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Força de vontade ou só vontade?

(R. C. Migliorini)

vida

Já falei do esforço em outro texto e voltei a falar dele na semana passada.

É que eu não acredito muito em empenho. A lei natural é a do menor esforço. A água, por exemplo, é movida pela gravidade. Sempre desce, seja caindo em cachoeiras, escorrendo por barrancos ou correndo dos altiplanos para a costa.

Em vez de lutar ou de gastar energia em batalhas exaustivas, ela nunca entra em confronto com as barreiras. Ao contrário, as aceita e delas se desvia, sempre em um curso descendente. Contudo, nesse percurso pode se tornar um rio enorme e poderoso, e até gerar energia.

Nas artes marciais, sendo que a quase totalidade delas é inspirada na natureza, o segredo é não resistir ao oponente, mas ceder a ele e deixá-lo ser derrotado pelo seu próprio esforço.

Mesmo os predadores preferem os filhotes e animais doentes que são mais fáceis de caçar aos animais adultos e saudáveis cuja caça significaria a perda de preciosa energia.

Eficientes predadores como tubarões, orcas e golfinhos têm corpos aerodinâmicos que não oferecerem resistência à água. A pele que reveste seus corpos, também facilita sua movimentação no meio. Diminuída a resistência, sua eficiência é aumenta.

Alguns pássaros migradores aproveitarem o vácuo do que vai adiante voando em bando e em vê. Assim, eles se cansam ou se esforçam menos e voam mais rápido.

Agora, o que mais me surpreende, é a eliminação de órgãos que seriam inúteis ou mesmo verdadeiros estorvos em determinados ambientes. Assim, peixes de cavernas não desenvolvem olhos, e lagartos que vivem enterrados na areia ou na terra podem não ter patas e, por isso, parecerem cobras.

Por essas e por outras, vejo com reservas a questão do esforço. Penso que, no máximo, cabe economizá-lo aqui para aplicá-lo ali ao exemplo de uma raça de cavalos selvagens do norte da Sibéria. Eles sobrevivem a temperaturas de setenta graus negativos se movimentando muito pouco e utilizando a energia que gastariam para se movimentar no aquecimento de seus corpos. De forma semelhante os coalas cujo alimento tem pouco valor energético, dormem quase o tempo todo.

Enfim, eu não entendo alguém precisar de força de vontade para viver. Pra mim, essa pessoa precisa é sentir que a vida vale à pena e, em consequência, ter desperta nela a vontade de viver. Daí, talvez, ela tenha disposição para exercer algum esforço se e quando necessário.

Qual é o poder da crença?

(Dra. Karen Câmara)

birra

Na semana que passou, conversei com uma mãe que me disse o seguinte:
“Meu filho está doente porque quer comer um sorvete e eu não encontro para comprar.”

Ela contou que o filho, de dez anos de idade, havia visto a propaganda desse sorvete na televisão e isso teria despertado nele tamanha vontade de consumir a guloseima que ele, agora, apresentava sintomas de dor na barriga e febre.

Ora, do ponto de vista médico, sabemos que dor é um sintoma subjetivo, não há como comprovar ou mensurar, mas a febre é um sinal objetivo, fácil de medir, basta usar um termômetro. Sabe-se também, no meio médico, que as crianças tendem a referir dor na barriga quando estão em situação de desconforto ou de estresse. Geralmente essa dor na barriga não é acompanhada de diarreia ou vômitos, dois sinais objetivos. Entretanto, enjoo e inapetência podem, com frequência, compor o quadro. Quando se pedem exames complementares como ultrassonografia, endoscopia, exame de fezes, nada de anormal é constatado. Entre os fatores desencadeantes mais comuns estão a ausência repentina, inesperada ou prolongada de um dos pais, conflitos no ambiente familiar, problemas na escola ou no círculo de amigos da criança. Esse quadro evolui de forma benigna e costuma desaparecer quando a situação estressante deixa de existir.

Perguntei à mãe da criança sobre possíveis causas psicológicas e ela declarou com firmeza que nada havia de diferente ou possivelmente estressante na vida da criança que pudesse ser a causa da dor na barriga. Só podia ser o sorvete.

Perguntei sobre a febre, se ela havia aferido a febre com termômetro. Ela foi muito clara:
“Sim, medi a temperatura dele várias vezes e deu 37,5°C, 38°C e até 38,5°C. A febre vai e volta. Às vezes ela só passa se eu dou remédio”.

Argumento que uma febre é sempre um sinal importante e deve ser investigado. Recomendo que leve seu filho a um serviço médico para ser avaliado. Ela não se deixa convencer, diz que o filho já esteve em consulta recentemente, exames foram pedidos e estão normais. A criança está perfeitamente sadia. O problema é o sorvete.

De sua parte, ela explica que vivem no sítio, são pessoas simples, de poucos recursos mas “nunca faltou o de comer”. Diz, com orgulho, que nunca deixaram a criança “passar vontade”. Parece querer dizer: “Somos bons pais, bons provedores, somos responsáveis, estamos conscientes de nossos deveres para com nossos filhos!”

“Mas agora, dessa vez,” ela acrescenta, “não foi possível fazer a vontade do menino. Já fui à cidade mais perto, procurei em todas as padarias e não consegui encontrar o sorvete para comprar. Então, ele ficou doente.”

Tento arrazoar de outra forma, dizendo que a criança tem dez anos e já possui entendimento suficiente para lidar com situações de frustração. Ela concorda, diz que o filho é uma criança calma, inteligente, sabe perfeitamente aceitar que algumas coisas não são possíveis mas isso em nada resolve o problema. O fato é que ele adoeceu porque está passando vontade de comer um sorvete que ela não consegue encontrar para comprar. E tem mais, toda vez que o filho assiste à propaganda, o desejo volta e ele apresenta novamente os mesmos sintomas.

A conversa terminou sem que se chegasse a uma solução. De um lado, a crença da mãe e, por conseguinte, da criança, que “passar vontade de comer” alguma coisa leva ao adoecimento. De outro lado, o poder de uma mídia televisiva que invade todos os lares e todas as cabeças, despertando vontades irresistíveis.

Uma amiga mais tarde me contou que a propaganda do sorvete é muito bem feita e está ligada a um super-herói que tem forte apelo emocional nas crianças.

Dois dias depois, soube que uma colega médica atendeu um caso muito semelhante. Desta feita, a criança tinha dois anos. Fiquei estupefata.

O que pensar disso? Até que ponto nossas crenças produzem sintomas físicos? Até que ponto adoecemos, física e mentalmente, porque nossos desejos não são satisfeitos?

Os desejos

amor3Os desejos…

(Paulo Jacob Scolfaro)

Muito legal essa oportunidade que estou tendo em escrever sobre o tema sexualidade para o blog “Fãs da Psicanálise”. Agradeço novamente pelo convite, e espero fazer as pessoas pensarem mais sobre o assunto, de uma maneira “fora do padrão”, ou seja, se utilizando das informações que vou colocar aqui, poderão ter opinião própria sobre o tema.
Desejo: ato de desejar, cobiça, apetite. É assim que o dicionário define a palavra desejo. E você? Quais outras definições e sinônimos poderia incluir, somar à essa palavra? Vontade? Sonho? Necessidade?
Já parou para pensar que desejamos o tempo inteiro? Você lendo esse texto, pode desejar algo nesse momento. Descansar, comer, beber, rir, chorar… E de onde vem estes desejos? Se eu disser, que existe dentro de nós algo que nos “manda” fazer coisas, que nós mesmos não temos noção de que precisamos, mas que por impulso nós agimos afim de saciar essas necessidades psicológicas (e orgânicas também), e com isso equilibrar todo o nosso aparelho psíquico, nos fazendo se sentir mais calmos, tranquilos? Você aceitaria sem exitar, acreditar nesse “ser” que nos controla? E que ele age inconscientemente, ou seja, sem você perceber?
E quando falamos dos desejos sexuais? Você acha que eles surgem de onde? Temos dentro de nós o instinto animal da reprodução, mas quando desejamos ter prazer, o sexo geralmente está relacionado (ou não… tem gente que prefere comer chocolate).
A sexualidade é muito maior que o sexo. É o desejo em tocar, abraçar, beijar o outro. É passar para o parceiro (ou parceira) o seu amor, visando a felicidade, o prazer do outro em primeiro lugar, e não saciar os meus desejos primeiramente, mas sim o do outro. É começar o dia com um abraço, um beijo mais forte, e encontrar a pessoa no final do dia e terminar o que começou de manhã.
Aqui no blog irei dissertar mais sobre a sexualidade, procurando mostrar para vocês que ainda somos muito “primitivos”, e que o sexo, a relação sexual é um detalhe, e não o ponto final. Além de muitas outras informações, que possibilitem vocês a ousarem mais, se boicotarem menos…
Lembrem-se, o desejo é o começo da sexualidade.
Até a próxima!

Os desejos

amor3Os desejos…

(Paulo Jacob Scolfaro)

Muito legal essa oportunidade que estou tendo em escrever sobre o tema sexualidade para o blog “Fãs da Psicanálise”. Agradeço novamente pelo convite, e espero fazer as pessoas pensarem mais sobre o assunto, de uma maneira “fora do padrão”, ou seja, se utilizando das informações que vou colocar aqui, poderão ter opinião própria sobre o tema.
Desejo: ato de desejar, cobiça, apetite. É assim que o dicionário define a palavra desejo. E você? Quais outras definições e sinônimos poderia incluir, somar à essa palavra? Vontade? Sonho? Necessidade?
Já parou para pensar que desejamos o tempo inteiro? Você lendo esse texto, pode desejar algo nesse momento. Descansar, comer, beber, rir, chorar… E de onde vem estes desejos? Se eu disser, que existe dentro de nós algo que nos “manda” fazer coisas, que nós mesmos não temos noção de que precisamos, mas que por impulso nós agimos afim de saciar essas necessidades psicológicas (e orgânicas também), e com isso equilibrar todo o nosso aparelho psíquico, nos fazendo se sentir mais calmos, tranquilos? Você aceitaria sem exitar, acreditar nesse “ser” que nos controla? E que ele age inconscientemente, ou seja, sem você perceber?
E quando falamos dos desejos sexuais? Você acha que eles surgem de onde? Temos dentro de nós o instinto animal da reprodução, mas quando desejamos ter prazer, o sexo geralmente está relacionado (ou não… tem gente que prefere comer chocolate).
A sexualidade é muito maior que o sexo. É o desejo em tocar, abraçar, beijar o outro. É passar para o parceiro (ou parceira) o seu amor, visando a felicidade, o prazer do outro em primeiro lugar, e não saciar os meus desejos primeiramente, mas sim o do outro. É começar o dia com um abraço, um beijo mais forte, e encontrar a pessoa no final do dia e terminar o que começou de manhã.
Aqui no blog irei dissertar mais sobre a sexualidade, procurando mostrar para vocês que ainda somos muito “primitivos”, e que o sexo, a relação sexual é um detalhe, e não o ponto final. Além de muitas outras informações, que possibilitem vocês a ousarem mais, se boicotarem menos…
Lembrem-se, o desejo é o começo da sexualidade.
Até a próxima!