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Aquele que é

(Padre Jeferson Luis Leme)

Texto bíblico: Evangelho: Mt 16, 13-23

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Quero falar um pouco sobre a psicologia da religião que Jung abordou, que tem tudo haver com o Evangelho. Jung diz que as figuras religiosas tem uma experiência interior da divindade que se chama numinosa (do latim, nume ou numina, “divindade”). Sendo assim, é um arquétipo de completude, o arquétipo do Self, representado como a imagem de Deus. Segundo Jung, todas as religiões confirmam a existência de “algo completo”, independente do ego individual e cuja natureza transcende a consciência. Uma experiência numinosa de “algo completo” é o objetivo de qualquer pessoa que busca a completude do Self. Sendo assim, o que a experiência da “divindade interior” realmente revela é o processo de individuação.

Jung diz que Cristo é um arquétipo do Self. Jesus é conhecido como “o Cristo”, do grego Kristos, que significa Rei ou Messias ungido. Ele representa a inteireza da personalidade que inclui e ultrapassa o homem comum. Jung define a pessoa completa como self, e a missa dramatizada o processo de individuação. O mistério da eucaristia transforma a alma do homem concreto, que é apenas uma parte dele mesmo, em sua totalidade, simbolicamente expressada por Cristo.

A pergunta que Jesus faz aos seus discípulos (e a nós), nos faz entrar em um processo de individuação. As duas indagações de Pedro revela as sombras que carregamos. De um lado, confirmamos que Ele é o Messias, ou seja, aquilo que Jung revela, “uma experiência numinosa de “algo completo” é o objetivo de qualquer pessoa que busca a completude do Self.” De outro lado, negamos seu Messianismo, despertando-nos o egocentrismo e interrompendo o processo da individuação. Nisso, afastamos de Cristo (arquétipo do Self), mergulhando nas estruturas egocêntricas, agindo sem pensar (ego que sente), não compreendendo os porquês da vida e não amando a Deus e as pessoas.

É importante sabermos que o Evangelista Mateus nos mostra um Homem (Jesus) que vai descobrindo pouco a pouco (processo de individuação) sua identidade e sua missão em diálogo com Deus e com os que o rodeiam. Retirava-se para orar, dialogava com seus discípulos e adversários. Assim como Ele escutou seu Pai (arquétipo), seus discípulos e seus adversários, nós também devemos estar prontos para escutar, pois assim poderemos nos conhecer um pouco mais.

Até a próxima.