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Educação afetiva, você sabe dar?

(Claudia Pedrozo)

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Olá, pessoas bonitas! Depois de uma breve hibernada estou de volta!

Nesta semana gostaria de conversar sobre um assunto “modernoso” (será?) na educação dos nossos filhos. Vamos falar um pouquinho sobre Educação Afetiva.

Segundo a psicóloga Marilda Lipp, Educação Afetiva “é um conjunto de práticas parentais que objetiva, acima de tudo a valorização do ser humano… (nela) os pais dão liberdade, mas sempre estão presentes para atuar, se for necessário”.

Em outras palavras é a forma como, no cotidiano da vida do adolescente, os pais reconhecem, valorizam e incentivam o florescimento do “lado bom” dos filhos, orientando-os de modo que possam fazer escolhas responsáveis e conscientes e, acima de tudo arcar com os resultados destas escolhas.

Pais que educam os filhos desta forma, não os protegem o tempo todo, não lhes dão tudo que querem, ao contrário, possuem a coragem de dizer “não”; deixam os filhos fazerem escolhas, orientando-os para possíveis consequências, estão vigilantes e alertas para o apoio necessário quando os filhos “erram” e valorização e estímulos quando acertam. Não se projetam nos filhos, não tentam suprir suas lacunas emocionais através da vida deles.

Se observarmos o mundo hoje, veremos que carecemos de educadores que promovam uma Educação Afetiva.

Na luta diária que é educar filhos, percebemos que ceder é geralmente a melhor estratégia, se você, pai/mãe, não quiser ganhar um chapéu pontudo preto, uma vassoura voadora e verrugas no nariz; você é vencido pela incansável capacidade que seu “reizinho mandão” tem de colocar o dedo na sua ferida, indo direto ao point da sua culpa. Ah, filhos são seres altamente sagazes, observadores, manipuladores e cruéis quando querem algo! E sabem muito bem como conquistar o que desejam… aprenderam isso com quem mesmo?

Diante da culpa, todo e qualquer pai/mãe menos avisado e emocionalmente mais instável cede e o resultado disso vemos aos montes na mídia, nas ruas, nos shoppings. Filhos de pais permissivos crescem e se tornam adultos ansiosos e com baixa tolerância à frustração, tornam-se depressivos, desenvolvem síndromes mil e são “pessoas metade” (aquelas que precisam receber provisão de segurança e reconhecimento constantemente e usam os outros para isso), altamente infelizes e sofrem e fazem sofrer.

ed2O contrário disso também é um problema! Pais altamente autoritários, com mania de perfeição, geram adultos que têm medo da própria sombra, são inseguros, ansiosos, depressivos, apáticos diante da vida, também desenvolvem síndromes mil, também são “metades”, que sofrem e fazem sofrer.

Como ser um “pai/mãe afetivo(a) e ajudar seu filho adolescente a ser um adulto mais ajustado, mais equilibrado? Esta é uma tarefa trabalhosa, mas possível.

No livro “Adolescentes e seus dilemas”, cuja organização esteve a cargo da psicóloga Marilda Lipp, ela nos dá algumas dicas:

1)       Entenda que a adolescência e toda sua montanha russa emocional um dia passarão. Embora hoje seus filhos pareçam rejeitar todos os valores familiares que você tenta lhe ensinar (pelos exemplos, mais que por palavras), passada a crise adolescente, eles serão incorporados e passarão a ser vivenciados;

2)       Cuide da sua saúde emocional para não correr o risco de transferir e cobrar de seu adolescente sonhos e atitudes que são suas e não dele. Observe também onde você está descarregando seu stress… Lembre-se, os filhos aprendem pela observação, mais que pela audição;

3)       Estabeleça o diálogo, ouvindo o que seu filho adolescente tem a dizer, mesmo que você não concorde. Ajude-o a olhar a situação por diferentes ângulos, dê a ele liberdade de escolha quando for possível. E não tenha medo de dizer não e impor limites quando for necessário. Faça isso sem julgamentos e condenações, estabeleça um juízo de razão, onde você faz um questionamento que promove a reflexão. Trabalhe em você a sua frustração de ser o “desmancha prazeres” e entenda que seu papel é o de educar e proteger, mesmo quando o filho diz não querer;

4)       Aja com segurança. Converse com você mesmo e entenda seus motivos. Converse com seu filho  e construa acordos e regras com a participação dele. E uma vez fechados os acordos, mantenha-os, independente das “alfinetadas” que você receberá na hora que precisar dizer “não”.

5)       Proteja seu filho e, embora pareça polêmico e invasivo, é sua função com o protetor e educador, supervisionar o uso da internet. Temos sido testemunhas do que este mundo maravilhoso e ao mesmo tempo cruel pode fazer com os desavisados. Prevenir os comportamentos é melhor que puní-los!

6)       Esteja inteiro no diálogo. Ouça com atenção, com respeito e cordialidade. Não julgue, não ofenda, não menospreze, não critique. Apresente argumentos que façam seu filho adolescente pensar nas questões sob outra ótica. Dê abertura, mesmo quando o ponto de vista dele o chocar, algumas vezes é só para testar você;

7)       Pratique as Terapias do Abraço e do Elogio. Não custam nada e agradam muuuuito!;

8)       Incentive seu filho adolescente a praticar esportes ou a ter outras atividades que o integrem a outros jovens. Mas não o force, respeite as escolhas dele.

9)       Conheça quem são os amigos de seu filho adolescente e se não tiverem valores morais iguais aos de sua família, ajude-o a repensar essa amizade;

10)    Mostre a seu filho adolescente o quanto a opinião dele é importante nas decisões familiares, isso fortalecerá o vínculo familiar e o fará sentir-se respeitado e integrado.

Em resumo, procure agir de acordo com a máxima cristã que nos ensina a tratar o outro como gostaríamos de ser tratados. Amor, atenção, proteção e respeito são quesitos fundamentais numa Educação Afetiva. Não custam caro, só dependem do seu querer.

Exercite isso! Seu filho e o mundo agradecerão, tenha certeza.

 

Palavras movem, exemplos arrastam

(Claudia Pedrozo)

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Semana passada fui à uma escola fazer uma visita de rotina. No meu trabalho, acompanho as escolas e busco auxiliar a equipe escolar na resolução/melhoria dos problemas que a escola enfrenta.

A escola em questão fica num bairro periférico, numa região de invasão de uma grande cidade do interior de São Paulo. Logo, tem todas as dificuldades e contradições que o entorno social permite.

No dia da visita eu estava resolvendo algumas pendências com a Direção da Escola quando outro membro da equipe escolar chegou solicitando a intervenção do Diretor, que imediatamente largou tudo e foi atender à ocorrência.

A situação era a seguinte: dois colegas de classe haviam se estapeado e um deles deu um soco no nariz do outro e acabou quebrando-o. A solução foi chamar os responsáveis pelos meninos para analisarem a situação e definirem uma sanção aos dois, afinal quando um não quer, dois não brigam, não é?

Enquanto aguardavam a chegada dos pais, os meninos foram levados à sala onde eu estava. Olhei para eles e resolvi tentar entender o que havia ocorrido. Pedi a eles que se apresentassem e me contassem, cada um a seu tempo, os fatos. E assim eles fizeram.

Relataram que tudo começou quando o jovem “A” chegou à escola e o jovem “B” estava sentando em seu lugar. O jovem “B” afirma que não havia nome no lugar e que os alunos sentam onde querem. “A” argumentou que senta no mesmo lugar desde que as aulas começaram e que pediu com educação para “B” sair e ele ignorou. Então “A” resolveu contar um podre de “B” para o pessoal sentado nas imediações, era uma bobeira, mas deixava claro o quanto “B” era infantil! O grande problema foi que “B” não gostou da atitude de “A” e num acesso raivoso, levantou e empurrou o colega, que na defesa acabou dando um soco no nariz de “B”. Sangue e vergonha por todo lado! Ambos foram levados à Diretoria.

A história que me contaram, cada um na sua vez e sem direito de interromper o colega foi a mesma, construída por dois lados de um mesmo fato. O que fez com que “B” ficasse tão irado com “A”, a ponto de agredi-lo, quando se olharmos bem, “B” começou a confusão ao desrespeitar o colega, tomando-lhe o lugar? A resposta é simples: na frente da carteira “roubada” de “A”, senta-se uma linda rapariga… e “B” está enamorado dela… jogando charminho, na intenção de conquistá-la! E o que fez “A” com a imagem que “B” tentava construir? Jogou-a no lixo! Mostrou para a bonitona que “B”, embora quisesse parecer maduro, eram um meninão!

Ah, meu Deus! Imagem arranhada, auto estima abalada! Eis o motivo da agressão. Ambos não souberam respeitar, ambos não trataram o colega como gostariam de ser tratados! Refleti isso com eles e pedi que contassem um para o outro como se sentiram durante o evento e como estavam se sentindo após ele.

“B” estava tão chateado e envergonhado que até queria mudar de escola! Queria ir para Minas Gerais, cidade onde o pai distante mora. Perguntei porquê, afinal não era para tanto, brigas entre colegas são coisas da vida, acontecem cotidianamente e era desnecessário radicalizar! Era só pedirem desculpas e tentar se colocar no lugar do outro antes de perder a cabeça e estourar novamente.

Foi então que me surpreendi! “B” não estava envergonhado por ter desrespeitado o colega, achava que “A” agiu errado ao lhe cobrar o lugar, afinal não tem nome escrito na carteira, o que o incomodava tanto era o fato que ele teria que conviver com a vergonha de ter o nariz quebrado por “A” , bem no meio da classe e na frente da garota que tentava conquistar!

Falei com ele que logo todos esqueceriam a situação e que se ele ainda queria conquistar a gatinha, era preciso se mostrar um “homem de bem”. Acho que chovi no molhado. Logo as mães chegaram e foram todos para outra sala resolver o conflito.

Fiquei pensando na questão. Na verdade me penalizei com a situação de dureza no coração de “B”. Dureza esta gerada pela vida difícil que leva, onde a bondade e o perdão são palavras vazias e muitas vezes sinônimo de fraqueza.

Observei de longe os meninos irem embora juntos com suas mães. Mulheres cansadas, mulheres batalhadoras e… mulheres duras.

Pensei com meus botões que a vida é uma escola e logo me veio à mente exemplos de mães tão sofridas e tão doces, que conseguiram ensinar a seus filhos o valor do perdão e do auto perdão, tão necessários a uma vida emocional equilibrada.

Diga-me uma coisa, você tem ensinado com palavras e exemplos o valor do respeito e do perdão aos seus filhos desde pequeninos?

Estes são valores universais que devem ser aprendidos no exercício constante… como você pai/mãe tem exercitado o respeitar e o perdoar – aos outros e a si mesmo – no dia a dia? Assim como você é e faz, seu filho também será e fará!

Palavras movem, exemplos arrastam.

 

Carnaval e Rolezinho… que país é esse?

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(Claudia Pedrozo)

                Estamos a poucos dias de uma das festas mais populares do nosso país. O Carnaval é um evento nacional. Multidões se espremendo, pulando, dançando… se divertindo. Liberando o Superego numa boa, afinal “Carnaval é hoje só “ e para ser “feliz e se dar bem” tudo pode!

Tanto brilho, tanta alegria, tanta liberdade… Quanta gente espremida no mesmo espaço.

Gente espremida, cantando, pulando, se divertindo? Carnaval ou Rolezinho?

Hoje, aproveitando os festejos carnavalescos quero falar um pouquinho dessa situação que assombrou os grandes shoppings paulistas recentemente. Em dezembro de 2013 jovens da periferia de São Paulo invadiram o Shopping Metrô Itaquera e o Shopping Guarulhos, causando medo e uma grande confusão. Lojistas se apavoraram, seguranças se atrapalharam e a repressão comeu solta! Não deu outra, o fenômeno se espalhou com a ajuda da internet e virou um pandemônio que fez até a presidente do país entrar em ação.

Tempos modernos!

Os rolezinhos são o resultado de uma “justiça social injusta”, que faz com que os jovens, tão incentivados ao consumo, queiram também um lugar ao sol!

Certo, os convites que bombaram no facebook foram um convite ao pânico das autoridades e dos preconceituosos do país. Após o susto do primeiro rolezinho,foi possível ver páginas e mais páginas do “face” com dizeres rebeldes que convidavam outros jovens a “subir a escada rolante que desce”, “apertar todos os botões do elevador”, “entrar no cinema pela porta de saída”, fazer “guerra de comida”!

Ir ao shopping e “meter bronca” era o passeio ideal e traduzia a insatisfação dos adolescentes da periferia paulista com a falta de uma política de cultura e lazer de qualidade nos bairros focada nesta faixa etária.

Como sempre São Paulo foi a “locomotiva da história”, mas muito provavelmente não foi, nem é a única unidade federativa a ter este tipo de problema. Se puxarmos mais pela memória, lembraremos de episódios como os arrastões nas praias carioca em anos passados.

Muito bem, somos pela ordem e progresso… não queremos a instauração da desordem! Mas… quando lembro do mundo e de alguns movimentos que marcaram a história da humanidade, vejo que eles, guardadas as devidas transformações sociais e tecnológicas, tiveram a atuação maciça de adolescentes! Muitos dos quais hoje condenam e reprimem os rolezinhos.

Que é isso minha gente? Eu tenho um nome para isso: hipocrisia!

Somos uma sociedade hipócrita que anuncia que o Brasil é o país do futuro (ou já foi), mas que quer que os jovens estranhos da perifeira – como se só adolescentes pobres fossem “estranhos”, como se só jovens da periferia participassem deste fenômeno, como se a capacidade de fazer algo impensado fosse só de jovens advindos das camadas populares – permaneçam longe dos nossos olhos e não invadam “nossa”praia… “nosso” shopping,  nossas vidas!

Como mãe e como adulta também condeno a anarquia e a necessidade de impor medo ao se organizarem para a ida em bandos aos shoppings, mas como ser humano, entendo perfeitamente, porque nos idos anos de adolescência, também já busquei um bando e fiz  besteiras apoiadas por ele! Também já quis ter meu lugar ao sol para poder consumir tudo aquilo que as jovens de famílias mais abastadas tinham! Eu também achava que era tendo que eu seria… vista, amada, reconhecida!

Na minha memória seletiva, tudo que eu fiz de errado não foi errado (será?),  lutei com as armas que minha geração tinha e no meu entendimento não fui desordeira, não estraguei nada e…Meu Deus! Quanto cresci fazendo besteirinhas! Me senti a “mais mais”! Mas se perguntassem aos adultos desta época se o que fazíamos era certo, com certeza eles diriam que era uma verdadeira baderna!

Como foi bom para a minha autoestima oscilante “badernar”, quebrar limites, estabelecer novos limites, ser apoiada por um grupo tão infantil e “perdido” quanto eu! Todas as besteiras que minha mãe jamais poderia saber que eu fazia me ajudaram a ser a pessoa que sou hoje, para o bem e para o mal! Transgredir era o máximo! A gente se sentia grande! E isso nos fez crescer, aprender, escolher.

Ouvindo depoimentos de alguns destes jovens, não vejo muita diferença na motivação que existe entre eles e a que existia em minha geração… e se dermos uma busca no passado, nas grandes “rebeliões da juventude”, que marcaram uma época, veremos que ainda somos os mesmos e buscamos a mesma coisa: todo jovem (todo ser humano!) que ser alguém, quer se amado, valorizado, aceito e testa seus limites para crescer, muitas vezes com dor.

Alguns dirão, mas hoje são mais violentos! Será? Pelo que me lembro na minha juventude também existia violência, talvez com uma divulgação menor.

Portanto, atire a primeira pedra aquele que nunca se juntou a outros iguais para exercitar o poder de ser alguém em construção fazendo “besteira”.

Embora a cultura e a sociedade possam dizer que não… na minha cabecinha, Carnaval bem poderia ser chamado de rolezinho… porém regado a muuuuiiiita luxúria e com a permissão da nossa censura!

Me contem… nestas circunstâncias não liberamos o jovem reacionário que um dia fomos?

Nada errado nessa situação. O que precisamos é parar de dar aos jovens falsas lições de morais. Educação se faz com palavras, mas se constrói com exemplos!

Pense nisso e ótimo feriado para você!

Aqui jaz…

(Claudia Pedrozo)

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Feliz Ano Novo! Embora janeiro já tenha chegado ao fim, nunca é tarde para desejar aos leitores tudo de bom em 2014… muita luz, muita força, muita paz, muito sucesso, muito amor… muito tudo de bom e acima de tudo, muuuuita paciência e resignação diante daquilo que não acontecer como se quer ou se espera! Que neste ano possamos entender e exercitar as máximas “Não espere nada de ninguém e, ao mesmo tempo, espere tudo de todo mundo” e “Nesta vida, a dor é obrigatória, mas o sofrimento é opcional!”, assim, não nos magoaremos, não nos frustraremos e vivenciaremos o sofrimento na dose certa!

O primeiro texto do ano traz um assunto urgente e delicado e que serve de alerta a pais e educadores. Vamos conversar um pouquinho sobre suicídio na adolescência.

Segundo pesquisas recentes, a cada ano, 102 adolescentes entre 10 e 14 anos cometem suicídio no Brasil. Estes dados fazem parte das estatísticas oficiais, porém se pensarmos que muitos casos sequer chegam até os hospitais ou autoridades policiais, estes números podem ser muito maiores.

Há dois casos que me chamaram muito atenção ao fazer uma rápida busca na internet.

Um caso é de um adolescente brasileiro de 16 anos e o outro de uma garota canadense de 15 anos.

Ambos tinham tudo que um adolescente pode querer: uma vida familiar estável, pais presentes,  eram bonitos, inteligentes, cultos e ambos foram vítimas de uma ferramenta que é ao mesmo tempo uma benção e uma maldição: a internet.

Vinícius Gageiro Marques morava no Rio Grande do Sul. Era considerado um garoto extremamente inteligente e sensível. Fazia acompanhamento com um analista e estava em internação domiciliar, pois o suicídio era tema recorrente em sua análise. O jovem simulou uma vida normal para os pais para poder ficar sozinho em casa e com a ajuda de internautas que lhe incentivaram e ensinaram algumas técnicas finalizou sua vida no banheiro de sua casa , com milhares de internautas acompanhando o suicídio em tempo real! Uma jovem canadense que algumas vezes cruzava com ele em salas de bate papo sobre música, tentou evitar o pior, ligando para a polícia do Canadá e o policial canadense ligou para a polícia federal brasileira e relatou o que estava acontecendo. Mesmo assim a tragédia não foi evitada.

Amanda Todd foi vítima da internet. Animada pelo pseudoanonimato da internet, ela certa vez mostrou as partes íntimas num grupo de bate papo. Foi o bastante para ter sua vida exposta e julgada nas redes sociais. Mudou de escola, ficou sem amigos, pediu socorro na internet, mas nada aliviou a vergonha causada por um ato cometido aos 12 anos, quando se expos pela primeira vez no cyber espaço. Após três anos e sem saber como retomar auto respeito e o respeito alheio, a jovem pôs fim à própria vida, enforcando-se em sua casa.

Ambos já haviam tentado se matar em outras oportunidades. Ambos buscaram ajuda psicológica. Ambos puseram fim à própria vida.

Passaram por momentos de angústia e depressão. Reclamavam da incompreensão, da solidão e da falta de respeito.

As tragédias destes dois jovens estão na internet e qualquer um que tiver interesse poderá acessá-las, conhecê-las e chocar-se com elas. Assim como estas, há muitas outras histórias de jovens que finalizaram suas vidas num momento de extrema tristeza, solidão e angústia. Eram pessoas que, apesar de ter o conforto material, não sentiam o conforto emocional.

Os especialistas apontam que os principais sintomas que um suicida apresenta são: apatia incomum, letargia, depressão, falta de apetite, insônia persistente, ansiedade ou angústia permanente. Alguns buscam alívio no uso abusivo de álcool, drogas ou remédios. A maioria apresenta grande impulsividade, agressividade, dificuldades de relacionamento e integração na família ou no grupo social, estão presentes o insucesso escolar repentino, o afastamento ou isolamento social e atitudes como despedir-se daqueles que amam, sem que haja qualquer motivo para isso.

As causas podem ser muitas: falta de perspectiva de vida, violência, depressão, bullying, ser portador de transtorno bipolar, por exemplo tornam o jovem mais vulnerável ao suicídio. Porém, acredito que, à exceção de transtornos neuroquímicos de origem genética (como a esquizofrenia ou o transtorno bipolar), a maioria das mortes por suicídio está relacionada à questões de baixa autoestima e de conflitos psíquicos relacionados  a um superego tirano e a um ego frágil, masoquista e com baixa auto estima.

A autoestima caracteriza-se pelo amor que desenvolvemos por nós mesmos. O ideal é que tenhamos uma autoestima estável, entendendo nossas limitações e negociando conosco as formas de superá-las. Autoestima estável está ligada a padrões de comportamento mais empáticos. Assim, quando nossa autoestima está estável, não nos comparamos, não nos magoamos, não nos frustramos e nem queremos agir de forma masoquista nos punindo.

Atentar contra a própria vida é uma forma de punição.

Punição para si mesmo, por estar aquém dos padrões de perfeição estabelecidos para si mesmo; padrões estes que geram uma insistente sensação de inadequação, de menos valia e de culpa.

O suicídio caracteriza a necessidade de auto punir-se por esta imperfeição e por esta culpa, necessidade esta gerada por um superego (juiz, censor) tirano, que cobra condutas do ego baseadas em rígidos padrões de  valores morais (ideal de ego) e de características de personalidade (ego ideal) desenvolvidas pelo indivíduo ao longo do seu processo educacional. Suicidar-se simboliza também uma punição para aqueles que desenvolveram no indivíduo este superego tirano que age por valores morais e idealizações muito rígidos. Ninguém se mata sem querer matar a outrem!

O suicida é alguém extremamente frágil emocionalmente. Sente-se fora de contexto neste mundo e não consegue viver nele, de modo que tirar a própria vida é a solução mais viável.

Não sabemos quem são nossos filhos… muitas vezes achamos que eles são projeções bem sucedidas de nós mesmos e acabamos por educá-los de modo a serem simplesmente o melhor dos melhores e geralmente não percebemos o tamanho da carga que colocamos nos ombros deles.

Este texto não intenciona esgotar o assunto, mas trazê-lo à tona para discutirmos como estamos educando nossos filhos. Nós os educamos para que sejam pessoas de bem, para que tenham valores morais empáticos, para que sejam capazes de fazer escolhas que levem a um padrão mínimo de felicidade e realização, para que tenham tolerância à frustração, para que aprendam a cair e levantar? Ou os educamos para serem a qualquer custo o máximo, o melhor, o mais perfeito, o que ganha sempre… simplesmente o sucesso em forma de ser humano?

Outro ponto importante é o poder de observação de um pai/uma mãe. A intuição… você tem usado estes poderes mágicos que todos os pais dedicados possuem?

Seu filho passa o dia na internet e você dá graças aos céus porque ele está seguro dentro da sua casa e você é um pai/mãe jovem, moderno e respeita a privacidade dele, não fica se intrometendo no que ele faz na net, afinal você não é da geração que nasceu no mundo virtual, nesse aspecto seu filho é seu professor. Além do mais você tem certeza que ele não fará nada errado, certo?

Nota zero para você! Você está pensando de modo ERRADO!!!!

A internet é um mundo onde tudo pode, tudo existe, de bom e de ruim e você como pai/mãe precisa ajudar seu filho a andar por estas terras nunca d’antes navegada.

Dois jovens que podiam ter tudo a ver com o seu filho perderam a vida navegando por este mundo de bênçãos e maldições.

Não seja invasivo, mas seja companheiro, esteja atendo e eduque.

Talvez se os pais de Amanda e Vinícius, tanto quanto os tantos outros pais não tivessem confiado tanto no poder de discernimento dos filhos, eles ainda estivessem por aqui… Ou não. Quem sabe?

Que fique o alerta!

INFORMAÇÃO OU CONHECIMENTO? A SEXUALIDADE ADOLESCENTE NA ERA DA INFORMAÇÃO

(Claudia Pedrozo)

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Pesquisando sobre o que escrever nesta semana, deparei-me com uma página na internet onde os jovens fazem perguntas abertas sobre qualquer assunto. A página que mais me chamou atenção foi a que continha perguntas relacionadas ao sexo. Eram mais de 180 páginas e cada uma tinha 20 questões!

Fiquei a pensar: nunca nossa sociedade teve tanta facilidade na busca de informação sobre qualquer assunto, mas percebo que na contramão dessa busca fácil está a dificuldade das pessoas terem conhecimento sobre o que buscam.

A quantidade de questionamentos deixa clara que os jovens, embora tenham a informação à mão, muitas vezes não conseguem transformá-la em conhecimento. Falha a família, falha a escola… falham as instituições.

Dos muitos questionamentos selecionei um, que me chamou atenção pela segurança aparente e pelo “grito de socorro” implícito.

O rapaz contava que havia feito sexo com a namorada no dia do questionamento. Tinha certeza que tudo estava bem, mas uma pulguinha atormentava sua tranquilidade. Vamos ao questionamento:

“Fiz sexo com minha namorada duas vezes. Na primeira, o esperma estava todo no reservatório, a camisinha não furou nem nada. Na segunda, ela teve o orgasmo, e a gente continuou normalmente pra eu ter também, só que a camisinha tava muito seca e tava doendo para ambos, então eu tirei e minha namorada fez sexo oral pra eu terminar. Depois mais tarde a gente ficou se esfregando, eu fiquei colocando a cabeça do pênis na calcinha, esfregando. Tenho praticamente certeza que não entrou nem um pouco, mas nessas esfregadas eu devo ter passado um pouco do pênis na entrada da vagina dela e etc (mas isso foi tipo um tempão depois das duas transas). Gente, eu tô com 99% tranquilo que não deu nada, mas mesmo assim queria confirmações e suas opiniões para ficar mais tranquilo. Ela estava fértil quando transamos e fizemos tudo que eu descrevi, mas como disse, foi tudo mais que de boa. Só confirmem pra mim: não há praticamente nenhum risco de gravidez, né? Praticamente nulo…?”

Preocupei-me mais quando vi a resposta dos outros jovens. A maioria afirmava que era impossível a garota estar grávida, só se fosse de outro!

Não sou médica, nem da área médica… mas na vida  conheci algumas garotas que engravidaram exatamente assim.

Independente da questão Médica, o que me chamou a atenção é o despreparo da moçada para viver sua sexualidade de forma segura.

O que observo, sem a intenção de generalizar, é que educação sexual dos nossos jovens, embora tenhamos tantos pais também jovens e aparentemente liberais, ainda é cercada de tabus e segredos.

Precisamos rever isso com urgência. Sexo é algo natural e deve ser vivido com plenitude, com segurança, com afetividade.

Quando falo em afetividade, não quero falar de sentimento de afeto, mas de um conceito mais amplo que na Psicanálise significa ver o outro com os olhos da alma, com a plenitude dos sentidos, estando inteiro naquele momento e naquela relação, cuidando, respeitando e se doando ao outro, na intensidade  e na igualdade que queremos receber.

Pais, precisamos melhorar o diálogo com nossos filhos. Precisamos entendê-los como seres biológicos, que possuem desejos, inicialmente mais físicos do que emocionais, mas nem por isso vamos deixar de educá-los emocionalmente.

Sim, emoção se educa! E isso se faz com bons exemplos, com diálogo aberto, com proximidade e afetividade em seu sentindo mais amplo.

Se continuarmos fingindo que nossos jovens filhos são assexuados, correremos o risco de vê-los correndo sérios riscos… físicos e emocionais!

Pensem nisso. Se você tem reservas em conversar com seu filho sobre sexo, busque entender o que acontece com você… porquê o medo, a vergonha e a resistência? Tente entender suas emoções e o que as motiva. Tente também se lembrar de seus sentimentos quando começou a viver sua sexualidade. E se preciso for, busque ajuda para superar seus conflitos e ajudar seu filho a viver com segurança mais esta fase do desenvolvimento humano! Com certeza eles não dirão… mas no fundo, agradecerão.

Bons frutos, boa árvores!

 

(Cláudia Pedrozo)

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  O mês de dezembro é um mês mágico! Recheado de festas, de encontros, de despedidas, de desejos e esperança. É o mês da renovação!

Trabalho na área da educação e é a época de coroar vitórias e de amargar derrotas no fechar do ano letivo. Em outras palavras é o tempo dos alunos colherem o resultado de seu esforço ao longo de duzentos dias letivos, seja ele positivo ou negativo, traduzido em promoção ou retenção! Em festas de formatura ou tristeza de ter ficado para trás. E embora a educação nas últimas décadas tenha passado por grandes mudanças, o fim do ano escola ainda guarda grandes semelhanças com o que parece ter sido desde que a educação formal foi criada. Dezembro é a época das escolas serem assombradas pelos pedidos de reconsideração de pais inconformados com o resultado escolar negativo dos filhos. São muitas as alegações. Algumas sensibilizam muito, outras deixam claro o descuido da família quando o assunto era a escola. Enfim, não vamos discutir aqui quem está com a razão. Quero contar a vocês a história.

Esta é a história de uma mãe. Uma mulher à primeira vista pacata. Se você julgar o livro pela capa, vai achar que ela é “meio mole”. Mas saindo da superficialidade, encontramos uma mulher intensa, sofrida, forte! Obstinada a crescer e a dar o melhor aos seus três filhos. Não vou dizer o nome dela, não seria ético, mas ela sabe que seria alvo do texto desta semana e o motivo é muito simples: ela se negou a aceitar que um casamento com um homem  cuja visão de mundo era bem limitada, determinasse o futuro de seus três filhos.

Como toda mulher da nossa geração, ela foi criada para encontrar o príncipe! E um dia ela acordou e viu que o  príncipe era um sapo. E o que deveria ser um companheiro se tornou uma âncora. Enquanto somente ela era afetada pela falta de sonhos do atual ex marido, tudo bem, mas quando ele começou a ameaçar os sonhos dos filhos, a leoa que existe disfarçada de ovelhinha surgiu! A gota d’água foi o dia em que, por nada, o brucutu pegou o filho mais novo e “socou” a cabeça do menino na parede, aos gritos, diminuindo e abalando de forma significativa a auto estima do garoto. A partir deste evento o menino mudou, ficou introspectivo, fechado, triste. E adoeceu… desenvolveu uma doença rara no pulmão.

Iniciou então uma nova fase de lutas e batalhas na vida desta mulher! Ela deu adeus a este casamento e com a roupa do corpo e os três filhos voltou para a casa dos pais. Recomeço difícil, sofrido para todos. O problema de saúde do filho caçula a levou dias e noites ao hospital. Ela sofria a dor que chamou de fracasso e eu chamo de coragem de recomeçar. Um casamento desfeito, morar de favor, um filho severamente doente e outros dois precisando de sua fortaleza. A guerreira não se abateu. Não houve tempo de chorar sua dor. Ela se fez forte para que os filhos pudessem sofrer com apoio e aprender a ser fortes.  Estabeleceu metas e correu atrás delas. Trabalhou feito louca, dormiu pouco, esteve presente para os filhos, mesmo quando fisicamente tinha que estar ausente. Estudou, progrediu. E hoje ela colher os frutos de ter sido mãe em tempo integral na adversidade e ter passado pelas tempestades da vida sem ter se quebrado ou se perdido nela.

Os três filhos são vitoriosos! Todos estudaram em escolas públicas e sempre foram excelentes alunos. A mais velha se formou em Direito e hoje é uma brilhante advogada em início de carreira. O do meio é disputado por uma Universidade particular e uma pública de nível internacional, uma das melhores do país. O mais novo se restabeleceu da doença, embora esteja em constante acompanhamento médico, se redescobriu um ser humano íntegro e capaz, apesar do pai, e hoje, no Ensino Médio de uma grande universidade pública, é disputado para ser menor aprendiz em três grandes empresas da grande cidade onde eles moram. São seres humanos maravilhosos. Não poderia ser diferente… boas árvores dão bons frutos quando o agricultor não se descuida dos detalhes.

Num tempo onde é tão comum vermos as pessoas dando desculpas para não serem o melhor que podem ser, gostaria de dividir esta história com vocês, prestando uma homenagem a esta mulher guerreira. Resiliência é a qualidade que ela possui e ensinou os filhos a terem. E é esta capacidade que a Psicologia pegou emprestada da Física, que se faz tão necessária a nós, pais, na educação de nossos filhos.

Aproveite esta época do ano e faça um balanço: o que você está ensinando a seus filhos? Se a resposta não lhe agradar, seja racional, sem desculpas, aproveite o início de um novo ano para iniciar novas atitudes. Esta é a mágica de ser humano… poder sempre recomeçar e fazer diferente!

Adolescência e Mentira: histórias de pescador ou falta de caráter?

(Claudia Pedrozo)

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Esta semana estava aguardando (infinitamente!) para ser atendida numa consulta e  matava o tempo folheando uma revista feminina quando deparei-me com uma mãe que pedia socorro a um especialista, relatando que tem uma filha pré-adolescente que mente demais, segundo a mãe, a garota é compulsiva, mente por qualquer coisa. A mãe relatava já ter passado por vários estágios da raiva à piedade, mas a situação só se agravava. Foi dura, bateu, gelou, castigou, privou de tudo que é prazeroso, fez chantagem emocional, elogiou, premiou e… nada, a menina continua mentindo, e mesmo quando é “desmascarada”, age como se tivesse sendo vítima da maior injustiça do mundo, dizendo que faz o que faz para ajudar os outros, para não magoar ninguém e que sofre com as atitudes injustas dos pais ou age como se nada tivesse acontecido, embora fique num monólogo apontando justificativas e injustiças. Num determinado momento da queixa a mãe diz que a compara com o irmão  mais novo que não mente. Os pais estão com medo dela se tornar uma criança de má índole, estão arrasados, não encontram uma solução,não sabem o que fazer. A mãe reforça que a filha é maravilhosa e o que a estraga é a mania de mentir. Sente que a filha precisa de ajuda, conta que a garota é muito fechada e que por mais que tente, esta não se abre com ela. Termina afirmando que cuidar de filhos não é fácil!

Coincidentemente (Jung não acredita em coincidências, mas sim em sincronicidade, tipo Lei da Atração!) no mesmo dia uma colega me falou sobre o mesmo problema com o filho e sugeriu que eu escrevesse algo sobre o assunto. Bem, vou tentar!

Muitas são as questões que a mãe da revista traz. Podíamos fazer a psicanálise selvagem analisando uma série de coisas, mas vamos nos ater à questão da mentira na adolescência.

Aprendemos desde pequenos que mentir é errado.  Informação dada não significa valor introjetado.  Deste modo ouvir que mentir é errado e não mentir de modo algum ao longo da vida são ações distintas. Não é porque ouvimos que fazemos.

Para muitos pais perceber que o filho mente compulsivamente pode despertar um sentimento de ter fracassado na educação de valores que a família tentou passar para ele. Nem sempre isso é uma verdade. Nem tampouco é sempre mentira! Há casos e casos e cada um é um!

Nos educamos pelos exemplos, nossos valores são construídos com base nos valores e atitudes de nossa família e nos da sociedade em que vivemos.

A mentira está presente em nossas vidas. Muitas vezes a achamos “necessária”, logo perdoada, muitas vezes a condenamos, logo reprimimos.

Na sociedade moderna a mentira é tão frequente que já se banalizou. Encontramos mentirinhas e mentimos muitas vezes ao dia, em diferentes situações sociais. Fazemos um elogio mentiroso, damos desculpas esfarrapadas ou mentimos descaradamente por mil razões: medo das consequências negativas, insegurança, pressão social, ganhos ou patologicamente.

Quando crianças, mentimos para não sermos punidos.  Na infância, até os cinco, seis anos a criança não consegue distinguir claramente a realidade da fantasia, a partir dos sete anos aproximadamente, ela já sabe o que é mentira e a usa em “beneficio próprio”.

Na adolescência mentimos para sermos aceitos e amados, para atender ao desejo de fazer o que queremos e a realidade de atender ao que esperam de nós. Mentir é estratégia comum entre os adolescentes para conseguir fazer coisas que sabem que não serão aprovadas pelos pais.

Crianças/adolescentes com superego rígido (censura) podem se tornar mentirosos compulsivos ao descobrirem que a mentira sacia a curiosidade dos pais ou os ajuda a serem aceitos e valorizados pelas pessoas, em especial por outras crianças/adolescentes

Na vida adulta mentir é uma forma de se preservar, de não ter que assumir responsabilidades por algo que não deu certo. Está presente em muitos mecanismos de defesa que usamos cotidianamente: na atuação (quando nos passamos por algo que não somos, mas que os outros (ou nós mesmos) gostariam que fossemos, na idealização (quando nos mostramos de forma idealizada, que não corresponde com a realidade), na intelectualização (quando usamos a inteligência para criar argumentos que justifiquem condutas que sabemos não serem condizentes com nossos valores, mas que lá no fundinho desejamos), na racionalização (quando fazemos “caquinha” e usamos argumentos lógicos para explicar o que fizemos, nos isentando da responsabilidade da escolha), por exemplo.Ao mentir podemos ser “anjo” – mentir para agradar  – ou “demo” mentir para poder receber algo em troca.

A mentira está presente em pessoas normais ou pessoas com problemas sérios como Neuroses e Psicoses. Nos estados neuróticos, a mentira surge devido a incapacidade de  enfrentarmos  desejos recalcados e que se encontram no  inconsciente ou por problemas de baixa autoestima Nos estados limite, chamados Borderline,  a mentira revela a  falta de barreiras externas que regulem o comportamento do indivíduo. Esta situação decorre geralmente de uma educação feitas por pais muito repressivos ou demasiadamente permissivos. Na Psicose a mentira está presente nos delírios. O psicótico acredita piamente nos delírios por ele criados para fugir da realidade, do sofrimento que a realidade lhe impõe. O hábito de mentir compulsivamente pode ser também uma patologia conhecida por Mitomania. Neste caso a mentira é como um vício, o mentiroso é dependente emocional da mentira, ele é incapaz de se controlar, quando vê a mentira já foi contada e para mantê-la mente mais e mais. Esta patologia causa muito sofrimento e a terapia é uma saída para enfrentar o problema.

Dentro de padrões de comportamento não patológicos a mentira pode ser considerada uma falha de caráter, entendendo  caráter como um conjunto de características e traços relativos à maneira de agir e de reagir de um indivíduo ou de um grupo”.

Se seu filho mente descaradamente e esta mentira prejudica a ele ou a outras pessoas você deve ficar atento(a). Mentir para sair com o namorado ou fazer um passeio em um lugar perigoso é diferente de roubar dinheiro da sua carteira. Uma coisa é testar limites, outra é transgredir lesando o outro. Ao perceber esta situação os pais devem chamar o jovem à realidade, devem passar a acompanhá-lo bem de perto, se fazendo presentes de forma educadora e carinhosa, intervindo e orientando sempre. Mas cuidado com a manipulações e dissimulações, por isso confie, desconfiando! Mentir faz parte da adolescência, caracterizam uma necessidade de distanciamento e diferenciação na busca do encontro consigo mesmo.

Diante das mentirinhas recorrentes, avalie as relações interpessoais que há no seu âmbito familiar. Estabeleça o diálogo, mostrando ao adolescente que a mentira pode trazer consequências negativas, mas cuidado com o monólogo, pratica comum dos pais que dissertam sobre algo com seus filhos. Observe se o que você ensina está coerente com o que você pratica. Você tem pedido a cumplicidade de seu filho para “pequenas mentirinhas”? Tem valorizado as espertezas de seu filho no hábito de inventar “mentirinhas brandas”? Você é um(a) educador(a) observador(a) ou um(a) intrometido(a), que suspeita e invade a privacidade do adolescente, minando o clima de confiança entre vocês?

Ai, meu Deus… Como identificar uma mentira?

Somos programados para dizer a verdade. Quando mentimos nosso corpo nos delata! Especialistas afirmam que ao mentir emitimos sinais não verbais da mentira que podem ser captados por um interlocutor mais atento. Os sinais mais comuns em crianças, adolescentes e adultos pode estar no choro sem lágrimas ou que para de repente ao ser atendido, na colocação da mão na boca, no morder ou coçar a região labial, no desvio dos olhos, na dilatação das pupilas, nas pausas longas e frequentes no discurso, marcado por repetir a pergunta antes de responder, no sorriso curto, nervoso e inexpressivo, que some com rapidez, na falta de gesticulação ou nos gestos dissociados das palavras.

Há ainda uma outra faculdade que não deve ser esquecida nunca pelos pais: a intuição.

Ouça a sua sempre. E investigue e dialogue sempre.

Voltando à mãe da revista, ela está certa. Educar é trabalhoso! Requer orientação, limites e verdade. Acima de tudo seja coerente. Como dizem por aí, “palavras movem, exemplos arrastam”!