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Ausência de Deus

(Padre Jeferson Luis Leme)

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(Texto bíblico: Evangelho: Mc 7, 14-23)

Ultimamente, estamos acompanhando a situação que se encontra a Síria. Uma nação machucada, atormentada, dividida e destruída pela ganância de poucos. De onde vem tanta maldade? De onde vem tanta ganância? Tentei buscar uma explicação Evangélica à luz da psicanálise. Pesquisando nas obras de Jung, descobri sobre a Sombra. Ele relata que a sombra são qualidades inferiores, incivilizadas e animalescas reprimidas pelo ego, que se mantém numa relação compensatória com a “luz” do ego.

A sombra é aquilo que uma pessoa não deseja ser. Embora o ego seja o centro da consciência, ele não deve ser confundido com o self, que é o objeto final do processo de individuação, a completude da personalidade. Sendo assim, o ego que se identifica com o self fica inflado perigosamente todo poderoso, isto é, projetando a própria sombra irracional nos outros identificando-os como perigosos.

Um exemplo dessa explicação que Jung relata é o Nazismo de Hitler. A psicose coletiva do nazismo de Hitler e sua atrocidade genocida ocorreram porque o ego alemão se tornou inflado ao se identificar com a “pura raça ariana” e então projetou sua sombra coletiva sobre os judeus. Será que as sombras que carregamos não é a ausência de Deus?

Jesus deixa claro para nós que o que sai de dentro do homem, ou seja, seu coração, mancha sua vida. Porque dentro do coração humano, saem os maus propósitos, as fornicações, roubos, homicídios, adultérios, cobiças, injustiças, fraudes, libertinagem, inveja, difamação, orgulho e futilidade. Tudo isso pode-se dizer que é as sombras que carregamos. Já dizia Albert Einstein; “O mal não existe, Deus não criou o mal. O mal é o resultado do que acontece quando o homem não tem o Amor de Deus presente em seu coração.”

É preciso purificar o nosso coração, o nosso intimo, o nosso “eu profundo”, onde realmente se dá o encontro com Deus, mais do que tudo. Há que purificar as intenções, os desejos, os atos da vontade e da inteligência, pois é deles que nasce o que é mau. Paulo Apóstolo nos diz; “Desde que pertencemos a Jesus Cristo, tornamo-nos uma nova criatura: o passado já não existe; tudo é renovado. Ora, tudo isto vem de Deus, que nos reconciliou consigo pelo Cristo e foi a nós que Ele confiou o ministério da reconciliação. Sim, foi Deus quem reconciliou os homens consigo em Jesus Cristo, não lhes imputando os seus pecados, e foi em nós que Ele colocou a palavra da reconciliação. Nós desempenhamos, portanto, as funções de embaixadores de Cristo, como se Deus mesmo vos exortasse pela nossa boca. Oh! Conjuramos-vos, em nome de Cristo, reconciliai-vos com Deus! Por nosso amor, fez pecado (ou vítima do pecado) aquele que não conhecia o pecado, a fim de que nos tornássemos a justiça (ou os justificados) de Deus.” (2Cor 5, 17).

Por fim, sei que muitos que nos acompanham no Blog não são católicos. O Papa Francisco convida a todos católicos e não-católicos a nos unirmos em uma corrente de oração pela paz no mundo. Peço a todos que orem pela paz no mundo, principalmente pela população da Síria. Até breve!!!!

Aquele que é

(Padre Jeferson Luis Leme)

Texto bíblico: Evangelho: Mt 16, 13-23

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Quero falar um pouco sobre a psicologia da religião que Jung abordou, que tem tudo haver com o Evangelho. Jung diz que as figuras religiosas tem uma experiência interior da divindade que se chama numinosa (do latim, nume ou numina, “divindade”). Sendo assim, é um arquétipo de completude, o arquétipo do Self, representado como a imagem de Deus. Segundo Jung, todas as religiões confirmam a existência de “algo completo”, independente do ego individual e cuja natureza transcende a consciência. Uma experiência numinosa de “algo completo” é o objetivo de qualquer pessoa que busca a completude do Self. Sendo assim, o que a experiência da “divindade interior” realmente revela é o processo de individuação.

Jung diz que Cristo é um arquétipo do Self. Jesus é conhecido como “o Cristo”, do grego Kristos, que significa Rei ou Messias ungido. Ele representa a inteireza da personalidade que inclui e ultrapassa o homem comum. Jung define a pessoa completa como self, e a missa dramatizada o processo de individuação. O mistério da eucaristia transforma a alma do homem concreto, que é apenas uma parte dele mesmo, em sua totalidade, simbolicamente expressada por Cristo.

A pergunta que Jesus faz aos seus discípulos (e a nós), nos faz entrar em um processo de individuação. As duas indagações de Pedro revela as sombras que carregamos. De um lado, confirmamos que Ele é o Messias, ou seja, aquilo que Jung revela, “uma experiência numinosa de “algo completo” é o objetivo de qualquer pessoa que busca a completude do Self.” De outro lado, negamos seu Messianismo, despertando-nos o egocentrismo e interrompendo o processo da individuação. Nisso, afastamos de Cristo (arquétipo do Self), mergulhando nas estruturas egocêntricas, agindo sem pensar (ego que sente), não compreendendo os porquês da vida e não amando a Deus e as pessoas.

É importante sabermos que o Evangelista Mateus nos mostra um Homem (Jesus) que vai descobrindo pouco a pouco (processo de individuação) sua identidade e sua missão em diálogo com Deus e com os que o rodeiam. Retirava-se para orar, dialogava com seus discípulos e adversários. Assim como Ele escutou seu Pai (arquétipo), seus discípulos e seus adversários, nós também devemos estar prontos para escutar, pois assim poderemos nos conhecer um pouco mais.

Até a próxima.