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Carnaval, todos sem máscara

(Paulo Jacob)

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Oi, como vai? Aproveitou bastante o carnaval? Seja se divertindo, ou descansando… O carnaval é um feriado especial para muitas pessoas, principalmente para aquelas que gostam dessa época.

Historicamente o carnaval sempre teve o intuito de podermos extravasar tudo aquilo que não podemos fazer durante os demais meses, ou seja, tudo é permitido. Uma vez ouvi do meu colega que escreve aqui no blog, o Padre Jeferson, a explicação histórica sobre essa permissão, em que se comia e bebia muito, e se festejava durante dias, o que ainda acontece até os dias de hoje.

Agora, eu obviamente acabo tendo uma outra visão sobre essa época do ano…

Toda a poligamia, homossexualidade, agressividade, e outros instintos e tendências que possuímos, se apresentam descaradamente nesse época. É homem e mulher beijando vários no mesmo dia, e muitos até apostam para ver quem beija mais (ou transa mais?). É homem se vestindo de mulher, e se permitindo agir assim porque no carnaval tudo pode! É claro que isso não significa que o cara é gay, mas se inconscientemente existe um desejo, essa vontade será saciada nessa época do ano, e tem homem que espera ansiosamente por esse momento. Que aproveitem!!! E tem também as mulheres que ficam brincando de beijar as amigas na boca, porque já que não apareceu um cara para ela beijar, porque não brincar com a amiga, dando vários selinhos pela noite?

Realmente, temos mais que aproveitar!! E sem medo, censura, ainda mais nessa época que as bebidas alcoólicas são ingeridas como se fossem água pela grande maioria das pessoas, e o superego que tem como um dos seus papéis censurar certas ações de cada um de nós, acaba ficando bêbado (ou drogado), e “libera geral” todas os desejos que possuímos.

Todos nós precisamos de um momento como esse, em que temos um habeas corpus para sermos quem realmente gostaríamos de ser, ou melhor, agir sem censura! Os que mais aproveitam essa época, certamente são aqueles que mais recalcam durante o ano todo as suas vontades, e deixam para o carnaval para fazer o que quiser, sem medo dos julgamentos, afinal todos estão no mesmo barco. Se eu sei que estou agindo de uma maneira mais livre, porque vou querer julgar o outro por estar agindo assim, e dessa maneira vira um ciclo sem fim, em que ninguém é de ninguém, que todos podem tudo até  (teoricamente) na quarta-feira de cinzas.

Então se o seu carnaval ainda não acabou, continue expondo o que está recalcado dentro de você, se possível respeitando os outros que por algum motivo não querem compartilhar da mesma maneira de viver. Mas se você conseguir agir de uma maneira menos “censurada” durante o ano, usando a sua razão para decidir em quais momentos você poderá agir como faz no carnaval (fora de época), libere um pouco isso tudo que você deixa guardado o ano todo, afinal ninguém é santo.

Abraços e até a próxima!

Homossexualidade e Adolescência

(Claudia Pedrozo)

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Hoje vamos conversar um pouquinho sobre um assunto polêmico, cercado de tabus e preconceitos e não tenho a intenção de esgotá-lo, nem de levantar bandeiras ou fazer julgamentos. Escolhi este tema em função de uma vivência que tive numa escola em São Paulo, no final do ano passado.

Certo dia em visita a uma das escolas sob minha supervisão, a diretora estava perplexa devido a um acontecimento vivido por ela na noite anterior. Relata que chamou a mãe de uma aluna da 2ª série do Ensino Médio que estava com problemas de faltas reincidentes e sem justificativas. Ao apresentar a situação para a mãe, esta se surpreendeu, pois a jovem, todos os dias, saia de casa para ir à aula! A mãe indignada com a atitude da filha pediu à diretora que chamasse o irmão da garota, que estudava na 1ª série do Ensino Médio e que saía junto com a irmã todos os dias em direção à escola. Ao chegar à sala o rapazinho, ao ser “inquirido” pela mãe e pela diretora, desatou a chorar. Ninguém entendeu bem o motivo, até que ele olha para a mãe e diz que precisa contar uma coisa muito importante para ela. De sopetão diz: “Mãe, sou gay! Não contei para você o que estava acontecendo porque se contasse a Ana (irmã) ia me entregar.” Silêncio na sala. A mãe chocada, a diretora perplexa e o menino… aliviado! Afinal o segredo guardado a sete chaves e que rendeu muita chantagem por parte da irmã fora finalmente revelado à mãe. Passado o susto inicial a diretora procurou auxiliar mãe e filho.

Apesar da homossexualidade ser tão comum em nossos dias, é ainda tratada com muito preconceito, fazendo muita gente sofrer. Diante da polêmica há inúmeras correntes que a classificam de mil formas diferentes. Quem está certo? Quem está errado? Não cabe a nós julgarmos.

Minha crença é de que esta não é uma questão de certo ou errado. É uma questão relacionada à identidade sexual ser diferente da identidade biológica.

Devemos entender que a homossexualidade não é uma perversão, não é uma doença que pode ser curada com remédios ou terapias (como terapeutas nosso trabalho é ajudar o paciente a ser feliz com suas escolhas!).

Homossexualidade é uma opção sexual, uma escolha de como viver a sexualidade. Por motivos singulares e inconscientes escolheu-se amar alguém do mesmo sexo. Quando observamos o alterego – padrões sociais – percebemos que esta escolha pode ser um processo doloroso, carregado de medos, culpas, fantasias e muito sofrimento diante da possibilidade de humilhações, preconceitos, exclusão, rejeição, entre outros sentimentos negativos.

Isto explica a reação do irmão da “matadora de aulas” e de tantos outros, adolescentes ou adultos, que se escondem atrás de uma máscara de heterossexualidade, regada de infelicidade para ele/ela e para os parceiros(as) escolhidos(as), que se constituem naquilo que a Psicanálise chama de “objetos”, neste caso, “parciais”.

Muitas vezes a revelação da homossexualidade na adolescência é fruto de vivências sexuais prazerosas com pessoas do mesmo sexo no período de desenvolvimento da sexualidade nas Fases Fálica (que ocorre por volta dos 3 (três) aos 6 (seis) anos e se caracteriza pela descoberta da própria sexualidade, marcando a fase do auto prazer pela manipulação genital, sem conotação sexual)e Genital (que se inicia por volta dos 11 (onze) anos e se caracteriza pela retomada dos impulsos sexuais, momento onde o adolescente passa a buscar um objeto de amor em pessoas fora de seu grupo familiar).

Na Fase Genital é comum que a moçada sinta curiosidade pelo corpo do outro. Nesse exercício de conhecer e comparar é comum o contato homossexual, numa situação temporária motivada pela curiosidade e pelo desejo natural de sentir prazer sexual. Todos passamos por isso. Experimentar não define nossa opção sexual. Por isso, muita calma nessa hora, minha gente! Oproblema acontece quando a vicência de satisfação causa danos a posteriori (grosseiramente, quando a ficha cai e o prazer se choca com nossos valores)!

A relação entre Homossexualidade e Complexo de Édipo também é bem debatida e aceita. Mas esta é uma conversa que teremos logo ali.

Diante disso tudo, penso que cabe uma sugestão: vamos exercitar olhar o outro com empatia… o preconceito expressa nossos recalques. A receitinha básica pode ser o contínuo, lento, gradual e trabalhoso exercício de se colocar no lugar do outro. Foi o que fez a diretora lá de São Paulo. Quanto à mãe, o que querem todas as mães? A felicidade dos filhos… Para isso ela exercitou – e ainda exercita – com sabedoria o amor incondicional. Afinal, “a medida de amar, é amar sem medida!”