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Devemos tomar sol?

(Dra. Karen Câmara)

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O sol tem sido considerado um grande vilão ultimamente. As pessoas evitam tomar sol e, quando o fazem, protegem a pele com protetores solares. É sabido que o câncer mais comum é o câncer de pele e o maior causador é o sol. As mulheres temem o sol porque ele provoca envelhecimento precoce e faz surgir manchas na pele. O sol desidrata não só a pele mas o corpo todo, uma vez que esquenta e faz suar. O sol em excesso pode provocar vermelhidão, bolhas, queimaduras, rugas, câncer.

Mas ele também traz benefícios. Talvez o maior deles seja a produção de vitamina D. O colesterol que existe no organismo é, na verdade, uma matéria prima essencial para, entre outras coisas, a fabricação de diversas substâncias, como por exemplo, a vitamina D. A luz do sol, quando incide sobre a pele, converte o colesterol em vitamina D3. A vitamina D3 é transformada em Vitamina D ativa pelo fígado e pelos rins. Tecnicamente a vitamina D é um hormônio que pode ser produzido pelo organismo através da exposição ao sol. Hoje em dia é comum o médico pedir um exame para dosar a vitamina D e é frequente encontrá-la abaixo dos níveis normais.

A vitamina D é essencial para a absorção de cálcio pelo organismo. Sem vitamina D não há absorção de cálcio pelo intestino. O cálcio não só é fundamental para a saúde dos ossos e dentes como também faz parte de vários processos bioquímicos do nosso corpo. Há estudos que mostram que a deficiência de vitamina D pode facilitar o surgimento de doenças no sistema cardiovascular, pode provocar uma diminuição da força muscular, alterações do equilíbrio e da coordenação motora, além de estar associada a dores crônicas e ao diabetes tipo 2. Pessoas com níveis baixos de vitamina D têm risco aumentado de fraturas, não só por causa da osteoporose mas também porque a força muscular e o equilíbrio estão afetados.

Quando se usa protetor solar, a produção de vitamina D fica muito diminuída. Portanto, devemos usar protetor solar nas regiões mais delicadas como a face, as orelhas, o dorso das mãos e o colo, mas algumas regiões devem ficar livres para tomar sol. Ainda vale aquela regra antiga de que devemos tomar sol nas primeiras horas da manhã ou no final da tarde e pouco de cada vez. Nas latitudes em que vivemos, isto é, no Brasil, a incidência de luz solar é grande e bastam 15 ou 20 minutos diários para que possamos produzir quantidades suficientes de vitamina D. O costume brasileiro de cobrir menos o corpo, principalmente durante o verão, também facilita isso. Estudos feitos com mulheres árabes que usam burcas mostram que a maioria delas tem deficiência de vitamina D porque não se expõem ao sol, mesmo vivendo em países ensolarados.

O sol também regula vários outros processos no corpo e no cérebro. Algumas partes do cérebro registram e reagem a diferenças na quantidade de luz solar a que estamos expostos. Nas regiões próximas aos polos, onde o inverno é rigoroso e longo, o sol nasce tarde e se põe cedo. São tão poucas horas de sol por dia que algumas pessoas sofrem aquilo que se chama de Doença Afetiva Sazonal. É uma depressão que ocorre no inverno, portanto sazonal, justamente porque aquelas pessoas precisam de maior exposição à luz. Em certas escolas dessas regiões há uma sala, especialmente destinada a esse fim, com uma luz artificial forte para que as crianças possam receber uma quantidade extra de luz durante o inverno. Passar algum tempo expostas a esta luz, que imita a luz solar, teria o efeito de prevenir a depressão nas crianças.

Devemos, portanto, tomar sol com frequência, nas horas certas, em pequenas quantidades de cada vez, protegendo as áreas mais sensíveis do corpo e os olhos.

A saúde do imperador-criança

(Dra. Karen Câmara)

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A China foi um império durante milhares de anos. O imperador era considerado a pessoa mais importante do país, inclusive com atributos que o aproximavam de uma divindade. A segurança do imperador era tão crucial que toda uma cidade foi construída em volta do seu palácio, aquilo que hoje se chama A Cidade Proibida em Beijing.

A educação e a saúde do imperador eram de suma importância. Se alguém viu o filme  O Último Imperador do diretor italiano Bernardo Bertolucci, deve se lembrar de uma cena em que o imperador ainda era criança e suas fezes aparecem dentro de um penico.  O médico olha, movimenta o cocô dentro do penico para ver sua consistência, cheira os excrementos e então diz:  “Menos carne”. Ele queria dizer que a alimentação do imperador-menino devia conter menos carne. O médico examinava as fezes do menino para poder ajustar corretamente sua dieta. As ordens do médico deviam ser seguidas pela cozinha do palácio. O imperador-criança tinha que comer o que fazia bem para sua saúde e não apenas o que lhe agradava. Sim, porque a preservação de sua saúde era assunto de Estado. Todo o império dependia dele e de suas decisões. Mas, veja bem, a saúde era preservada. Dizem que os médicos do imperador só recebiam seus honorários enquanto o imperador estivesse com boa saúde. Quando o imperador adoecia, os médicos deixavam de receber seu pagamento. Isso, é claro, era um incentivo para que os médicos se concentrassem muito mais em preservar a saúde do que em curar as doenças.

Educação e Saúde estão tão interligadas, tão entrelaçadas que é difícil dizer qual é mais importante. A meu ver, Educação vem primeiro. Através da Educação é possível melhorar, e muito, a Saúde. As crianças precisam das duas coisas desde o início e, para isso, as mães têm que ser educadas. São elas que cuidam das crianças nos seus primeiros anos de vida. São elas que formam as próximas gerações. Portanto, para criar as crianças, precisamos educar primeiro as mães.

Outro dia uma mãe me disse que a filha, de seis anos, tinha prisão de ventre crônica e muitos gases. Sofria de frequentes dores na barriga e não conseguia evacuar bem. Quando conseguia, eram fezes duras e ressecadas. Perguntei o que a criança comia e a mãe disse que era principalmente arroz, macarrão, pão e bolachas. “Só?”, perguntei eu. “Acontece que ela não gosta de verduras, legumes e frutas”, me respondeu a mãe.

É claro que a filha tinha prisão de ventre. Com essa dieta, seria difícil não ter prisão de ventre. O que está faltando aqui? Educar a mãe, que parece não saber como alimentar a criança. Ora, criança não deve comer apenas o que quer. A mãe tem que saber o que faz bem  à saúde da criança, assim como os médicos do imperador. A mãe deve ajustar a dieta às necessidades da criança. É claro que também tem que adaptá-la ao gosto da criança.  Mas essa mãe não tinha a mínima ideia do que estava acontecendo e muito menos de como proceder. Então, por conta própria, dava este e aquele medicamento para a criança e nada resolvia. Não resolvia porque ela estava querendo eliminar os sintomas ao invés de lidar com as causas do problema. O problema era a dieta. Uma dieta pobre em fibras, rica em farinha branca, cheia de açúcar refinado, sem as fibras proporcionadas pelas frutas, verduras e legumes. Investiguei mais um pouco, vi que a criança tomava pouca água e bastante refrigerante. Como se não bastasse, fazia pouco exercício físico, ainda mais depois que passou a ter dores na barriga causadas pela prisão de ventre. Estava, então, completo o quadro para que desenvolvesse uma bela constipação intestinal: dieta pobre em fibras, ingesta inadequada de água e pouco exercício físico.

Como solucionar isso? Segundo a mãe, com medicamentos! Sim, por falta conhecimentos, ela dava remédios para a filha, crente que estava fazendo o melhor. Cada vez que ia à farmácia, o balconista lhe empurrava mais um medicamento e ela, toda esperançosa, dava para a criança. Como isso não resolvia o problema, ela achou que os medicamentos eram ineficazes. Foi aí que o caso chegou até mim.

Conversei com a mãe, expliquei que o problema da criança poderia ser resolvido sem uso de medicamentos. Bastaria fazer algumas mudanças na dieta e no estilo de vida. A mãe aceitou as sugestões, implementou as mudanças e depois me disse que a filha havia melhorado.

A mãe teve que ser educada para que a saúde da criança melhorasse.

Falando em Educação, terça-feira foi Dia do Professor. Parabéns a todos eles!

 

 

QUEM AMA NÃO ADOECE

(Adriana Lobo)

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Muito se tem estudado nos dias de hoje a respeito dos efeitos do  amor na nossa  saúde e nas nossas vidas de uma forma geral.

Podemos afirmar que indivíduos que não foram amados adequadamente, na maioria  das vezes não conseguem amar com desprendimento, tornando-se assim pessoas  infelizes.

O adoecimento do corpo serve para dar vazão a esse sofrimento produzido muitas  vezes pela falta de amor.

A prática do amor gera saúde, quem ama a si mesmo e aos outros, quem deseja o  bem ao seu próximo, quem pratica a caridade aos mais necessitados, vive mais e com  muito mais saúde, disposição e harmonia.

Para não adoecermos é necessário aprendermos a lidar com as nossas emoções e as  nossas imperfeições, afinal de contas somos humanos e estamos em processo  evolutivo.

É necessário estar sempre atento as nossas ações, cultivar bons hábitos, falar dos seus sentimentos, sem medo, sem julgamento, cuidar da saúde física, ler bons livros, perdoar a si mesmo e aos outros através da prática da compreensão.

Dê sentido a sua vida, trace metas possíveis de serem alcançadas, seja bom, seja útil, onde quer que você esteja.

Aceite-se como você é, seja você mesmo, trabalhe suas imperfeições, seus instintos agressivos e o seu lado egocêntrico, pratique o exercício da empatia, agindo assim  poderá compreender melhor o sofrimento alheio.

Liberte-se da opinião dos outros, esteja em paz com sua consciência, faça tudo com muito amor.

Viva com simplicidade, complicamos demais a vida, vivemos num mundo de ilusões materiais, onde o “ter” é mais importante que o “ser”.

Contribua para o bem estar das pessoas, encare as dificuldades com confiança e fé, transforme problemas e oportunidades.

Seja grato por tudo o que Deus tem proporcionado na sua vida, busque Deus em tudo, agindo assim encontrará paz interior e não haverá espaço para as doenças da alma.

É com uma atitude de amor para com o próximo e a si mesmo que teremos a saúde da alma, do corpo e do espírito.

Fiquem bem !

(Adriana Lobo é Psicanalista e Psicopedagoga, seguidora do Blog e atenta ao amor ao próximo)

“Virei paciente”

(Dra. Karen Câmara)

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Não gosto que minha rotina seja quebrada ou bagunçada de repente, sem meu consentimento, sem aviso prévio. Acho que ninguém gosta.

Na segunda-feira passada tive uma sessão de terapia que provocou um abalo sísmico dentro de mim. Eu era a analisanda, não a analista. De repente algumas placas tectônicas internas se moveram, enxerguei uma porção de coisas, fiquei agitada, desarrumada por dentro, os pensamentos confusos.

Saí da terapia e fui direto para o trabalho. O enfermeiro que trabalha comigo viu que eu estava meio estranha e começou a verificar meus sinais vitais: pressão arterial, frequência cardíaca, glicemia. A pressão subiu. O coração não só acelerou como passou a bater fora do compasso. Os pensamentos ficaram confusos e se manifestavam em uma fala repetitiva, sem muita lógica.

Pois é. Somatizei. Converti.

Claro que eu queria continuar meu dia conforme o costume, mas não me deixaram. O enfermeiro chamou minha filha, que foi me buscar no trabalho e me levou direto para o hospital. Passei por vários médicos, todos com um jeitinho muito simpático, mas com idade para serem meus netos. Eu, num mau humor daqueles, questionava tudo, discordava de tudo, só queria ir embora para casa. Eles tateando, tentando me tourear, talvez meio intimidados pelo fato de eu ser médica e ter cabelos brancos. Olhei os CRMs nos carimbos: todos altos, três vezes maiores que o meu, todos formados há pouco tempo. Depois de uma verdadeira campanha de convencimento, fui internada, muito a contragosto. Sabe aquela situação em que você diz “aceito, mas não concordo”?

No dia seguinte, depois de uma noite péssima, eis que surge um médico que parecia bem mais velho que eu.
“O que você teve?” ele perguntou.

“Uma arritmia e uma suspeita de AIT”, disse eu. (Obs: AIT quer dizer Acidente Isquêmico Transitório, ou seja, um pequeno derrame).

Ele franziu a testa, cerrou as sobrancelhas, fez uma cara feia.
“Isso é diagnóstico! Eu quero saber dos seus sintomas!” disse ele peremptoriamente.

Baixei a cabeça. Murchei as orelhas. Fui para meu lugar. Naquela instante, naquele lugar, meu papel era de paciente. Cabe ao paciente, e só a ele, relatar seus sintomas. Cabe ao médico, e só a ele, elaborar hipóteses diagnósticas. É claro que os dois têm que trocar informações e um ajuda o outro. É uma parceria. Mas cada um no seu lugar.

De repente fui lembrada disso e, meu Deus, que alívio! Finalmente começou a verdadeira consulta, através do estabelecimento claro dos papéis e de suas funções naquela nascente relação médico-paciente. Alguém que vai me ouvir, que quer saber o que eu senti. Ele assumiu o papel de médico e me tratou como paciente, que era meu papel naquele momento. Me ouviu, me examinou com calma, viu meus exames anteriores com atenção. Explicou a gravidade do que eu tinha e os possíveis riscos. Estabeleceu uma linha investigativa. Disse quais os exames iria pedir e por que. Deu um prognóstico. Aprendi muito naqueles poucos minutos de visita.

Ufa, encontrei um médico de verdade! Como os de antigamente. Eles ainda existem.

Ele pediu um exame e colocou seu carimbo. Uau! Um CRM baixo!

Precisou surgir alguém com um CRM muito menor que o meu para me colocar em meu lugar.

É nessas ocasiões que percebemos que não somos nada, apenas desempenhamos papéis diferentes nas mais diversas
situações.

Qual é o poder da crença?

(Dra. Karen Câmara)

birra

Na semana que passou, conversei com uma mãe que me disse o seguinte:
“Meu filho está doente porque quer comer um sorvete e eu não encontro para comprar.”

Ela contou que o filho, de dez anos de idade, havia visto a propaganda desse sorvete na televisão e isso teria despertado nele tamanha vontade de consumir a guloseima que ele, agora, apresentava sintomas de dor na barriga e febre.

Ora, do ponto de vista médico, sabemos que dor é um sintoma subjetivo, não há como comprovar ou mensurar, mas a febre é um sinal objetivo, fácil de medir, basta usar um termômetro. Sabe-se também, no meio médico, que as crianças tendem a referir dor na barriga quando estão em situação de desconforto ou de estresse. Geralmente essa dor na barriga não é acompanhada de diarreia ou vômitos, dois sinais objetivos. Entretanto, enjoo e inapetência podem, com frequência, compor o quadro. Quando se pedem exames complementares como ultrassonografia, endoscopia, exame de fezes, nada de anormal é constatado. Entre os fatores desencadeantes mais comuns estão a ausência repentina, inesperada ou prolongada de um dos pais, conflitos no ambiente familiar, problemas na escola ou no círculo de amigos da criança. Esse quadro evolui de forma benigna e costuma desaparecer quando a situação estressante deixa de existir.

Perguntei à mãe da criança sobre possíveis causas psicológicas e ela declarou com firmeza que nada havia de diferente ou possivelmente estressante na vida da criança que pudesse ser a causa da dor na barriga. Só podia ser o sorvete.

Perguntei sobre a febre, se ela havia aferido a febre com termômetro. Ela foi muito clara:
“Sim, medi a temperatura dele várias vezes e deu 37,5°C, 38°C e até 38,5°C. A febre vai e volta. Às vezes ela só passa se eu dou remédio”.

Argumento que uma febre é sempre um sinal importante e deve ser investigado. Recomendo que leve seu filho a um serviço médico para ser avaliado. Ela não se deixa convencer, diz que o filho já esteve em consulta recentemente, exames foram pedidos e estão normais. A criança está perfeitamente sadia. O problema é o sorvete.

De sua parte, ela explica que vivem no sítio, são pessoas simples, de poucos recursos mas “nunca faltou o de comer”. Diz, com orgulho, que nunca deixaram a criança “passar vontade”. Parece querer dizer: “Somos bons pais, bons provedores, somos responsáveis, estamos conscientes de nossos deveres para com nossos filhos!”

“Mas agora, dessa vez,” ela acrescenta, “não foi possível fazer a vontade do menino. Já fui à cidade mais perto, procurei em todas as padarias e não consegui encontrar o sorvete para comprar. Então, ele ficou doente.”

Tento arrazoar de outra forma, dizendo que a criança tem dez anos e já possui entendimento suficiente para lidar com situações de frustração. Ela concorda, diz que o filho é uma criança calma, inteligente, sabe perfeitamente aceitar que algumas coisas não são possíveis mas isso em nada resolve o problema. O fato é que ele adoeceu porque está passando vontade de comer um sorvete que ela não consegue encontrar para comprar. E tem mais, toda vez que o filho assiste à propaganda, o desejo volta e ele apresenta novamente os mesmos sintomas.

A conversa terminou sem que se chegasse a uma solução. De um lado, a crença da mãe e, por conseguinte, da criança, que “passar vontade de comer” alguma coisa leva ao adoecimento. De outro lado, o poder de uma mídia televisiva que invade todos os lares e todas as cabeças, despertando vontades irresistíveis.

Uma amiga mais tarde me contou que a propaganda do sorvete é muito bem feita e está ligada a um super-herói que tem forte apelo emocional nas crianças.

Dois dias depois, soube que uma colega médica atendeu um caso muito semelhante. Desta feita, a criança tinha dois anos. Fiquei estupefata.

O que pensar disso? Até que ponto nossas crenças produzem sintomas físicos? Até que ponto adoecemos, física e mentalmente, porque nossos desejos não são satisfeitos?

Um programa novo de Felicidade

(Padre Jeferson Luis Leme)

Evangelho: Mt 5, 1-12

A-ALEGRIA-DE-VIVER

Falamos tanto de felicidade. Procuramos, buscamos, criamos e nunca estamos satisfeito. Pois bem!!! Essa tal de felicidade está aonde? Quantas coisas realizamos para sermos felizes e não somos. Procuramos a felicidade em todos os lugares e não encontramos. Só que no Evangelho de Jesus Cristo, dá uma dica pra nós em relação à felicidade. As bem-aventuranças nos ensinam a buscar a felicidade em nós mesmos.

Jesus conhecia o coração humano, sedento de felicidade. Todo o homem e mulher quer ser feliz; em consequência, procura a maneira de consegui-lo, segundo o que cada um entende por felicidade: riqueza e dinheiro, êxito e posição social, segurança e amor, poder e domínio, sexo e prazer… etc. Jesus propõe um caminho seguro de felicidade, embora novo e paradoxal.

Nas bem-aventuranças, Jesus estabelece uma inversão total dos critérios mundanos sobre a felicidade. Ele declara felizes, porque já desde agora possuem o Reino e o favor de Deus, todos quantos o mundo tem por infelizes: os pobres e os famintos, os que choram e sofrem, os misericordiosos que sabem perdoar, os retos e limpo de coração, os que buscam a paz e excluem a violência, os perseguidos pela sua fidelidade a Deus.

O que Jesus quer dizer com as bem-aventuranças? Nas bem-aventuranças, a felicidade na vida nunca poderá ser encontrada fora de você mesmo, através das pessoas, das coisas ou dos sistemas (família, sociedade, trabalho). Nada e nem ninguém lhe fará feliz! Não é o carro novo, não é a casa nova, não é a relação nova, não é o emprego novo que lhe fará feliz. Você poderá ter tudo isto e ser imensamente infeliz! Você poderá ter tudo na vida, entretanto não deve colocar para si mesmo, que só será feliz quando obtiver o que pretende materialmente, aquilo o que é transitório e irá um dia desaparecer. Você poderá ser uma pessoa simples, morar numa casinha simples, ter um emprego de pouca projeção e ser imensamente feliz, ou poderá ter muito dinheiro, cargos de destaque nas empresas ou na sociedade, ou um corpo perfeito e ser imensamente infeliz.

A felicidade, quando buscada nas idealizações egocêntricas, fora de si mesmo, lhe fará ser uma pessoa infeliz, insegura e estabelecerá um estado ilusório em sua forma de pensar, que poderá lhe trazer muitas frustrações, fragilizando-lhe emocionalmente, quando você não alcançar o que pretendia. Ninguém e nada lhe farão feliz, se você antes não estiver construindo a felicidade dentro de si mesmo, nos seus ideais de auto-realização empática, nos bons valores, nas suas conquistas morais, na realização daquilo que é construtivo para a vida. Construa a felicidade através daquilo que é real daquilo que nunca desaparecerá, pois sempre terá vida dentro de você! Você pode ter tudo na vida, mas não nasceu para obter a felicidade somente através do ter e nem pelo aparentar ser o que você não é. Você nasceu para ser! Estamos numa escola de amor e desprendimento, pelo servir desinteressadamente a tudo e a todos.

Por isso que as bem-aventuranças é uma dica pra todos nós. As bem-aventuranças de Cristo não são espiritualismo desencarnado, nem passividade alienante, nem resignação fatalista. Ele não as pronunciou para justificar e perpetuar uma classe social de homens e mulheres diminuídos, contentes com a esperança futura. A sua felicidade é presente, mas tem inerente um compromisso pessoal e efetivo com a pobreza e o sofrimento humano. Até a próxima!

Onde começa a saúde?

(Dra. Karen Câmara)

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A saúde começa com uma boa alimentação? Com um estilo de vida saudável? Começa no pré-natal? Nos genes que herdamos dos nossos pais? No acesso aos serviços de saúde?

Algumas pessoas acham que saúde é como dinheiro. Podemos nascer ricos ou pobres de dinheiro. Ao longo da vida, podemos trabalhar para manter ou aumentar nossos recursos materiais assim como podemos malbaratar nosso dinheiro e ficar pobres. A saúde é semelhante.

O que seria nascer rico em saúde? Começa quando recebemos genes bons e saudáveis de nossos pais. Muitas doenças são determinadas pela genética, podendo se manifestar antes mesmo do nascimento da criança, ou em idade mais avançada, enquanto outras só se manifestam quando encontram um fator desencadeante. Como são escolhidos os genes que vão formar o bebê? Alguns acham que é por acaso, outros acreditam que é Deus, há pessoas que dizem que é o destino. O que você acha?

Mesmo que os genes do bebê que está em formação sejam muito bons, se não houver um ambiente saudável para ele dentro da mãe, a saúde dele corre risco. Se a mãe tiver hábitos saudáveis, assistência adequada no pré-natal e não apresentar infecções durante a gestação, as chances de o bebê nascer com saúde são muito maiores.

Os primeiros anos de vida são extremamente importantes para o desenvolvimento físico e psíquico do ser humano. Alguns estudos apontam para o fato de que a falta de proteína na alimentação da criança nos primeiros anos de vida pode afetar permanentemente sua inteligência, assim como um aporte insuficiente de cálcio na alimentação prejudica a formação de seu esqueleto. Amor, carinho, atenção fazem parte dos cuidados maternais essenciais para uma boa saúde psíquica na infância, o que terá repercussões pelo resto da vida. Tanto o excesso como a falta desses cuidados podem ter consequências negativas na saúde psíquica.

Ao longo da vida, a saúde de uma pessoa pode melhorar ou piorar. Isso depende do ambiente em que ela vive, do tipo de trabalho que faz e do seu estilo de vida. Digamos que uma pessoa nasça com bons genes mas esteja acima do peso, tenha uma dieta onde predominam alimentos industrializados, gorduras, açúcares e não faça exercícios físicos. Ela então reúne diversos fatores que aumentam suas chances de desenvolver obesidade, hipertensão arterial, diabetes e todos os problemas decorrentes dessas doenças.

Se a pessoa for ao médico, ela pode receber a orientação que precisa para reverter o quadro acima e voltar a ter uma boa saúde. Será que a saúde começa, então, pelo acesso aos serviços médicos?

Ou será que a saúde começa pelo acesso à informação? Nesse caso, a saúde começaria pela educação. Há alguns anos, em um país oriental onde a mortalidade infantil era muito alta, foi implantado um programa para educar as mães. Depois de alguns anos, observou-se uma redução significativa da mortalidade infantil como consequência direta dessa educação de mães, sem que a renda dessas pessoas tivesse aumentado ou as outras condições tivessem se alterado. Portanto, é possível melhorar a saúde através da melhoria de um único fator, a educação.

Se a saúde começa pela educação, é aí que os esforços devem ser concentrados para melhorar a saúde das pessoas. Isso é basicamente o que os médicos fazem. Eles informam, orientam, recomendam, instruem. Infelizmente isso ocorre, na maioria das vezes, quando a pessoa já está doente, ocasião em que procura um médico.

Portanto, de acordo com esse raciocínio, a saúde deveria começar antes, em casa e nas escolas, através da educação e de forma preventiva. Qual é sua opinião?