Arquivo de Tag | s

Histeria e vibradores

(Paulo Jacob)

sexualidade

Olá, como vão? Espero que bem!

Há umas duas semanas, eu assisti um filme chamado “Histeria” (procurem nas locadoras, já tem para locar). O filme foi baseado em fatos reais, e conta a relação da histeria, com a invenção dos vibradores, é isso mesmo, com os vibradores que hoje encontramos em lojas do tipo “Sex Shop”.

É que no final do século 19, existia uma doença causada por algum problema relacionado ao útero da mulher, esse doença era a histeria. As mulheres histéricas, tinham como característica uma agressividade fora do normal (imaginem nessa época, se uma mulher podia por exemplo falar mais alto, ou gritar com seu marido), ausências (desmaios), choros e risos descontrolados, e outras reações consideradas inapropriadas para uma mulher daquela época. O tratamento consistia em massagear o útero, e isso só era possível através da penetração com o dedo na vagina, e assim o útero era estimulado. Era óbvio que a grande maioria das mulheres chegavam ao orgasmo, e assim saiam alegres dos consultórios dos médicos. Parece mentira, mas era mais ou menos isso. O vibrador foi inventado nessa época, como forma de tratamento para as mulheres.

As mulheres possuem uma “ótima complexidade” na sua sexualidade, digo ótima, pois elas (teoricamente) podem conseguir chegar ao orgasmo estimulando outras partes de seu corpo, além da vagina. É como eu disse no texto sobre o prazer feminino (texto de 27/07), as mulheres são muito mais orgásticas que os homens, e o não “escoamento” de todo esse tesão (pulsão sexual), pode causar dentre outras coisas, a histeria.

Freud começou a psicanálise estudando sobre a histeria. Ele juntamente com Charcot (hipnólogo), fizeram muitos testes com mulheres diagnosticadas com histeria na época. Freud mostrou que a histeria estava muto mais relacionada com o psicológico dessas mulheres, do que com o físico, pois quando as mulheres eram hipnotizadas, as crises paravam, e quando voltavam para o normal, as crises voltavam, ou seja, era só a pessoa ficar em estado alterado mentalmente, que o problema cessava. Se o problema fosse realmente só físico, era para a pessoa continuar tendo ataques, mesmo hipnotizada.

Dizem que Freud quando atendia suas pacientes com problemas de mau humor, ou com sintomas histéricos (entre outros problemas), era comum em suas anotações escrever “P.N.”, ou seja “Penis Normalis”, que queria dizer que essas pessoas precisavam eram ter relações sexuais.

Aquela relação que no dia-a-dia fazemos, que quando uma pessoa está irritada, nervosa, impaciente, e que essa pessoa precisa de sexo, tem fundamento! Então lembre-se de Freud quando você começar a ter o famoso “piti”. Penis Nornalis!!

Abraço, e ótima semana!

Obesidade infantil

(Dra. Karen Câmara)

obesa

Minha filha me mostrou um documentário chamado “Muito além do peso”. Tem mais de uma hora de duração, foi feito no Brasil e aborda o assunto de sobrepeso e obesidade das crianças. É muito esclarecedor. É também estarrecedor.

Quando me formei em medicina, há pouco mais de trinta anos, o problema da desnutrição infantil era muito preocupante. Crianças subnutridas e desnutridas tinham baixo peso – nos casos mais graves, até baixa estatura – devido à deficiência de calorias, proteínas , vitaminas e sais minerais na sua alimentação. Em trinta anos houve uma reviravolta tão grande nos hábitos da população que, agora, o problema é justamente o contrário.

Será, mesmo, o contrário? Digo isso porque naquela época já se falava, no meio médico, em “distrofia farinácea”. Era esse o nome do que ocorria com crianças acima do peso que se alimentavam principalmente de carboidratos e, em muitos casos, continuavam mal nutridas. Acredito que nos dias atuais muitas das crianças acima do peso continuam sendo mal nutridas, a julgar pela dieta inadequada que têm. A alimentação de grande parte das crianças de hoje tem excesso de calorias, calorias vazias na sua maior parte, excesso de carboidratos refinados, excesso de gordura de má qualidade e excesso de sal. Isso se deve primordialmente ao consumo de alimentos industrializados.

Parece um paradoxo mas, ao se comparar o custo, em dinheiro, de uma caloria de um alimento industrializado com o custo de uma caloria de um alimento natural, vemos que a caloria industrializada é muito mais barata. Portanto, você tem a impressão que está obtendo mais por menos. Mas não é verdade. A caloria de um alimento industrializado é vazia, ou seja, é desprovida dos nutrientes naturais que fazem parte dos alimentos não processados. É uma caloria que engana a fome por algum tempo porém acrescenta pouco em termos de nutrição com a qualidade que o organismo realmente precisa. Além disso, os alimentos industrializados contêm inúmeros aditivos que não fazem bem à saúde.

obesidadeinfantil1

No documentário, o entrevistador segura uma garrafa de refrigerante e pergunta às crianças “Isso tem açúcar?”. Elas são unânimes em dizer que não. “Do que é feito o salgadinho desse pacote?” Carne, responde uma criança. Uma acha que batata é cebola, outra diz que pimentão é abacate. E assim por diante. Adultos também são entrevistados e revelam que sabem muito pouco daquilo que estão comendo.

De cada cinco crianças obesas, quatro permanecerão obesas na vida adulta. Isso vai aumentar enormemente a incidência de diabetes tipo 2, pressão alta, colesterol e triglicérides altos, com todas as implicações terríveis que estas doenças trazem para a qualidade de vida de uma pessoa. Os padrões de obesidade estabelecidos na infância são muito difíceis reverter. Há crianças que, com nove ou dez anos de idade, já apresentam exames alterados como pessoas de sessenta anos ou mais.

Ao longo da história da nossa civilização, as gerações mais novas foram ganhando anos de expectativa de vida e de qualidade de vida. Agora, pela primeira vez, uma geração terá uma expectativa de vida menor que a dos seus pais e, provavelmente, sua qualidade de vida também será inferior.

Consumismo de morte

(Padre Jeferson Luis Leme)

Texto bíblico: Evangelho: Lc 12, 13-21

consumo (1)

Em nossos dias a busca de bens materiais para suprir as nossas necessidades de reconhecimento e segurança é muito grande. Hoje, a sociedade bem como a mídia nos incentiva a buscar riquezas, ou seja, viver o imediatismo. Nisso, caímos no individualismo, egoísmo e na ganância.

É universal a tentação do consumismo, pois vivemos alienados por uma sociedade de consumo que dá primazia ao ter sobre o ser. Por isso quase ninguém se livra de ser manipulado pela propaganda do bem-estar que faz consistir a felicidade na opulência, no produzir e consumir, ter e gastar e poder equilibrar as receitas com um avultado regime de despesas. A sociedade ocidental é uma fabrica de sonhos para “ricos insensatos” de fato ou de desejo, mas empobrecidos interiormente, intoxicados pela cobiça e a ânsia de possuir, submissos adoradores do deus dinheiro.

As consequências da idolatria consumista são terríveis e degradantes, ainda que o homem atual pareça aceitá-las com a maior naturalidade. O consumismo degrada a dignidade humana, a nobre condição do homem e da mulher, que se convertem em máquinas de produção e de consumo de bens. O consumismo bloqueia a solidariedade no partilhar, a fraternidade e a comunicação humana, superalimentando até à indigestão o egoísmo, a manipulação e a exploração de outros. O consumismo não faz o homem mais livre e feliz; pelo contrário, desumaniza-o.

A proposta do Evangelho nos ensina a buscar a segurança e o sentido da vida no amor ao Pai e aos irmãos. A nossa vida não está nos bens acumulados, mas sim, naquele que os doa. Também, a questão que Jesus nos coloca hoje é ser rico ou pobre diante de Deus, isto é, a atitude evangélica perante os bens materiais, poucos ou muitos, que possuímos. O conceito que Deus tem de pobreza e riqueza não coincide com aquele que nós vulgarmente temos. É pobre diante de Deus aquele que amontoa riqueza para si só, fechado aos valores do Reino e a partilhar com os outros; é rico, por seu lado, aquele que mantém a sua vida e o seu coração abertos a Deus e sabe pôr ao serviço dos irmãos a sua abundância ou a sua escassez.

Do mesmo modo que todos queremos ser felizes, todos desejamos ser ricos. É o que Deus quer: que todos os seus filhos vivam bem, sem que lhes falte o necessário, pois a indigência material não é um bem em si mesma. Portanto, o bem-estar não é uma aspiração desprezível, contanto que não se consiga à custa de outros valores superiores, tais como a liberdade de espírito, a disponibilidade, abertura e confiança em Deus, o partilhar com os que não têm, o respeito pelos direitos dos outros, o sentido da justiça social e da responsabilidade cívica, a caridade e o desprendimento do supérfluo para uso dos outros, em especial os mais pobres.
O nosso verdadeiro tesouro é ser como Aquele que é dom para todos! É mais seguro partilhar com os que não têm do que acumular como os que pensam ter (cf. Tb 12,8). Até a próxima!!