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As defesas do ego

(Nathalia Paccola)

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Em terapia, fato comum quando a pessoa começa a se tratar é o enfrentamento com os recalques, que impede o acesso ao seu inconsciente buscando defender aquilo que se deseja mas se teme. Freud falou dessa resistência à psicanálise para designar uma atitude de oposição às suas descobertas, na medida em que elas revelavam os desejos inconscientes e infligiam, ao homem, um “vexame psicológico” ao contrariar os seus valores.

O paciente resiste se enfrentar, defendendo-se, já que a queda da máscara narcisa e egocêntrica o desnuda e nem sempre ele deseja ser visto como é, mesmo porque é algo que ignora. Toda vez que uma pessoa, ao se confrontar com necessidades que não podem ser atendidas sem se confrontarem com seus padrões de ego ideal / ideal de ego e superego, haverá o processo de defesa /resistência.

Desta maneira, o psicanalista encontra no analisando uma operação de auto-proteção, chamada de “Resistência Avançada de Primeiro Nível”, aquela que impede qualquer acesso ao material recalcado. Exemplo: acting out, fugir do consultório, amnésia infantil ou adulta, reação terapêutica negativa etc…

Quando o terapeuta consegue quebrar essa primeira resistência, surge uma outra defesa exercida pelo ego para tentar manter sua estabilidade emocional intacta, a “Resistência Avançada de Segundo Nível”, quando o paciente contra-investe e não permite que o material recalcado flua para ser analisado. Exemplo: formação reativa, idealização, atuação, intelectualização etc…

Não é fácil reestruturar valores (ideal de ego) e eliminar os ganhos de atenção (primários) e recursos materiais (secundários) que o ego obtém ao adoecer psicologicamente. Por isso, o psicanalista deve, com habilidade, insistir em falar nos assuntos desejados, mas temidos pelo indivíduo, buscando exercer a persuasão, pela sua empatia e neutralidade (não julga, não desenvolve preconceitos).

Vencidas as duas etapas de resistências, o paciente trará à luz do campo consciente o material recalcado, permitindo sua interpretação e a sua perlaboração, destruindo seus efeitos patológicos, reduzindo suas tendências primitivas, permitindo a sua cura.

Será que eu preciso de medicamento?

(Dra. Karen Câmara)

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As pessoas se perguntam muitas vezes, se devem ou não tomar medicamentos, principalmente na área da psiquiatria. Quando um paciente deve ser medicado?
Deve-se combater toda e qualquer depressão? Qual é a diferença entre tristeza e depressão?

No século dezenove, entre os escritores e poetas da época do Romantismo, a tristeza era considerada uma emoção a ser cultivada. Acreditava-se que a melancolia podia inspirar a escrita criativa. A literatura romântica frequentemente possuía uma ambientação sombria, pessimista, soturna.

Hoje em dia as pessoas parecem ter horror à tristeza. Referem-se a ela como uma emoção que deve ser combatida a todo custo. Devemos ser felizes, alegres, contentes na maior parte do tempo e, quanto mais, melhor. Devemos, temos o direito, quase que a obrigação de sermos felizes. Ser feliz é muito bom mas a vida é feita de todas as emoções. A diversidade e o equilíbrio dessas emoções enriquecem a vida, nos proporcionando mais e melhores oportunidades de aprendizado.

Ora, a tristeza é uma emoção natural como outra qualquer e é absolutamente normal que sintamos tristeza diante de certos fatos e por alguns períodos durante nossas vidas. Ficar triste e se recuperar da tristeza faz parte da existência humana na terra. No entanto, quando a pessoa permanece triste por muito tempo e não se recupera como seria de se esperar, aí sim essa pessoa deve ser avaliada.

Ou então, quando o abatimento é tão intenso que afeta seriamente o humor e a rotina, quando traz grande sofrimento ou põe em risco a vida da pessoa, está na hora de buscar ajuda. Por exemplo, depois de uma grande perda, é normal haver inapetência por alguns dias e não há problema se a pessoa não se alimentar como de costume por algum tempo. Mas, quando ela come tão pouco que começa a perder peso continuamente e não dá sinais de melhora, é bom passar por uma avaliação médica.

Existem critérios definidos para se diagnosticar a depressão. Entre eles, podemos citar: tristeza, falta de energia, desinteresse por aquilo que costumava dar prazer, mudanças no apetite ou no sono – tanto para mais como para menos – falta de concentração, sentimento de fracasso, irritabilidade.

Os sintomas não estão todos presentes no mesmo indivíduo e podem variar de intensidade. As pessoas são únicas na sua forma de ser e de adoecer. O diagnóstico da depressão é feito quando pelo menos alguns dos sintomas estão presentes e o quadro persiste por mais que algumas semanas.

Nem sempre a pessoa tem condições de decidir se vai ou não procurar um médico. A pessoa pode estar tão deprimida que não consegue sequer tomar a decisão de ir ao médico e não tem iniciativa suficiente para marcar uma consulta. É aí que alguém próximo tem que intervir e tomar uma providência.

Uma vez no médico, é importante levar a maior quantidade possível de informações para que o profissional possa ter uma ideia melhor do quadro do paciente. Algumas características do paciente têm que ser observadas e relatadas por quem convive com ele porque passam despercebidas pelo paciente em si.

Depois da avaliação, o médico deve dar seu parecer quanto ao problema do paciente e dizer se é de opinião que um medicamento pode ajudar. O ideal seria que a decisão de usar ou não medicamentos fosse tomada em conjunto, pelo médico e pelo paciente. Isso só acontece quando há uma boa relação médico-paciente, o que envolve confiança e respeito de ambos os lados.