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Perdoar sempre

(Padre Jeferson Luis Leme)

perdão

Texto bíblico: Evangelho: Mt 18, 21-19,1

Devemos perdoar os outros? Como é difícil buscar em nossas vidas forças para perdoar as pessoas que acabam nos ofendendo. Quero lembrar também a dificuldades que nós temos do auto-perdão. O que é perdão? Na psicanálise, perdão é a reparação de uma atitude nossa que, egocentricamente, não gostou e não amou, não compreendendo o outro, magoando-se, ou seja, naquele instante não conseguimos renunciar aos nossos interesses e necessidades (não tivemos a necessária paciência ou a tolerância ou mesmo a resignação).

O perdão é o amar mesmo não gostando “a posteriori”, é a renúncia tardia que só acontecerá quando compreendemos os porquês e abrimos mão do nosso orgulho (vaidade da perfeição) e das nossas necessidades egocêntricas que estavam em jogo e nos fizeram não gostar e não amar, desenvolvendo mágoa e a frustração. O perdão elimina as desarmonias que produzimos em nós mesmos, pela nossa incapacidade de entender o porquê daquilo que nos afeta.

No Evangelho, Jesus vem trazer essa proposta do perdão ilimitado. “Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete” é o que Jesus responde para Pedro. Aqui Jesus está condenando a casuísta das escolas rabínicas, mas que vem até hoje pela nossa estrutura egocêntrica. Jesus rompe os velhos moldes, isto é, sempre, sem limites nem medida, perdoar sempre. Deus não nos perdoa se nós não perdoarmos ao irmão. O seu perdão está condicionado ao que nós damos aos outros. É o que Jesus nos ensinou no Pai-nosso e o que repetimos continuamente a Deus: Perdoai-nos as nossas ofensas, assim como também nós perdoamos aos que nos têm ofendidos. Nós somos esse devedor insolvente perante Deus, que, não obstante, nos perdoa toda a nossa divida porque fomos redimidos e resgatados a preço de sangue por Cristo (1Cor 6,20).
Custa-nos muito perdoar e romper o círculo vicioso do ódio e da vingança? Será o perdão uma atitude para pessoas tolas que se deixam pisar? Perdoar é possível a partir do exemplo de Cristo. Como sempre, ele praticou o que nos ensinou. Quero lembrar que a vingança é o prazer do ofendido, e o ódio rancoroso o único crédito seguro do mais fraco. O difícil, o que demonstra fortaleza, magnanimidade de espírito, maturidade humana e cristã, não é vingar-se, mas perdoar e romper a espirial da violência mediante o amor sincero e reconciliador.
Mas para termos a capacidade de perdoar, necessitamos do auto-perdão. Como disse no inicio, temos dificuldade do auto-perdão. O auto-perdão é a renúncia do nosso orgulho, da perfeição que achamos que possuímos. Ele elimina a culpa e a angústia que sentimos ao agirmos fora do padrão moral (empático). Exercitemos em nossas vidas o auto-perdão para temos a capacidade de perdoar e ser perdoado. É o que o Mestre Jesus viveu e nos deixou como ensinamento. Até a próxima!!!

O perdão e a aparência

(Padre Jeferson Luis Leme)

perdao99

Texto bíblico: Evangelho: Lc 7,36—8,3

É o terceiro texto que estou escrevendo para o nosso Blog. É claro que é o começo de muitos. Porém penso que cada vez mais estou me convencendo que Jesus está sempre nos ensinando a vivermos na empatia e lhe dar com as nossas tendências e às vezes a permanência no egocentrismo.

É fato que Jesus sempre buscou e conseguiu viver o seu lado empático, e com méritos, diga-se de passagem. Lembrando dentro das nossas estruturas psíquica Ele é 95% empático. Ou seja, na nossa condição humana parece impossível chegar ao nível de Jesus. No entanto, podemos nos aproximar de Jesus, assim como Ele mesmo fala; “… vós podereis ser deuses…” parece loucura, ser um deus? Não é loucura, é condição que temos pra chegar. Paulo na carta aos Gálatas diz que “Eu vivo, mas não eu, é Cristo que vive em mim.” (Gl 2, 20). Por isso que não é loucura.

O trecho do texto bíblico, relata sobre o perdão e a aparência. O perdão de Deus tem uma finalidade especifica para nós que é tirar o pecado e seus efeitos da vida da pessoa. A pessoa quando está na condição de pecado (egocêntrico), gera a angústia, o peso e o sentimento de culpa que intranquiliza o coração e desestabiliza a harmonia interior (não havendo a negociação). Por isso que o pecado se torna um veneno que se espalha por todo o corpo produzindo de modo lento e eficiente à morte espiritual na vida da pessoa.

Os efeitos mortais do pecado correm pelo corpo dos nossos sentimentos, da emoção, das escolhas, das decisões da vida pessoal… Como ácido, vai abrindo feridas, destruindo e esfacelando a harmonia interior. O veneno do pecado corrói a vida pessoal a partir de dentro pra fora (doenças somáticas). Por isso, a verdadeira reconstrução da harmonia espiritual, destruída pelo pecado, só pode ser refeita pela e na dinâmica do perdão.

O perdão de Deus que refaz a harmonia interior precisa ser buscado, a exemplo da mulher que chora aos pés de Jesus. O primeiro passo é reconhecer o pecado “eu pequei” (significa sair das aparências), diz o choro da mulher aos pés de Jesus. O reconhecimento do próprio pecado acontece através do confronto com a Palavra e diante de alguém que conhece e vive a Palavra.

O segundo passo, depois do reconhecimento, é a intercessão do perdão de Deus quando se coloca em oração diante de Deus (aqui vale pra nós a elaboração e a negociação das nossas tendências), examinando sua consciência, seja sozinho, como a mulher (Evangelho), seja ajudada por uma pessoa de Deus. O reconhecimento do pecado pode provocar sentimentos de pesar e de arrependimento, como o choro da mulher aos pés de Jesus. Isso significa buscar a humildade interior que é necessária para sairmos da condição de aparências.

A busca do perdão começa dentro de nós. Reconhecendo nossa imperfeição, arrependendo-se de nossas atitudes egocêntricas. Nesse caso temos que buscar a humildade em nós para sairmos da condição do pecado pela ajuda do perdão e do perdão de si mesmo. Lembre-se, reconheça sempre suas imperfeições, arrependendo-se, perdoando-se sem desenvolver culpas. Quando isso não acontece, estamos na aparência, isto é, existindo e não vivendo.

Quando existimos (aparência), permanecemos no egocentrismo, não compreendendo os porquês da vida, reclamando, procurando um culpado do nosso fracasso emocional e espiritual, julgando as pessoas e as comparando. Quem sempre busca o perdão de si mesmo e perdoa os outros, com certeza está na condição de felicidade e na empatia daquilo que Jesus nos ensina.

Termino com Aristóteles dizendo: “Ninguém é dono da sua felicidade, por isso, não entregue sua alegria, sua paz, a sua vida nas mãos de ninguém, absolutamente de ninguém. Somos livres, não pertencemos às outras pessoas, como também não podemos querer ser donos dos desejos, da vontade ou dos sonhos de quem quer que seja.” Até breve!!!