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Rivalidade Fraterna: amor e ódio na relação entre irmãos

(Claudia Pedrozo)

irmaos

Ficar numa fila de banco é algo que todos detestamos, não é? Mas sempre se pode aprender um pouco mais sobre a vida quando ficamos lá, em pé ou sentados, de orelha na conversa alheia. Acreditem filas de banco são ótimos laboratórios!

Nesta semana fiquei a escutar, sem querer, mas já escutando, a conversa de duas comadres. A comadre “X” contava para a comadre “Y”sobre as dificuldades que seu filho e sua nora estão enfrentando com a rivalidade entre seus dois netos, uma menina de oito anos e um menino de quase sete. Segundo a vovó “X”, toda vez que o filho compra algo para o menino mais novo, obrigatoriamente tem que comprar para a menina mais velha. Ai dele se não comprar!!! A garota faz um dramalhão mexicano, tipo ninguém me ama, ninguém me quer… E, num ataque raivoso, briga e fala coisas horríveis para o irmão e para os pais. A família, segundo Dona “X”, está em pé de guerra. A briga entre os filhos está começando a afetar os pais, que sem saber como agir, acabam brigando entre si. Sentem-se culpados e impotentes diante da filha e acabam cedendo aos caprichos da garota, comprando-lhe algo , que ela geralmente não valoriza e que fica jogado num canto, logo após o recebimento.

Como sofrem – ou melhor como querem sofrer – as avós! Dona “X” está preocupadíssima, porque a neta está ficando insuportável e os pais não aceitam ajuda e conselhos da experiente senhora! E com tudo isso ela está vendo a neta se transformar numa pequena déspota, por culpa dos próprios pais.

Coçou minha língua para palpitar na conversa das duas senhorinhas, mas me contive. Pelo menos lá no banco. Afinal minha mãe sempre disse que ouvir conversa alheia é falta de educação! Mas como já flexibilizei meus valores, nesse quesito, resolvi falar sobre esta situação aqui.

A rivalidade entre irmãos é algo bíblico, natural e faz parte do desenvolvimento humano aprender a conviver com o outro. Quem tem irmãos sabe que aprendizado é este. Quem não tem irmãos, com certeza tem primos, o que dá quase no mesmo em termos de aprender a dividir na marra!

A família é o primeiro laboratório para essa aprendizagem. Quando nasce uma outra criança, o primogênito sente-se, naturalmente, ameaçado e preterido. Acredita, sente, imagina que perdeu o amor de seus pais, avós, tios, enfim de todos os adultos da família. Diante disso sentimentos ambivalentes – amor e ódio – por este “intruso” despertam. O resultado é que disputam, brigam até pelo ar que respiram, enlouquecendo os pais.
Como agir diante dessa situação?

Em primeiro lugar os pais devem deixar claro para o filho mais velho o quanto o amam, em palavras e em atitudes. A criança precisa sentir-se segura desse amor, precisa entender que não deixou de ser amada só porque o “outro” nasceu. É evidente que ela testará os pais e estes, muitas vezes sentindo-se culpados, porque naturalmente socorrem o caçula, acabam embolando todo meio de campo, quando entendem que o filho para sentir-se amado precisa ser comprado.

Crianças são mais espertas do que parecem e nos fazem de bobos sem que percebamos! Por isso devemos ter cuidado e prestar atenção no quanto estamos sendo manipulados e no quanto nos deixamos manipular, em nome de uma consciência “tranquila”.

Sugiro aos pais que sejam mais presentes, que dividam o tempo e as tarefas e se organizem para prover o mais novo, atendendo às suas necessidades e para passar um tempo junto com o filho mais velho. Um tempo de qualidade, onde não haja cobranças e comparações. Onde a criança, com o auxílio dos adultos, possa entender as necessidades do caçula e as dificuldades dos pais. Para isso diálogo é fundamental.

Todos nós queremos ser amados e valorizados… isto faz parte das nossas necessidades básicas. Ao receber de “presente” um irmãzinho, sem o devido preparo (já que muitas famílias fantasiam este momento como se fosse tudo lindo e perfeito, como se o caçula já nascesse grande e não desse trabalho e que pudesse ser o companheiro que o outro irmão deseja) a criança naturalmente vai “surtar”( afinal de uma hora para outra parece que ela ficou invisível, que todos só têm olhos para o caçula) e a única solução é fazer-se presente através da rivalidade com o outro.

Cabe aos pais serem os adultos nesta relação. Educar algumas vezes dói e sempre dá trabalho! Mas dar amor e segurança ao filho mais velho pode poupar uma série de dores de cabeça futuras. Para quem quiser se aprofundar no assunto, sugiro os livros:

“Entendo a rivalidade entre irmãos”, dos autores Joshua D. Sparrow e T. Berry Brazelton, da Editora Artmed (http://www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/resenha.asp?nitem=1223955&sid=7351302311578499576232418)

“Rivalidade Fraterna – o Ódio e o Ciúme Entre Irmãos”, da autora Nise Britto, Editora Agora (http://www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/resenha.asp?nitem=665043&sid=7351302311578499576232418)

“Irmãos ciumentos, irmãs egoístas – Dicas para enfrentar a rivalidade entre os irmãos”, do autor Ted O’Neal, Editora Paulus
(http://www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/resenha.asp?nitem=5067400&sid=7351302311578499576232418)

Talvez Vovó “X” pudesse sutilmente dar um destes de presente ao filho…

Amor e segurança custam pouco. São mais baratos do que os subornos que os mais velhos muitas vezes cobram, como forma de tributo sádico aos pais culpados e algumas vezes mal resolvidos (porque alguns pais já viveram esta mesma situação, num outro tempo, e agora simplesmente atualizam seus recalques).
Amor e segurança custam pouco… um pouco de muita atenção. Pensem nisso.

Fofoca conseqüência da Inveja – Uma neurose a ser combatida nas empresas

(Sonia Pedreira de Cerqueira)

falar-mal

Resolvi continuar o tema inveja esta semana por se tratar de um mal muito presente nas empresas. Não há uma só empresa, um só departamento, um só ambiente que não sofra com a inveja que as pessoas sentem entre si.

ALBERTONI, 1996, escreveu que desejar e julgar são os pilares do ser humano, mas são também a fonte da inveja. O desejo frustrado faz com que tenhamos concentração em alguém que teve sucesso onde falhamos. Além de ficarmos tristes com nosso insucesso, ficamos também cheios de rancor com quem venceu.

A conseqüência mais comum deste rancor vindo de uma frustração acaba desabando em uma reação muito conhecida nas empresas: a desvalorização.

Desvalorização é a depreciação das boas qualidades de alguém com o intuito de provocar menos admiração pelo invejado e mais admiração do invejoso. Muitas vezes é comum o invejoso aparecer como vítima das situações.

Para aparentar ser melhor do que o outro, o invejoso usa da maledicência , fofocas e críticas negativas para desvalorizar o sucesso do outro.

O que mais me preocupa é que a inveja se manifesta de forma dissimulada através da fofoca. Digo aqui dissimulada porque muitas vezes o invejoso/fofoqueiro conta a sua visão da realidade manipulando a opinião de quem o escuta, criando um clima de desconfiança e desconforto para o invejado e também para todos que trabalham no ambiente da fofoca.
Não vou nem falar aqui daqueles que adoram uma fofoca, porque essa aí é uma outra patologia (quem gosta de ouvir fofoca é tão sádico quanto o fofoqueiro) .

Quando há no ambiente de trabalho um comportamento de fofoca depreciativa, tal comportamento deve ser imediatamente repelido pela liderança. A fofoca advinda de um invejoso pode não só acabar com a carreira do invejado como também criar um clima de desconfiança na equipe toda.

A fofoca e o fofoqueiro não podem ser tratados com normalidade como tenho visto nas empresas, pois eles são os responsáveis por criar os famosos “ambientes neuróticos”. E o pior disso tudo é que as pessoas convivem nestes ambientes e nem se dão conta do esquema de fofoca e inveja do qual fazem parte.

A pessoa que é a responsável por criar o clima de fofoca precisa se encaminhada para tratamento e vista como uma pessoa que precisa de ajuda.

A sorte e inveja no trabalho

(Sonia Pedreira de Cerqueira)

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Sempre gosto de trazer para meus textos as experiências de minha semana de trabalho, já que passo por tantos ambientes diferentes, sempre tenho contato com pessoas admiráveis.

Esta semana estava conversando com uma jovem empresária que acabou de abrir seu próprio negócio. Esta profissional tem muito sucesso em sua carreira, tem uma atrativa carteira de clientes e trabalha sem parar, faz cursos e passa os fins de semana planejando seu trabalho.

Com toda essa trabalheira, ela sempre escuta de seus colegas/concorrentes a seguinte frase: “nossa, como você tem sorte”. Comentário infeliz de quem no fundo, mas bem lá no fundo, está morrendo de inveja e é incapaz de fazer um elogio sincero, como por exemplo: “parabéns, você merece por todo seu esforço, dedicação e disciplina”.

E a inveja inunda os ambientes de trabalho.

A palavra inveja vem do Latim INDIVIA que significa “olhar torto”. Significa o desejo de obter algo que outra pessoa possui e que você não tem. Como se você sentisse tristeza pelo bem alheio.

O invejoso cobiça tudo o que é alheio, o cargo, o trabalho, aquele projeto que o chefe passou para o colega e a atenção que o chefe dá para as outras pessoas da equipe. O mais interessante é como ela é manifestada: o invejoso agride, difama, prejudica e sabota o trabalho alheio. E o pior disso tudo é que seu lago egocêntrico faz com que ele se sinta o máximo, senhor da razão (só mais um injustiçado).

Mas a pior inveja é aquela que está na “normalidade”, podendo ser manifestada quando não ouvimos ou não damos importância ao sucesso de um colega, quando não conseguimos fazer um elogio. Quando sentimos uma tristeza enorme depois de uma ótima reunião onde um colega se destacou .

O processo que desencadeia toda essa inveja já é bem conhecido nosso: a comparação. Quando nos comparamos com os outros podemos nos sentir injustiçados, o que nos desperta este sentimento de frustração, uma insatisfação pessoal que nos corrói, nos entristece, que qualificamos como inveja.

E como saímos deste processo? A única maneira que vejo para melhoramos este sentimento é fazermos uma comparação conosco mesmo. Você está melhor ou pior do que ontem? Você já alguma vez na vida pensou de onde você veio, no que você se transformou agora ( aonde você chegou) e o que falta você fazer para sociedade aonde vai se perpetuar? Ao pensar nessas três questões, olhamos para nossa própria vida e começamos a admirá-la.

Não temos como nos comparar com os outros, as pessoas são diferentes, as necessidades diferentes, os comportamentos diferentes. Só temos condição de nos comparar com o nosso próprio referencial como pessoa. Dessa maneira, damos início ao auto-tratamento da nossa inveja.