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OS ANTI-DEPRESSIVOS

(Maria Helena Fantinati)

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Olá pessoal!

O assunto desta semana é o uso de  anti-depressivos, um tipo de medicamento muito utilizado,  pois a depressão é um mal que afeta milhões de pessoas no mundo todo.

Em meados do século passado, pesquisas mostraram que pessoas depressivas tinham baixo nível de uma substância chamada serotonina, uma molécula presente no cérebro, que é responsável pelo  controle do humor, além de outras funções.

Desde então, vem sendo desenvolvidos medicamentos para combater a depressão  e então  surgiu a primeira classe de anti-depressivos chamada de anti-depressivos tricíclicos, cujos principais representantes são a amitriptilina, a clomipramina, a imipramina, dentre outros e que são ainda muito utilizados nos dias atuais.

Outros medicamentos mais modernos foram sendo desenvolvidos ao longo dos anos, como a fluoxetina, a sertralina, a paroxetina, a bupropiona,a  venlafaxina, etc e são muito eficazes também, sendo amplamente receitados pelos médicos.

Apesar dos anti-depressivos  melhorarem  o humor do paciente, temos que entender que eles vão agir no sintoma e não na causa do processo depressivo.

A depressão, para a psicanálise, não tem causas puramente bioquímicas, ou seja, não é ocasionada somente pelos baixos níveis de serotonina.

Na verdade, sempre existe um conflito psíquico que dá origem a este processo.

São vários os exemplos de conflitos: perda de emprego, fim de relacionamento, morte de um ente querido, perda de bens materiais, acontecimentos  que fazem parte da vida, mas se não forem bem  resolvidos  podem iniciar um processo onde há intensa perda de auto-estima, levando a pessoa a desenvolver um stress crônico, cuja consequência pode ser o desenvolvimento da depressão.

Atualmente, sabe-se que a depressão está intimamente relacionada ao stress.

O stress crônico leva a uma inflamação de uma região do cérebro, chamada hipocampo, que está relacionada à produção de serotonina, mantendo sua concentração em níveis adequados.

É importante saber que os anti-depressivos  são necessários, principalmente se a pessoa está em um processo depressivo grave, em que a capacidade de raciocinar e de tomar decisões adequadas estiverem comprometidas.

Este medicamento vai ajudar o organismo a ajustar os níveis de serotonina e de outras substâncias semelhantes a ela  presentes no cérebro, fazendo com que o funcionamento cerebral volte a  funcionar normalmente.

O antidepressivo demora, em média, de 20 a 60 dias para começar a fazer efeito.

Depois disto, é necessário que a  pessoa procure terapia para cuidar das causas que originaram os conflitos, para que  consiga uma cura verdadeira.

Um dos principais problemas é que quando o sintoma é tratado, algumas pessoas acham que estão curadas e que não há necessidade de resolverem os seus conflitos.

Isto é um erro, pois o anti-depressivo não trata da causa da depressão.

Por isso, freqüentemente  há recaídas e a depressão volta, mais intensa e mais difícil de tratar, sendo necessário, muitas vezes, a mudança do anti-depressivo ou o aumento da dose  para que a pessoa consiga sair deste processo.

Este assunto é muito complexo. Vamos falar mais sobre ele semana que vem! Até lá!

 

 

 

 

 

Será que estou deprimido?

(Dra. Karen Câmara)

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A depressão se caracteriza por vários sintomas. Um dos principais é o que se chama de humor deprimido. Isso é descrito, por alguns pacientes, como uma sensação de grande tristeza e desânimo. Parece que tudo está difícil, muito difícil. É necessário um enorme esforço para viver o dia a dia, como se a pessoa tivesse que empurrar uma tonelada ladeira acima o dia todo, todos os dias. Atividades rotineiras, que eram realizadas facilmente, passam a ser extremamente onerosas. Uma simples ida ao supermercado requer um imenso esforço, como se fosse uma tarefa dificílima.

Parece que falta energia: energia física, energia mental, energia emocional. Tudo cansa. Tudo dá tédio. A pessoa perde o interesse por atividades que antes gostava. Se alguém convida para sair, percebe que não tem a menor vontade de sair. Quer ficar em casa, muitas vezes dentro do quarto, sem falar com ninguém. Quando sai, pensando que vai melhorar, não acha graça em nada, tudo lhe parece inútil, nada dá prazer. Rapidamente a pessoa se cansa e quer voltar para casa. Aliás, a sensação de cansaço é muito comum nos deprimidos, não só uma sensação constante de cansaço como também o cansaço que surge com qualquer atividade, por mais leve que seja.

Pode haver alterações no apetite. É bastante comum haver uma diminuição do apetite, que pode ocorrer paulatinamente ou de repente. Lembro-me de uma pessoa que contou que estava comendo uma banana quando, ao chegar à metade, sentiu que havia perdido totalmente o apetite e não conseguiu comer a metade restante. A partir desse momento, o ato de comer passou a ser algo desagradável. Embora seja menos comum, pode acontecer o contrário, ou seja, pode haver um aumento do apetite, principalmente por doces e chocolates.

Outra função biológica que geralmente fica alterada é o sono. A pessoa pode ter dificuldade para conciliar o sono. Vai para cama, fica horas rolando para cá e para lá e só consegue dormir horas depois. Ou então, dorme no horário habitual mas acorda no meio da noite e fica horas sem conseguir dormir novamente. Às vezes acorda algumas horas antes do horário que está acostumada e não consegue dormir mais. Acontece também do sintoma se apresentar como excesso de sono, a pessoa dorme mais de dez horas por noite ou dorme duas horas a mais que seu habitual.

Problemas na área sexual também ocorrem nas pessoas deprimidas. É frequente haver queixas de diminuição da libido, dificuldade de se excitar e manter a excitação e/ou a ereção, problemas em atingir o orgasmo ou ejaculação e até a percepção que o orgasmo não é tão prazeroso como era antes.

No aspecto mental, pode haver pessimismo, ideias de culpa, baixa autoestima, lentificação dos pensamentos e do raciocínio, diminuição da memória e da concentração, dificuldade de tomar decisões. Alguns deprimidos têm ideias frequentes de suicídio, acham que esta é a única saída de seu inferno interior.

Emocionalmente, a pessoa pode estar mais irritável, impaciente, ansiosa ou pode se perceber indiferente, triste, com a sensação de estar esvaziada de emoções.

Esses são alguns dos sintomas que podem estar presentes em uma pessoa deprimida, mas cada pessoa é única e seus sintomas podem variar em número e intensidade.

Se você tem alguns desses sintomas há pelo menos duas semanas e eles estão te incomodando a ponto de prejudicar sua qualidade de vida, seria aconselhável procurar ajuda de um profissional na área de saúde mental.

Será que eu preciso de medicamento?

(Dra. Karen Câmara)

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As pessoas se perguntam muitas vezes, se devem ou não tomar medicamentos, principalmente na área da psiquiatria. Quando um paciente deve ser medicado?
Deve-se combater toda e qualquer depressão? Qual é a diferença entre tristeza e depressão?

No século dezenove, entre os escritores e poetas da época do Romantismo, a tristeza era considerada uma emoção a ser cultivada. Acreditava-se que a melancolia podia inspirar a escrita criativa. A literatura romântica frequentemente possuía uma ambientação sombria, pessimista, soturna.

Hoje em dia as pessoas parecem ter horror à tristeza. Referem-se a ela como uma emoção que deve ser combatida a todo custo. Devemos ser felizes, alegres, contentes na maior parte do tempo e, quanto mais, melhor. Devemos, temos o direito, quase que a obrigação de sermos felizes. Ser feliz é muito bom mas a vida é feita de todas as emoções. A diversidade e o equilíbrio dessas emoções enriquecem a vida, nos proporcionando mais e melhores oportunidades de aprendizado.

Ora, a tristeza é uma emoção natural como outra qualquer e é absolutamente normal que sintamos tristeza diante de certos fatos e por alguns períodos durante nossas vidas. Ficar triste e se recuperar da tristeza faz parte da existência humana na terra. No entanto, quando a pessoa permanece triste por muito tempo e não se recupera como seria de se esperar, aí sim essa pessoa deve ser avaliada.

Ou então, quando o abatimento é tão intenso que afeta seriamente o humor e a rotina, quando traz grande sofrimento ou põe em risco a vida da pessoa, está na hora de buscar ajuda. Por exemplo, depois de uma grande perda, é normal haver inapetência por alguns dias e não há problema se a pessoa não se alimentar como de costume por algum tempo. Mas, quando ela come tão pouco que começa a perder peso continuamente e não dá sinais de melhora, é bom passar por uma avaliação médica.

Existem critérios definidos para se diagnosticar a depressão. Entre eles, podemos citar: tristeza, falta de energia, desinteresse por aquilo que costumava dar prazer, mudanças no apetite ou no sono – tanto para mais como para menos – falta de concentração, sentimento de fracasso, irritabilidade.

Os sintomas não estão todos presentes no mesmo indivíduo e podem variar de intensidade. As pessoas são únicas na sua forma de ser e de adoecer. O diagnóstico da depressão é feito quando pelo menos alguns dos sintomas estão presentes e o quadro persiste por mais que algumas semanas.

Nem sempre a pessoa tem condições de decidir se vai ou não procurar um médico. A pessoa pode estar tão deprimida que não consegue sequer tomar a decisão de ir ao médico e não tem iniciativa suficiente para marcar uma consulta. É aí que alguém próximo tem que intervir e tomar uma providência.

Uma vez no médico, é importante levar a maior quantidade possível de informações para que o profissional possa ter uma ideia melhor do quadro do paciente. Algumas características do paciente têm que ser observadas e relatadas por quem convive com ele porque passam despercebidas pelo paciente em si.

Depois da avaliação, o médico deve dar seu parecer quanto ao problema do paciente e dizer se é de opinião que um medicamento pode ajudar. O ideal seria que a decisão de usar ou não medicamentos fosse tomada em conjunto, pelo médico e pelo paciente. Isso só acontece quando há uma boa relação médico-paciente, o que envolve confiança e respeito de ambos os lados.