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Se queres ser perfeito…

(Padre Jeferson Luis Leme)

Texto bíblico: Evangelho: Mt 19, 16-22

perfeita

Na psicanálise, aprendemos sobre a estruturas egocêntricas. Acomodação, posse, sentimento de superioridade e sentimento de inferioridade e de menos valia. Estruturas que nos leva ao afastamento de Deus e das pessoas. A posse, nos leva ao apego do tempo, das coisas materiais e de pessoas. As coisas materiais são carros, casas, dinheiro, objetos, corpo, roupas, etc. Tudo isso é ilusório e nos leva a viver em função das estruturas egocêntricas não sabendo amar e nem compreender.

No Evangelho, Jesus traz uma nova proposta de vida. Os bens deste mundo não são a meta à qual deva sacrificar a minha vida e a vida dos outros, mas simplesmente meio a usar na medida em que sirva para viver como filho e irmão, com plena liberdade. O que é nosso, na verdade, nos divide dos outros; o que damos, deixando de ter, nos une aos outros. Os bens materiais são benção e vida se os compartilharmos; são maldição e morte se os retermos para a compulsivamente acumulá-los. Os bens são dons do pai para serem compartilhados entre os irmãos e as irmãs. Acumulá-los é deixar de serem filhos para se tornar escravos: escravos do egoísmo, escravos dos bens materiais, escravizadores dos irmãos e irmãs.

Jesus, – pobre, livre e fraterno – nos dá a graça de sermos pessoas livres, que sabem servir-se de todas as coisas ao invés de servi-las e ser por elas subjulgados como escravos. E como que nós somos apegados aos bens materiais. Abrir mão momentaneamente dos seus interesses e necessidades materiais, desprendendo-se delas, por entender a importância da necessidade material que o outro apresenta. No Evangelho Jesus nos diz: “Você quer me seguir? Vai lá e vende tudo que tu tens e me siga!” Ele não quer que nós vendamos nossas coisas e sim que façamos o uso correto delas, sem apegos exagerados, sem egoísmos, que nos façam escravos da estrutura material da vida. Nós podemos e devemos ter um carro, casa, roupas, dinheiro, mas não é isso essencialmente que lhe fará feliz. Não se torne uma pessoa metade pelo apego material.

Este jovem rico, que é um perfeito praticante religioso, está agarrado à sua riqueza; por isso rejeita o convite de Jesus para segui-lo. Diante do convite de Jesus, estamos pronto para renunciar as posses? Até a próxima!!!

Aquele que é

(Padre Jeferson Luis Leme)

Texto bíblico: Evangelho: Mt 16, 13-23

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Quero falar um pouco sobre a psicologia da religião que Jung abordou, que tem tudo haver com o Evangelho. Jung diz que as figuras religiosas tem uma experiência interior da divindade que se chama numinosa (do latim, nume ou numina, “divindade”). Sendo assim, é um arquétipo de completude, o arquétipo do Self, representado como a imagem de Deus. Segundo Jung, todas as religiões confirmam a existência de “algo completo”, independente do ego individual e cuja natureza transcende a consciência. Uma experiência numinosa de “algo completo” é o objetivo de qualquer pessoa que busca a completude do Self. Sendo assim, o que a experiência da “divindade interior” realmente revela é o processo de individuação.

Jung diz que Cristo é um arquétipo do Self. Jesus é conhecido como “o Cristo”, do grego Kristos, que significa Rei ou Messias ungido. Ele representa a inteireza da personalidade que inclui e ultrapassa o homem comum. Jung define a pessoa completa como self, e a missa dramatizada o processo de individuação. O mistério da eucaristia transforma a alma do homem concreto, que é apenas uma parte dele mesmo, em sua totalidade, simbolicamente expressada por Cristo.

A pergunta que Jesus faz aos seus discípulos (e a nós), nos faz entrar em um processo de individuação. As duas indagações de Pedro revela as sombras que carregamos. De um lado, confirmamos que Ele é o Messias, ou seja, aquilo que Jung revela, “uma experiência numinosa de “algo completo” é o objetivo de qualquer pessoa que busca a completude do Self.” De outro lado, negamos seu Messianismo, despertando-nos o egocentrismo e interrompendo o processo da individuação. Nisso, afastamos de Cristo (arquétipo do Self), mergulhando nas estruturas egocêntricas, agindo sem pensar (ego que sente), não compreendendo os porquês da vida e não amando a Deus e as pessoas.

É importante sabermos que o Evangelista Mateus nos mostra um Homem (Jesus) que vai descobrindo pouco a pouco (processo de individuação) sua identidade e sua missão em diálogo com Deus e com os que o rodeiam. Retirava-se para orar, dialogava com seus discípulos e adversários. Assim como Ele escutou seu Pai (arquétipo), seus discípulos e seus adversários, nós também devemos estar prontos para escutar, pois assim poderemos nos conhecer um pouco mais.

Até a próxima.