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Choque de gerações: Você acredita nisso?

(Claudia Pedrozo)

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Recentemente fiz um curso e uma das unidades falava sobre as diferentes gerações que estão convivendo juntas no mercado de trabalho. As gerações Baby Boomers, X, Y e Z. Há também um interessante documentário no youtube (Diferença de valores e culturas entre gerações, reportagem especial da Globo News). Vale a pena assistir e tentar se localizar.

O documentário faz alusão às gerações Baby Boomer,  X e Y. Em outras palavras fala sobre as pessoas nascidas na década de 40 a 60, das nascidas no final dos anos 60, início dos anos 70 e daqueles nascidos nos anos 90, mostrando as dificuldades e possibilidades que estas gerações enfretam nas relações profissionais.  A geração Z não é citada no documentário, mas a título de curiosidade, é a geração dos nascidos no final dos anos 90, ou seja é geração cem por cento da Era Digital.

Interessante entender como o momento histórico do nascimento determina as atitudes e valores de toda uma geração.

Os Baby Boomers nasceram ao longo do período pós guerra, esta é uma geração que foi educada com valores necessários à reconstrução dos países envolvidos no conflito. Aqui no Brasil vivíamos o período da Ditadura Militar, o lema “Ordem e Progresso” vivido a todo o vapor é o lema desta geração. É uma geração focada na construção de vínculos profundos e duradouros, que valorizava a hieraquia e o esforço para a conquista pessoal.

A geração seguinte, Geração X, viveu as grandes mudanças na cultura de massa. Viu os Beatles,  o Festival de Woodstock, o Brasil ser tricampeão mundial de futebol,  o fim  da Guerra do Vietnã, vivenciou a chegada da tecnologia em nossos lares e aprendeu uma dura lição com o surgimento da aids. É uma galera que vivenciou grandes acontecimentos da história recente da humanidade. Em passado recente se transformou na geração “Cara Pintada”, que saiu às ruas para exigir o voto direto para presidente do Brasil e que derrubou do poder, pela primeira vez na história deste país, um presidente acusado de corrupção. Uma geração que viveu grandes crises econômicas e que aprendeu a poupar para ter numa eventual necessidade, que valoriza o mérito, que “abomina” a tecnologia e teme a inovação. Vivenciou muitas mudanças e valoriza a estabilidade.

A Geração Y nasceu com a intenet. É uma geração mais imediatista, quer tudo rápido, tudo para agora! Os jovens dessa geração são inovadores e, para nós mais quadradinhos, são tidos como voláteis e desleais, porque não se prendem às pessoas e lugares, são também desapegadas de valores como estabilidade no emprego, apreciando viver desafios. Sem a menor cerimônia abandonam tudo em nome de novas possibilidades. São totalmente digitais. Ao mesmo tempo conversam na internet, assistem televisão, ouvem música, respondem e-mail e ainda conseguem, por frases curtas e diretas, nos contar como foi o dia na escola/trabalho.

As crianças e adolescentes, nascidos a partir dos meados de 90, fazem parte da Geração Z. São muito parecidos com a Geração Y. Não consegue conceber a vida sem que estejam cercados por celulares, jogos eletrônicos e internet. Uma galera que tem pressa para tudo,  que é extremamente ansiosa, sendo comum ouvirmos a queixa de que  apresentam baixa capacidade de concentração e baixa tolerância à frustração.

Quando assisti ao vídeo e estudei o material do curso, me veio instantaneamente à cabeça os protestos que varreram o Brasil no meio deste ano. Num primeiro momento associei as ondas de protestos aos vividos pela minha geração no tempo dos “Caras Pintadas”.  Acho que não fui a única. Era comum conversar com meus contemporâneos e ver a empolgação pela situação. Claro, Freud explica, num lance de projeção, fizemos uma regressão e saímos às ruas para protestar.

Hoje me pergunto pelo que exatamente eu protestei nestes dias. Creio que fui porque minhas inscrições emocionais prazerosas do tempo de juventude, quando ao som de “Coração de Estudante”, me senti fazendo parte de um momento histórico, retornaram a toda! Fui reviver as emoções adolescentes. E as gerações mais jovens? O que foram fazer?

Conversando com um professor de Sociologia ele me disse que os protestos tem seu inegável valor histórico, nosso gigante país, há muito deitado em berço esplêndido fez menção de acordar, até acordou, mas como quase tudo que acontece politicamente neste país, fomos manipulados e o gigante voltou a cochilar!

As novas gerações agiram de acordo com sua natureza. Atenderam ao chamamento na rede mundial, aceitaram a inovação e o desafio e foram lá, viver esta farra, esta “have politica”. Poucos foram para protestar por mudanças políticas, a maioria foi porque era uma grande festa, um grande evento do Facebook!

As gerações mais “maduras” foram reviver a glória dos anos 80!

Claro que no meio disso tudo os engajados políticos foram lá realmente protestar!

Observando este episódio de nossa recente história, fiquei a pensar naquilo que tanto ouvia na época em que era adolescente sobre os conflitos das gerações. Todos nós vivemos isto. Minha mãe um dia deixou de ser minha heroína e passou a ser meio que ultrapassada… com certeza minha filha em algum momento da vida pensará (se é que já não pensa!) da mesma forma. Na sua vida isso também acontecerá, se ainda não aconteceu.

Cada geração é dotada da riqueza e da beleza de ser quem é! À geração que antecede fica a tarefa de educar e conter os arroubos próprios dos mais novos, mas fica também a possibilidade de se desarmar a prender com a geração que chega.

Com meus filhos e sobrinhos aprendo todos os dias e ensino todos os dias. Eles me ensinam a não temer o futuro e todas as parafernálias digitais que surgem diariamente. Eu também devo ensinar a cada um alguma coisa. Talvez eu ensine que devemos ser inovadores, sem jamais sermos irresponsáveis, que podemos buscar sempre o melhor, sem que para isso tenhamos que “pisar” nos outros… E você?  Tem se permitido aprender com as novas gerações? E o que tem ensinado?.

Sabe, acredito muito nas palavras da música “Como nossos Pais”, docemente cantada pela Elis Regina. Em algum tempo ali no futuro, meus filhos serão uma versão melhorada do meu eu, porque hoje, com certeza e apesar de tudo, ainda sou a mesma e vivo (em muitos aspectos, numa versão melhorada) como minha mãe!

Pobre executivo vaidoso

(Sônia Pedreira de Cerqueira)

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Diziam que de médico e louco todo mundo tem um pouco. Pra dizer a verdade, acho que atualmente a frase que mais se encaixa é : “de executivo louco, todo mundo tem um pouco”.

Esta semana ouvi a frase, com muito pesar de quem falou, de uma executiva: “é, pois é, saio de casa às 7 da manhã, chego às 8 da noite e quase não vejo meus filhos, mas fazer o quê né? A sociedade cobra isso da gente”. E a pessoa falou, com vaidade, como se tivesse realmente que cumprir os padrões mega- hiper- super da sociedade que nos acolhe (ou não acolhe nada). Sinceramente, fiquei com a maior cara de passada, aliás, nem acreditei naquilo que ouvi.

E a partir disso comecei a refletir: trabalhamos por dinheiro? Porque se trabalhamos por dinheiro, todo o discurso de amor e necessidade de cuidados com a família, amigos e pessoas amadas que ouvimos por aí soa meio estranho. Na verdade esse mundo de trabalho é um emaranhado de contradições. Na verdade, verdade mesmo é que muitas vezes nos pegamos trabalhando por vaidade. Sim, por vaidade, gostamos de ser reconhecidos como super- hiper- mega profissional de sucesso.

Nas reuniões com os amigos e familiares, enchemos a boca para dizer que somos ocupados (não ser ocupado é coisa de gente fracassada), porque isso pressupõe ganho de dinheiro, enchemos a boca para dizer que nossos filhos estudam em uma escola cara, porque afinal, eles só estudam lá porque somos pessoas de sucesso. Nesse momento a nossa vaidade impera!

Mas o que mais me intriga é o quanto de contribuição este sucesso vaidoso dá em favor de nossa felicidade verdadeira. O quanto este sucesso dá de contribuição no sentido de nos tornarmos uma pessoa melhor em nossa essência, e não uma pessoa com uma casa, carro ou cargo melhor.

O pior, ou melhor, disso tudo é que a vaidade está em nossas tendências. Todo mundo tem vaidade sim. Uma vaidadezinha uma vez ou outra não faz mal para ninguém. Mas temos que aprender a domar esta necessidade de ser reconhecido o tempo todo.

Eu estou procurando vigiar e domar a minha vaidade, o que não é fácil, estudo, vou à terapia, converso e peço feedback de amigos. E você, está domando a sua? E não venha me dizer que não tem a tal da vaidade.

Rivalidade Fraterna: amor e ódio na relação entre irmãos

(Claudia Pedrozo)

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Ficar numa fila de banco é algo que todos detestamos, não é? Mas sempre se pode aprender um pouco mais sobre a vida quando ficamos lá, em pé ou sentados, de orelha na conversa alheia. Acreditem filas de banco são ótimos laboratórios!

Nesta semana fiquei a escutar, sem querer, mas já escutando, a conversa de duas comadres. A comadre “X” contava para a comadre “Y”sobre as dificuldades que seu filho e sua nora estão enfrentando com a rivalidade entre seus dois netos, uma menina de oito anos e um menino de quase sete. Segundo a vovó “X”, toda vez que o filho compra algo para o menino mais novo, obrigatoriamente tem que comprar para a menina mais velha. Ai dele se não comprar!!! A garota faz um dramalhão mexicano, tipo ninguém me ama, ninguém me quer… E, num ataque raivoso, briga e fala coisas horríveis para o irmão e para os pais. A família, segundo Dona “X”, está em pé de guerra. A briga entre os filhos está começando a afetar os pais, que sem saber como agir, acabam brigando entre si. Sentem-se culpados e impotentes diante da filha e acabam cedendo aos caprichos da garota, comprando-lhe algo , que ela geralmente não valoriza e que fica jogado num canto, logo após o recebimento.

Como sofrem – ou melhor como querem sofrer – as avós! Dona “X” está preocupadíssima, porque a neta está ficando insuportável e os pais não aceitam ajuda e conselhos da experiente senhora! E com tudo isso ela está vendo a neta se transformar numa pequena déspota, por culpa dos próprios pais.

Coçou minha língua para palpitar na conversa das duas senhorinhas, mas me contive. Pelo menos lá no banco. Afinal minha mãe sempre disse que ouvir conversa alheia é falta de educação! Mas como já flexibilizei meus valores, nesse quesito, resolvi falar sobre esta situação aqui.

A rivalidade entre irmãos é algo bíblico, natural e faz parte do desenvolvimento humano aprender a conviver com o outro. Quem tem irmãos sabe que aprendizado é este. Quem não tem irmãos, com certeza tem primos, o que dá quase no mesmo em termos de aprender a dividir na marra!

A família é o primeiro laboratório para essa aprendizagem. Quando nasce uma outra criança, o primogênito sente-se, naturalmente, ameaçado e preterido. Acredita, sente, imagina que perdeu o amor de seus pais, avós, tios, enfim de todos os adultos da família. Diante disso sentimentos ambivalentes – amor e ódio – por este “intruso” despertam. O resultado é que disputam, brigam até pelo ar que respiram, enlouquecendo os pais.
Como agir diante dessa situação?

Em primeiro lugar os pais devem deixar claro para o filho mais velho o quanto o amam, em palavras e em atitudes. A criança precisa sentir-se segura desse amor, precisa entender que não deixou de ser amada só porque o “outro” nasceu. É evidente que ela testará os pais e estes, muitas vezes sentindo-se culpados, porque naturalmente socorrem o caçula, acabam embolando todo meio de campo, quando entendem que o filho para sentir-se amado precisa ser comprado.

Crianças são mais espertas do que parecem e nos fazem de bobos sem que percebamos! Por isso devemos ter cuidado e prestar atenção no quanto estamos sendo manipulados e no quanto nos deixamos manipular, em nome de uma consciência “tranquila”.

Sugiro aos pais que sejam mais presentes, que dividam o tempo e as tarefas e se organizem para prover o mais novo, atendendo às suas necessidades e para passar um tempo junto com o filho mais velho. Um tempo de qualidade, onde não haja cobranças e comparações. Onde a criança, com o auxílio dos adultos, possa entender as necessidades do caçula e as dificuldades dos pais. Para isso diálogo é fundamental.

Todos nós queremos ser amados e valorizados… isto faz parte das nossas necessidades básicas. Ao receber de “presente” um irmãzinho, sem o devido preparo (já que muitas famílias fantasiam este momento como se fosse tudo lindo e perfeito, como se o caçula já nascesse grande e não desse trabalho e que pudesse ser o companheiro que o outro irmão deseja) a criança naturalmente vai “surtar”( afinal de uma hora para outra parece que ela ficou invisível, que todos só têm olhos para o caçula) e a única solução é fazer-se presente através da rivalidade com o outro.

Cabe aos pais serem os adultos nesta relação. Educar algumas vezes dói e sempre dá trabalho! Mas dar amor e segurança ao filho mais velho pode poupar uma série de dores de cabeça futuras. Para quem quiser se aprofundar no assunto, sugiro os livros:

“Entendo a rivalidade entre irmãos”, dos autores Joshua D. Sparrow e T. Berry Brazelton, da Editora Artmed (http://www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/resenha.asp?nitem=1223955&sid=7351302311578499576232418)

“Rivalidade Fraterna – o Ódio e o Ciúme Entre Irmãos”, da autora Nise Britto, Editora Agora (http://www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/resenha.asp?nitem=665043&sid=7351302311578499576232418)

“Irmãos ciumentos, irmãs egoístas – Dicas para enfrentar a rivalidade entre os irmãos”, do autor Ted O’Neal, Editora Paulus
(http://www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/resenha.asp?nitem=5067400&sid=7351302311578499576232418)

Talvez Vovó “X” pudesse sutilmente dar um destes de presente ao filho…

Amor e segurança custam pouco. São mais baratos do que os subornos que os mais velhos muitas vezes cobram, como forma de tributo sádico aos pais culpados e algumas vezes mal resolvidos (porque alguns pais já viveram esta mesma situação, num outro tempo, e agora simplesmente atualizam seus recalques).
Amor e segurança custam pouco… um pouco de muita atenção. Pensem nisso.

Egocentrismo ou Empatia, eis a questão!

(Claudia Pedrozo)

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Nesta semana gostaria de dividir com vocês duas máximas ditas pelo meu querido professor, Dr. Wilson Cerqueira: “Somos a flecha e Deus o arqueiro!” e “a vida sempre nos testa!”. Escrevo aqui semanalmente sobre a relação pais-filhos adolescentes e dou algumas “dicas”, a maioria delas vividas por mim na relação com meus filhos.

Mas como a vida testa e o “Arqueiro” sempre lança a flecha, na semana passada foi minha vez de ser lançada e testada!
Tenho uma filha, um ser humano lindo, que procurei educar com responsabilidade e liberdade “vigiada” (na verdade tenho um casal, ambos lindos, inteligentes e cheios de opinião!). Sempre usei o discurso que criamos os filhos para o mundo e que “meus” filhos não são meus, são um presente do “Arqueiro”, para testar minha paciência e me ensinar o significado de amor incondicional!

Minha filha foi chamada na Universidade Federal de Ouro Preto! Orgulho e apreensão! Hora de colocar em prática o discurso cantado em verso e prosa. No frigir dos ovos, lá fomos nós enfrentar uma loooonga viagem de 24 horas – ida e volta até as Minas Gerais – para matricular minha filha.

Este episódio me mostrou algumas coisas valiosas: a primeira é que discursar é mais fácil que agir conforme o discurso (foi preciso negociar muito comigo mesma para que o conhecimento introjetado – filhos não são propriedade dos pais – se transformasse em valor!); a segunda é que meus filhos, apesar de irmãos, são amigos (e isto me deixa muito feliz! Como irmãos eles disputam tudo, se provocam, se irritam, mas na hora do “vamos ver” sabem que podem contar um com o outro); a terceira é que tudo isso é possível graças aos valores familiares que sempre buscamos, meu marido e eu, ensinar a eles pela força do exemplo e a quarta é que muitos jovens que estão “soltos” pelo mundo carecem de bons exemplos para serem seres humanos mais empáticos!

Por que digo isso? Bem, matrícula feita lá fomos nós buscar um lugar para “minha” filhota morar. Conheci o mundo das repúblicas estudantis! Pelo menos uma partinha dele. Descobri que há repúblicas federais e repúblicas particulares. Conversei com algumas universitárias que faziam panfetagem buscando completar o quadro de moradoras de suas casas (quanto mais gente, menor o gasto!). Conversei também com outras “corujas” que, como eu, estão trabalhando o processo de corte do cordão umbilical e ouvi alguns relatos, bastante incomodos, acerca da realidade vivida por alguns jovens universitários em algumas repúblicas estudantis pela cidade.

Segundo a narradora algumas “casas” realizam trotes que são verdadeiros assédios morais, que humilham o estudante, abalando profundamente sua auto estima, pelo simples fato dele ser o “bicho”, logo deve provar que é bom o bastante para ter a honra de morar na casa dos “super veteranos”. Achei as histórias um pouco fantasiosas, até que, em uma das repúblicas que fui conhecer junto com minha filha ouvi algo parecido. Quando perguntamos sobre trote, a pessoa que nos atendeu disse que minha filha teria algumas tarefas, que objetivavam apenas fazê-la valorizar a acolhida, o uso dos móveis e do espaço, em outras palavras, ela seria a responsável por abrir e fechar a casa, limpar os banheiros e jogar o lixo para fora, além de ser a primeira a acordar para preparar o café das outras moradoras. Não sou contra o trabalho colaborativo, aqui em casa todos colocam a mão na massa, mas o que assustou foi ler nas entrelinhas que ela seria a nova empregada da casa! Quando questionei, notei que a moça ficou meio sem jeito, mas afinal todo mundo faz assim… e “é só para que a caloura valorize a oportunidade!” Agradecemos a atenção e saímos de lá rapidinho. Fomos a outros lugares, conversamos com outras pessoas e acabamos optando por uma república mais empática!

Esta experiência me fez pensar na questão dos valores egocêntricos e empáticos que nos constituem enquanto seres humanos. Na formação do nosso caráter encontramos uma dualidade de informações, algumas egocêntricas e outras empáticas. Agimos de acordo com estes conteúdos psíquicos sendo influenciados por eles a todo momento.

Valores egocêntricos são aqueles que idealizamos como bons para nós e que nos fazem pensar primeira e somente em nós. Graças a eles agimos de forma egoísta gerando separatividade, sentimentos de superioridade perante os outros, a acomodação, o ciúme, a vaidade, a arrogância, a prepotência, presunção, o orgulho, enfim sentimentos e ações que não levam em consideração a felicidade alheia. Já os valores empáticos nos fazem agir de forma a pensar no “nós”, ou seja, “eu + o outro”. Eles nos induzem a agir de forma solidária com as necessidades alheias e são traduzidos em ações de solidariedade, honestidade, compreensão, respeito etc.

Jung diz que toda vez que o nosso ego entra em contato com os seus conteúdos psíquicos o mecanismo da consciência funciona e nos força a rever pensamentos, atitudes e emoções, com base nessas duas estruturas de valores (empáticos ou egocêntricos). Quanto maior o nível de nossa consciência moral maior atenção daremos aos nossos valores empáticos e diante de atitudes egoístas sofreremos com mais intensidade as advertências dos nossos mecanismos de censura moral. Ao longo de nossa existência passaremos por diversos estágios de egocentrismo que serão reduzidos lentamente à medida que aumentamos nossa consciência moral empática.

Acho que alguns universitários que conheci, cheios de conhecimentos culturais, precisarão ser testados pelo “Arqueiro”. Diante do que vi, quero pedir algo aos pais deste país: Pais, abasteçam seus filhos de conhecimentos culturais, mas acima de tudo, procurem desenvolver neles os conhecimentos morais. Quando não vamos pelo amor, vamos pela dor!

JUVENTUDE E MARGINALIDADE

(Claudia Pedrozo)

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Semana passada, vagando pela rede, assisti a um programa jornalístico, do tipo que eu não gosto muito, mas algumas vezes acho necessário para me manter conectada com o mundo real. Era um programa sobre o crescente número de menores envolvidos na criminalidade. O “jornalista apresentador” mostrava dois crimes bárbaros e idiotas ocorridos na capital paulista no início deste ano.

Deixando de lado os motivos torpes destes jovens, sua infância sofrida, regada a pobreza e quem sabe, revoltas, que podem influenciar, mas jamais determinar a entrada na criminalidade, o que mais me chamou atenção foi a postura das mães. Talvez não haja mais lágrimas para chorar e não haja mais nada a fazer do que se conformar e tentar entender o que deu errado na educação destes jovens que a marginalidade engole cada vez mais. Há no meio do bando assassinos maiores de idade, sempre há, não é mesmo? E as mães são amigas e não entendem o que aconteceu com os filhos, mesmo com a reincidente história de privação de liberdade por roubos, sequestros e tráfico na Casa do Menor ou antiga FEBEM. Uma das cenas seria cômica, se não fosse trágica. As mães de um “maior” e do “menor” contam ao repórter que os filhos juram que não fizeram nada, que nenhum deles cometeu o crime, mesmo com todas as provas que a polícia tem.

Pergunto-me, que amor cego é este? Talvez seja o amor da culpa! Nós mães somos as “rainhas da culpa”! Alguém deveria ter dito que ser mãe é padecer de culpas mil. Culpas tolas na maioria das vezes: por não estar sempre presente, por não poder dar a criança tudo que ela quer, por ter tido preguiça e deixado o filho ir à escola de ônibus, por ter que fazer hora extra, por ter que dizer não!

E nos culpamos por quê? Porque queremos ser diferentes dos nossos pais, porque em algum momento de revolta na juventude, quando fomos limitados ou não por eles, juramos a nós mesmos que seríamos pais diferentes, melhores, mais amigos e, de repente, eis que hoje nos pegamos fazendo exatamente como faziam nossos pais! Bem, salvo algumas situações bem específicas, não poderia ser diferente. Fomos criados por eles e somos os portadores da tradição familiar, está na nossa constituição psicológica, naquilo que Freud chamou de “ideal de ego”, que são nossas estruturas de valores e que regulam a ação do nosso superego e de “ego ideal”, que são as estruturas de nossa personalidade, ou nossas máscaras, a maneira como nos mostramos para o mundo. Estas estruturas do nosso “eu” são formadas em nosso processo educacional, no qual nossos pais presentes ou ausentes, nos ensinam, mesmo quando parece que não!

“Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é…” as mães destes jovens cujas tendências arcaicas da personalidade ainda não foram educadas para a vida em sociedade também devem carregar seus fantasmas, provavelmente erraram tentando amar da forma que souberam ou puderam. E quem somos nós para jugá-las? Não vivemos a vida delas, não sofremos as dores delas. Podemos, empaticamente, lamentar e torcer para que a dor, que é processo de cura, as faça crescer. Faça a todos crescerem.

Quanto aos jovens que aceitaram a pulsão mais instintiva que há em nós e por ela regularam suas vidas, fico a pensar numa música antiga do Padre Zezinho: “um jovem custa muito pouco… um pouco de muito amor”!
Pais amem seus filhos, sejam racionais com suas culpas tolas, amar é também ser exigente, mas na medida certa. Seus filhos por mais que pareça o contrário,no futuro, lhe agradecerão e nossa sociedade também!