu sei que estou agindo de uma maneira mais livre, porque vou querer julgar o outro por estar agindo assim, e dessa maneira vira um ciclo sem fim, em que ninguém é de ninguém, que todos podem tudo até  (teoricamente) na quarta-feira de cinzas.

Então se o seu carnaval ainda não acabou, continue expondo o que está recalcado dentro de você, se possível respeitando os outros que por algum motivo não querem compartilhar da mesma maneira de viver. Mas se você conseguir agir de uma maneira menos “censurada” durante o ano, usando a sua razão para decidir em quais momentos você poderá agir como faz no carnaval (fora de época), libere um pouco isso tudo que você deixa guardado o ano todo, afinal ninguém é santo.

Abraços e até a próxima!

Palavras movem, exemplos arrastam

(Claudia Pedrozo)

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Semana passada fui à uma escola fazer uma visita de rotina. No meu trabalho, acompanho as escolas e busco auxiliar a equipe escolar na resolução/melhoria dos problemas que a escola enfrenta.

A escola em questão fica num bairro periférico, numa região de invasão de uma grande cidade do interior de São Paulo. Logo, tem todas as dificuldades e contradições que o entorno social permite.

No dia da visita eu estava resolvendo algumas pendências com a Direção da Escola quando outro membro da equipe escolar chegou solicitando a intervenção do Diretor, que imediatamente largou tudo e foi atender à ocorrência.

A situação era a seguinte: dois colegas de classe haviam se estapeado e um deles deu um soco no nariz do outro e acabou quebrando-o. A solução foi chamar os responsáveis pelos meninos para analisarem a situação e definirem uma sanção aos dois, afinal quando um não quer, dois não brigam, não é?

Enquanto aguardavam a chegada dos pais, os meninos foram levados à sala onde eu estava. Olhei para eles e resolvi tentar entender o que havia ocorrido. Pedi a eles que se apresentassem e me contassem, cada um a seu tempo, os fatos. E assim eles fizeram.

Relataram que tudo começou quando o jovem “A” chegou à escola e o jovem “B” estava sentando em seu lugar. O jovem “B” afirma que não havia nome no lugar e que os alunos sentam onde querem. “A” argumentou que senta no mesmo lugar desde que as aulas começaram e que pediu com educação para “B” sair e ele ignorou. Então “A” resolveu contar um podre de “B” para o pessoal sentado nas imediações, era uma bobeira, mas deixava claro o quanto “B” era infantil! O grande problema foi que “B” não gostou da atitude de “A” e num acesso raivoso, levantou e empurrou o colega, que na defesa acabou dando um soco no nariz de “B”. Sangue e vergonha por todo lado! Ambos foram levados à Diretoria.

A história que me contaram, cada um na sua vez e sem direito de interromper o colega foi a mesma, construída por dois lados de um mesmo fato. O que fez com que “B” ficasse tão irado com “A”, a ponto de agredi-lo, quando se olharmos bem, “B” começou a confusão ao desrespeitar o colega, tomando-lhe o lugar? A resposta é simples: na frente da carteira “roubada” de “A”, senta-se uma linda rapariga… e “B” está enamorado dela… jogando charminho, na intenção de conquistá-la! E o que fez “A” com a imagem que “B” tentava construir? Jogou-a no lixo! Mostrou para a bonitona que “B”, embora quisesse parecer maduro, eram um meninão!

Ah, meu Deus! Imagem arranhada, auto estima abalada! Eis o motivo da agressão. Ambos não souberam respeitar, ambos não trataram o colega como gostariam de ser tratados! Refleti isso com eles e pedi que contassem um para o outro como se sentiram durante o evento e como estavam se sentindo após ele.

“B” estava tão chateado e envergonhado que até queria mudar de escola! Queria ir para Minas Gerais, cidade onde o pai distante mora. Perguntei porquê, afinal não era para tanto, brigas entre colegas são coisas da vida, acontecem cotidianamente e era desnecessário radicalizar! Era só pedirem desculpas e tentar se colocar no lugar do outro antes de perder a cabeça e estourar novamente.

Foi então que me surpreendi! “B” não estava envergonhado por ter desrespeitado o colega, achava que “A” agiu errado ao lhe cobrar o lugar, afinal não tem nome escrito na carteira, o que o incomodava tanto era o fato que ele teria que conviver com a vergonha de ter o nariz quebrado por “A” , bem no meio da classe e na frente da garota que tentava conquistar!

Falei com ele que logo todos esqueceriam a situação e que se ele ainda queria conquistar a gatinha, era preciso se mostrar um “homem de bem”. Acho que chovi no molhado. Logo as mães chegaram e foram todos para outra sala resolver o conflito.

Fiquei pensando na questão. Na verdade me penalizei com a situação de dureza no coração de “B”. Dureza esta gerada pela vida difícil que leva, onde a bondade e o perdão são palavras vazias e muitas vezes sinônimo de fraqueza.

Observei de longe os meninos irem embora juntos com suas mães. Mulheres cansadas, mulheres batalhadoras e… mulheres duras.

Pensei com meus botões que a vida é uma escola e logo me veio à mente exemplos de mães tão sofridas e tão doces, que conseguiram ensinar a seus filhos o valor do perdão e do auto perdão, tão necessários a uma vida emocional equilibrada.

Diga-me uma coisa, você tem ensinado com palavras e exemplos o valor do respeito e do perdão aos seus filhos desde pequeninos?

Estes são valores universais que devem ser aprendidos no exercício constante… como você pai/mãe tem exercitado o respeitar e o perdoar – aos outros e a si mesmo – no dia a dia? Assim como você é e faz, seu filho também será e fará!

Palavras movem, exemplos arrastam.

 

FRUSTRAÇÃO, LIMITE, LIBERDADE E CRIATIVIDADE

(R. C. Migliorini)

Criatividade

Na semana passada, eu recebi dois comentários no Facebook por conta do texto “Avanços e retrocessos“ publicado no Fãs da Psicanálise. Neles, uma pessoa referiu-se à frustração e outra ao embate mente-corpo, palavras mencionadas por mim no texto. Ambos chamam a minha atenção para o fato de que essas são condições humanas que ocorrem a todos, deficientes ou não.

A frustração, por exemplo, ocorre quando o ser ou a situação ideal não corresponde em 100% ao ser ou à situação efetiva. Isso é: nunca. Segundo alguns psicanalistas, isto tem início na ocasião em que a mãe não atende de pronto ao desejo do(a) seu/sua filho(a), de modo que a criança começa a perceber que sua mãe não é continuação de si.

Ou seja, sem a frustração a criança não cresce. Tampouco desenvolve habilidades como criatividade ou curiosidade científica, sendo que as duas seriam uma espécie de negociação entre a realidade imutável e o puro sonho.

Isso me lembra o que Fayga Ostrower (já a citei anteriormente) diz sobre limite, delimitações, liberdade, e criatividade. Conforme a autora, as delimitações são fatores determinantes para se perceber e configurar, pois é no respeito pela existência finita de tudo que é, que elas incentivam e motivam a criação. Ostrower afirma que do respeito às delimitações sobrevém a verdadeira coragem diante da vida. Inclusive a elaboração daquilo que talvez nos seja mais difícil: os limites da própria vida individual: a morte. Para ela, os poucos indivíduos que conseguem realizar esta elaboração atingem uma admirável e generosa coragem de viver, e com ela, o exercício pleno da vida.

E prossegue:

Essa capacidade de reconhecer limites […] permite ao indivíduo agir livremente. Não se trata nunca de limites abstratos. Trata-se, isso sim, do acatamento de possibilidades reais de cada coisa e de cada ser […].

Assim sendo, raciocina que

se por algum motivo tivéssemos que atribuir uma única qualificação condicional para o que é criativo, essa qualificação seria a adequação e não a inovação nem a originalidade. Seria a maneira justa e apropriada pela qual se corresponderiam as delimitações de um conteúdo expressivo e as qualificações de uma materialidade.

Encerra dizendo que “a criatividade é a essencialidade do humano e que criar é tão difícil ou tão fácil como viver.” E é, igualmente, necessária.

Carnaval e Rolezinho… que país é esse?

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(Claudia Pedrozo)

                Estamos a poucos dias de uma das festas mais populares do nosso país. O Carnaval é um evento nacional. Multidões se espremendo, pulando, dançando… se divertindo. Liberando o Superego numa boa, afinal “Carnaval é hoje só “ e para ser “feliz e se dar bem” tudo pode!

Tanto brilho, tanta alegria, tanta liberdade… Quanta gente espremida no mesmo espaço.

Gente espremida, cantando, pulando, se divertindo? Carnaval ou Rolezinho?

Hoje, aproveitando os festejos carnavalescos quero falar um pouquinho dessa situação que assombrou os grandes shoppings paulistas recentemente. Em dezembro de 2013 jovens da periferia de São Paulo invadiram o Shopping Metrô Itaquera e o Shopping Guarulhos, causando medo e uma grande confusão. Lojistas se apavoraram, seguranças se atrapalharam e a repressão comeu solta! Não deu outra, o fenômeno se espalhou com a ajuda da internet e virou um pandemônio que fez até a presidente do país entrar em ação.

Tempos modernos!

Os rolezinhos são o resultado de uma “justiça social injusta”, que faz com que os jovens, tão incentivados ao consumo, queiram também um lugar ao sol!

Certo, os convites que bombaram no facebook foram um convite ao pânico das autoridades e dos preconceituosos do país. Após o susto do primeiro rolezinho,foi possível ver páginas e mais páginas do “face” com dizeres rebeldes que convidavam outros jovens a “subir a escada rolante que desce”, “apertar todos os botões do elevador”, “entrar no cinema pela porta de saída”, fazer “guerra de comida”!

Ir ao shopping e “meter bronca” era o passeio ideal e traduzia a insatisfação dos adolescentes da periferia paulista com a falta de uma política de cultura e lazer de qualidade nos bairros focada nesta faixa etária.

Como sempre São Paulo foi a “locomotiva da história”, mas muito provavelmente não foi, nem é a única unidade federativa a ter este tipo de problema. Se puxarmos mais pela memória, lembraremos de episódios como os arrastões nas praias carioca em anos passados.

Muito bem, somos pela ordem e progresso… não queremos a instauração da desordem! Mas… quando lembro do mundo e de alguns movimentos que marcaram a história da humanidade, vejo que eles, guardadas as devidas transformações sociais e tecnológicas, tiveram a atuação maciça de adolescentes! Muitos dos quais hoje condenam e reprimem os rolezinhos.

Que é isso minha gente? Eu tenho um nome para isso: hipocrisia!

Somos uma sociedade hipócrita que anuncia que o Brasil é o país do futuro (ou já foi), mas que quer que os jovens estranhos da perifeira – como se só adolescentes pobres fossem “estranhos”, como se só jovens da periferia participassem deste fenômeno, como se a capacidade de fazer algo impensado fosse só de jovens advindos das camadas populares – permaneçam longe dos nossos olhos e não invadam “nossa”praia… “nosso” shopping,  nossas vidas!

Como mãe e como adulta também condeno a anarquia e a necessidade de impor medo ao se organizarem para a ida em bandos aos shoppings, mas como ser humano, entendo perfeitamente, porque nos idos anos de adolescência, também já busquei um bando e fiz  besteiras apoiadas por ele! Também já quis ter meu lugar ao sol para poder consumir tudo aquilo que as jovens de famílias mais abastadas tinham! Eu também achava que era tendo que eu seria… vista, amada, reconhecida!

Na minha memória seletiva, tudo que eu fiz de errado não foi errado (será?),  lutei com as armas que minha geração tinha e no meu entendimento não fui desordeira, não estraguei nada e…Meu Deus! Quanto cresci fazendo besteirinhas! Me senti a “mais mais”! Mas se perguntassem aos adultos desta época se o que fazíamos era certo, com certeza eles diriam que era uma verdadeira baderna!

Como foi bom para a minha autoestima oscilante “badernar”, quebrar limites, estabelecer novos limites, ser apoiada por um grupo tão infantil e “perdido” quanto eu! Todas as besteiras que minha mãe jamais poderia saber que eu fazia me ajudaram a ser a pessoa que sou hoje, para o bem e para o mal! Transgredir era o máximo! A gente se sentia grande! E isso nos fez crescer, aprender, escolher.

Ouvindo depoimentos de alguns destes jovens, não vejo muita diferença na motivação que existe entre eles e a que existia em minha geração… e se dermos uma busca no passado, nas grandes “rebeliões da juventude”, que marcaram uma época, veremos que ainda somos os mesmos e buscamos a mesma coisa: todo jovem (todo ser humano!) que ser alguém, quer se amado, valorizado, aceito e testa seus limites para crescer, muitas vezes com dor.

Alguns dirão, mas hoje são mais violentos! Será? Pelo que me lembro na minha juventude também existia violência, talvez com uma divulgação menor.

Portanto, atire a primeira pedra aquele que nunca se juntou a outros iguais para exercitar o poder de ser alguém em construção fazendo “besteira”.

Embora a cultura e a sociedade possam dizer que não… na minha cabecinha, Carnaval bem poderia ser chamado de rolezinho… porém regado a muuuuiiiita luxúria e com a permissão da nossa censura!

Me contem… nestas circunstâncias não liberamos o jovem reacionário que um dia fomos?

Nada errado nessa situação. O que precisamos é parar de dar aos jovens falsas lições de morais. Educação se faz com palavras, mas se constrói com exemplos!

Pense nisso e ótimo feriado para você!

As sessões, uma lição

(Paulo Jacob)

Olá, como vão?

assessoes

Hoje gostaria de falar sobre o filme “As Sessões”.

Há algum tempo eu estava procurando o filme para assistir, pois não consegui ver no cinema. mas eu eu já sabia da história do filme, pois tinha lido na internet textos sobre o filme, e na grande maioria elogiando o filme.

Para você que ainda não sabe nada sobre o filme, eis aqui uma sinopse que encontrei na internet: ” A história de Mark O’Brien (John Hawkes), um homem que viveu a maior parte de sua vida em um pulmão de ferro e está determinado – aos 38 anos – a perder sua virgindade. Com a ajuda de seu terapeuta e a orientação de seu padre Brendan (William H. Macy), ele se propõe a tornar seu sonho uma realidade.”

A terapeuta realmente faz um trabalho maravilhoso com o paciente, além do trabalho que ela faz com a mente de seu paciente, ela realiza os desejos sexuais dele, mas de uma forma totalmente empática! É incrível o trabalho que é mostrado no filme, e que até onde sei, essa terapeuta existe, realizando trabalhos com seus pacientes com os mais diversos problemas na sua sexualidade.

Bom, sem dúvida muitos a julgarão sobre o trabalho que esse terapeuta faz, pois como assim se envolver sexualmente com um paciente? Mas o intuito dela não é sexo, e sim tratar de um problema que a pessoa tem, e tratar psicologicamente e se posso dizer assim, “sexualmente” também.

É um pré requisito de um bom psicoterapeuta não ter preconceitos, pois como ele irá atender as mais diversas pessoas, tendo algum preconceito? Se o psicoterapeuta tiver preconceito com homossexuais, ele não os atende? Ou então se ele for racista, ele não atenderá raças diferentes das dele? No caso desse filme, a terapeuta não tem preconceito, ela não escolhe os homens lindos, com corpos maravilhosos para realizar desejos sexuais (se por acaso aparecer um, que assim seja!), mas para a terapeuta ela vê um ser humano precisando de ajuda, e não um homem precisando de ajuda, independente de como ele for.

E no filme podemos ver que da mesma forma que nós psicoterapeutas devemos trabalhar com empatia (respeito, humildade, compreensão, amor, etc…) com nossos pacientes, ela faz isso também através da sexualidade, agindo com neutralidade até onde for possível agir em uma situação como essa.

O mesmo carinho que podemos ter com nossos pacientes, no sentido de compreender os limites do paciente, ela age no filme da mesma maneira com ele. Se todos nós agíssemos com quem nos relacionamos, da mesma empatia que ela com seu paciente, certamente a sexualidade de todos seria muito melhor!

É uma lição para todos nós!!

Um abraço e até a próxima.