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A paixão

(Paulo Jacob)

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Ah! A paixão… Que sensação maravilhosa, não é?

Durante alguns meses, temos a sensação de que encontramos a outra metade que há tempos estávamos procurando. Essa pessoa que estava perdida em uma multidão, e de repente aparace e me cativa, e ainda por cima só faz coisas que eu gosto. Muitos beijos, muitos abraços, elogios, flores, tudo acontecendo daquela maneira que eu sempre idealizei um relacionamento, que lindo!!

Realmente, concordo com vocês que essa fase da paixão é algo muito bom de se viver. Esse período (maior ou menor, variando para cada um) é vivido intensamente, pois emocionalmente somos invadidos por ações mais “irracionais”. A emoção (o tesão entra aí), não nos faz enxergar o que o outro tem de “ruim”, ou seja, as dificuldades que o outro tem, e que precisam ser melhoradas ao logo da vida.

É nessa época que uma ação com grosseria é vista com a compreensão de um Dalai Lama, que uma cicatriz ou algum “defeito” físico, é visto como uma particularidade, um detalhe “meigo” da pessoa que estamos apaixonados. É incrível, mas agimos com muito mais empatia (na verdade, falsa empatia) do que somos depois que a paixão passa.

Idealizamos o tempo inteiro a pessoa perfeita para viver o resto de nossas vidas, e qualquer uma que chegue perto dessa idealização (par perfeito), eu praticamente anulo todos os outros pontos que não batem com a minha expectativa, e por alguns meses deixo bem guardado à sete chaves em algum lugar da minha mente. E para ajudar, já foi até provado cientificamente que o cérebro nos auxilia nesse processo de “recalque”, dizem até que a paixão dura em média 7 meses, ou seja, nessa fase ocorrem também alterações químicas no meu cérebro, tudo a favor da união entre duas pessoas, o que é muito bom!

Mas o que acontece quando de repente essa “gaveta” que estava muito bem lacrada se abre? Porque de uma hora para outra começamos a deixar de ser tão empáticos, e iniciamos um processo de analisar melhor aquela pessoa que está ao nosso lado? Ela mudou? Eu mudei? Não é nada disso… Como disse acima, recalcamos os “defeitos” que o outro tem, e isso não tem nada de empático (por isso coloquei “falsa empatia”). Naquele momento da paixão, enxergamos apenas aquilo que nos agrada, e isso é estar bem egocêntrico, pois estou pensando unicamente em satisfazer as minhas necessidades, por isso eu “aceito” o outro. Como a realidade de que não existe uma pessoa perfeita é muito chata, e a minha vontade de ficar uma pessoa é muito grande, eu recalco o que não quero ver, e enxergo somente as qualidades que eu idealizei anteriormente, simples assim. Por isso que a fase da paixão é muito boa, porque eu só me permito ver aquilo que me agrada.

Bom, e a partir do momento que eu “acordo”, o que eu faço? Dependendo do quanto eu realmente estou disposto a amar aquela pessoa (compreender, é amar..), eu faço a escolha se vou ou não conseguir conviver/compreender com essas dificuldades dela, e ao mesmo também decido se começo um processo de resignação, ou seja, aceitar que ficar sonhando e esperando com o príncipe ou a princesa encantada, não vai me levar a nada. Os que escolhem amar e serem realistas, continuam; os que não escolhem e continuam esperando a pessoa perfeita, separam. Temos o livre arbítrio, para estarmos ou não mais empáticos naquele momento, e começar a compreender mais, não há nada errado nisso! Mas não adianta escolher esperar o príncipe encantado (ou princesa), mesmo sabendo que ele não existe, e ficar reclamando a cada frustração que tiver, ok? Se você sabe que não existe, então porque reclama?

E os casais que estão sempre apaixonados um pelo outro? O respeito e a compreensão certamente fazem parte do relacionamento. Um aceita o outro do jeito que ele é e ambos visam crescer juntos, como pessoas principalmente.

Vamos viver as paixões, é muito bom!! Estar consciente de tudo isso, nos dá a autonomia em decidir o que eu quero para minha vida, e assim o que eu quero viver nos meus relacionamentos, sem ilusões.

Uma ótima semana para você!

A amarga verdade sobre o açúcar

(Dra. Karen Câmara)

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Volto hoje a falar sobre o açúcar. Ah, esse nosso querido e doce açúcar. Não pensem vocês que eu não consumo açúcar.
Consumo sim e amo de paixão. Adoro doces, sobremesas, sorvetes. O açúcar é um dos meus maiores e mais arraigados vícios. A duras penas, já consegui ficar alguns períodos da minha vida sem consumir açúcar. Sempre com muito sacrifício.

Na minha época de faculdade – lá se vão mais de trinta anos – líamos o livro Sugar Blues (Sugar Blues: o Gosto Amargo do Açúcar, autor: William Dufty, editora: Ground) e comentávamos sobre os malefícios do açúcar. Lembro-me que um colega de classe me emprestou o livro e disse que havia feito uma constatação interessante. Abandonou o consumo de açúcar e verificou que, a partir de então, passou a não ter dificuldade em se manter acordado até tarde para estudar para as provas. Antes, recorria a grandes quantidades de café, adoçado com açúcar, e Coca-Cola, que também continha açúcar. Naquele tempo não existia Coca diet, só havia a original mesmo. O livro Sugar Blues expõe algumas verdades sobre o açúcar. Em geral, quem lê Sugar Blues fica tão estarrecido que deixa de consumir açúcar por algum tempo.

Lembro-me também de, logo depois de formada, ter começado a me aventurar em áreas do conhecimento oriental como Do-In, Shiatsu e Acupuntura. Em um curso de Do-In do Juracy Cançado, ele disse “O açúcar é uma droga erroneamente classificada como alimento”. Achei a frase muito inteligente e imaginei um diálogo fictício entre duas pessoas. Esse diálogo é presenciado por uma terceira pessoa, que desconhece o assunto.
“É um pó, é branco. São pequenos cristais.”
“Além disso, é fácil de se obter, é muito gostoso e dá barato”.
“O problema é que o barato passa logo e o consumidor passa a querer mais e mais. Portanto, esse pó vicia.”
“E esse vício faz com que a pessoa se alimente de forma cada vez menos saudável, além de trazer outras consequências nefastas para o organismo. Existem crianças que já estão viciadas.”
A terceira pessoa, então, cheia de curiosidade, pergunta: “Sobre que droga vocês estão falando? Cocaína, heroína, crack?”
“Não”, responde um deles, “Estamos falando sobre o açúcar!”
Vemos então que a frase do Juracy Cançado faz muito sentido.

A revista Nature, uma renomada publicação científica, trouxe um estudo sobre o açúcar intitulado A verdade tóxica sobre o açúcar (The toxic truth about sugar, publicado em 01/02/2012). Eis um resumo do artigo:

O consumo mundial de açúcar triplicou nos últimos 50 anos. Existe uma relação entre o consumo de açúcar e as doenças que constituem a síndrome metabólica: hipertensão arterial, diabetes ou resistência à insulina, taxas elevadas de triglicérides, gordura aumentada no fígado (esteatose hepática) e obesidade. Essas são doenças crônicas que diminuem a qualidade e a expectativa de vida, além de consumirem a maior parte dos recursos públicos destinados à saúde.
O açúcar pode levar à dependência. De forma semelhante ao tabaco e ao álcool, o açúcar age no cérebro humano de modo a estimular um consumo cada vez maior. O açúcar interfere com os hormônios grelina e leptina que regulam a fome e a saciedade. Interfere também com a dopamina, um neurotransmissor que atua no centro de gratificação do cérebro.
Por outro lado, o açúcar é barato, é gostoso e vende bem. Portanto está presente, em grandes quantidades, em alimentos e bebidas industrializadas e a indústria alimentícia tem pouco incentivo para mudar esse quadro.
A venda e distribuição do açúcar poderiam ser regulamentadas como a do tabaco e do álcool, outras duas drogas lícitas. Isso pode ser feito através de impostos sobre o produto, estabelecimento de idade mínima para compra e regulamentação de locais de venda.

Será que estou deprimido?

(Dra. Karen Câmara)

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A depressão se caracteriza por vários sintomas. Um dos principais é o que se chama de humor deprimido. Isso é descrito, por alguns pacientes, como uma sensação de grande tristeza e desânimo. Parece que tudo está difícil, muito difícil. É necessário um enorme esforço para viver o dia a dia, como se a pessoa tivesse que empurrar uma tonelada ladeira acima o dia todo, todos os dias. Atividades rotineiras, que eram realizadas facilmente, passam a ser extremamente onerosas. Uma simples ida ao supermercado requer um imenso esforço, como se fosse uma tarefa dificílima.

Parece que falta energia: energia física, energia mental, energia emocional. Tudo cansa. Tudo dá tédio. A pessoa perde o interesse por atividades que antes gostava. Se alguém convida para sair, percebe que não tem a menor vontade de sair. Quer ficar em casa, muitas vezes dentro do quarto, sem falar com ninguém. Quando sai, pensando que vai melhorar, não acha graça em nada, tudo lhe parece inútil, nada dá prazer. Rapidamente a pessoa se cansa e quer voltar para casa. Aliás, a sensação de cansaço é muito comum nos deprimidos, não só uma sensação constante de cansaço como também o cansaço que surge com qualquer atividade, por mais leve que seja.

Pode haver alterações no apetite. É bastante comum haver uma diminuição do apetite, que pode ocorrer paulatinamente ou de repente. Lembro-me de uma pessoa que contou que estava comendo uma banana quando, ao chegar à metade, sentiu que havia perdido totalmente o apetite e não conseguiu comer a metade restante. A partir desse momento, o ato de comer passou a ser algo desagradável. Embora seja menos comum, pode acontecer o contrário, ou seja, pode haver um aumento do apetite, principalmente por doces e chocolates.

Outra função biológica que geralmente fica alterada é o sono. A pessoa pode ter dificuldade para conciliar o sono. Vai para cama, fica horas rolando para cá e para lá e só consegue dormir horas depois. Ou então, dorme no horário habitual mas acorda no meio da noite e fica horas sem conseguir dormir novamente. Às vezes acorda algumas horas antes do horário que está acostumada e não consegue dormir mais. Acontece também do sintoma se apresentar como excesso de sono, a pessoa dorme mais de dez horas por noite ou dorme duas horas a mais que seu habitual.

Problemas na área sexual também ocorrem nas pessoas deprimidas. É frequente haver queixas de diminuição da libido, dificuldade de se excitar e manter a excitação e/ou a ereção, problemas em atingir o orgasmo ou ejaculação e até a percepção que o orgasmo não é tão prazeroso como era antes.

No aspecto mental, pode haver pessimismo, ideias de culpa, baixa autoestima, lentificação dos pensamentos e do raciocínio, diminuição da memória e da concentração, dificuldade de tomar decisões. Alguns deprimidos têm ideias frequentes de suicídio, acham que esta é a única saída de seu inferno interior.

Emocionalmente, a pessoa pode estar mais irritável, impaciente, ansiosa ou pode se perceber indiferente, triste, com a sensação de estar esvaziada de emoções.

Esses são alguns dos sintomas que podem estar presentes em uma pessoa deprimida, mas cada pessoa é única e seus sintomas podem variar em número e intensidade.

Se você tem alguns desses sintomas há pelo menos duas semanas e eles estão te incomodando a ponto de prejudicar sua qualidade de vida, seria aconselhável procurar ajuda de um profissional na área de saúde mental.