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AH, A TRANSFERÊNCIA!

(Claudia Pedrozo)

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Hoje fui visitar uma escola e quando lá cheguei havia um aluno do 9º ano (antiga 8ª série) na sala da Diretora. Aguardei que ela fizesse o atendimento dele e quando o aluno retornou à sala de aula, busquei saber qual ocorrência havia determinado sua visita à Diretoria.

A Diretora relatou que o aluno foi encaminhado por dois professores devido ao mau comportamento em classe, marcado por uma agressividade gratuita, principalmente com os professores homens e (descobrimos mais tarde, ao analisarmos melhor a situação), com os professores carecas.

No decorrer do dia a mãe do aluno compareceu à escola e relatou para a Diretora que o filho estava assim desde que ela havia “juntado as escovas” com o João.
Detalhe importante: o João é careca.
Coincidência? Não! Transferência.

O fenômeno da Transferência faz parte da vida de todo ser humano. É irreprimível, pois a pulsão é irreprimível! Segundo Freud é o maior processo da vida. Tudo que fazemos baseia-se em identificações inconscientes que nos levam a fazer escolhas que não sabemos de onde vem, mas que representam projeções do material que recalcamos em nosso inconsciente.
Só para refrescar a memória, recalcar é uma das nossas defesas. O recalque ocorre toda vez que fugimos de algo que desejamos, mas que vai contra os padrões estabelecidos em nosso ideal de ego (valores morais que aprendemos ao longo de nossa vida).

Em outras palavras Transferência é o processo pelo qual o material recalcado “guardado” em nosso inconsciente – desejos, tendências, sentimentos, fantasias, emoções – se atualiza sobre determinados objetos (pessoas (marido/esposas, amizades), coisas (casa, carro, entre outros) e sistemas (profissão, emprego, casamento, por exemplo).

A Transferência pode ocorrer por deslocamento (de sentimentos e emoções) ou por projeção (de desejos, tendências e fantasias).

Há Transferências positivas e negativas. Por exemplo: Você recebe um elogio do seu chefe por alguma iniciativa tomada para melhorar os processos da empresa. Ao retornar à sua sala, elogia sua secretária. Esta é uma situação de transferência positiva. Digamos que você recebeu uma bronca do seu chefe no meio de uma reunião. Acabou o expediente e você foi para casa, lá chegando seu cachorro, feliz por te ver, pula em você, que muito irado o chuta ou repreende com uma grosseria exagerada e desnecessária. Você acabou de fazer uma transferência negativa.

Voltando ao caso do aluno agressivo com os professores carecas, percebe-se claramente o fenômeno da Transferência por deslocamento.

O garoto está deslocando nos professores que lembram o João a agressividade que gostaria de usar com ele, afinal, João é o cara que veio para atrapalhar, para “tirar” dele sua mãe, para “roubar” o amor que deveria ser só seu (ah! o Édipo por aqui!). Na verdade o alvo da raiva do aluno não são os professores, mas a identificação inconsciente que ele faz quando vê a figura do João no professor. Ele está inseguro e bravo com a situação e precisa extravasar isto de algum modo. Por transferência, ele agride os professores, atendendo ao desejo inconsciente de agredir o padrasto.

Cabe à mãe e ao João muita paciência e muito amor para vencer esta situação e ajudar o garoto a superar esta dificuldade, entendendo qual o papel do marido e do filho na vida desta mãe. São dois amores, cada qual com suas características e importância.

Bem… atire a primeira pedra quem nunca fez uma transferência! Ops, cuidado para não tropeçar nas pedras pelo chão!

OS COOLS TAMBÉM CHORAM

(Rogério C. Migliorini)

everything is energy

Outro dia pensei no que um cara falou em um blog de pessoas ‘cool’. Elas não são cool porque querem. É como uma pessoa que não faz as coisas pra lançar moda, mas que lança. Segundo ele, não fazer esforço é uma característica das pessoas cool.

Eu nunca aceitei o rótulo de CDF, porque nesse rótulo indica a pessoa se mata de estudar. Eu nunca me matei de estudar, nunca passei noites em claro, rachando, e se eu tirava notas boas, o fazia sem nenhum esforço. Ser aprovado era natural. Eu não tirava notas boas porque puxava o saco dos professores, porque isso eu jamais fiz.

A necessidade do esforço deve ser meio judaico-cristã. Protestante, como dizia Weber? Acho que o buraco é bem mais embaixo. Sei que algumas vezes parece que nada serve sem esforço, dor ou sofrimento. Parece que sem essas coisas, somos desonestos.

Por outro lado me intrigava saber que em biologia, um sistema é tanto melhor quanto menos energia consome. Então, um pássaro que voa sem esforço não consome energia. Por isso os urubus ficam horas planando nas térmicas. Os albatrozes passam a vida nos ares aproveitando os ventos e voando enormes distâncias sem desperdiçar energia batendo as asas.

Outro dia soube de um cavalo que sobrevive na Sibéria, porque faz o mínimo de movimento possível durante o inverno. Assim ele come pouco em épocas de escassez de comida. O koala australiano dorme o dia todo pra economizar a pouca energia q seu alimento, as folhas de eucalipto, lhe dão.

Hibernar também é uma forma de economizar energia. Ter um corpo aerodinâmico e que vença com facilidade a resistência da água também.

Mas não fazer esforço não significa ser vagabundo e irresponsável, ou montar na desgraça alheia. Assim, ser econômico em termos de esforço é ser inteligente, e isso, infelizmente, talvez, seja pra poucos. Os burros é que fazem esforços desnecessários, padecem, são espertalhões, desonestos, etc. Os inteligentes são aqueles pra quem as vitórias são naturais. Eles não precisam pisar em ninguém, fazer valer sua autoridade por motivos banais, tripudiar em cima de ninguém, desconsiderar ninguém e por aí vai. Ou seja, sensibilidade e empatia são formas de inteligência.