Arquivo de Tag | vida

O saber dos simples

(Padre Jeferson Luis Leme)

Texto bíblico: Evangelho: Lc 10, 21-24

simples

Todo mundo sabe que a autossuficiência, a prepotência e a presunção são egocêntricos e que nos levam a julgar e condenar as pessoas. Na origem, Adão e Eva, que são símbolos que representa toda a humanidade, pecaram contra Deus e foram expulsos do paraíso. O pecado que eles cometeram foi a autossuficiência, principalmente a vaidade espiritual, pensar que poderia ser o próprio Deus.

As vezes temos essas tentações de ser o próprio Deus nas nossas relações sociais e privadas. Não precisamos disso.  Jesus se fez pequeno e nos ensinou a sermos pessoas humildes, simples e honestas. Por isso que Deus se revela aos simples e não nos magistrados e doutores. Jesus reconhece que não se fez entender nem aceitar pelos doutores e letrados do seu tempo; estes sabiam demasiado da lei mosaica para compreender que a relação messiânica havia de suplantá-la.

Por isso que até hoje foi pessoas simples a que melhor assimilou o anúncio de Cristo sobre o Reino, o plano divino para a salvação do homem, a paternidade e maternidade de Deus e a fraternidade humana, o paradoxo das bem-aventuranças, as antíteses do discurso da montanha e a mensagem revolucionária do Magnificat de Maria. Portanto, os caminhos do Senhor não são os caminhos homens.

Deus tem gosto de escolher os pequenos e os pobres, os que não contam socialmente e nem têm peso econômico, para lhes revelar os seus segredos e o seu conhecimento por meio de Cristo. É a sabedoria superior das pessoas simples que acredita e confia em Deus, abrindo-se incondicionalmente ao amor. Não é preciso estudar exaustivos tratados de teologia sobre o mistério de Deus para o viver profundamente a partir da fé que ele dá aos que se abrem com um coração simples.

A proposta do Evangelho é mostrar que Deus revela-se aos simples, é de grande importância para toda a nossa vida cristã. Captar os segredos de Deus e o seu mistério inefável requer ter alma de pobre e olhar limpo. Por isso que na individuação, aprendemos que temos que buscar o ciclo evolutivo do amor, isto é, humildade, compreensão e doação. O humilde se reconhece imperfeito: usa o ego que avalia empático. O humildade não julga, porque não se compara: não julga a nada e a ninguém e não tira conclusões sobre os outros. Também o humilde é pleno de simplicidade, ou seja, ele agradece e valoriza tudo o que tem, seja material ou mesmo imaterial. O humilde renúncia, isto é, é desprendido no uso do seu tempo, materialmente e afetivamente.

Para ver a Deus é preciso olhá-lo com os olhos penetrante de uma fé humilde e simples. É para ser de Cristo necessitamos do Espírito de Jesus que o encheu de alegria. Assim perceberemos que não estamos em dívida com a carne, a soberba, e o egoísmo, mas com o Espírito, que faz brotar nos nossos corações a fé e o amor a Deus e aos irmãos. Como nós estamos lhe dando com a nossa autossuficiência, prepotência, presunção e a vaidade espiritual?

Sobre a rocha ou sobre a areia?

(Padre Jeferson Luis Leme)

castelos_areia

Texto bíblico: Mt 7, 21.24-27

Todas as religiões acreditam que somos imortais espiritualmente! Entretanto, mortais fisicamente. Desta maneira, a felicidade na vida nunca poderá ser encontrada fora de você mesmo, através das pessoas, das coisas ou dos sistemas (família, sociedade, trabalho). Nada e nem ninguém lhe fará feliz! Não é o carro novo, não é a casa nova, não é a relação nova, não é o emprego novo que lhe fará feliz. Você poderá ter tudo isto e ser imensamente infeliz!

A felicidade, quando buscada nas idealizações egocêntricas (areia), fora de si mesmo, lhe fará ser uma pessoa metade e estabelecerá um estado ILUSÓRIO em sua forma de pensar, que poderá lhe trazer muitas frustrações, fragilizando-lhe emocionalmente, quando você não alcançar o que pretendia. Ninguém e nada lhe farão feliz, se você antes não estiver construindo a felicidade dentro de si mesmo (rocha), nos seus ideais de auto-realização empática, nos bons valores, nas suas conquistas morais, na realização daquilo que é construtivo para a vida.

Construa a felicidade através daquilo que é real daquilo que nunca desaparecerá, pois sempre terá vida dentro de você! Você pode ter tudo na vida, mas não nasceu para obter a felicidade somente através do ter (areia) e nem pelo aparentar ser o que você não é. Você nasceu para ser (rocha)! Estamos numa escola de amor e desprendimento, pelo servir desinteressadamente a tudo e a todos.

A proposta do Evangelho é a busca da felicidade na rocha que é a Palavra de Deus. Deus que é Real, e não ilusório. A analogia que faço entre real/ilusório e a rocha/areia, nos mostra a importância de Deus em nossas vidas, pelo fato da felicidade que está em nós, e não fora de nós. Para vivermos na rocha/real, é necessário escutar e colocar em pratica a Palavra de Deus. Temos que ser pessoas de oração, que é mais que a súplica oral, para convertê-la em vida de comunhão com Deus. Esta derremar-se-á logo sobre a nossa existência pessoal, a família e o trabalho, a realidade comunitária e social em que vivemos, sem criar separação entre fé e a vida.

A realização da vontade de Deus em nossas vidas, ou seja, a pratica da Palavra de Deus é o Amor. Ame a tudo e a todos e você será um “todo” e estará construindo para si aquilo que é real. Dê sempre o melhor que puder, em tudo que você fizer! Não espere nada de ninguém, pois isto será a sua maior ilusão na vida! Entretanto, a felicidade só poderá ser obtida através do equilíbrio e da harmonia entre as nossas necessidades egocêntricas e empáticas. Os sentimentos construtivos de amor devem ter uma harmonia entre a razão e a emoção, fé e pratica da vida.

Refletindo sobre o Evangelho, podemos nos perguntar; Somos a casa sobre a rocha/real ou sobre a areia/ilusório? Dada a nossa fraca condição, propensa à ambiguidade cômoda, participamos provavelmente das duas situações, cumprindo e faltando a espaços: fortes em tempos de bonança e débeis em momentos de apuros. Por isso temos de rever urgentemente os nossos alicerces, sobretudo nos tempos de crise que correm. Como diz Francisco de Assis: O EU não entra no CÉU só o NÓS.

A paixão

(Paulo Jacob)

como-manter-a-paixao-acesa-23056

Ah! A paixão… Que sensação maravilhosa, não é?

Durante alguns meses, temos a sensação de que encontramos a outra metade que há tempos estávamos procurando. Essa pessoa que estava perdida em uma multidão, e de repente aparace e me cativa, e ainda por cima só faz coisas que eu gosto. Muitos beijos, muitos abraços, elogios, flores, tudo acontecendo daquela maneira que eu sempre idealizei um relacionamento, que lindo!!

Realmente, concordo com vocês que essa fase da paixão é algo muito bom de se viver. Esse período (maior ou menor, variando para cada um) é vivido intensamente, pois emocionalmente somos invadidos por ações mais “irracionais”. A emoção (o tesão entra aí), não nos faz enxergar o que o outro tem de “ruim”, ou seja, as dificuldades que o outro tem, e que precisam ser melhoradas ao logo da vida.

É nessa época que uma ação com grosseria é vista com a compreensão de um Dalai Lama, que uma cicatriz ou algum “defeito” físico, é visto como uma particularidade, um detalhe “meigo” da pessoa que estamos apaixonados. É incrível, mas agimos com muito mais empatia (na verdade, falsa empatia) do que somos depois que a paixão passa.

Idealizamos o tempo inteiro a pessoa perfeita para viver o resto de nossas vidas, e qualquer uma que chegue perto dessa idealização (par perfeito), eu praticamente anulo todos os outros pontos que não batem com a minha expectativa, e por alguns meses deixo bem guardado à sete chaves em algum lugar da minha mente. E para ajudar, já foi até provado cientificamente que o cérebro nos auxilia nesse processo de “recalque”, dizem até que a paixão dura em média 7 meses, ou seja, nessa fase ocorrem também alterações químicas no meu cérebro, tudo a favor da união entre duas pessoas, o que é muito bom!

Mas o que acontece quando de repente essa “gaveta” que estava muito bem lacrada se abre? Porque de uma hora para outra começamos a deixar de ser tão empáticos, e iniciamos um processo de analisar melhor aquela pessoa que está ao nosso lado? Ela mudou? Eu mudei? Não é nada disso… Como disse acima, recalcamos os “defeitos” que o outro tem, e isso não tem nada de empático (por isso coloquei “falsa empatia”). Naquele momento da paixão, enxergamos apenas aquilo que nos agrada, e isso é estar bem egocêntrico, pois estou pensando unicamente em satisfazer as minhas necessidades, por isso eu “aceito” o outro. Como a realidade de que não existe uma pessoa perfeita é muito chata, e a minha vontade de ficar uma pessoa é muito grande, eu recalco o que não quero ver, e enxergo somente as qualidades que eu idealizei anteriormente, simples assim. Por isso que a fase da paixão é muito boa, porque eu só me permito ver aquilo que me agrada.

Bom, e a partir do momento que eu “acordo”, o que eu faço? Dependendo do quanto eu realmente estou disposto a amar aquela pessoa (compreender, é amar..), eu faço a escolha se vou ou não conseguir conviver/compreender com essas dificuldades dela, e ao mesmo também decido se começo um processo de resignação, ou seja, aceitar que ficar sonhando e esperando com o príncipe ou a princesa encantada, não vai me levar a nada. Os que escolhem amar e serem realistas, continuam; os que não escolhem e continuam esperando a pessoa perfeita, separam. Temos o livre arbítrio, para estarmos ou não mais empáticos naquele momento, e começar a compreender mais, não há nada errado nisso! Mas não adianta escolher esperar o príncipe encantado (ou princesa), mesmo sabendo que ele não existe, e ficar reclamando a cada frustração que tiver, ok? Se você sabe que não existe, então porque reclama?

E os casais que estão sempre apaixonados um pelo outro? O respeito e a compreensão certamente fazem parte do relacionamento. Um aceita o outro do jeito que ele é e ambos visam crescer juntos, como pessoas principalmente.

Vamos viver as paixões, é muito bom!! Estar consciente de tudo isso, nos dá a autonomia em decidir o que eu quero para minha vida, e assim o que eu quero viver nos meus relacionamentos, sem ilusões.

Uma ótima semana para você!

O limite da loucura

(R. C. Migliorini)

tunel

Ao encontrar uma barreira como um paredão de rochas, um rio não para. Simplesmente se desvia e corre em outra direção. Nesse percurso, um simples regato pode tornar-se um rio tão colossal quanto o Amazonas. Por conseguinte, as barreiras, mais do que impedir o curso do rio, definem a sua forma.
Com isso, sugerimos que limite é forma, já que graças aos contornos particulares de cada uma, as reconhecemos. Assim, diferenciamos o céu das nuvens, da chuva, do pingo d’água e da poça. Da mesma forma, distinguimos uma pessoa da outra, pois são os limites que nos fazem singulares.
O limite também é essencial à organização: Alguns exemplos: creiamos ou não na criação do mundo, Deus separou a luz das trevas criando limites para uma e outra. De modo semelhante, apartamos o joio do trigo, os animais domesticáveis dos selvagens e a lavoura do matagal. Dividimos também o tempo em anos, meses, semanas, dias, horas, minutos e segundos para ordenarmos melhor nossas ações em relação a ele.
Já a conexão entre saúde e organização se dá, por exemplo, no fato de que, ainda que de modo superficial, o câncer pode ser descrito como um crescimento desordenado de células e a esquizofrenia como a perda dos limites que circunscrevem o eu e o destacam do entorno. Tantos são os casos que restabelecer a saúde, me parece, implica em recompor limites.
O limite é, sim, imposto pela realidade. Porém, ao contrário do que parece, não é algo que constrange ou impede a expressão. Fayga Ostrower ilustra muito bem essa ideia dizendo que tal como as margens de um rio, ou como a praia e os continentes, o limite permite que nos aventuremos por águas turbulentas com a certeza de sempre podermos voltar a terra firme quando necessário.
Sabendo disso, a pessoa criativa não se ressente dessas possibilidades; antes se adapta a elas e começa criando do limite que a realidade lhe impõe. Assim, no que tange a este texto, o limite é o seu número de caracteres à minha disposição. Essa realidade material já determina certos caminhos e certas escolhas e, ao mesmo tempo em que algumas precisam ser descartadas, outras tantas devem ser adotadas. Ou seja, criar é um ato contínuo de fechar e abrir possibilidades.
Em verdade, ao criarmos lidamos concomitantemente com a realidade imutável e com a fantasia, pois o fato sem o sonho torna-se assaz opressivo, e o sonho sem o fato não passa de puro delírio.

A amarga verdade sobre o açúcar

(Dra. Karen Câmara)

sugardanger

Volto hoje a falar sobre o açúcar. Ah, esse nosso querido e doce açúcar. Não pensem vocês que eu não consumo açúcar.
Consumo sim e amo de paixão. Adoro doces, sobremesas, sorvetes. O açúcar é um dos meus maiores e mais arraigados vícios. A duras penas, já consegui ficar alguns períodos da minha vida sem consumir açúcar. Sempre com muito sacrifício.

Na minha época de faculdade – lá se vão mais de trinta anos – líamos o livro Sugar Blues (Sugar Blues: o Gosto Amargo do Açúcar, autor: William Dufty, editora: Ground) e comentávamos sobre os malefícios do açúcar. Lembro-me que um colega de classe me emprestou o livro e disse que havia feito uma constatação interessante. Abandonou o consumo de açúcar e verificou que, a partir de então, passou a não ter dificuldade em se manter acordado até tarde para estudar para as provas. Antes, recorria a grandes quantidades de café, adoçado com açúcar, e Coca-Cola, que também continha açúcar. Naquele tempo não existia Coca diet, só havia a original mesmo. O livro Sugar Blues expõe algumas verdades sobre o açúcar. Em geral, quem lê Sugar Blues fica tão estarrecido que deixa de consumir açúcar por algum tempo.

Lembro-me também de, logo depois de formada, ter começado a me aventurar em áreas do conhecimento oriental como Do-In, Shiatsu e Acupuntura. Em um curso de Do-In do Juracy Cançado, ele disse “O açúcar é uma droga erroneamente classificada como alimento”. Achei a frase muito inteligente e imaginei um diálogo fictício entre duas pessoas. Esse diálogo é presenciado por uma terceira pessoa, que desconhece o assunto.
“É um pó, é branco. São pequenos cristais.”
“Além disso, é fácil de se obter, é muito gostoso e dá barato”.
“O problema é que o barato passa logo e o consumidor passa a querer mais e mais. Portanto, esse pó vicia.”
“E esse vício faz com que a pessoa se alimente de forma cada vez menos saudável, além de trazer outras consequências nefastas para o organismo. Existem crianças que já estão viciadas.”
A terceira pessoa, então, cheia de curiosidade, pergunta: “Sobre que droga vocês estão falando? Cocaína, heroína, crack?”
“Não”, responde um deles, “Estamos falando sobre o açúcar!”
Vemos então que a frase do Juracy Cançado faz muito sentido.

A revista Nature, uma renomada publicação científica, trouxe um estudo sobre o açúcar intitulado A verdade tóxica sobre o açúcar (The toxic truth about sugar, publicado em 01/02/2012). Eis um resumo do artigo:

O consumo mundial de açúcar triplicou nos últimos 50 anos. Existe uma relação entre o consumo de açúcar e as doenças que constituem a síndrome metabólica: hipertensão arterial, diabetes ou resistência à insulina, taxas elevadas de triglicérides, gordura aumentada no fígado (esteatose hepática) e obesidade. Essas são doenças crônicas que diminuem a qualidade e a expectativa de vida, além de consumirem a maior parte dos recursos públicos destinados à saúde.
O açúcar pode levar à dependência. De forma semelhante ao tabaco e ao álcool, o açúcar age no cérebro humano de modo a estimular um consumo cada vez maior. O açúcar interfere com os hormônios grelina e leptina que regulam a fome e a saciedade. Interfere também com a dopamina, um neurotransmissor que atua no centro de gratificação do cérebro.
Por outro lado, o açúcar é barato, é gostoso e vende bem. Portanto está presente, em grandes quantidades, em alimentos e bebidas industrializadas e a indústria alimentícia tem pouco incentivo para mudar esse quadro.
A venda e distribuição do açúcar poderiam ser regulamentadas como a do tabaco e do álcool, outras duas drogas lícitas. Isso pode ser feito através de impostos sobre o produto, estabelecimento de idade mínima para compra e regulamentação de locais de venda.

O segredo da felicidade

(Paulo Sartoran)

felicidade21

Adiante da área da saúde pode parecer controversa minha formação acadêmica. Não se espera de um publicitário que ele possa curar pessoas; pelo contrário: acho que a propaganda tem grande parcela de culpa quando estabelece estereótipos de famílias felizes e padrões de beleza, ou quando reforça preconceitos ordinários contra a sogra, argentinos ou patrões, para ficar em poucos exemplos. Mas preciso dizer que devo muito à publicidade por ter me tornado senão mais administrativo, mais antenado. Nenhum publicitário que se preze deixa de observar o mundo à sua volta, à cata de idéias para a sacada perfeita e, desta feita, para engordar sua conta no banco. Como redator, aprendi a andar pela vida amealhando outra espécie de dividendo: a reflexão.

O escocês David Ogilvy, um dos maiores redatores publicitários de todos os tempos, dizia que o título do anúncio impresso corresponde a 80% do sucesso da peça publicitária e ouso dizer que, a grosso modo, os títulos mais procurados em quaisquer listas, em blogues ou por toda a internet vão ser aqueles que mais facilmente oferecerão benefícios aos seus leitores. Quero dizer que não guardo o segredo da felicidade, mas aposto que se você está lendo este texto agora é porque acreditou que eu fosse te dar alguma fórmula mágica de como conseguir as coisas mais difíceis fazendo as coisas mais fáceis. Não se engane, isso não existe. Se aparentemente alguma coisa anda muito fácil para você, desconfie: o santo realmente desconfia quando a esmola é demais.

Para não ser acusado de propaganda enganosa, posso dizer que o caminho para sermos felizes é sermos reflexivos. Observe imparcialmente o que acontece à sua volta. Ser imparcial quer dizer não puxar a sardinha para o seu lado, nem se colocar numa condição de vítima de tudo o que acontece. Como publicitário já vi uma consumidora colocar seu gato de estimação no microondas depois de lhe dar um banho com shampoo, o que praticamente desintegrou o bichinho. Depois foi processar o fabricante do forno, como se a empresa tivesse alguma culpa. A partir daí os publicitários precisaram escrever no manual do usuário que não se deve colocar bichinhos de estimação em fornos com microondas. Use sempre o bom senso e não faça aquilo que a vovó ou o vovô não fariam, mesmo porque não existiam microondas na idade deles. E observe, porque observar é o verbo mais holístico de todos. Observe não a parte, mas o todo: há sempre alguma coisa acontecendo.

Se queres ser perfeito…

(Padre Jeferson Luis Leme)

Texto bíblico: Evangelho: Mt 19, 16-22

perfeita

Na psicanálise, aprendemos sobre a estruturas egocêntricas. Acomodação, posse, sentimento de superioridade e sentimento de inferioridade e de menos valia. Estruturas que nos leva ao afastamento de Deus e das pessoas. A posse, nos leva ao apego do tempo, das coisas materiais e de pessoas. As coisas materiais são carros, casas, dinheiro, objetos, corpo, roupas, etc. Tudo isso é ilusório e nos leva a viver em função das estruturas egocêntricas não sabendo amar e nem compreender.

No Evangelho, Jesus traz uma nova proposta de vida. Os bens deste mundo não são a meta à qual deva sacrificar a minha vida e a vida dos outros, mas simplesmente meio a usar na medida em que sirva para viver como filho e irmão, com plena liberdade. O que é nosso, na verdade, nos divide dos outros; o que damos, deixando de ter, nos une aos outros. Os bens materiais são benção e vida se os compartilharmos; são maldição e morte se os retermos para a compulsivamente acumulá-los. Os bens são dons do pai para serem compartilhados entre os irmãos e as irmãs. Acumulá-los é deixar de serem filhos para se tornar escravos: escravos do egoísmo, escravos dos bens materiais, escravizadores dos irmãos e irmãs.

Jesus, – pobre, livre e fraterno – nos dá a graça de sermos pessoas livres, que sabem servir-se de todas as coisas ao invés de servi-las e ser por elas subjulgados como escravos. E como que nós somos apegados aos bens materiais. Abrir mão momentaneamente dos seus interesses e necessidades materiais, desprendendo-se delas, por entender a importância da necessidade material que o outro apresenta. No Evangelho Jesus nos diz: “Você quer me seguir? Vai lá e vende tudo que tu tens e me siga!” Ele não quer que nós vendamos nossas coisas e sim que façamos o uso correto delas, sem apegos exagerados, sem egoísmos, que nos façam escravos da estrutura material da vida. Nós podemos e devemos ter um carro, casa, roupas, dinheiro, mas não é isso essencialmente que lhe fará feliz. Não se torne uma pessoa metade pelo apego material.

Este jovem rico, que é um perfeito praticante religioso, está agarrado à sua riqueza; por isso rejeita o convite de Jesus para segui-lo. Diante do convite de Jesus, estamos pronto para renunciar as posses? Até a próxima!!!