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Angústia em relação a morte

(Padre Jeferson Luis Leme)

sofrimento

(Texto bíblico: Mt. 26, 36 – 45)

O texto que escolhi para nossa reflexão, relata a angústia que Jesus passa diante da insegurança, do medo da morte. Angustia que todos nós passamos diante de uma situação de morte, ou seja, quando estamos num velório de um ente querido que acaba de falecer. Ainda mais quando a morte de uma pessoa muito próximo, nos leva a refletir que um dia nós também iremos passar pelo “processo” da morte. Aí vem a angustia que nos leva ao nada.

Na psicanalise, sinal de angústia é a expressão usada por Freud para designar um dispositivo racional que o ego põe em ação diante de uma situação de perigo, para evitar ser dominado pelas excitações desagradáveis. O sinal de angústia reproduz de forma atenuada a reação de angústia vivida primitivamente numa situação traumática, o que permite desencadear operações de defesas. Freud também fala sobre a angústia automática que é a reação do sujeito sempre que se encontra despreparado e submetido a uma situação traumática, isto é, submetido a um afluxo de excitações, de origem externa ou interna, em que é incapaz de dominar. Para Freud, a angústia automática opõe-se ao sinal de angústia que é a preparação racional para evitar a Angústia Automática.

Para Heidegger, é o nada que nos leva a angústia. Pois, o nada é a plena negação da totalidade do ente. O nada se revela na angústia, mas não enquanto ente. O nada nos visita juntamente com a fuga do ente em sua totalidade. Na angústia se manifesta um retroceder, esse retroceder recebe seu impulso inicial do nada. A nadificação não é nem uma destruição do ente, nem se origina de uma negação. O próprio nada nadifica.  É a experiência do nada, não intelectual, mas emocional, que gera o sentimento de angústia (aceitação da própria finitude).

A aceitação da própria finitude é importante para todos nós. Jesus passa pela experiência da angústia e aceita sua finitude como homem. Por isso é importante ter um sentido para vida. A morte é, em si, desesperadora para todos, até mesmo para os animais, e parece só não sê-lo para os que vivem a vida com extraordinária grandeza e na luz de uma grande fé. Esta fé, diga-se a bem da verdade, não precisa ser religiosa ou transcendente, com a qual se acredita e professa explicitamente a Deus e a existência de uma vida pós-morte.

Qual é a nossa angústia? Primeiro, a vida é um valor, em si, e uma graça, a mais palpável de todas, e quanto mais se encarece seu valor, menos se deseja perde-la. Segundo, quase ninguém se sente preparado para morrer, e à morte se seguirá, nos dizem as religiões, a hora-da-verdade, uma espécie de ajuste de contas, o juízo de Deus. Terceiro, dá medo saltar no escuro, no desconhecido, que é morrer. Mesmo que a vida não tenha sido aquela maravilha. Quarto, o mais grave, alguns pregadores estão longe de passar uma imagem positiva de Deus que encontraremos após fechar, em definitivo, os olhos para este mundo. E quinto, morrer é perder, e perder total e irremediavelmente o que já estamos perdendo, embora a conta-gotas, dia após dia. Esta é a lógica da vida que morre. O ser humano é único ser que sabe de sua mortalidade e convive com o fantasma da finitude, do sofrimento, da morte.

A morte, que ocorrerá num momento, sendo a última experiência humana de toda uma vida, é apenas o passo derradeiro de uma caminhada. Na verdade, vivemos morrendo a cada dia. Morrer, por isso, não é uma tragédia, quando se aprende a morrer, com consciência, a cada dia que se vive e, simultaneamente, morre.  O homem, por ter consciência de sua finitude, passa a vida preocupado com o tempo, na intenção de ter controle sobre a própria vida. Diante da finitude da vida e tendo consciência da vida e da morte, lidamos com a nossa fragilidade como pessoas e aprendemos a cultivar o hábito do cuidado.

Com esta fragilidade consciente, descobrimos que a vida, por não ser eterna, cobra atitudes responsáveis. Afinal, não podemos perder tempo e vivemos com responsabilidade para conseguir dar para a vida e tirar dela, da maneira mais urgente possível, aquilo que desejamos. Para Frankl a pessoa humana tem um Deus, uma religiosidade inconsciente. Segundo Frankl, cada pessoa tem uma instância que não é atingida por nenhuma patologia, é incorruptível e lúcida ainda que a doença e o sofrer sejam infinitos. Esta é a dimensão no ética (dimensão espiritual do homem), a espiritualidade imaculada, o Deus vivo na intimidade da pessoa humana.

A vida está repleta de oportunidades para dotá-las de sentido. A vida humana tem sentido sempre e em todas as circunstâncias, e esse infinito significado da existência também abrange sofrimento, morte e aflição.  … nossa luta, nossos esforços não perdem seu sentido e dignidade (Viktor E. Frankl).

 

 

 

Sobre a rocha ou sobre a areia?

(Padre Jeferson Luis Leme)

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Texto bíblico: Mt 7, 21.24-27

Todas as religiões acreditam que somos imortais espiritualmente! Entretanto, mortais fisicamente. Desta maneira, a felicidade na vida nunca poderá ser encontrada fora de você mesmo, através das pessoas, das coisas ou dos sistemas (família, sociedade, trabalho). Nada e nem ninguém lhe fará feliz! Não é o carro novo, não é a casa nova, não é a relação nova, não é o emprego novo que lhe fará feliz. Você poderá ter tudo isto e ser imensamente infeliz!

A felicidade, quando buscada nas idealizações egocêntricas (areia), fora de si mesmo, lhe fará ser uma pessoa metade e estabelecerá um estado ILUSÓRIO em sua forma de pensar, que poderá lhe trazer muitas frustrações, fragilizando-lhe emocionalmente, quando você não alcançar o que pretendia. Ninguém e nada lhe farão feliz, se você antes não estiver construindo a felicidade dentro de si mesmo (rocha), nos seus ideais de auto-realização empática, nos bons valores, nas suas conquistas morais, na realização daquilo que é construtivo para a vida.

Construa a felicidade através daquilo que é real daquilo que nunca desaparecerá, pois sempre terá vida dentro de você! Você pode ter tudo na vida, mas não nasceu para obter a felicidade somente através do ter (areia) e nem pelo aparentar ser o que você não é. Você nasceu para ser (rocha)! Estamos numa escola de amor e desprendimento, pelo servir desinteressadamente a tudo e a todos.

A proposta do Evangelho é a busca da felicidade na rocha que é a Palavra de Deus. Deus que é Real, e não ilusório. A analogia que faço entre real/ilusório e a rocha/areia, nos mostra a importância de Deus em nossas vidas, pelo fato da felicidade que está em nós, e não fora de nós. Para vivermos na rocha/real, é necessário escutar e colocar em pratica a Palavra de Deus. Temos que ser pessoas de oração, que é mais que a súplica oral, para convertê-la em vida de comunhão com Deus. Esta derremar-se-á logo sobre a nossa existência pessoal, a família e o trabalho, a realidade comunitária e social em que vivemos, sem criar separação entre fé e a vida.

A realização da vontade de Deus em nossas vidas, ou seja, a pratica da Palavra de Deus é o Amor. Ame a tudo e a todos e você será um “todo” e estará construindo para si aquilo que é real. Dê sempre o melhor que puder, em tudo que você fizer! Não espere nada de ninguém, pois isto será a sua maior ilusão na vida! Entretanto, a felicidade só poderá ser obtida através do equilíbrio e da harmonia entre as nossas necessidades egocêntricas e empáticas. Os sentimentos construtivos de amor devem ter uma harmonia entre a razão e a emoção, fé e pratica da vida.

Refletindo sobre o Evangelho, podemos nos perguntar; Somos a casa sobre a rocha/real ou sobre a areia/ilusório? Dada a nossa fraca condição, propensa à ambiguidade cômoda, participamos provavelmente das duas situações, cumprindo e faltando a espaços: fortes em tempos de bonança e débeis em momentos de apuros. Por isso temos de rever urgentemente os nossos alicerces, sobretudo nos tempos de crise que correm. Como diz Francisco de Assis: O EU não entra no CÉU só o NÓS.

Rivalidade Fraterna: amor e ódio na relação entre irmãos

(Claudia Pedrozo)

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Ficar numa fila de banco é algo que todos detestamos, não é? Mas sempre se pode aprender um pouco mais sobre a vida quando ficamos lá, em pé ou sentados, de orelha na conversa alheia. Acreditem filas de banco são ótimos laboratórios!

Nesta semana fiquei a escutar, sem querer, mas já escutando, a conversa de duas comadres. A comadre “X” contava para a comadre “Y”sobre as dificuldades que seu filho e sua nora estão enfrentando com a rivalidade entre seus dois netos, uma menina de oito anos e um menino de quase sete. Segundo a vovó “X”, toda vez que o filho compra algo para o menino mais novo, obrigatoriamente tem que comprar para a menina mais velha. Ai dele se não comprar!!! A garota faz um dramalhão mexicano, tipo ninguém me ama, ninguém me quer… E, num ataque raivoso, briga e fala coisas horríveis para o irmão e para os pais. A família, segundo Dona “X”, está em pé de guerra. A briga entre os filhos está começando a afetar os pais, que sem saber como agir, acabam brigando entre si. Sentem-se culpados e impotentes diante da filha e acabam cedendo aos caprichos da garota, comprando-lhe algo , que ela geralmente não valoriza e que fica jogado num canto, logo após o recebimento.

Como sofrem – ou melhor como querem sofrer – as avós! Dona “X” está preocupadíssima, porque a neta está ficando insuportável e os pais não aceitam ajuda e conselhos da experiente senhora! E com tudo isso ela está vendo a neta se transformar numa pequena déspota, por culpa dos próprios pais.

Coçou minha língua para palpitar na conversa das duas senhorinhas, mas me contive. Pelo menos lá no banco. Afinal minha mãe sempre disse que ouvir conversa alheia é falta de educação! Mas como já flexibilizei meus valores, nesse quesito, resolvi falar sobre esta situação aqui.

A rivalidade entre irmãos é algo bíblico, natural e faz parte do desenvolvimento humano aprender a conviver com o outro. Quem tem irmãos sabe que aprendizado é este. Quem não tem irmãos, com certeza tem primos, o que dá quase no mesmo em termos de aprender a dividir na marra!

A família é o primeiro laboratório para essa aprendizagem. Quando nasce uma outra criança, o primogênito sente-se, naturalmente, ameaçado e preterido. Acredita, sente, imagina que perdeu o amor de seus pais, avós, tios, enfim de todos os adultos da família. Diante disso sentimentos ambivalentes – amor e ódio – por este “intruso” despertam. O resultado é que disputam, brigam até pelo ar que respiram, enlouquecendo os pais.
Como agir diante dessa situação?

Em primeiro lugar os pais devem deixar claro para o filho mais velho o quanto o amam, em palavras e em atitudes. A criança precisa sentir-se segura desse amor, precisa entender que não deixou de ser amada só porque o “outro” nasceu. É evidente que ela testará os pais e estes, muitas vezes sentindo-se culpados, porque naturalmente socorrem o caçula, acabam embolando todo meio de campo, quando entendem que o filho para sentir-se amado precisa ser comprado.

Crianças são mais espertas do que parecem e nos fazem de bobos sem que percebamos! Por isso devemos ter cuidado e prestar atenção no quanto estamos sendo manipulados e no quanto nos deixamos manipular, em nome de uma consciência “tranquila”.

Sugiro aos pais que sejam mais presentes, que dividam o tempo e as tarefas e se organizem para prover o mais novo, atendendo às suas necessidades e para passar um tempo junto com o filho mais velho. Um tempo de qualidade, onde não haja cobranças e comparações. Onde a criança, com o auxílio dos adultos, possa entender as necessidades do caçula e as dificuldades dos pais. Para isso diálogo é fundamental.

Todos nós queremos ser amados e valorizados… isto faz parte das nossas necessidades básicas. Ao receber de “presente” um irmãzinho, sem o devido preparo (já que muitas famílias fantasiam este momento como se fosse tudo lindo e perfeito, como se o caçula já nascesse grande e não desse trabalho e que pudesse ser o companheiro que o outro irmão deseja) a criança naturalmente vai “surtar”( afinal de uma hora para outra parece que ela ficou invisível, que todos só têm olhos para o caçula) e a única solução é fazer-se presente através da rivalidade com o outro.

Cabe aos pais serem os adultos nesta relação. Educar algumas vezes dói e sempre dá trabalho! Mas dar amor e segurança ao filho mais velho pode poupar uma série de dores de cabeça futuras. Para quem quiser se aprofundar no assunto, sugiro os livros:

“Entendo a rivalidade entre irmãos”, dos autores Joshua D. Sparrow e T. Berry Brazelton, da Editora Artmed (http://www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/resenha.asp?nitem=1223955&sid=7351302311578499576232418)

“Rivalidade Fraterna – o Ódio e o Ciúme Entre Irmãos”, da autora Nise Britto, Editora Agora (http://www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/resenha.asp?nitem=665043&sid=7351302311578499576232418)

“Irmãos ciumentos, irmãs egoístas – Dicas para enfrentar a rivalidade entre os irmãos”, do autor Ted O’Neal, Editora Paulus
(http://www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/resenha.asp?nitem=5067400&sid=7351302311578499576232418)

Talvez Vovó “X” pudesse sutilmente dar um destes de presente ao filho…

Amor e segurança custam pouco. São mais baratos do que os subornos que os mais velhos muitas vezes cobram, como forma de tributo sádico aos pais culpados e algumas vezes mal resolvidos (porque alguns pais já viveram esta mesma situação, num outro tempo, e agora simplesmente atualizam seus recalques).
Amor e segurança custam pouco… um pouco de muita atenção. Pensem nisso.

Você realmente sabe trabalhar em equipe?

(Sônia Pedreira de Cerqueira)

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Com o texto de hoje vou lançar uma reflexão sobre os relacionamentos no trabalho em equipe. Gosto de refletir sobre os trabalhos em equipe porque eles reúnem componentes que desafiam os “nervos humanos” como pessoas, tempo, custo, prazo e egos.

Dizem que as equipes alcançam de maneira mais fácil as metas estabelecidas do que um indivíduo sozinho. Na verdade são atribuídas verdadeiras maravilhas aos trabalhos em equipe. Mas afinal o que é uma equipe senão a união de vários “indivíduos sozinhos”.

É esta união da individualidade que enriquece as empresas e os trabalhos em equipe.
Mas não são todas as pessoas que estão preparadas para expor sua individualidade de forma construtiva no trabalho em equipe. Tal trabalho envolve a satisfação e insatisfação das pessoas, o destaque de alguns e o anonimato de outros, sentimentos positivos e negativos, segurança psicológica para opinar e recusar opiniões e o mais importante de todos, o respeito.

Mas no meio de sensações, sentimentos e pensamentos tão diversos penso se realmente estamos preparados para lidar com aquelas situações que nos são adversas. Vejo pessoas adultas e inteligentes terem comportamentos absurdamente desproporcionais frente às adversidades e frustrações em projetos nos quais estão trabalhando, causando desunião e descrença do resto da equipe.

Para trabalhar em equipe precisamos conhecer nossos sentimentos, reações e porque reagimos. Uma pessoa que não conhece o mínimo de si mesma e ainda é dotada de um lado egocêntrico sobressaltado pode destruir o trabalho e a motivação de uma equipe.

O bom trabalho em equipe pressupõe que as pessoas coloquem o lado egocêntrico para descansar um pouco e se invistam de sentimento de empatia tais como: ouvir com humildade, colaborar com amor, aceitar posições controversas sem rancor e, principalmente, discordar com educação.

Já refletiu como estão seus comportamentos e sentimentos no trabalho com seus colegas? Pense nisso nestes próximos dias, afinal, se perceber é o primeiro passo rumo à melhoria.

Ausência de Deus

(Padre Jeferson Luis Leme)

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(Texto bíblico: Evangelho: Mc 7, 14-23)

Ultimamente, estamos acompanhando a situação que se encontra a Síria. Uma nação machucada, atormentada, dividida e destruída pela ganância de poucos. De onde vem tanta maldade? De onde vem tanta ganância? Tentei buscar uma explicação Evangélica à luz da psicanálise. Pesquisando nas obras de Jung, descobri sobre a Sombra. Ele relata que a sombra são qualidades inferiores, incivilizadas e animalescas reprimidas pelo ego, que se mantém numa relação compensatória com a “luz” do ego.

A sombra é aquilo que uma pessoa não deseja ser. Embora o ego seja o centro da consciência, ele não deve ser confundido com o self, que é o objeto final do processo de individuação, a completude da personalidade. Sendo assim, o ego que se identifica com o self fica inflado perigosamente todo poderoso, isto é, projetando a própria sombra irracional nos outros identificando-os como perigosos.

Um exemplo dessa explicação que Jung relata é o Nazismo de Hitler. A psicose coletiva do nazismo de Hitler e sua atrocidade genocida ocorreram porque o ego alemão se tornou inflado ao se identificar com a “pura raça ariana” e então projetou sua sombra coletiva sobre os judeus. Será que as sombras que carregamos não é a ausência de Deus?

Jesus deixa claro para nós que o que sai de dentro do homem, ou seja, seu coração, mancha sua vida. Porque dentro do coração humano, saem os maus propósitos, as fornicações, roubos, homicídios, adultérios, cobiças, injustiças, fraudes, libertinagem, inveja, difamação, orgulho e futilidade. Tudo isso pode-se dizer que é as sombras que carregamos. Já dizia Albert Einstein; “O mal não existe, Deus não criou o mal. O mal é o resultado do que acontece quando o homem não tem o Amor de Deus presente em seu coração.”

É preciso purificar o nosso coração, o nosso intimo, o nosso “eu profundo”, onde realmente se dá o encontro com Deus, mais do que tudo. Há que purificar as intenções, os desejos, os atos da vontade e da inteligência, pois é deles que nasce o que é mau. Paulo Apóstolo nos diz; “Desde que pertencemos a Jesus Cristo, tornamo-nos uma nova criatura: o passado já não existe; tudo é renovado. Ora, tudo isto vem de Deus, que nos reconciliou consigo pelo Cristo e foi a nós que Ele confiou o ministério da reconciliação. Sim, foi Deus quem reconciliou os homens consigo em Jesus Cristo, não lhes imputando os seus pecados, e foi em nós que Ele colocou a palavra da reconciliação. Nós desempenhamos, portanto, as funções de embaixadores de Cristo, como se Deus mesmo vos exortasse pela nossa boca. Oh! Conjuramos-vos, em nome de Cristo, reconciliai-vos com Deus! Por nosso amor, fez pecado (ou vítima do pecado) aquele que não conhecia o pecado, a fim de que nos tornássemos a justiça (ou os justificados) de Deus.” (2Cor 5, 17).

Por fim, sei que muitos que nos acompanham no Blog não são católicos. O Papa Francisco convida a todos católicos e não-católicos a nos unirmos em uma corrente de oração pela paz no mundo. Peço a todos que orem pela paz no mundo, principalmente pela população da Síria. Até breve!!!!

As defesas do ego

(Nathalia Paccola)

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Em terapia, fato comum quando a pessoa começa a se tratar é o enfrentamento com os recalques, que impede o acesso ao seu inconsciente buscando defender aquilo que se deseja mas se teme. Freud falou dessa resistência à psicanálise para designar uma atitude de oposição às suas descobertas, na medida em que elas revelavam os desejos inconscientes e infligiam, ao homem, um “vexame psicológico” ao contrariar os seus valores.

O paciente resiste se enfrentar, defendendo-se, já que a queda da máscara narcisa e egocêntrica o desnuda e nem sempre ele deseja ser visto como é, mesmo porque é algo que ignora. Toda vez que uma pessoa, ao se confrontar com necessidades que não podem ser atendidas sem se confrontarem com seus padrões de ego ideal / ideal de ego e superego, haverá o processo de defesa /resistência.

Desta maneira, o psicanalista encontra no analisando uma operação de auto-proteção, chamada de “Resistência Avançada de Primeiro Nível”, aquela que impede qualquer acesso ao material recalcado. Exemplo: acting out, fugir do consultório, amnésia infantil ou adulta, reação terapêutica negativa etc…

Quando o terapeuta consegue quebrar essa primeira resistência, surge uma outra defesa exercida pelo ego para tentar manter sua estabilidade emocional intacta, a “Resistência Avançada de Segundo Nível”, quando o paciente contra-investe e não permite que o material recalcado flua para ser analisado. Exemplo: formação reativa, idealização, atuação, intelectualização etc…

Não é fácil reestruturar valores (ideal de ego) e eliminar os ganhos de atenção (primários) e recursos materiais (secundários) que o ego obtém ao adoecer psicologicamente. Por isso, o psicanalista deve, com habilidade, insistir em falar nos assuntos desejados, mas temidos pelo indivíduo, buscando exercer a persuasão, pela sua empatia e neutralidade (não julga, não desenvolve preconceitos).

Vencidas as duas etapas de resistências, o paciente trará à luz do campo consciente o material recalcado, permitindo sua interpretação e a sua perlaboração, destruindo seus efeitos patológicos, reduzindo suas tendências primitivas, permitindo a sua cura.

Adolescência, drogas e família

(Claudia Pedrozo)

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Hoje gostaria de refletir um pouquinho sobre a questão da droga na adolescência. Longe de mim, querer esgotar ou explicar sob apenas um ponto de vista esta questão que assola nossa sociedade. A entrada de alguém neste mundo ocorre por uma multiplicidade de fatores.

Ontem tive uma reunião de trabalho com vários educadores de escolas públicas e, ouvindo os gestores de diferentes escolas, observei que quase 100% dos alunos envolvidos com drogas são vítimas de um desamparo familiar que independe da classe social. Desamparo e drogas se fazem presentes independente da conta bancária dos pais!

Na Psicanálise a adição – ou dependência física ou psíquica – é classificada como uma Neurose Impulsiva.

As Neuroses Impulsivas são aqueles desequilíbrios emocionais cujos sintomas se caracterizam por atos impulsivos, ou seja, por ações prazerosas. O problema é que estas ações não são convencionais e podem prejudicar quem as realiza ou aos outros. São Neuroses Impulsivas: a cleptomania (pegar objetos), a piromania (colocar fogo), os vícios do jogo, dos tóxicos, andar sem destino…

Freud diz que dentro de nós vivem três seres: id, ego e superego. Grosseiramente podemos dizer que o id é nosso polo pulsional, é ele que manda os impulsos para o ego resolver os problemas que surgem diante das insatisfações da vida. Ele é irracional, regido pelo princípio do prazer. É só desejo! Tudo que gravamos na parte inconsciente do nosso ser é de conhecimento do id. Na parte consciente está o Ego. Ele é a porção do id que foi educada. É regido pelo princípio da realidade. Recebe os impulsos do id, mas só pode atendê-los se o superego deixar! O superego é o juiz, o censor moral que premia, alerta e pune o ego, causando distonias emocionais (angústias, insônias, tristezas sem motivo aparente) e os sintomas neuróticos.

Diante das insatisfações do ego o id manda a ele os impulsos e aqueles proibidos pelo superego são deformados e geram os atos impulsivos com o objetivo de eliminar a tensão interna ameaçadora; são impulsos prazerosos que visam cessar o sofrimento, a dor interna que o indivíduo sente.

A busca pela droga caracteriza uma busca de segurança e apoio, a pessoa passa a depender deste componente para sentir-se alguém, ficando num primeiro momento depende emocional e, posteriormente dependente físico da substância tóxica, a ponto de anular todos os demais interesses da vida. Os adictos são pessoas para as quais o efeito da droga tem significado específico de provedor de segurança. Não toleram a tensão, não suportam a dor, a frustração, a expectativa. A droga é uma oportunidade de fuga e seu efeito é algo tão gratificante que elimina o sofrimento e a frustração. Passado o efeito da droga, o sofrimento e a frustração tornam-se ainda mais difíceis de suportar, induzindo novamente o aumento do uso da droga.

O que predispõe um jovem a ser “viciado” ou não é sua estrutura emocional. Jovens criados sem afeto, sem limites, com o mínimo de frustração são presas fáceis do tráfico.

A quem cabe educar o jovem para que ele não desabe diante das tempestades da vida? Nos dias de hoje vemos os pais preocupados em prover seus filhos de bens materiais e se esquecendo de desenvolver valores universais. Em nome da culpa que desenvolvemos pelo abandono a que sujeitamos nossos filhos, damos a eles tudo que o dinheiro pode (muitas vezes não podemos!) comprar, dizemos “sim” para tudo, temos que ser os “pais amigos” e esquecemos-nos de sermos “pais educadores”, que educam pelos exemplos e pelas palavras. Afirmamos amar incondicionalmente, mas esquecemos de amar educando. O psiquiatra e educador Içami Tiba afirma que “quem ama, educa”! Eu acredito que educar é muitas vezes dizer não! Quem educa para a vida, corre menos riscos de chorar por um filho “zumbi”, perdido no insano mundo das drogas.

Pensem nisso!