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A alegria de Deus

(Padre Jeferson Luis Leme)

Quando falamos de Amor, Perdão, Culpa e Misericórdia, torna-se difícil o relacionamento e o diálogo com as pessoas. É evidente que a nossa convivência cada vez mais está distante da dinâmica do Ciclo do Amor. Lembram quando expus sobre isso? Humildade, Compreensão e Doação. Precisamos praticar gradativamente em nossas vidas.

A proposta do Evangelho de Lucas é sobre a misericórdia de Deus. As parábolas ressalta o júbilo e a alegria de recuperar o que estava perdido, graças à salvação de Deus. Deus não faz distinção das pessoas, ou seja, Ele acolhe com sua misericórdia. Porém, nós precisamos aprender com Jesus à acolher. Assim como diz Paulo aos Romanos, “porque julgas teu irmão?”, não devemos julgar e nem condenar. No entanto, devemos trabalhar com o perdão e a misericórdia.

Perdoar significa avanço psicológico e espiritual em nossas vidas. É restaurar o outro e o mundo inteiro. Quando perdoamos o outro, estamos inconscientemente dando um tempo ao nosso próprio eu. Isto é, nosso superego se torna no ato do perdão, menos exigente, menos carrasco. O eu se torna mais leve e saudável. Lembre-se que tratamos as pessoas conforme o superego nos trata. Quando perdoamos, automaticamente nos apaziguamos.

A misericórdia divina é uma das constantes bíblicas e resumo de toda a história da salvação humana por Deus, que culmina em Cristo, imagem e espelho do rosto misericordioso do Pai.  No livro da Sabedoria (Sb 11, 23ss), diz que Deus se compadece de todos porque pode tudo, fecha os olhos aos pecados do homem para que se arrependa, perdoa e ama todos os seres que ele mesmo criou por amor, ele que é amigo da vida.

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O perdão é um processo gradual, lento, doloroso, em que muitas vezes precisamos vivenciar angústias, indignação e sentimentos contraditórios. Conflitos, ambivalência, medos, raiva, culpa podem ser mobilizados, e não devemos reprimi-los excessivamente. Com tudo isso, podemos usar erroneamente a Fé como fuga. Isto é, a fé pode ser utilizada como válvula de escape para a pessoa não se dar conta de sua própria agressividade. E perdoar pode se transformar em compulsão a reprimir a agressividade sentida, mediante a ofensa recebida.

Com as suas parábolas da misericórdia e mostrando a alegria contagiosa de Deus por salvar o perdido, Jesus denuncia toda a discriminação de classes e a sua consequência: a marginalização a todos os níveis. O puritanismo não é cristão nem libertador, antes representa mais a inversão dos valores evangélicos, como falso sucedâneo que é da autentica pureza do coração. O que mancha, diminui e rebaixa o homem não é o de fora, mas o que sai do coração. Que a alegria de nosso Deus seja a nossa força. Amem!

 

 

 

Perdoar sempre

(Padre Jeferson Luis Leme)

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Texto bíblico: Evangelho: Mt 18, 21-19,1

Devemos perdoar os outros? Como é difícil buscar em nossas vidas forças para perdoar as pessoas que acabam nos ofendendo. Quero lembrar também a dificuldades que nós temos do auto-perdão. O que é perdão? Na psicanálise, perdão é a reparação de uma atitude nossa que, egocentricamente, não gostou e não amou, não compreendendo o outro, magoando-se, ou seja, naquele instante não conseguimos renunciar aos nossos interesses e necessidades (não tivemos a necessária paciência ou a tolerância ou mesmo a resignação).

O perdão é o amar mesmo não gostando “a posteriori”, é a renúncia tardia que só acontecerá quando compreendemos os porquês e abrimos mão do nosso orgulho (vaidade da perfeição) e das nossas necessidades egocêntricas que estavam em jogo e nos fizeram não gostar e não amar, desenvolvendo mágoa e a frustração. O perdão elimina as desarmonias que produzimos em nós mesmos, pela nossa incapacidade de entender o porquê daquilo que nos afeta.

No Evangelho, Jesus vem trazer essa proposta do perdão ilimitado. “Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete” é o que Jesus responde para Pedro. Aqui Jesus está condenando a casuísta das escolas rabínicas, mas que vem até hoje pela nossa estrutura egocêntrica. Jesus rompe os velhos moldes, isto é, sempre, sem limites nem medida, perdoar sempre. Deus não nos perdoa se nós não perdoarmos ao irmão. O seu perdão está condicionado ao que nós damos aos outros. É o que Jesus nos ensinou no Pai-nosso e o que repetimos continuamente a Deus: Perdoai-nos as nossas ofensas, assim como também nós perdoamos aos que nos têm ofendidos. Nós somos esse devedor insolvente perante Deus, que, não obstante, nos perdoa toda a nossa divida porque fomos redimidos e resgatados a preço de sangue por Cristo (1Cor 6,20).
Custa-nos muito perdoar e romper o círculo vicioso do ódio e da vingança? Será o perdão uma atitude para pessoas tolas que se deixam pisar? Perdoar é possível a partir do exemplo de Cristo. Como sempre, ele praticou o que nos ensinou. Quero lembrar que a vingança é o prazer do ofendido, e o ódio rancoroso o único crédito seguro do mais fraco. O difícil, o que demonstra fortaleza, magnanimidade de espírito, maturidade humana e cristã, não é vingar-se, mas perdoar e romper a espirial da violência mediante o amor sincero e reconciliador.
Mas para termos a capacidade de perdoar, necessitamos do auto-perdão. Como disse no inicio, temos dificuldade do auto-perdão. O auto-perdão é a renúncia do nosso orgulho, da perfeição que achamos que possuímos. Ele elimina a culpa e a angústia que sentimos ao agirmos fora do padrão moral (empático). Exercitemos em nossas vidas o auto-perdão para temos a capacidade de perdoar e ser perdoado. É o que o Mestre Jesus viveu e nos deixou como ensinamento. Até a próxima!!!