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Sexualidade não tem idade

(Paulo Jacob)

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Olá! Tudo bem? Espero que sim!

Quantos anos você tem? Você se considera “velho(a)” demais para pensar em sexo? Sexo para você é algo que você só lembra quando a nostalgia dos bons tempos começa a ocupar a sua mente?

Você acha que a sua sexualidade vai acabando conforme seu corpo vai envelhecendo? E se eu te falar que conforme nós vamos nos tornando mais “velhos”, nossa sexualidade vai aprimorando?

Sexo é muito além de simplismente transar! Lembre-se de que sexualidade (assim como a nossa vida) envolve, corpo, mente e espírito (alma), no caso da sexualidade vou chamar espírito de afetividade.

Quando somos jovens o que conta mais é o nosso corpo, e tudo que envolve a biologia humana, e aí acabamos esquecendo um pouco da nossa mente e o nossa afetividade. Então nessa fase o que vale é a quantidade, e a qualidade acaba ficando um pouco de lado. São poucas as meninas que conseguem ter orgasmo nesse período, porque os meninos estão preocupados em “gozar” e ponto, ou seja, mal dá tempo de uma menina começar a chegar perto de atingir o orgasmo, que o cara já acabou.

Conforme vamos envelhecendo e vivenciando várias coisas, começamos a perceber que além do corpo, a nossa mente também pode fazer diferença. É muito comum que mulheres após os 30 anos de idade, comecem a se soltar mais durante as relações sexuais, pois como já vivenciaram várias coisas, acabam se sentindo mais seguras, deixando de lado certos medos e tabus sobre o sexo, ou seja, sua mente fica livre, e consequentemente conseguem se entregar mais ao parceiro. Ao mesmo tempo se tornam mais exigentes em relação à eles, pois com razão também querem ter prazer na relação,  tendo orgasmo.

Bom, e aí o tempo vai se passando, a mente está bem aberta, mas o corpo começa a não atender mais as nossas expectativas, fazendo com que obrigatoriamente a afetividade seja a melhor maneira de eu me relacionar com meu parceiro. Isso não significa que o sexo não possa ser praticado, mas é feito através de muito carinho, e não mais com aquela “animalidade” toda que os jovens e adultos fazem. Então o contato físico (penetração) se torna não tão mais importante, mas o que vale mais são os carinhos, abraços, palavras de amor, etc. A falta do físico é recompensada pelo amor, pela afetividade.

A sexualidade ideal deveria ser a união da vitalidade de um jovem, a mente aberta de um adulto, e a afetividade de um idoso. Com isso se eliminaria qualquer problema em relação a idade avançada de uma pessoa para se fazer sexo. Se nas nossas relações com nossos(as) parceiros(as), nós tivéssemos essa consciência, certamente seríamos mais felizes, porque estaríamos aproveitando de uma maneira mais completa o sexo. Um exemplo próximo a isso que estou falando, seria o sexo tântrico.

Pratiquem!! Com o corpo, a mente e afetividade!!

Tenham uma ótima semana!

Exemplo vivo

(R. C. Migliorini)

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Eu uso um pingente pendente em uma corrente presa ao pescoço. Essa corrente atrapalhava minha prática corporal de modo que eu sempre tinha que tirá-la nas aulas. Porém, como eu não conseguia fazê-lo por mim mesmo, pedia ao professor, Henrique Schuller que o fizesse.

Ao longo do trabalho, eu me arrisquei a tirá-la com minhas próprias mãos. Na ocasião, eu lhe disse que se um dia eu conseguisse colocá-la de volta sozinho, o processo estaria dando muito resultado. Minha afirmação não era de todo infundada, uma vez que essa ação envolveria colocar e sustentar o braço e a mão esquerda na nuca, segurar metade da corrente e mantê-la em posição. Só assim eu poderia engatar um fecho, cuja manipulação é bastante complicada, a um de seus elos. Tudo isso sem usar a visão – algo necessário devido à minha alta miopia.

Ontem, eu resolvi tentar colocá-la de volta só para ver o que aconteceria, e para minha surpresa, consegui. Eu fiquei tão atônito com o ocorrido que precisei me certificar do que fizera. Embora eu esteja cada dia mais feliz, confesso: ainda continuo um pouco espantado.

Então, não foi à toa que na aula falamos da relação ombros, costas e cabeça. Consequentemente, do braço e da mão esquerda. Como prova a descrição acima, essa relação melhorou muito em mim. Com os ombros mais afastados e o espaço entre eles e as orelhas maior, as costas estão mais largas e presentes. Em consequência, eu me encontro mais ereto e equilibrado, olhando mais na linha do horizonte (eu olhava para o chão) e avançando bem melhor no espaço; o peito, em vez de estufado, está mais harmônico com todo o resto e a musculatura abdominal está mais presente, o que, entre outras coisas, diminui a barriga.

Resumindo, é como se os ombros e as clavículas se assentassem tranquilamente em uma “cama” óssea e a cabeça se elevasse em direção oposta como uma antena a perscrutar o horizonte.

Então, eu percebi que desde o começo das aulas, eu notava, de forma inconsciente, essa relação no corpo do meu professor e que vinha me espelhando nele todo esse tempo. Assim, compreendi que ele me ensinava não só com palavras, mas também com exemplos.

Ele, então, me lembrou de que quando nos conhecemos anos atrás, seus ombros eram muito próximos um do outro e suas costas, muito estreitas. Graças ao trabalho a que se submeteu ou que realizou em si mesmo, seu corpo mudou, assim como o meu também está mudando

Maturidade: a minha mais nova amiga

(R. C. Migliorini)

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No seu livro “Passagens: as crises previsíveis da vida adulta”, Gail Sheehy afirma que por volta dos quarenta anos, é comum o indivíduo reavaliar sua vida em meio a fases de grande depressão que somem com uma espécie de renascimento. Isso, talvez se dê, por causa de uma tomada de consciência de que não somos eternos e de que metade da nossa vida já se passou.

Sheehy lista celebridades que criaram obras importantes na maturidade. Faço o mesmo com exemplos como o de Cora Coralina, que publicou seu primeiro livro aos setenta e cinco anos, de José Saramago cujo primeiro trabalho importante só foi escrito depois dos quarenta e até da atriz Bibi Ferreira que aos noventa anos estreou mais uma peça em sua longa e bem-sucedida carreira.

Voltando a Cora, a poeta relata que ao completar cinquenta anos passou por uma profunda transformação interior, a qual definiria mais tarde como “a perda do medo”. A minha perda de medo está ocorrendo agora, pois com essa mesma idade, contrariamente ao que eu imaginava, eu estou voltando a viver do meu corpo e da minha arte.
Ora, em tempos recentes e de modo quase casual, eu comecei a posar como modelo vivo. Ainda que isso pareça uma negação da realidade, me reaproxima do corpo, da arte, da dança, do palco e de um público, aqui composto por outros artistas.

Entretanto, quando eu estava em forma e era jovem eu não sei se teria coragem de posar nu. Agora que tenho cinquenta anos e uma deficiência física, a coragem apareceu.

O exemplo de um dos ícones do meio: uma modelo de setenta anos, que posa á cinquenta, contribui para a consciência de que nesta área, nada apelativa, há lugar para modelos jovens e velhos, gordos e magros, altos e baixos, ao contrário do que acontece no mundo da moda, sobretudo no das passarelas.

Neste universo, um modelo sarado, belo e alto, falha se não conseguir estimular os desenhistas ou se for incapaz de dialogar com eles de modo não verbal. Este universo também requer uma aceitação integral do corpo como ele é. Nele não há espaço para rejeitar gordurinhas a mais, ombros curvos, membros sexuais pequenos, nádegas avantajadas ou pouca estatura, assim como, um jeito claudicante de andar, limitações físicas e até uma bengala.

No entanto, mesmo reconhecendo que faço bem o meu trabalho, fico surpreso ao ser chamado para fazer outros. Agradeço à minha mais nova amiga: a maturidade.

Cavalos: uma paixão

(R. C. Migliorini)

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Uma das minhas paixões são os cavalos. Ela é antiga, mas durante muito tempo eu a deixei de lado. Contudo, morando em uma cidade pequena, eu resolvi aproveitar o que tinha de bom por aqui e fiz um mês e pouco de equoterapia, o que despertou esse meu entusiasmo adormecido.

Lembro-me que para começo de conversa, montar exigia uma boa postura, isto é: eu precisava realmente sentar-me e descarregar o peso do corpo na sela, enquanto as mãos, os braços e os ombros ficavam soltos e leves para melhor controlarem as rédeas.

Mesmo sentado, o peso do corpo não podia cair todo nos pés, mas principalmente na bacia, pois muitos comandos eram dados com leves toques dos calcanhares no flanco do animal e as pernas precisavam ficar liberadas pra isso.

Não havia, portanto, uma rigidez excessiva, e a musculatura que ajuda no equilíbrio era ativada em reação à simples andadura do bicho.

Sendo que a maior parte do meu peso era descarregada nas partes do corpo que ficam abaixo da linha da cintura, eu podia aprumar a coluna para sentar sobre o cavalo com alguma prontidão. Eu não podia largar-me sobre a cela como sobre um sofá, já que ali não havia encosto e o balanço constante podia me desequilibrar e jogar-me no chão.

Aprumando-me, minha cabeça também podia funcionar como uma antena, que no alto da coluna e girando para todos os lados, captava os sinais do meio ambiente com o olhar, a audição e o olfato.

O próprio balanço da marcha do animal me ajudava a relaxar. Mas olhar em volta e para longe, só era possível para mim porque eu não precisava me preocupar com os obstáculos do solo ou com o fato de ele ser acidentado. O cavalo é quem andava e quem percebia esses empecilhos com mais acuidade que eu, e sempre se desviava deles. Assim, bastava que eu confiasse e que me entregasse a ele (algumas vezes, a entrega é um bálsamo para alma e para o corpo) e cuidar para não cair com o jogo da montaria.

No princípio, estar montado em um bicho alto e grande depois de vinte anos me deu algum medo, mas logo ele foi substituído por orgulho, confiança, aumento na autoestima e felicidade. Todas essas emoções se refletiam em uma postura ereta, atenta e relaxada.

Por fim, como um animal quente, peludo e dono de olhos doces e grandes, o cavalo fazia com que eu me sentisse bastante confortável para estabelecer vínculos afetivos com ele. Daí, um diálogo e uma troca não verbais eram estabelecidos.

QUEM AMA NÃO ADOECE

(Adriana Lobo)

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Muito se tem estudado nos dias de hoje a respeito dos efeitos do  amor na nossa  saúde e nas nossas vidas de uma forma geral.

Podemos afirmar que indivíduos que não foram amados adequadamente, na maioria  das vezes não conseguem amar com desprendimento, tornando-se assim pessoas  infelizes.

O adoecimento do corpo serve para dar vazão a esse sofrimento produzido muitas  vezes pela falta de amor.

A prática do amor gera saúde, quem ama a si mesmo e aos outros, quem deseja o  bem ao seu próximo, quem pratica a caridade aos mais necessitados, vive mais e com  muito mais saúde, disposição e harmonia.

Para não adoecermos é necessário aprendermos a lidar com as nossas emoções e as  nossas imperfeições, afinal de contas somos humanos e estamos em processo  evolutivo.

É necessário estar sempre atento as nossas ações, cultivar bons hábitos, falar dos seus sentimentos, sem medo, sem julgamento, cuidar da saúde física, ler bons livros, perdoar a si mesmo e aos outros através da prática da compreensão.

Dê sentido a sua vida, trace metas possíveis de serem alcançadas, seja bom, seja útil, onde quer que você esteja.

Aceite-se como você é, seja você mesmo, trabalhe suas imperfeições, seus instintos agressivos e o seu lado egocêntrico, pratique o exercício da empatia, agindo assim  poderá compreender melhor o sofrimento alheio.

Liberte-se da opinião dos outros, esteja em paz com sua consciência, faça tudo com muito amor.

Viva com simplicidade, complicamos demais a vida, vivemos num mundo de ilusões materiais, onde o “ter” é mais importante que o “ser”.

Contribua para o bem estar das pessoas, encare as dificuldades com confiança e fé, transforme problemas e oportunidades.

Seja grato por tudo o que Deus tem proporcionado na sua vida, busque Deus em tudo, agindo assim encontrará paz interior e não haverá espaço para as doenças da alma.

É com uma atitude de amor para com o próximo e a si mesmo que teremos a saúde da alma, do corpo e do espírito.

Fiquem bem !

(Adriana Lobo é Psicanalista e Psicopedagoga, seguidora do Blog e atenta ao amor ao próximo)

De deuses e religiões

(R. C. Migliorini)

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Esta semana uma pessoa comentou que um texto que eu escrevi para este blog estava bom até eu colocar a palavra deus nele. Esta crítica demonstra que a palavra deus é polêmica nos dias de hoje. Por isso, vai aqui uma explicação mais detalhada.

Eu optei por usar a palavra deus até pela controvérsia que a cerca. Talvez, minha intenção tenha sido a de desmistificar deuses e religiões, um intento aparentemente incoerente já que as duas coisas habitam o campo da fé. Porém, crença e fé não são o eixo dessa discussão, como também não o foram no texto em questão.

Usei a palavra deus e falo de religião porque o fenômeno religioso ocupa as culturas humanas desde tempos imemoriais e, no mínimo, é importante o suficiente para não ser negligenciado. Nesse sentido, para alguns estudiosos a religiosidade nasce no instante em que o ser humano passa a enterrar seus mortos.

Tal preocupação parece não existir entre os animais. Outro dia vi um filme em que uma fêmea de babuíno lida com a morte de seu filhote. Ela carrega o corpo inerte durante dias em um comportamento inexplicável à ciência. Após exibir um comportamento aparentado com o “luto” humano, ela simplesmente deixa cair o corpo do filhote no chão. Dessa forma encerra seu “luto” e pode seguir com sua vida normal.

Note que, mais do que abandonar o corpo do filhote, ela simplesmente o soltou como largaria uma casca de banana. Não o depositou em nenhum lugar especial nem tampouco o arrumou em alguma posição específica.

Nós quase nunca agimos assim. Querendo ou não sempre tratamos o corpo humano com alguma deferência. Mesmo estudantes de medicina têm que demonstrar (não sei se oficialmente por meio de um juramento) uma atitude “respeitosa” diante de um cadáver humano. A morte ocorre longe do olhar do público e dos parentes do falecido e o mesmo se dá com o ato, propriamente dito, de se cremar um cadáver.

Cerimônias mortuárias as mais diversas existem em todas as culturas e religiões. Invariavelmente rituais de uma determinada cultura chocam pessoas de outras. A que mais me choca é um velho ritual indonésio em que o morto é colocado em um vazo, e o chorume da putrefação, recolhido e misturado à água do arroz que alimentará seus parentes. Tudo isso, é claro, tem uma explicação religiosa.

Em nossa cultura atual, a morte é pornográfica. E falar de deuses e religiões é quase tão pornográfico quanto.

Você escuta o seu corpo?

(Dra. Karen Câmara)

Injured Jogger is Being Supported

Hoje minha filha me chamou à atenção uma propaganda de medicamento na televisão. Nela, um rapaz está correndo para fazer exercício físico quando, de repente, começa a sentir dor na coxa. Uma voz dentro dele fala “Ai, que dor! Acho que vou parar!”. “Shhhh”, fala outra voz, com a intenção de calar a primeira. Então vem a indicação de que deve usar o medicamento tal, um anti-inflamatório, para não sentir dor e não parar. A dor é vista como um inimigo que deve ser eliminado pelo uso do produto que está sendo comercializado.

Fiquei pasma. Quer dizer então que devemos ignorar o sinal que a dor nos dá que é hora de parar? E, como se não bastasse, devemos calar esse aviso com o uso do medicamento em questão? Isso é um absurdo!

Primeiro porque a dor é um sinal importantíssimo que nos chama à atenção que algo não vai bem ou que fomos longe demais e é justamente hora de parar. Quando ignoramos esse sinal, as consequências podem ser muito sérias. Pode haver lesão grave e até morte. Imagine se a gente se aproxima do fogo e não obedecemos ao aviso de dor. O resultado é uma queimadura grave.

Em segundo lugar, quando existe dor, o que deve ser feito é investigar a causa e removê-la, se possível. A dor é um sintoma e, quando ele existe, devemos entender por que ele está presente e não simplesmente o abolir porque incomoda.

Em terceiro lugar porque, ao mascarar a dor com um medicamento, podemos agravar a lesão que teve início. Imagine que o rapaz da propaganda esteja com dor porque lesou um músculo, um tendão, uma articulação. Quando ele toma o medicamento, a dor melhora de modo a permitir que ele continue a atividade que estava fazendo e danifique ainda mais a estrutura já lesada.

O medicamento indicado é um anti-inflamatório. As pessoas não sabem para que serve, quais são as indicações e muito menos os riscos de usar um anti-inflamatório. Só sabem “que é bom para” dor: dor de garganta, dor na coluna, dor no braço, qualquer dor. Me parece que o uso desse tipo de medicamento é abusivo, tanto por leigos como profissionais da área da saúde. É vendido sem receita médica, é usado sem critérios médicos e sem bom senso.

Para que serve um anti-inflamatório? Para reduzir a reação inflamatória do organismo. Mas a reação inflamatória do nosso corpo tem seus propósitos. Ajudar a combater infecções e reparar lesões estão entre eles. Antes de usar esse medicamento deveríamos nos perguntar: quais são as vantagens e as desvantagens em diminuir a atividade inflamatória nesse caso específico? Será que o medicamento vai ajudar ou atrapalhar a recuperação? Os dois lados da questão devem ser examinados.

A dor, por mais desagradável que seja, é um alerta importante e um recurso vital à nossa sobrevivência.
A dor deve ser escutada atentamente e não abolida indiscriminadamente.
Essa propaganda deseduca e induz as pessoas a se automedicarem de modo insensato e inconsequente.