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Vaginismo

(Paulo Jacob)

vaginismo

Olá!

Hoje vou falar com vocês sobre um problema que atinge muitas mulheres, o vaginismo.

Podemos definir o vaginismo como um espasmo involuntário dos músculos da região da vagina, causando o fechamento da entrada da vagina, ou seja, mulheres que tem vaginismo não conseguem ter relações sexuais, pois a dor que sentem com a penetração do pênis é muito grande.

As causas para que isso aconteça podem ser físicas e não-físicas. As físicas seriam problemas de saúde, parto normal e consequências, mudanças hormonais (com a idade) etc.

Dentre as não-físicas podemos citar ansiedade e estresse, traumas de abuso sexual, problemas de relacionamento (desconfiança do parceiro, ou do novo parceiro) e educação rígida, entre outros.

No consultório vejo como a educação rígida dos pais (e também a religião) com as meninas, que relacionam o sexo como algo ruim, sujo, pecado, e acabam futuramente causando problemas como o vaginismo nas mulheres. Quantas de vocês não ouviram quando criança ou adolescente, que por inocência (ou não..) se tocavam, descobrindo o  seu órgão genital, e foram condenadas por estarem agindo dessa maneira?

Aí quando surge uma oportunidade de sentir prazer, vem uma culpa recalcada que na maioria das vezes as pessoas não lembram, e que causa esse fechamento da vagina, impedindo da pessoa ter relações.

Uma das maneiras de se resolver é fazer com que a pessoa entenda que hoje ela não é mais aquela criança, que ela não precisa ter mais medo de nada, e muito menos culpa! Que hoje ela é uma mulher, que gosta sim de sentir prazer, e que ela irá se dar a oportunidade de ter relações sexuais com penetração! Existem outras formas de se tratar isso, dependendo do quanto isso está enraizado no inconsciente da pessoa, mas o início é o que citei acima.

Desconsiderar os fatores físicos no problema do vaginismo seria um erro, mas quando uma mulher chega no consultório, e fala que já foi ao médico, fez exames e que nada foi encontrado, aí o problema sem dúvida é psicológico. E mesmo que exista algo físico, até que ponto esse problema não foi causado pelo psicológico da pessoa? Então, o acompanhamento de um terapeuta auxilia e muito na solução desse problema. É o mesmo caso em relação aos problemas masculinos de ereção e ejaculação precoce, mas isso eu vou escrever um outro dia.

O nosso inconsciente age no nosso consciente muito mais do que imaginamos, então se existe algo que está causando isso, não serão tratamento mágicos que são vendidos no mercado que irão resolver isso. De nada adianta tratar do sintoma, se a causa que criou isso não for descoberta.

Tenham uma ótima semana!

Alguns pais… melhor não tê-los!

(Claudia Pedrozo)

pai

Nesta semana estava eu na fila para almoçar, quando ouvi, sem querer, daquele jeito que vocês já conhecem, a conversa de duas pessoas. Pelo que pude perceber uma era a mãe e a outra uma amiga dela.

A mãe relatava à amiga a dificuldade que está tendo com a escola do filho. Um garoto de 11 anos, que está em pleno desenvolvimento, com os hormônios à flor da pele e que sempre foi expressivo e dinâmico. Era evidente o orgulho que a mãe tem pelo filho.

Ela estava desolada porque é sempre chamada à escola do garoto e na visão da instituição de ensino ele é um problema.

A amiga perguntou o que ele faz para a escola pensar isso e a mãe contou que algumas vezes foi chamada à escola, inclusive que o menino já fora suspenso das atividades escolares porque ele bateu em alguns colegas menores (mas que com certeza fora provocado para ter tomado tal atitude), outra vez ele ridicularizou um colega de classe que é surdo e tem dificuldades na fala, em outra ocasião teve uma crise de riso ao ver uma colega convulsionando na sala de aula e só por isso a professora ficou muito chateada e levou a situação para a Equipe Pedagógica da escola, que a chamou para contar o ocorrido e solicitar que conversasse com o aluno sobre a necessidade de respeitar os outros.

A amiga disse algo sobre ele ser danadinho e a mãe saiu em defesa do filho, alegando que ele havia pedido explicações para a professora acerca do que estava acontecendo e a professora (na ânsia de acudir a garota que estava convulsionando, creio eu!) não parou para explicar. A culpa da reação dele, no entender da mãe, foi da professora.

Mas não parou por aí… (nunca comi tão devagar!). Outra ocorrência relatada dizia respeito a uma história que ele escreveu na agenda que a escola usa para a comunicação com a família. Na história ele relatava um sonho no qual estava fazendo sexo com alguém. A mãe foi novamente chamada à escola. E mais uma vez a escola foi responsável pelo problema, porque afinal, a agenda pertence ao garoto e ele havia colocado uma observação de “Professora, não leia!, Diretora, não leia!”. Ora elas leram porque quiseram. Alegou ainda que o que a Equipe Escolar tinha feito se configurava numa invasão à privacidade do menino. A amiga até tentou fazer a mãe ver que ele poderia ter escrito em outro lugar, poderia ter um diário, por exemplo, uma vez que a agenda é um veículo de comunicação da escola. A mãe não se deu por vencida. Está pensando em mudar o filho de escola, afinal a escola atual só persegue o filho dela e não faz nada do que a psicóloga do menino manda fazer! Esta meio angustiada porque os outros dois irmãos – uma garota mais velha e um garoto mais novo que o “anjinho” em questão – estudam nesta escola e não querem sair. Talvez o jeito seja trocar só o filho mais contestador. Ela até entende que ele precisa de mais atenção, a psicóloga já falou isso para ela, mas ela faz tudo que pode por ele. Ele sofre porque é incompreendido! Mesmo quando ele conta pela escola que cicatriz de queimadura horrorosa que a irmã tem é culpa dele, ele só quer atenção! (Palavras da mãe)

Bem… o que podemos inferir disso tudo? Podemos imaginar mil coisas…

Será que este filho foi planejado? Amado? Desejado? Será que esta gravidez foi tranquila para a mãe, emocionalmente falando? Será que esta mãe ama desta forma equivocada para se livrar de uma culpa, gerada em alguma etapa do processo? Talvez se pudéssemos olhar estes e outros detalhes com mais profundidade talvez descobríssemos algumas causas para esta (má) educação.

E quanto ao garoto? Segundo a mãe ele tem problemas depressivos e a escola não entende. Mas uma criança não tem estes comportamentos se não aprendeu a agir assim ao longo da vida. Talvez ele tenha recebido tanta atenção, tanta proteção, como forma equivocada de amor, que aprendeu que pode fazer e agir como bem entender, com o aval daqueles que deveriam educá-lo.

Ele é puro ID, nossa instância do prazer, puro narcisismo primário, é o “bebê onipotente” que ainda não cresceu e não vai crescer nunca se continuar por esse caminho.

Ambos precisam de ajuda… Somos seres desejantes, é natural querer prazer, buscar o prazer imediato. Porém a vida é cheia de nãos e a tolerância à frustração é uma capacidade humana que precisa ser aprendida e os pais, no processo de educar, são os responsáveis por nos ajudar a desenvolvê-la.

Você tem ajudado “seu” filho a aprender a se frustrar diante dos “nãos” da vida?

A ferida no pé e o programa “Mais Médicos”

(Dra. Karen Câmara)

Brasil doente

Volta e meia me perguntam qual é minha opinião sobre o programa “Mais Médicos”   que o governo brasileiro está tentando implantar no país.

Temos que examinar a situação de forma mais abrangente e há muitos aspectos        diferentes a considerar.

Não há falta de médicos no Brasil. O que existe é uma má distribuição desses                profissionais, que estão concentrados em regiões que têm mais recursos. O programa  “Mais Médicos” foi criado para tentar resolver a falta de médicos em lugares onde não  há médicos suficientes. São lugares que não foram ocupados naturalmente pelos  médicos brasileiros. A primeira pergunta a ser feita é: por que os próprios médicos  brasileiros não estão ocupando esses postos? Várias respostas me ocorrem: são locais remotos, pobres, sem recursos mínimos para a prática da medicina, com poucos atrativos para o estabelecimento do profissional e de sua família; são locais perigosos, como bairros onde a violência grassa; lugares onde não há infraestrutura básica, não há saneamento, água potável, acesso à educação; não há como recorrer a um colega especialista ou a um serviço com mais recursos quando necessário. Poderíamos discorrer longamente sobre essas razões mas esse não é nosso objetivo.

Vamos em frente. Eu diria que isso é apenas um detalhe de um problema muito maior.  Comparo a Saúde no Brasil a uma pessoa muito doente. Posso até imaginá-la como um paciente de meia idade que entra em meu consultório e cuja queixa principal é a dificuldade de andar porque está com feridas nos pés. Colho as primeiras informações sobre o aparecimento e a evolução do problema que o aflige. No exame físico, peço para que ele retire os sapatos. Vejo que o calçado não é adequado.  Ao examinar seus pés, tudo indica que se trata de uma micose complicada por uma infecção secundária.  Os pés estão mal cuidados, sem asseio, as unhas compridas e sujas, há feridas abertas, com pus, algumas regiões estão maceradas, o aspecto é feio, o cheiro é desagradável. Aquilo não surgiu da noite para o dia. Há semanas, ou mesmo meses, que está evoluindo. Pergunto-me por que não tratou antes, quando ainda não estava complicado? Olho para o paciente: é um desleixo total, está muito acima do peso, tem uma barriga grande e proeminente, é relapso em sua higiene pessoal, tem aspecto pálido e doentio. Fico sabendo, pela anamnese, que é diabético tipo 2, hipertenso e tem colesterol alto há vários anos. Não se cuida. Às vezes, quando a situação aperta, vai ao médico mas não segue sua orientação;  toma os medicamentos de forma incorreta e irregular, não se alimenta adequadamente, consome muito sal, muito açúcar, muita gordura animal.  Não pratica nenhuma  atividade física, não faz o menor esforço para emagrecer. O diabetes dele não está compensado, a hipertensão não está controlada. Diante das circunstâncias, sei que esse pé é um problema difícil de ser tratado. Não é apenas um pé com micose. É a conjunção de todos esses fatores que resultaram nesse pé.  Se esse pé não for tratado, a coisa pode complicar tanto que talvez precise até ser amputado. Mas, para que possa ser tratado com sucesso, não só a micose e a infecção locais precisam ser debeladas, como todas as outras condições devem ser abordadas e melhoradas.  Não adianta apenas prescrever antibiótico e creme local para micose. O diabetes e a hipertensão têm que estar sob controle. Por sua vez, essas doenças só estarão controladas se houver uso correto de medicamentos e mudanças no estilo de vida, como perda de peso, atividade física, alimentação adequada.

Sabe-se que as tão apregoadas mudanças no estilo de vida podem, em muitos casos, melhorar tanto essas doenças crônicas que o paciente necessita de cada vez menos medicamentos no seu dia a dia. Mas é possível convencê-lo disso?

O paciente não percebe, ou talvez finja não perceber, que tudo isso poderia ser resolvido, ou mesmo evitado, se ele se cuidasse, se tratasse melhor. É, em primeiro lugar, a forma como ele vê sua saúde e o valor que ele dá à sua vida que precisam passar por grandes mudanças.

Assim é a Saúde no Brasil. Está doente há muito tempo. Suas doenças são crônicas e agudas. São doenças da falta e do excesso. São doenças da riqueza e da pobreza. A visão que o governo e a maioria das pessoas têm sobre a Saúde no Brasil é míope. É essencialmente equivocada porque o sistema é muito mais baseado no tratamento da doença do que na promoção ou preservação da saúde.

Me parece que o programa “Mais Médicos” foi criado para tratar o pé, e apenas o pé, de um paciente há muito debilitado por diversas doenças crônicas e agudas.

Será que vai conseguir?

 

 

Rivalidade Fraterna: amor e ódio na relação entre irmãos

(Claudia Pedrozo)

irmaos

Ficar numa fila de banco é algo que todos detestamos, não é? Mas sempre se pode aprender um pouco mais sobre a vida quando ficamos lá, em pé ou sentados, de orelha na conversa alheia. Acreditem filas de banco são ótimos laboratórios!

Nesta semana fiquei a escutar, sem querer, mas já escutando, a conversa de duas comadres. A comadre “X” contava para a comadre “Y”sobre as dificuldades que seu filho e sua nora estão enfrentando com a rivalidade entre seus dois netos, uma menina de oito anos e um menino de quase sete. Segundo a vovó “X”, toda vez que o filho compra algo para o menino mais novo, obrigatoriamente tem que comprar para a menina mais velha. Ai dele se não comprar!!! A garota faz um dramalhão mexicano, tipo ninguém me ama, ninguém me quer… E, num ataque raivoso, briga e fala coisas horríveis para o irmão e para os pais. A família, segundo Dona “X”, está em pé de guerra. A briga entre os filhos está começando a afetar os pais, que sem saber como agir, acabam brigando entre si. Sentem-se culpados e impotentes diante da filha e acabam cedendo aos caprichos da garota, comprando-lhe algo , que ela geralmente não valoriza e que fica jogado num canto, logo após o recebimento.

Como sofrem – ou melhor como querem sofrer – as avós! Dona “X” está preocupadíssima, porque a neta está ficando insuportável e os pais não aceitam ajuda e conselhos da experiente senhora! E com tudo isso ela está vendo a neta se transformar numa pequena déspota, por culpa dos próprios pais.

Coçou minha língua para palpitar na conversa das duas senhorinhas, mas me contive. Pelo menos lá no banco. Afinal minha mãe sempre disse que ouvir conversa alheia é falta de educação! Mas como já flexibilizei meus valores, nesse quesito, resolvi falar sobre esta situação aqui.

A rivalidade entre irmãos é algo bíblico, natural e faz parte do desenvolvimento humano aprender a conviver com o outro. Quem tem irmãos sabe que aprendizado é este. Quem não tem irmãos, com certeza tem primos, o que dá quase no mesmo em termos de aprender a dividir na marra!

A família é o primeiro laboratório para essa aprendizagem. Quando nasce uma outra criança, o primogênito sente-se, naturalmente, ameaçado e preterido. Acredita, sente, imagina que perdeu o amor de seus pais, avós, tios, enfim de todos os adultos da família. Diante disso sentimentos ambivalentes – amor e ódio – por este “intruso” despertam. O resultado é que disputam, brigam até pelo ar que respiram, enlouquecendo os pais.
Como agir diante dessa situação?

Em primeiro lugar os pais devem deixar claro para o filho mais velho o quanto o amam, em palavras e em atitudes. A criança precisa sentir-se segura desse amor, precisa entender que não deixou de ser amada só porque o “outro” nasceu. É evidente que ela testará os pais e estes, muitas vezes sentindo-se culpados, porque naturalmente socorrem o caçula, acabam embolando todo meio de campo, quando entendem que o filho para sentir-se amado precisa ser comprado.

Crianças são mais espertas do que parecem e nos fazem de bobos sem que percebamos! Por isso devemos ter cuidado e prestar atenção no quanto estamos sendo manipulados e no quanto nos deixamos manipular, em nome de uma consciência “tranquila”.

Sugiro aos pais que sejam mais presentes, que dividam o tempo e as tarefas e se organizem para prover o mais novo, atendendo às suas necessidades e para passar um tempo junto com o filho mais velho. Um tempo de qualidade, onde não haja cobranças e comparações. Onde a criança, com o auxílio dos adultos, possa entender as necessidades do caçula e as dificuldades dos pais. Para isso diálogo é fundamental.

Todos nós queremos ser amados e valorizados… isto faz parte das nossas necessidades básicas. Ao receber de “presente” um irmãzinho, sem o devido preparo (já que muitas famílias fantasiam este momento como se fosse tudo lindo e perfeito, como se o caçula já nascesse grande e não desse trabalho e que pudesse ser o companheiro que o outro irmão deseja) a criança naturalmente vai “surtar”( afinal de uma hora para outra parece que ela ficou invisível, que todos só têm olhos para o caçula) e a única solução é fazer-se presente através da rivalidade com o outro.

Cabe aos pais serem os adultos nesta relação. Educar algumas vezes dói e sempre dá trabalho! Mas dar amor e segurança ao filho mais velho pode poupar uma série de dores de cabeça futuras. Para quem quiser se aprofundar no assunto, sugiro os livros:

“Entendo a rivalidade entre irmãos”, dos autores Joshua D. Sparrow e T. Berry Brazelton, da Editora Artmed (http://www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/resenha.asp?nitem=1223955&sid=7351302311578499576232418)

“Rivalidade Fraterna – o Ódio e o Ciúme Entre Irmãos”, da autora Nise Britto, Editora Agora (http://www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/resenha.asp?nitem=665043&sid=7351302311578499576232418)

“Irmãos ciumentos, irmãs egoístas – Dicas para enfrentar a rivalidade entre os irmãos”, do autor Ted O’Neal, Editora Paulus
(http://www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/resenha.asp?nitem=5067400&sid=7351302311578499576232418)

Talvez Vovó “X” pudesse sutilmente dar um destes de presente ao filho…

Amor e segurança custam pouco. São mais baratos do que os subornos que os mais velhos muitas vezes cobram, como forma de tributo sádico aos pais culpados e algumas vezes mal resolvidos (porque alguns pais já viveram esta mesma situação, num outro tempo, e agora simplesmente atualizam seus recalques).
Amor e segurança custam pouco… um pouco de muita atenção. Pensem nisso.

Fetichismo…

(Paulo Jacob)

fetiche

Falar sobre o fetichismo é algo intrigante…

O fetichismo inicialmente foi citado por Freud como o desejo do filho ver na mãe o pênis que não existe, por um motivo óbvio, pois ela tem uma vagina. Esse “vazio” existente na mãe (a falta do pênis), pode criar na criança a necessidade dela encontrar algo para substituir essa falta, como pro exemplo uma outra parte do corpo da mãe (pés, mãos, nádegas, etc…). É claro que isso é apenas um breve resumo do que Freud falou sobre o fetichismo.

Essa interpretação pode render uma grande dissertação, alguns concordam e outros contestam tal definição. Aqui eu vou passar uma outra visão sobre o fetichismo, que pode até ser decorrente dessa interpretação freudiana, vocês irão entender.

Fetiche, é ter um tesão grande pelos pés femininos, seios, nádegas, boca, etc… Mas também pode ser de roupas, lingeries, etc. E também pode acontecer das mulheres terem fetiches em relação aos homens. O fato de existirem mais homens do que mulheres “fetichistas”, pode ser pelo simples motivo de que é mais fácil as mães ficarem nuas na frente dos seus filhos, do que os pais agirem com essa liberdade na frente das suas filhas. Então, fica mais fácil para os homens terem recalcado o desejo que tiveram pelas suas mães, do que as meninas pelos pais, pois poucas tiveram essa experiência quando criança.

Mas porque temos esses fetiches? Então, vou criar um exemplo, pensando que um dia na vida de uma menino, ele tenha visto várias vezes sua mãe nua, saindo do banho ou trocando de roupa. Certamente, esse menino teve um desejo inconsciente ao ver sua mãe nua (totalmente ligado ao complexo de Édipo…), e é bem possível que essa experiência (boa por sinal para ele) tenha sido gravada em seu inconsciente. Vamos incrementar um pouco mais essa experiência, dizendo por exemplo que na grande maioria das vezes esse menino presenciava sua mãe se vestindo (calcinha, soutien…), ou seja, esse garoto vai gravar o seguinte pensamento “roupas íntimas = coisa boa/prazer”. Isso também poderia acontecer com os seios, pés, pernas, etc.

Ao longo de sua vida, quando esse menino crescer, possivelmente ele dará um valor além do comum à esses objetos, ou seja, lingerie em geral. Pode parecer simples demais tal raciocínio, mas vários homens fetichistas, quando perguntados sobre tal “dependência”, sempre acabavam se lembrando de experiências desse tipo na infância. Mas muitos também poderão não se lembrar, devido ao processo de defesa deles, em não poderem vincular a figura materna, com prazer sexual. Isso varia de pessoa para pessoa, de acordo com o nível da sua censura interna. O voyeurismo também tem uma ligação com esse tipo de raciocínio, que consiste em ter prazer em apenas observar uma pessoa nua na sua frente, em a necessidade de tocá-la.

Outro fato que poderá desencadear com que uma pessoa se torne fetichista, é uma grande frustração em uma experiência sexual, fazendo com que a pessoa regrida a uma fase da vida, em que ela teve uma boa experiência, sem nenhum tipo de ameaça, ou seja, o tempo que em que ele via sua mãe nua na frente, se vestindo.

Então, se existe uma ligação entre a interpretação de Freud para o fetichismo, ou seja, a substituição da ausência do pênis na mãe para um outro objeto, com o que descrevi acima, cabe a cada um decidir. O que vale é que de uma maneira ou outra, existe a necessidade por parte dos fetichistas de terem um objeto escolhido por eles, para que eles tenham prazer.

É errado ter fetiche? Claro que não! Se alguém tem fetiche por partes do corpo, ou por um tipo de roupa, que continue tendo. Se isso apimenta a relação, não há problema nenhum nisso. O “preocupante” é quando uma pessoa só consegue ter prazer sexual, se ele ou ela obrigatoriamente tiverem contato unicamente com o objeto desejado, esquecendo de olhar para a sua parceira ou parceiro como um todo.

O fetiche pode ser um complemento, e não o objetivo, o único foco na relação sexual.

Até mais!

JUVENTUDE E MARGINALIDADE

(Claudia Pedrozo)

limites

Semana passada, vagando pela rede, assisti a um programa jornalístico, do tipo que eu não gosto muito, mas algumas vezes acho necessário para me manter conectada com o mundo real. Era um programa sobre o crescente número de menores envolvidos na criminalidade. O “jornalista apresentador” mostrava dois crimes bárbaros e idiotas ocorridos na capital paulista no início deste ano.

Deixando de lado os motivos torpes destes jovens, sua infância sofrida, regada a pobreza e quem sabe, revoltas, que podem influenciar, mas jamais determinar a entrada na criminalidade, o que mais me chamou atenção foi a postura das mães. Talvez não haja mais lágrimas para chorar e não haja mais nada a fazer do que se conformar e tentar entender o que deu errado na educação destes jovens que a marginalidade engole cada vez mais. Há no meio do bando assassinos maiores de idade, sempre há, não é mesmo? E as mães são amigas e não entendem o que aconteceu com os filhos, mesmo com a reincidente história de privação de liberdade por roubos, sequestros e tráfico na Casa do Menor ou antiga FEBEM. Uma das cenas seria cômica, se não fosse trágica. As mães de um “maior” e do “menor” contam ao repórter que os filhos juram que não fizeram nada, que nenhum deles cometeu o crime, mesmo com todas as provas que a polícia tem.

Pergunto-me, que amor cego é este? Talvez seja o amor da culpa! Nós mães somos as “rainhas da culpa”! Alguém deveria ter dito que ser mãe é padecer de culpas mil. Culpas tolas na maioria das vezes: por não estar sempre presente, por não poder dar a criança tudo que ela quer, por ter tido preguiça e deixado o filho ir à escola de ônibus, por ter que fazer hora extra, por ter que dizer não!

E nos culpamos por quê? Porque queremos ser diferentes dos nossos pais, porque em algum momento de revolta na juventude, quando fomos limitados ou não por eles, juramos a nós mesmos que seríamos pais diferentes, melhores, mais amigos e, de repente, eis que hoje nos pegamos fazendo exatamente como faziam nossos pais! Bem, salvo algumas situações bem específicas, não poderia ser diferente. Fomos criados por eles e somos os portadores da tradição familiar, está na nossa constituição psicológica, naquilo que Freud chamou de “ideal de ego”, que são nossas estruturas de valores e que regulam a ação do nosso superego e de “ego ideal”, que são as estruturas de nossa personalidade, ou nossas máscaras, a maneira como nos mostramos para o mundo. Estas estruturas do nosso “eu” são formadas em nosso processo educacional, no qual nossos pais presentes ou ausentes, nos ensinam, mesmo quando parece que não!

“Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é…” as mães destes jovens cujas tendências arcaicas da personalidade ainda não foram educadas para a vida em sociedade também devem carregar seus fantasmas, provavelmente erraram tentando amar da forma que souberam ou puderam. E quem somos nós para jugá-las? Não vivemos a vida delas, não sofremos as dores delas. Podemos, empaticamente, lamentar e torcer para que a dor, que é processo de cura, as faça crescer. Faça a todos crescerem.

Quanto aos jovens que aceitaram a pulsão mais instintiva que há em nós e por ela regularam suas vidas, fico a pensar numa música antiga do Padre Zezinho: “um jovem custa muito pouco… um pouco de muito amor”!
Pais amem seus filhos, sejam racionais com suas culpas tolas, amar é também ser exigente, mas na medida certa. Seus filhos por mais que pareça o contrário,no futuro, lhe agradecerão e nossa sociedade também!

A adolescência

adolescerA ADOLESCÊNCIA

(Claudia Pedrozo)

Quando recebi o convite para falar sobre a adolescência à luz da Psicanálise, fiquei empolgada e preocupada, afinal falar sobre esta fase tão conturbada e tão bela é uma grande responsabilidade. O que escrever? Na longa trajetória como Diretora numa escola de adolescentes tive o prazer de conhecer e conviver com mil jovens que, junto com meus filhos e seus amigos, me fizeram relembrar minha adolescência e me ensinaram a entender a dor e a delícia de ser adolescente no século XXI!
O Dicionário Aurélio define adolescência como sendo um substantivo feminino cujo significado é “idade da vida compreendida entre a puberdade e a idade adulta”. O Dicionário Médico a define como sendo um “período da vida humana que sucede à infância, começa com a puberdade e se caracteriza por uma série de mudanças físicas e psicológicas, estendendo-se, aproximadamente, dos 12 aos 20 anos”.
Certo. Porém estas duas definições são frias e lendo-as não conseguimos visualizar o turbilhão emocional que é estar na adolescência, nesta etapa da vida onde treinamos o deixar de ser criança para ensaiar o ser adulto, onde mudanças hormonais desencadeiam uma montanha russa emocional que nos faz questionar quem somos e nos leva a enlouquecer nossos pais, ora amados, ora odiados. Viramos sim rebeldes, quase sempre sem causa! O que queremos nada mais é que nos encontrar, questionar e testar nossos limites, queremos ser aceitos, amados, valorizados e reconhecidos. Contestamos e chocamos com nossas roupas,“dialeto”, cabelos, músicas e atitudes. Na busca de encontrar quem somos muitas vezes precisamos, nos “perder” na contestação e no choque! Quem não passou por isso, atire a primeira pedra!
Freud diria que isso nada mais é do que a busca pelo “narcisismo primário”, época em que, bebês, éramos puro id, puro desejo. Onipotentes o mundo todo girava ao nosso redor. Bastava um chorinho para sermos atendidos, saciados, cuidados, A-MA-DOS! Então, eis que alguém, em nosso processo educacional, diz o primeiro “NÃO”! A partir deste momento percebemos a onipotência do outro e resolvemos que queremos ser tão forte e onipotente quanto ele. Passamos a viver o “narcisismo secundário” e pelo resto de nossos dias buscaremos reconquistar a onipotência primária perdida.
Entra em cena a importância da presença de cuidadores amorosos na educação dos futuros jovens. Mas esta é uma próxima conversa!