Arquivo de Tag | empresa

O barômetro e o espelho

arteO barômetro e o espelho.
(Rogério C. Migliorini)

Será só imaginação?
Será que nada vai acontecer?
Será que é tudo isso em vão?
Será que vamos conseguir vencer?
(Será – Legião Urbana)

Acordei com esses versos na cabeça. Será? Eu raramente fazia tal pergunta na minha juventude, mas depois de tantas experiências que sugerem a imprevisibilidades da vida, ela não me abandona.

Mas o fato do trecho de uma música me vir á cabeça, me faz lembrar o que me disse uma amiga que é professora de semiótica em uma universidade federal. Ela diz que a maioria das pessoas acha que artistas são irracionais e subjetivos. Perguntou, então, a pessoas bastante objetivas o que estavam sentindo naquele momento. Com toda sua maneira prática de pensar, além de terem estranhado a pergunta, não foram capazes de identificar seus sentimentos e deixaram a pergunta sem resposta. Até que, por exemplo, ouviram uma música e informaram que sentiam exatamente o que a música expressava. Por fim, minha amiga conclui que o artista não sossega enquanto não consegue objetivar, organizar e dar forma aos seus sentimentos.

Por não fazerem isso necessariamente por palavras, talvez pareçam pouco objetivos. No entanto, seja qual for a linguagem que usem, organizam e dão forma. Pra mim repetem o ato divino da criação, pois organizam o caos e dão forma ao “barro” disforme. Também, objetivamente obedecem a “gramática” de sua linguagem expressiva. Por exemplo: não tratam o barro como se fosse palha.

Qual a relação disso com o nosso dia-a-dia e em que saber disso pode melhorar a nossa vida? Bom, penso em três coisas. A primeira: se você for artista e se achar louco, pare, pense, considere e olhe para o seu trabalho.

Pense que os tais sentimentos que ele expressa são em geral de toda a sociedade que por seu intermédio você estabelece uma comunicação com ela. A segunda: se você não for artista, comece a refletir com mais profundidade sobre a música, o poema e o quadro que mais lhe dizem respeito em um momento particular. Além de um entretenimento ou de um intervalo em meio à objetividade da vida real, a arte fala de você e pra você. Use isso a seu favor. Terceiro: mesmo sem ser um artista, organize, crie, dê forma; não importa se fazendo um desenho ou uma salada. Não importa que não saiba desenhar. O alvo não é a criação, mas o criador e seu bem-estar.

A psicanálise, empresa e liderança

liderA psicanálise, empresa e liderança

(Sônia Pedreira de Cerqueira)

Um convite para escrever sobre psicanálise nas empresas é estimulante para quem, ao longo dos anos, transita entre os mais variados segmentos e os mais diversos tamanhos de empresas. Vou começar por me apresentar, sou consultora de empresas e atuo na área de gerenciamento de projetos e treinamento. Há seis anos me matriculei no curso de psicanálise clínica com a enorme necessidade de aprender sobre o comportamento humano para conseguir trabalhar melhor com meus pares, líderes, clientes e outros. Como fui inocente!

Concluí o curso que seria o maior divisor de águas da minha vida. Depois de sofrer com todos os conceitos, analises e auto-analises, posso dizer que minha visão de mundo pessoal e profissional melhorou e melhora a cada dia. Exponho aqui minhas visões e experiências sobre os mais variados assuntos empresariais. Esta semana escolhi o tema LIDERANÇA. Isso porque acredito que uma empresa só começa ou existe com a figura de um líder.

Liderança, sustentabilidade e inovação são as palavras mais usadas e procuradas hoje pelos líderes e funcionários de todos os tipos de empresas. Vejo empresas muito desenvolvidas tecnologicamente todos os dias, que criam e vendem todo o tipo de tecnologia e serviço de ponta que possamos imaginar. Entretanto, basta freqüentar algumas reuniões nestas empresas, seja para definição, alinhamento ou qualquer outro assunto onde se tenha pontos de vistas diferentes, para perceber que realmente tecnologia não é problema para essas empresas.

O problema mais difícil e presente nestas empresas é aquele relacionado ao comportamento humano. E para lidar com o comportamento humano as empresas convocam os LÍDERES. Se os líderes são treinados adequadamente para lidar com estes problemas tudo bem, mas a realidade é que estes treinamentos se resumem no seguinte: 60 horas de um curso contratado pelo pessoal do “rh”, dentro de um orçamento limitado pelo pessoal de compras, e finalmente aprovado pelo orçamento. Estes líderes serão demasiadamente cobrados por conhecimentos adquiridos durante esse breve treinamento. Todavia, conhecimento sem habilidade, no campo do comportamento humano, é conhecimento nulo.

Neste sentido, penso que a melhoria pelos relacionamentos dentro das organizações não passa pelo senso comum do treinamento, da aquisição do conhecimento, do “happy hour”, do “café com o líder”, mas sim pelo trabalho árduo, mas prazeroso de entender os “por quês” das atitudes das pessoas frente a outras pessoas e frente às situações.

Líderes que não passam por um sistema de treinamento onde aprendem a se conhecer e conhecer o outro não sabem como aproveitar e valorizar as pessoas de sua equipe. O resultado, todos conhecemos: líder estressado, deprimido, equipe com baixa auto-estima, absenteísmo, perda de talentos e muitos outros que eu não vou enumerar aqui.

Desta forma, inserir nos treinamentos comportamentais para a liderança pelo menos os conhecimentos básicos de psicanálise, aliado a uma acompanhamento individual do líder, é de fundamental importância para o sucesso de um sistema de liderança.