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Consumismo de morte

(Padre Jeferson Luis Leme)

Texto bíblico: Evangelho: Lc 12, 13-21

consumo (1)

Em nossos dias a busca de bens materiais para suprir as nossas necessidades de reconhecimento e segurança é muito grande. Hoje, a sociedade bem como a mídia nos incentiva a buscar riquezas, ou seja, viver o imediatismo. Nisso, caímos no individualismo, egoísmo e na ganância.

É universal a tentação do consumismo, pois vivemos alienados por uma sociedade de consumo que dá primazia ao ter sobre o ser. Por isso quase ninguém se livra de ser manipulado pela propaganda do bem-estar que faz consistir a felicidade na opulência, no produzir e consumir, ter e gastar e poder equilibrar as receitas com um avultado regime de despesas. A sociedade ocidental é uma fabrica de sonhos para “ricos insensatos” de fato ou de desejo, mas empobrecidos interiormente, intoxicados pela cobiça e a ânsia de possuir, submissos adoradores do deus dinheiro.

As consequências da idolatria consumista são terríveis e degradantes, ainda que o homem atual pareça aceitá-las com a maior naturalidade. O consumismo degrada a dignidade humana, a nobre condição do homem e da mulher, que se convertem em máquinas de produção e de consumo de bens. O consumismo bloqueia a solidariedade no partilhar, a fraternidade e a comunicação humana, superalimentando até à indigestão o egoísmo, a manipulação e a exploração de outros. O consumismo não faz o homem mais livre e feliz; pelo contrário, desumaniza-o.

A proposta do Evangelho nos ensina a buscar a segurança e o sentido da vida no amor ao Pai e aos irmãos. A nossa vida não está nos bens acumulados, mas sim, naquele que os doa. Também, a questão que Jesus nos coloca hoje é ser rico ou pobre diante de Deus, isto é, a atitude evangélica perante os bens materiais, poucos ou muitos, que possuímos. O conceito que Deus tem de pobreza e riqueza não coincide com aquele que nós vulgarmente temos. É pobre diante de Deus aquele que amontoa riqueza para si só, fechado aos valores do Reino e a partilhar com os outros; é rico, por seu lado, aquele que mantém a sua vida e o seu coração abertos a Deus e sabe pôr ao serviço dos irmãos a sua abundância ou a sua escassez.

Do mesmo modo que todos queremos ser felizes, todos desejamos ser ricos. É o que Deus quer: que todos os seus filhos vivam bem, sem que lhes falte o necessário, pois a indigência material não é um bem em si mesma. Portanto, o bem-estar não é uma aspiração desprezível, contanto que não se consiga à custa de outros valores superiores, tais como a liberdade de espírito, a disponibilidade, abertura e confiança em Deus, o partilhar com os que não têm, o respeito pelos direitos dos outros, o sentido da justiça social e da responsabilidade cívica, a caridade e o desprendimento do supérfluo para uso dos outros, em especial os mais pobres.
O nosso verdadeiro tesouro é ser como Aquele que é dom para todos! É mais seguro partilhar com os que não têm do que acumular como os que pensam ter (cf. Tb 12,8). Até a próxima!!