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Sobre a rocha ou sobre a areia?

(Padre Jeferson Luis Leme)

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Texto bíblico: Mt 7, 21.24-27

Todas as religiões acreditam que somos imortais espiritualmente! Entretanto, mortais fisicamente. Desta maneira, a felicidade na vida nunca poderá ser encontrada fora de você mesmo, através das pessoas, das coisas ou dos sistemas (família, sociedade, trabalho). Nada e nem ninguém lhe fará feliz! Não é o carro novo, não é a casa nova, não é a relação nova, não é o emprego novo que lhe fará feliz. Você poderá ter tudo isto e ser imensamente infeliz!

A felicidade, quando buscada nas idealizações egocêntricas (areia), fora de si mesmo, lhe fará ser uma pessoa metade e estabelecerá um estado ILUSÓRIO em sua forma de pensar, que poderá lhe trazer muitas frustrações, fragilizando-lhe emocionalmente, quando você não alcançar o que pretendia. Ninguém e nada lhe farão feliz, se você antes não estiver construindo a felicidade dentro de si mesmo (rocha), nos seus ideais de auto-realização empática, nos bons valores, nas suas conquistas morais, na realização daquilo que é construtivo para a vida.

Construa a felicidade através daquilo que é real daquilo que nunca desaparecerá, pois sempre terá vida dentro de você! Você pode ter tudo na vida, mas não nasceu para obter a felicidade somente através do ter (areia) e nem pelo aparentar ser o que você não é. Você nasceu para ser (rocha)! Estamos numa escola de amor e desprendimento, pelo servir desinteressadamente a tudo e a todos.

A proposta do Evangelho é a busca da felicidade na rocha que é a Palavra de Deus. Deus que é Real, e não ilusório. A analogia que faço entre real/ilusório e a rocha/areia, nos mostra a importância de Deus em nossas vidas, pelo fato da felicidade que está em nós, e não fora de nós. Para vivermos na rocha/real, é necessário escutar e colocar em pratica a Palavra de Deus. Temos que ser pessoas de oração, que é mais que a súplica oral, para convertê-la em vida de comunhão com Deus. Esta derremar-se-á logo sobre a nossa existência pessoal, a família e o trabalho, a realidade comunitária e social em que vivemos, sem criar separação entre fé e a vida.

A realização da vontade de Deus em nossas vidas, ou seja, a pratica da Palavra de Deus é o Amor. Ame a tudo e a todos e você será um “todo” e estará construindo para si aquilo que é real. Dê sempre o melhor que puder, em tudo que você fizer! Não espere nada de ninguém, pois isto será a sua maior ilusão na vida! Entretanto, a felicidade só poderá ser obtida através do equilíbrio e da harmonia entre as nossas necessidades egocêntricas e empáticas. Os sentimentos construtivos de amor devem ter uma harmonia entre a razão e a emoção, fé e pratica da vida.

Refletindo sobre o Evangelho, podemos nos perguntar; Somos a casa sobre a rocha/real ou sobre a areia/ilusório? Dada a nossa fraca condição, propensa à ambiguidade cômoda, participamos provavelmente das duas situações, cumprindo e faltando a espaços: fortes em tempos de bonança e débeis em momentos de apuros. Por isso temos de rever urgentemente os nossos alicerces, sobretudo nos tempos de crise que correm. Como diz Francisco de Assis: O EU não entra no CÉU só o NÓS.

O Amor é a chave

(Padre Jeferson Luis Leme)

Texto bíblico: Evangelho: Mt 11, 28-30

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Na psicanálise há um processo que chamamos de individuação que foi criado por Jung. Nela, procuramos nos conhecer melhor, reconhecendo as nossas limitações e evoluções. Uma das coisas mais fabulosas que aprendemos é sobre o Amor. Aqui se fala de dois amores. Amor condicional e amor incondicional. O amor condicional é essencialmente egocêntrico, é aquele que, para estar feliz, desenvolve a motivação de receber segurança e reconhecimento das pessoas, coisas e sistemas. É o amor que se realiza na obtenção da metade pretendida. Que exige do outro, mas não de si mesmo, que se frustra e agride com muita facilidade (lado demo), sofrendo e fazendo sofrer. Muitas vezes, o nosso amor metade se cala para não perder seus ganhos ilusórios, que estabelecem a base de sua felicidade (lado anjo). Já o Amor incondicional é aquele que, para estar feliz, se doa em compreensão, em tempo, afetivamente e materialmente, para proporcionar felicidade a tudo e a todos, não esperando receber em troca nada de ninguém, compreendendo, naturalmente, os constrangimentos e restrições da vida.

A proposta do Evangelho é essa; o Amor incondicional. Por quê? Porque é através do amor que vamos nos encontrar com Deus por meio das relações humanas. O amor liberta do egoísmo, das aparências do homem carnal, isto é, do homem velho e irredento (não redimido) na sua natural e pecadora, abandonando às suas próprias forças, gasto na debilidade e no pecado, longe de Deus e voltado para a morte. O grande segredo de todos nós é o amor, tanto o que recebe de Deus pelo dom do Espírito de Cristo como o que dá com a sua entrega pessoal de si mesmo a Deus e aos irmãos (amor incondicional).

O que ama não sente a lei de Cristo como uma obrigação pesada, porque guiado pelo Espírito fá-la sua livremente. Para ele a lei do Senhor é o seu júbilo e a sua fortaleza. É um dado da experiência que quando se ama a verdade se tornam fáceis e suportáveis muitas coisas que seriam difíceis e até insuportáveis sem o amor (amar mesmo não gostando). Impõem-se uma profunda revisão do cristianismo que como fieis vivemos pessoalmente, testemunhamos perante os outros e transmitimos a crianças, adolescentes e jovens. Mais que imperativos religioso-morais, o que temos de ver na lei cristã e mostrar aos outros é o indicativo do amor incondicional de Deus e a nossa jubilosa experiência do mesmo; todo ele unido a uma conduta coerente.

Portanto, o nosso seguimento de Cristo, a religião e moral cristã, não são uma imposição, um sentimento de uma lei despótica e impessoal. A lei de Cristo é libertação, é lei de liberdade, lei do Espírito que supera as obras da carne e do pecado, lei de relação filial com Deus, Pai Nosso e amigo da vida. Deus é Amor. Até breve!!