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Dois tipos de religiosidade

(Padre Jeferson Luis Leme)

fe-em-Deus

 Texto bíblico: Evangelho: Lc 18, 9-14

Ultimamente estamos ouvindo o discurso do Papa Francisco falar sobre humildade, solidariedade, fraternidade e principalmente a Misericórdia de Deus. Será que nós estamos de fato atentos ao discurso do Papa? Ouvir é uma coisa, agora colocá-lo em pratica e totalmente outra. O Evangelho proposto pra nós é sobre a forma que nos comportamos diante de Deus através da oração. Oração que nos leva a Deus. Sendo assim, a oração necessita da perseverança, escuta diária da Palavra e o fortalecimento da fé.

A fé é a trave da porta de entrada do Reino anunciado por Jesus. Os batentes que a sustentam são a oração e a humildade. Sem a primeira, a fé morre de asfixia; sem a segunda, incha de presunção. Logo, Jesus fala da qualidade da oração que é a humildade. Precisamos ter a consciência que a nossa presunção e riqueza são suficientes para excluir-nos do Reino. Seremos, porém, humildes se nos reconhecermos no fariseu, e pobres se nos reconhecermos no rico.

Estamos diante de dois modelos de fé e de oração. O fariseu convencido da própria bondade, justificando-se e condenando os outros, e o publicano sente-se longe de Deus e não encontra motivo para confiar em si mesmo. Os personagens do Evangelho estão sintetizados nestas duas figuras que representam, respectivamente, a impossibilidade e a possibilidade da salvação. Sendo assim, nós – com consciência – somos irmãos gêmeos do fariseu, que se considera justo e que Jesus quer converter em réu confesso, a fim de que acolha a graça.

Em todo sonho – ensina a psicanálise – há três personagens realmente importantes: eu, que observo; um outro, que eu reconheço… e um terceiro, que eu nunca me lembro! Este é justamente o mais importante, o meio-termo entre eu e o outro, o único capaz de revelar-me o que eu não posso ou … não quero ver. É precisamente este personagem inatingível que Jesus mostra ao fariseu como que num espelho: o publicano (=pecador), no qual o fariseu não quer se reconhecer, é a parte mais profunda do seu eu, que ele não aceita.

O Evangelho de Lucas revela para nós que o justo(fariseu) é condenado porque, em seu esforço por observar as prescrições da Lei, passa por cima do mandamento do qual brotam: o amor a Deus e ao próximo. O pecador(publicano) é justificado, porque reconhece que não é capaz de amar a Deus e ao próximo, mas sabe-se amado. Este é o escândalo do evangelho: poder aceitar nossa realidade de pecadores na realidade de Deus que nos ama incondicionalmente. Não somos amados por sermos justos, mas somos justificados por sermos amados. Não são os nossos méritos que contam, mas o amor do Pai que, tocando-nos, nos transformam em santos e santas!

Portanto, é preciso ficarmos atentos em nossas atitudes diante das pessoas e de Deus. Pois somos sempre tentados a julgarmos. Oxalá se nós praticássemos a humildade em tudo, o relacionamento e a convivência no trabalho, na família, na Igreja e na sociedade seria melhor. Lembremos do Ciclo do Amor; humildade, compreensão e doação.