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Esperar o amor é esperar demais?

(Nathalia Paccola)

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Esperar que o amor aconteça e traga com ele sensações novas, frenesi e a resolução de  todos os conflitos psíquicos é algo equivocado.

O amor não é inquietude. O amor é paz, serenidade, aconchego e segurança. Acontece que muitas pessoas esperam do amor as mesmas sensações experimentadas no início da relação amorosa, na paixão.

Flavio Gikovate que me perdoe mas a inspiração em suas palavras é que norteia esse meu texto. Sem dúvida compartilho da ideia de que apesar de intrinsecamente ligados, a paixão acaba quando o amor acontece.

O amor é aconchego, é estar em paz com essa outra pessoa que lhe dá bem estar. Uma amizade muito profunda, admiração intelectual e afinidades no sexo, isso é amor.

A paixão não. A paixão quando acontece tem em si dois sentimentos salutares: encantamento e medo. É um estado passageiro em que o pensamento do apaixonado é apenas o alvo da sua paixão, há uma sensação de conflito, aflição e o ser apaixonado vive tomado, o tempo todo, por essa sensação de uma eminente tragédia, dorme mal, come mal, preso à essa história como algo que rege a sua vida. A tensão de perder o ser por quem nutre essa paixão lhe faz tremer, esse é o seu medo.

Acontece que com o tempo o medo diminui, não o amor. E esse é o erro mais comum. As pessoas acham que porque não há mais esse conflito interno, essa forte emoção motivada pela paixão, o amor acaba.

Mas é aí que tem início o amor. Quando a sensação de paz, serenidade, aconchego, quando ela acontece, se está mais próximo do amor.

As pessoas que apreciam essas altas tensões, essas emoções fortes em relacionamentos, se envolvem em brigas e conflitos com o parceiro.

Na briga aparecerá a tensão do rompimento, a tristeza da perda, a dor da ruptura premente, novas emoções estão formadas. E depois há uma reconciliação e então cria-se toda a atmosfera de paixão novamente, para que cessado esse momento uma nova briga seja reinventada, para que o amor seja uma aventura emocionante.

Mas na verdade o amor não é intenso, o amor não é nada disso. O amor é um estado da alma, tranquilo, sereno, seguro. Do amor podemos esperar aconchego.

Um casal que gosta de aventuras deve se preparar para isso. A aventura não estará no relacionamento, mas sim no que fazem com o relacionamento – como diz Gikovate. Um casal aventureiro deve viajar, pular de asa delta, frequentar trilhas, ir à shows, fazer novas amizades, enfim movimentar a vida a dois.

O casal deve deixar que as aventuras, os conflitos e os desafios estejam reservados para a vida profissional de cada um. A atividade no trabalho envolve esse tipo de emoção, onde a pessoa pode vencer em um dia e perder no outro.

As relações amorosas podem ser comparadas com a tensão e a disputa que podem ocorrer nas relações de trabalho.  Assim como se comparado com o início do relacionamento, com as histórias da paixão, o amor pode parecer algo tedioso, meio devagar, meio pacato, acomodado, ou “chato” – como prefere chamar Gikovate. Até porque sexualmente o entusiasmo tende a diminuir, a intimidade vai ganhando campo, não é mais necessário tanto esforço para agradar, um já conhece o corpo do outro, na medida em que a relação se estabiliza o desejo diminui, pois não há o desafio da conquista e isso deve trazer uma sensação de paz.

Essa sensação de paz não deve ser entediante, porque o amor não é chato, e sim algumas pessoas são entediantes.

Pessoas entediantes, chatas, monótonas, são aquelas que não se reciclam, que não se relacionam, não estudam, não lêem, não escutam música. São aquelas que sempre têm um repertório próprio, adoram falar da vida dos outros pois a vida própria não tem nada para ser contado. São pessoas que freqüentam sempre os mesmos lugares, ouvem as mesmas musiquinhas e, obviamente, conviver com uma pessoa que não se reiventa, que não se recicla, que não se enfrenta, acaba transformando a relação em algo chato.

Mas o amor não é chato. Ele é paz, é harmonia, num clima ótimo onde existe o poder de se reabastecer de energia. É uma relação rica do ponto de vista intelectual, também é rica do ponto de vista sexual, apesar de não ter aquela intensidade dos primeiros tempos.

O amor é, principalmente, uma relação de troca, onde  os parceiros crescem e ao crescerem se tornam fortes, mais seguros e podem desenvolver melhor suas outras atividades da vida na qual se dedicam.

As pessoas devem esperar do amor aquilo que ele pode oferecer ao invés de esperar do amor aventuras mirabolantes, pois aí se decepcionam e passam a ter somente essas aventuras efêmeras, fúteis e superficiais.

Um pouco disso é culpa dos romances e das novelas, em que a tensão é curtida com o fatídico “foram felizes para sempre”. Essa paz e harmonia os filmes não mostram, as novelas desprezam. História de amor bem sucedido e feliz não dá ibope, não dá história alguma.

A alegria de Deus

(Padre Jeferson Luis Leme)

Quando falamos de Amor, Perdão, Culpa e Misericórdia, torna-se difícil o relacionamento e o diálogo com as pessoas. É evidente que a nossa convivência cada vez mais está distante da dinâmica do Ciclo do Amor. Lembram quando expus sobre isso? Humildade, Compreensão e Doação. Precisamos praticar gradativamente em nossas vidas.

A proposta do Evangelho de Lucas é sobre a misericórdia de Deus. As parábolas ressalta o júbilo e a alegria de recuperar o que estava perdido, graças à salvação de Deus. Deus não faz distinção das pessoas, ou seja, Ele acolhe com sua misericórdia. Porém, nós precisamos aprender com Jesus à acolher. Assim como diz Paulo aos Romanos, “porque julgas teu irmão?”, não devemos julgar e nem condenar. No entanto, devemos trabalhar com o perdão e a misericórdia.

Perdoar significa avanço psicológico e espiritual em nossas vidas. É restaurar o outro e o mundo inteiro. Quando perdoamos o outro, estamos inconscientemente dando um tempo ao nosso próprio eu. Isto é, nosso superego se torna no ato do perdão, menos exigente, menos carrasco. O eu se torna mais leve e saudável. Lembre-se que tratamos as pessoas conforme o superego nos trata. Quando perdoamos, automaticamente nos apaziguamos.

A misericórdia divina é uma das constantes bíblicas e resumo de toda a história da salvação humana por Deus, que culmina em Cristo, imagem e espelho do rosto misericordioso do Pai.  No livro da Sabedoria (Sb 11, 23ss), diz que Deus se compadece de todos porque pode tudo, fecha os olhos aos pecados do homem para que se arrependa, perdoa e ama todos os seres que ele mesmo criou por amor, ele que é amigo da vida.

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O perdão é um processo gradual, lento, doloroso, em que muitas vezes precisamos vivenciar angústias, indignação e sentimentos contraditórios. Conflitos, ambivalência, medos, raiva, culpa podem ser mobilizados, e não devemos reprimi-los excessivamente. Com tudo isso, podemos usar erroneamente a Fé como fuga. Isto é, a fé pode ser utilizada como válvula de escape para a pessoa não se dar conta de sua própria agressividade. E perdoar pode se transformar em compulsão a reprimir a agressividade sentida, mediante a ofensa recebida.

Com as suas parábolas da misericórdia e mostrando a alegria contagiosa de Deus por salvar o perdido, Jesus denuncia toda a discriminação de classes e a sua consequência: a marginalização a todos os níveis. O puritanismo não é cristão nem libertador, antes representa mais a inversão dos valores evangélicos, como falso sucedâneo que é da autentica pureza do coração. O que mancha, diminui e rebaixa o homem não é o de fora, mas o que sai do coração. Que a alegria de nosso Deus seja a nossa força. Amem!

 

 

 

Você está viciado em alguém?

(Paulo Jacob)

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Olá, como vai? Espero que bem!

Já parou para pensar o quanto você pode estar viciado em alguém? É, eu falei viciado! Pode parecer forte eu usar essa palavra quando me refiro a alguém, pois “viciado” está geralmente relacionado ao uso de drogas (lícitas ou ilícitas), e drogas são coisas que fazem mal as pessoas.

Então, se eu uso essa palavra me referindo a uma pessoa, e não a algo que me faz mal, como pode uma pessoa me fazer mal? Pois se estou viciado, isso significa que ficar com alguém por muito tempo pode me fazer mal? Como assim, se a cada vez que estou com ela, eu me sento muito bem?

Pode parecer muito louco, mas o que eu escrevi acima pode ser usado para qualquer tipo de vício que uma pessoa possa ter. Basta apenas trocar o objeto que se está viciado, que dá certo do mesmo jeito. Até por isso os viciados se permitem (como se tivessem real controle) continuar usando da “droga” que os satisfazem, pois se me faz bem (em senti bem), por que parar?

Pesquisei na Internet a origem da palavra “vício”, e o que eu encontrei foi:

VÍCIO: vem do Latim VITIUM, “defeito, ofensa, imperfeição, falta”, tanto física quanto moralmente.

O que falta em você para que acabe se viciando nas pessoas? Qual defeito ou imperfeição você tem? Falta se sentir segura e/ou reconhecida por exemplo? Estar junto daquela pessoa amada te faz se sentir segura, se iludindo que ela estará ao seu lado para o resto da sua vida, ou que ela sempre será sua e de mais ninguém? E o reconhecimento que ela pode te proporcionar? Se ela for rica, poderá te dar carros, casas, viagens, etc. Se ela for inteligente, você poderá falar para todo mundo que ela está com você, e assim fará você se sentir melhor pois estar ao lado de alguém reconhecidamente inteligente dá status, não? E se essa pessoa for poderosa, seja apenas por um cargo importante em uma empresa? Te dará mesma oportunidade de ter status perante aos que te conhecem?

O que te falta para estar viciado em alguém? Por acaso todo essa superioridade que o seu companheiro tem, preenche o seu sentimento de inferioridade? Você se acha menos inteligente, ou trabalha em um cargo que você julga menos importante, ou dá muito valor para coisas materiais, que o dinheiro do(a) seu(sua) parceiro(a) te faz se sentir mais completa(o)?

Acredite, você é muito mais do que pensa! Quando você se vicia nas qualidades que o outro tem, é porque não acredita que você também as tem. O que você acha de começar a se ver com outros olhos? Aceitar que você pode ter certas coisas para melhorar, mas que também tem muitas coisas melhores que os outros? Cada um tem suas particularidades, e por isso somos todos diferentes!

O vício nos ilude, faz com que fiquemos parados, esperando que o objeto que estou viciado me faça feliz, que tire quaisquer sentimento ruim que eu tenha. Estar perto daquela pessoa que estamos viciados, nos faz muito bem, e quando estamos longe acaba criando uma sensação de abstinência. Então, eu posso concluir que estou junto daquela pessoa apenas para saciar as minhas necessidades, e não porque eu realmente gosto de estar perto dela? Será que podemos chamar isso de amor?

Quantas pessoas agem como vampiros, que sugam o outro no que precisam, e depois de saciados, resolver sair da vida sem mais nem menos? Será que você um dia já fez ou sentiu isso?

Não se iludam, o outro poderá te proporcionar momentos que juntos serão felizes, mas nada vale se você não estiver feliz, ou seja, a sua felicidade está dentro de você, e não nos seus vícios. Você será mais feliz, quando proporcionalmente você tiver menos vícios na sua vida, comece pela sua independência em relação ao seu companheiro, contribua para o relacionamento, e não somente fique sugando sem retribuir nada de volta.

Não devemos agir ou enxergar os nossos relacionamentos como uma droga, que me satisfaz, elevando a minha auto-estima unicamente, mas também uma oportunidade de crescimento para o resto de sua vida, algo que acrescente para a sua pessoa, e não uma “coisa” que te destrua, mas que ao mesmo tempo sacie todas as suas necessidades, que por sinal são ilusórias.

Uma ótima semana!!

QUEM AMA NÃO ADOECE

(Adriana Lobo)

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Muito se tem estudado nos dias de hoje a respeito dos efeitos do  amor na nossa  saúde e nas nossas vidas de uma forma geral.

Podemos afirmar que indivíduos que não foram amados adequadamente, na maioria  das vezes não conseguem amar com desprendimento, tornando-se assim pessoas  infelizes.

O adoecimento do corpo serve para dar vazão a esse sofrimento produzido muitas  vezes pela falta de amor.

A prática do amor gera saúde, quem ama a si mesmo e aos outros, quem deseja o  bem ao seu próximo, quem pratica a caridade aos mais necessitados, vive mais e com  muito mais saúde, disposição e harmonia.

Para não adoecermos é necessário aprendermos a lidar com as nossas emoções e as  nossas imperfeições, afinal de contas somos humanos e estamos em processo  evolutivo.

É necessário estar sempre atento as nossas ações, cultivar bons hábitos, falar dos seus sentimentos, sem medo, sem julgamento, cuidar da saúde física, ler bons livros, perdoar a si mesmo e aos outros através da prática da compreensão.

Dê sentido a sua vida, trace metas possíveis de serem alcançadas, seja bom, seja útil, onde quer que você esteja.

Aceite-se como você é, seja você mesmo, trabalhe suas imperfeições, seus instintos agressivos e o seu lado egocêntrico, pratique o exercício da empatia, agindo assim  poderá compreender melhor o sofrimento alheio.

Liberte-se da opinião dos outros, esteja em paz com sua consciência, faça tudo com muito amor.

Viva com simplicidade, complicamos demais a vida, vivemos num mundo de ilusões materiais, onde o “ter” é mais importante que o “ser”.

Contribua para o bem estar das pessoas, encare as dificuldades com confiança e fé, transforme problemas e oportunidades.

Seja grato por tudo o que Deus tem proporcionado na sua vida, busque Deus em tudo, agindo assim encontrará paz interior e não haverá espaço para as doenças da alma.

É com uma atitude de amor para com o próximo e a si mesmo que teremos a saúde da alma, do corpo e do espírito.

Fiquem bem !

(Adriana Lobo é Psicanalista e Psicopedagoga, seguidora do Blog e atenta ao amor ao próximo)

Pensamentos sobre a traição

(Paulo Jacob)

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Olá, como vão?

Há algumas semanas, recebi via o formulário da página “Consultório” do blog, um pedido de uma leitora para eu falar sobre a traição.

Porque traímos? E quem estamos traindo? São dois pensamentos distintos sobre o mesmo tema.

Vou começar a falar um pouco sobre porque traímos.
Já venho falando em outros textos, que nós todos temos como uma das nossas tendências (instintos primitivos), a poligamia. Mas colocar a “culpa” somente nela, não seria justo, pois eu estaria desconsiderando outros fatores que podem me fazer pensar em trair alguém. Uma desilusão amorosa, uma necessidade que não está sendo atendida (sexual ou não), uma ânsia em querer ter novas experiências, e não conseguir se controlar, ou seja, além destas podem existir outros motivos que fazem com que milhões de pessoas traiam seus companheiros e companheiras diariamente.

Acredito que independente do que for usado para justificar uma traição, no fundo o ponto principal é não aceitar que aquela pessoa não está atendendo às minhas expectativas, as minhas idealizações, e por isso eu me permito traí-la.
Agora eu te pergunto; a culpa é da pessoa em não atender as suas idealizações, ou a culpa é sua em não enxergar que ela nunca vai ser aquela pessoa que você sempre idealizou? Por que teimamos em querer que a pessoa seja algo que ela nunca será? É claro que seria ótimo que o meu parceiro continue tendo os pontos positivos dele, e que também ao longo da vida “consertasse” o que ele tem de negativo, mas isso dificilmente acontece!
Antes de se relacionar, tenha a consciência de que as qualidades e dificuldades que seu companheiro tem, dificilmente irão mudar de acordo com aquilo que você gostaria que mudasse, pois cada um tem um limite e liberdade em querer ou não mudar. Se você quer uma pessoa com determinadas características físicas e psicológicas “X, Y, Z”, não saia se relacionando com pessoa “A, B ,C”, porque depois não vai adiantar nada ficar cobrando que elas mudem. Ou você muda e aceita (compreende através da sua empatia) que elas não mudarão totalmente, e assim continua vivendo com ela, ou então você não muda, mas também não fica se queixando, caso você se deparar com uma situação como essa, afinal foi você que escolheu estar com aquela pessoa, ninguém te forçou a fazer isso, ninguém é de ninguém, estamos juntos porque queremos! Se está infeliz, tome um providência! Seja conversando sobre as suas necessidades com o seu parceiro, e estar disposta a esperar com que ele aos poucos vá se esforçando a te atender, ou então acabando com um relacionamento, e procurando outro.

E quando traímos? Estamos traindo quem?
Os nossos valores influenciam muito a formação do nosso caráter. Desde criança ouvimos algo sobre a fidelidade, que devemos ser fiéis à nossa família, que trair pai, mãe e irmãos é algo errado, e condenado pela sociedade. Depois, conforme vai chegado a adolescência, começamos a ver a fidelidade também em relação ao compromisso que tenho com o meu namorado ou namorada, ou seja, a palavra traição é algo que muitos de nós temos em nossa mente como algo errado. Então, todas as vezes que traímos alguém, a primeira pessoa que traímos somos nós mesmos, pois traímos os nossos valores. O seu companheiro que foi traído, ele pode até nem saber que isso aconteceu, mas de que adianta se você tiver na sua consciência, o sentimento da culpa de ter feito algo que você mesmo julga que é errado fazer? Por isso que no consultório quando alguém chega e me fala que está traindo alguém, eu respondo para essa pessoa, qual é a primeira pessoa que você traiu? Se isso é algo que causa um conflito, é porque está batendo de frente com os valores dela. Só nos sentimos mal com aquilo que fazemos, quando nos julgamos errados em ter feito. Uma pessoa que ao longo da sua vida, não aprendeu ou por algum motivo, não colocou a fidelidade como um valor muito importante para si, trai o outro sem culpa alguma, pois isso para ela é algo totalmente tranquilo de ser feito. Falar para ela que isso é errado, não vai adiantar nada, porque o “certo” ou o “errado” vai depender do que a pessoa acha sobre isso. Estamos todos certos e errados, isso vai depender dos valores de cada um.
Precisamos nos ater nas consequências dos nossos atos, pois de nada valerá se eu achar que posso trair, se eu não tiver estrutura para assumir pelos meus atos, e compreender que nem todos irão aceitar o que fiz, ou seja, olhar para a cara do meu parceiro e não se sentir conscientemente culpado de ter traído ele. Digo conscientemente, pois conseguimos nos enganar (o consciente), mas o inconsciente nunca enganamos, elas aparecem por exemplo, através de uma dor de cabeça todas as vezes quando encontro o meu parceiro, ou então uma insônia sem motivo algum aparente.

É muito mais fácil trair, ao invés de parar de colocar a culpa no outro, que ele não atende as expectativas que você criou na sua mente, mesmo sabendo com quem você convive há tempos. Como também parar para pensar e assumir as suas falhas, e o que você está deixando de fazer para que a sua relação fique melhor. Mas mesmo assim, se você estiver infeliz, procure conversar e expor seus sentimentos, vontades, necessidades, o diálogo é muito importante em uma relação. Mas se não tiver êxito, tome uma posição madura, e faça com o outro o que você gostaria que ele fizesse com você, caso a situação fosse inversa.

Uma boa semana para todos!

Abraços!

Paulo Jacob

Você tem alguém na sua vida?

(Paulo Jacob)

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Namorado, namorada, marido, esposa, amante, ficante… Bom, você acha que tem, mas não tem!
Sim, você não tem! Essa pessoa é de sua propriedade? Tem uma plaquinha com seu nome grudado no corpo dela? Ela está 24 horas acorrentada junto à você? Você controla a vida dela em tudo? Sabe aonde ela está agora por exemplo? Bom, você acha que sabe…quem garante?

Falamos que temos algo, porque ainda enxergamos as pessoas que convivemos como um objeto de posse. Um objeto de algum valor (muito ou pouco) que eu não quero perder e tento, dentro do que eu posso, controlar as ações dessa pessoa, afim de me deixar tranquilo que nunca irei ficar sem ela, pelo menos durante o período que eu quiser.

Por que continuamos nos iludindo diariamente sobre isso? É confortável para você acreditar que uma pessoa é sua e que você a controla? Sim, pode ser! Mas conforme vamos vivendo, percebemos que não temos nada, muito menos que controlamos algo. As pessoas estão do nosso lado porque querem, e aqui nem vou entrar no mérito do motivo delas estarem com a gente (interesses, amor, amizade…), mas se elas estão é porque querem e não porque você quer.

Essa sensação de que “tenho alguém”, nada mais é do que um apego afetivo e material pelas pessoas. O apego material seria a sensação de reter um objeto, controlar algo para saciar as suas necessidades e isso pode ter uma ligação com algum problema na infância, durante a fase anal. O apego afetivo é idealizar no outro tudo aquilo que eu quero que ele seja para mim, sem necessariamente eu ter que me entregar para isso.

Eu exijo amor, mas não dou amor; eu exijo carinho, mas não dou o mesmo carinho; ou seja, eu demonstro todos os sentimentos que tenho com aquela pessoa e espero o retorno disso o quanto antes for possível e, se der, para o resto da vida!
Mas quem disse que ela tem obrigação de lhe retornar tudo o que você faz? Você fez esperando um retorno? Se você fez algo, fez porque queria, não adianta ficar cobrando depois…

Existe também a necessidade de se apegar à alguém com o intuito de dar um motivo para a vida, ou seja, eu só sou feliz porque essa pessoa está comigo, ela me ama, me quer … Ok!
E se de repente, por algum motivo essa pessoa “sai” da sua vida?
Você morre? Se deprime?
Então a sua felicidade está no apego, na ilusão que você nutre diariamente de que tem alguém e de que essa pessoa te fará feliz para o resto da sua vida?

Mas se você entendeu o que escrevi acima, de que ninguém é seu, então como pode jogar a sua felicidade, a sua vida, em algo que não possui? Parece meio ilógico isso, não? Mas fazemos isso todos os dias, tanto nas nossas relações amorosas, como nas amizades, com a família…. Conseguem entender o motivo por que existem tantas pessoas se deprimindo diariamente? Vivenciar esse tipo de frustração por várias vezes, deprime as pessoas.
Então o que você faz? Não se relaciona com mais ninguém?

Tenha quantos relacionamentos quiser, mas consciente de que estar com uma pessoa (e não ter uma pessoa) é ter a oportunidade de conviver com ela naquele momento, dia após dia, trocando experiências, visando o crescimento de ambos e não usá-la como um objeto você suga o que pode e depois descarta. Saiba que as pessoas ficarão ao seu lado pela sua demonstração do amor que tem por elas, ou seja, através do respeito, amizade, sexo, compreensão, companheirismo, confiança, entre outras boas ações e não porque ela é sua!

Não somos objetos, não gostamos de ser tratados como tal e por isso mesmo devemos agir da melhor maneira possível com todos.

Uma boa semana!

Rivalidade Fraterna: amor e ódio na relação entre irmãos

(Claudia Pedrozo)

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Ficar numa fila de banco é algo que todos detestamos, não é? Mas sempre se pode aprender um pouco mais sobre a vida quando ficamos lá, em pé ou sentados, de orelha na conversa alheia. Acreditem filas de banco são ótimos laboratórios!

Nesta semana fiquei a escutar, sem querer, mas já escutando, a conversa de duas comadres. A comadre “X” contava para a comadre “Y”sobre as dificuldades que seu filho e sua nora estão enfrentando com a rivalidade entre seus dois netos, uma menina de oito anos e um menino de quase sete. Segundo a vovó “X”, toda vez que o filho compra algo para o menino mais novo, obrigatoriamente tem que comprar para a menina mais velha. Ai dele se não comprar!!! A garota faz um dramalhão mexicano, tipo ninguém me ama, ninguém me quer… E, num ataque raivoso, briga e fala coisas horríveis para o irmão e para os pais. A família, segundo Dona “X”, está em pé de guerra. A briga entre os filhos está começando a afetar os pais, que sem saber como agir, acabam brigando entre si. Sentem-se culpados e impotentes diante da filha e acabam cedendo aos caprichos da garota, comprando-lhe algo , que ela geralmente não valoriza e que fica jogado num canto, logo após o recebimento.

Como sofrem – ou melhor como querem sofrer – as avós! Dona “X” está preocupadíssima, porque a neta está ficando insuportável e os pais não aceitam ajuda e conselhos da experiente senhora! E com tudo isso ela está vendo a neta se transformar numa pequena déspota, por culpa dos próprios pais.

Coçou minha língua para palpitar na conversa das duas senhorinhas, mas me contive. Pelo menos lá no banco. Afinal minha mãe sempre disse que ouvir conversa alheia é falta de educação! Mas como já flexibilizei meus valores, nesse quesito, resolvi falar sobre esta situação aqui.

A rivalidade entre irmãos é algo bíblico, natural e faz parte do desenvolvimento humano aprender a conviver com o outro. Quem tem irmãos sabe que aprendizado é este. Quem não tem irmãos, com certeza tem primos, o que dá quase no mesmo em termos de aprender a dividir na marra!

A família é o primeiro laboratório para essa aprendizagem. Quando nasce uma outra criança, o primogênito sente-se, naturalmente, ameaçado e preterido. Acredita, sente, imagina que perdeu o amor de seus pais, avós, tios, enfim de todos os adultos da família. Diante disso sentimentos ambivalentes – amor e ódio – por este “intruso” despertam. O resultado é que disputam, brigam até pelo ar que respiram, enlouquecendo os pais.
Como agir diante dessa situação?

Em primeiro lugar os pais devem deixar claro para o filho mais velho o quanto o amam, em palavras e em atitudes. A criança precisa sentir-se segura desse amor, precisa entender que não deixou de ser amada só porque o “outro” nasceu. É evidente que ela testará os pais e estes, muitas vezes sentindo-se culpados, porque naturalmente socorrem o caçula, acabam embolando todo meio de campo, quando entendem que o filho para sentir-se amado precisa ser comprado.

Crianças são mais espertas do que parecem e nos fazem de bobos sem que percebamos! Por isso devemos ter cuidado e prestar atenção no quanto estamos sendo manipulados e no quanto nos deixamos manipular, em nome de uma consciência “tranquila”.

Sugiro aos pais que sejam mais presentes, que dividam o tempo e as tarefas e se organizem para prover o mais novo, atendendo às suas necessidades e para passar um tempo junto com o filho mais velho. Um tempo de qualidade, onde não haja cobranças e comparações. Onde a criança, com o auxílio dos adultos, possa entender as necessidades do caçula e as dificuldades dos pais. Para isso diálogo é fundamental.

Todos nós queremos ser amados e valorizados… isto faz parte das nossas necessidades básicas. Ao receber de “presente” um irmãzinho, sem o devido preparo (já que muitas famílias fantasiam este momento como se fosse tudo lindo e perfeito, como se o caçula já nascesse grande e não desse trabalho e que pudesse ser o companheiro que o outro irmão deseja) a criança naturalmente vai “surtar”( afinal de uma hora para outra parece que ela ficou invisível, que todos só têm olhos para o caçula) e a única solução é fazer-se presente através da rivalidade com o outro.

Cabe aos pais serem os adultos nesta relação. Educar algumas vezes dói e sempre dá trabalho! Mas dar amor e segurança ao filho mais velho pode poupar uma série de dores de cabeça futuras. Para quem quiser se aprofundar no assunto, sugiro os livros:

“Entendo a rivalidade entre irmãos”, dos autores Joshua D. Sparrow e T. Berry Brazelton, da Editora Artmed (http://www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/resenha.asp?nitem=1223955&sid=7351302311578499576232418)

“Rivalidade Fraterna – o Ódio e o Ciúme Entre Irmãos”, da autora Nise Britto, Editora Agora (http://www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/resenha.asp?nitem=665043&sid=7351302311578499576232418)

“Irmãos ciumentos, irmãs egoístas – Dicas para enfrentar a rivalidade entre os irmãos”, do autor Ted O’Neal, Editora Paulus
(http://www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/resenha.asp?nitem=5067400&sid=7351302311578499576232418)

Talvez Vovó “X” pudesse sutilmente dar um destes de presente ao filho…

Amor e segurança custam pouco. São mais baratos do que os subornos que os mais velhos muitas vezes cobram, como forma de tributo sádico aos pais culpados e algumas vezes mal resolvidos (porque alguns pais já viveram esta mesma situação, num outro tempo, e agora simplesmente atualizam seus recalques).
Amor e segurança custam pouco… um pouco de muita atenção. Pensem nisso.