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Ideais, sonhos e sofrimento no trabalho

(Sonia Pedreira de Cerqueira)

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A literatura sobre sofrimento psíquico no trabalho é vasta, com publicações separadas até por segmentos: sofrimento do profissional da saúde, sofrimento psíquico do profissional da educação, administração, entre outros.

O que quero deixar hoje com este texto é apenas o conhecimento de que existe sofrimento psíquico dentro das empresas e temos que dar atenção às suas causas e sintomas.

Socialmente falando, o trabalho é símbolo de status, realização e felicidade. Todos buscam estar felizes com seu trabalho, buscam melhorar suas habilidades para alcançar o tão sonhado emprego ou cargo ideais.

Vale lembrar aqui também que há a cobrança social para que você seja bem sucedido, tenha um bom emprego, seja um empresário de sucesso e possua os famosos símbolos de felicidade do trabalhador: casa bonita, carro bonito, roupa bonita e tudo mais de bonito que merece um profissional competente (será que precisamos disso tudo? Mas esta é uma discussão para outro texto).

O problema acontece quando estes ideais tão sonhados começam a ser frustrados. Você se mata e o aumento não vem. Você estuda, termina o MBA e a promoção não acontece. O ambiente no qual você trabalha é cheio de conflitos. E você percebe que, como profissional, está preso a um emprego que não realizará seus sonhos.

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Dejours (1998) afirma que as relações de trabalho, dentro das organizações, freqüentemente, despojam o trabalhador de sua subjetividade, excluindo o sujeito e fazendo do homem uma vítima do seu trabalho. Acrescento aqui que o próprio homem torna-se vítima também de seus ideais.

Estas dificuldades, frustrações e buscas incansáveis por ideais sociais vividas no ambiente de trabalho pode levar o profissional ao sofrimento psíquico e colocar em risco sua saúde não só mental mas também física.

Há muito tempo temos presenciado nas mídias como a atual organização do trabalho vem fazendo as pessoas adoecerem. Estresse, insônia, alteração de humor, dificuldade para se relacionar com os colegas e com a família e a depressão são os problemas mais citados.

O pior disso é que muitos profissionais buscam ajuda somente em situações extremas, pois tem vergonha de assumir suas dificuldades. A ajuda de um especialista nesta situação é de extrema importância para que a pessoa reformule seus ideais e retome sua saúde psíquica.
E você? Já pensou como estão seus ideais?

A psicanálise e o aconselhamento cristão

cristãoO cristianismo na psicanálise

(Padre Jeferson Luis Leme)

Texto bíblico: Evangelho de Marcos: Mc 12, 13-17.

Participar desse blog e escrever sobre o cristianismo dentro da psicanálise é muito importante pra todos nós, pelo fato que podemos ter outra visão sobre a fé numa perspectiva psicanalítica. Acredito que será de uma riqueza tremenda pra todos nós termos outro parâmetro para o nosso amadurecimento nas relações pessoais e sociais. Espero como padre e psicanalista contribuir bastante.

Os fariseus procuram pegar Jesus em algum engano. Empregando uma frase clássica, “dá-se mal quem se julga esperto”, os que queriam levantar dificuldades para Jesus acabam emaranhados em suas próprias armadilhas e em seus próprios problemas. A lição para nós é que, se nos aproximarmos de Jesus, mais vale fazê-lo com a verdade na mão e com o coração sincero. Porque o que está em jogo não é uma discussão teológica, mas sim nossa salvação.

Por isso, que à questão posta pelos fariseus, que tinha cunho político (v 14), Jesus responde com uma pergunta, esquema próprio dos diálogos didáticos: “De quem é esta figura?”. Deus não está em concorrência com as coisas deste mundo: “Devolvei, pois, a Cesar o que é de Cesar…” (v 17). Nossa perícope fala de imagem de Deus (cf. Gn 1,26-27); a inscrição pode se referir à Lei inscrita no coração (Jr 31,33; Pr 7,3). Portanto o que é de Deus (v 17) é o ser humano, portador da imagem de Deus e de sua Lei.

Reflexão psicanalista: Quando Jesus responde “Devolvei, pois, a Cesar o que é de Cesar e a Deus o que é de Deus”, é um discernimento a cerca das nossas estruturas egocêntricas e empáticas que carregamos em nossas vidas. Jesus nos ensina a buscar o equilíbrio de nossas ações, pois quando devolvemos a Cesar, estamos permanecendo egocêntricos, e quando devolvemos pra Deus, buscando o equilíbrio, ou seja, a empatia. É fundamental em nossas vidas procurar vivenciar os ensinamentos que Jesus nos deixou, pois nos leva a realização plena de nossa vida.

Sendo imagem de Deus, devemos sempre buscar as compreensões dos porquês, isto é, amando mesmo não gostando, negociando e enfrentando as nossas tendências. Com certeza tendo essas atitudes diante da vida, Deus nos fortalece com seu Espírito.